Copyright  2014 by Lori and Wayne Earl Edio publicada mediante acordo com Dutton Children's Books, uma diviso de Penguin Young Readers Group, membro de Penguin Group (USA) LLC, empresa do grupo Penguin Random House I am listening to hear where you are. --"Two-Headed Boy", Neutral Milk Hotel Will you hold my hand when I go? -- "When I Go", Slow Club Love is watching someone die. -- "What Sarah Said", Death Cab for Cutie
TTULO ORIGINAL

This Star Won't Go Out
REVISO

Aline Leal Flora Pinheiro Janana Senna
ADAPTAO DE CAPA

Julio Moreira
TRATAMENTO DA FOTO DA CAPA

 de casa
GERAO DE EPUB

Simplssimo Livros
E-ISBN

978-85-8057-465-4 Edio digital: 2014 Todos os direitos desta edio reservados  Editora Intrnseca Ltda. Rua Marqus de So Vicente, 99, 3 andar 22451-041 -- Gvea Rio de Janeiro -- RJ Tel./Fax: (21) 3206-7400 www.intrinseca.com.br









ESTA  UMA HISTRIA sobre uma garota que passou por uma experincia
transformadora chamada "cncer da tireoide". No  um daqueles relatos dramticos sobre cncer "baseados em fatos reais", at porque o "cncer da tireoide" no  to ruim quanto os outros.  uma histria sobre mim, Esther Earl, vivendo com uma doena que  bastante assustadora.
SR. TUMOR CANCERGENO Esther Earl, Dirio do "Tumor Cancergeno"

Para todos os que desejam viver intensamente e amar profundamente, no importando o obstculo ou a durao dos dias.

Abigail e Esther com John Green,
LEAKYCON,

2009

INTRODUO
por John Green autor do best-seller A CULPA  DAS ESTRELAS e cocriador do canal Vlogbrothers no YouTube

M

inha amizade com Esther Earl comeou, como tantas excelentes histrias de amor, em uma conveno sobre Harry Potter. Meu irmo, Hank,  um roqueiro bruxo, o que significa que ele escreve canes sobre o universo de Harry Potter e, por isso, em 2009 me arrastou para a LeakyCon, uma celebrao de tudo relacionado ao personagem, realizada em Boston. Na primeira noite, houve um banquete e um show que, naturalmente, envolveu muita dana. A maior qualidade da comunidade de fs de Harry Potter  que ningum critica ningum. Ser nerd no  visto como um defeito de carter. O entusiasmo sem ironia  celebrado, e nunca com tanta intensidade quanto na pista de dana. Em um concerto de rock bruxo, no importa se voc  timo ou pssimo danarino, desde que dance com toda a animao. O que eu no consigo fazer. Acho impossvel danar como se ningum estivesse olhando, mesmo que ningum esteja olhando. Assim, quando todos correram para a pista de dana, permaneci onde estava. Minha estratgia em um evento desses  me recostar em uma pilastra ou parede e ficar olhando com ar pensativo para os msicos e para a multido danando, como se estivesse elaborando Algo Muitssimo Inteligente; assim, espero que todos os que por acaso olhem para mim percebam que no devo ser interrompido. No entanto, fui interrompido por uma vozinha que disse: -- Voc  o John Green? Virei-me e vi uma garota usando uma cnula nasal e outra garota quase idntica a ela (sua irm, pensei) segurando um cilindro de oxignio. -- Sou -- respondi -- Oi. O que aconteceu depois foi bastante convencional: a garota -- seu nome era Esther -- gostava do vlog que Hank e eu fazamos e queria tirar uma fotografia comigo. A irm bateu a foto, depois tivemos uma conversa rpida e voltei a me recostar na parede. Minutos depois, uma amiga minha veio e tentou me puxar para danar. Eu me virei em pnico e vi Esther e a irm Abby sentadas a uma mesa atrs da pista de dana, ento disse: -- Hm, preciso ir. Tenho que falar com aquelas garotas. Essa foi a primeira vez, mas no a ltima, que Esther Earl me salvou de uma catstrofe. Senteime ao lado delas e comeamos a conversar. Descobri que Esther no apenas assistia aos nossos vdeos: ela era uma nerdfighter de carteirinha. (Nerdfighters so pessoas que lutam pelos nerds e celebram o intelectualismo; a comunidade cresceu para alm dos vdeos que meu irmo e eu comeamos a fazer em 2007.) Esther nos acompanhava havia anos. Mais tarde, ela ajudaria a

manter o maior site de fs dos nerdfighters, o effyeahnerdfighters, com um grupo pequeno de amigos que se autointitulava Catitude. Esse grupo tambm ajuda a administrar um projeto de caridade anual dos nerdfighters chamado Project for Awesome. Frequentemente, Hank e eu recorremos ao Catitude em busca de aconselhamento e ajuda. Assim, descobri que Esther e eu j meio que nos conhecamos. Conversamos naquela noite em Boston por um bom tempo, entediando Abby, tenho certeza, contando piadas de nerdfighters e falando sobre a msica de Hank e nossas bandas de rock bruxo favoritas. Mantive contato com Esther depois desse encontro. s vezes, conversvamos brevemente por Skype, e eu entrava no chat do Catitude de vez em quando para discutir sobre o fan site administrado pelo grupo, ou a moderao do frum, ou s para bater papo.  impossvel descrever o quo rpido aquele pessoal digitava nos chats do Skype: dez ou doze pessoas conseguiam produzir milhares de palavras por minuto, e Esther, embora fosse um dos membros mais jovens do Catitude, tinha o mesmo ritmo. Eu sabia que Esther tinha cncer, mas tambm sabia que a maioria dos jovens com cncer melhorava, e nunca quis me intrometer demais, menos ainda porque estava trabalhando havia anos em um livro sobre crianas com cncer e no queria que minha amizade com ela virasse em um projeto de pesquisa. Durante muito tempo, houve um tanto de negao em nosso relacionamento. Eu no queria imaginar que aquela f hilria e dedicada poderia morrer, e Esther queria fazer amizades que no fossem definidas e circunscritas pela doena. Suas deficincias fsicas tornavam isso difcil na vida real, mas, na internet, ela no era "Esther Earl, a menina que tem cncer e precisa de um cilindro de oxignio". Ela era "Esther Crazycrayon, a garota engraada do Catitude". E ento, um dia, Esther e eu estvamos conversando no chat quando ela revelou que estava escrevendo de uma cama de hospital, e que -- depois que insisti em saber um pouco mais -- na verdade estava na UTI e havia tubos saindo de seu peito para drenar o lquido acumulado nos pulmes. Mesmo assim, ela fez tudo parecer muito normal e corriqueiro, como se toda garota de quatorze anos precisasse, ocasionalmente, ter alguns tubos enfiados no peito. Mas fiquei to preocupado que entrei em contato com seus amigos, que me colocaram em contato com os pais de Esther, Lori e Wayne. Logo depois, todos os amigos dela da internet comearam a se dar conta de que Esther tinha uma doena terminal. Percebo agora que estou fazendo aquela coisa de criar uma distncia entre mim mesmo e a dor usando termos tcnicos e frios como "doena terminal" e descrevendo eventos em vez de sentimentos, ento: eu estava com muita raiva -- de mim mesmo, por todas as vezes que interrompi nossas conversas para poder voltar ao trabalho, e da Terra, por ser o tipo de lugar condenvel em que crianas que no fizeram nada de errado precisam viver anos de medo e dor

para depois morrer. No gosto da expresso "amigos da internet" porque sugere que pessoas que se conhecem online no so amigas de verdade, que a amizade , de alguma forma, menos real ou significativa por acontecer pelo Skype ou via mensagens de texto. A medida de uma amizade no tem a ver com presena fsica, mas, sim, com seu significado. Bons amigos, virtuais ou no, motivam nossa empatia, nos confortam e tambm nos arrancam das prises de ns mesmos. Suponho que parte de Esther tenha ficado triste ao desistir da iluso de que ia ficar bem com seus amigos virtuais, mas o que aconteceu em seguida foi uma revelao para todos ns. Nossas amizades da internet eram fortes e reais, e se tornaram mais fortes e reais quando Esther e os amigos por fim conseguiram reconhecer e discutir abertamente a verdade sobre a doena dela. Poucos meses antes de Esther morrer, aqueles amigos da internet tornaram-se, por um tempo, amigos na vida real, quando vrios membros do Catitude passaram alguns dias com Esther em Boston. Estive l por um dia. Gostaria de poder falar do quanto me mantive forte e traquilo, mas, na verdade, chorei a maior parte do tempo e mal balbuciei uma frase. Queria ter sido mais adulto com Esther e seus amigos; assim como os pais dela, eu poderia ter sido um alento, uma presena tranquilizadora e amorosa, em vez de uma pessoa chorona e apavorada. Mas  isso a. Ainda assim, foi um grande dia. Falamos sobre nossas esperanas e nossos medos do futuro, sobre os ltimos filmes de Harry Potter (que Esther infelizmente nunca chegou a ver) e sobre nossas lembranas mais felizes. Esther me contou que a dela era de um ano antes, quando foi hospitalizada com pneumonia e pensou que ia morrer. Ela falou sobre ter toda a famlia a seu redor, ficar de mos dadas com eles, sentindo-se conectada quelas pessoas que a amavam infinitamente. Usou essa palavra ao se referir, em certo momento, ao amor que sentia pela famlia: "infinito"; e pensei que infinito no  a mesma coisa que um grande nmero.  totalmente diferente.  algo ilimitado. Vivemos em um mundo definido por seus limites: no se consegue viajar mais rpido que a velocidade da luz. Todo mundo deve e vai morrer. No se pode escapar dessas limitaes. Mas o milagre e a esperana da conscincia humana  que ainda podemos conceber a infinitude. Assistimos a um filme que Wayne e Lori tinham feito sobre a vida de Esther. Comemos comida chinesa. Choramos muito juntos. Esther fez intervalos -- para tirar cochilos, vomitar, tomar remdio injetado pelo tubo de alimentao ligado a seu estmago --, mas estava totalmente consciente, to viva quanto qualquer um de ns, igualmente capaz de amar e ser feliz, de sentir raiva e tristeza. E, por mais que eu no quisesse que a nossa amizade tivesse a ver com minha produo literria, no poderia deixar de ser afetado por ela, em um nvel pessoal e como escritor. Ela era muito divertida, mordaz e consciente. Tinha uma capacidade inconcebvel de empatia. E, acima de tudo, era uma pessoa, uma pessoa completa e complexa. Temos o hbito de imaginar quem est morrendo como fundamentalmente diferente de quem est saudvel. Ns os elevamos  categoria de heris e os imaginamos com reservas de fora que no nos so possveis. Dizemos a

ns mesmos que vamos nos inspirar nas histrias de sofrimento -- que aprenderemos a ser gratos por cada dia, ou mais compreensivos, ou qualquer coisa assim. Essas reaes, embora por certo bem-intencionadas, em ltima anlise os desumanizam: Esther no era incomum porque estava doente, mas porque era a Esther; e ela no existiu para que o restante de ns pudesse aprender Lies Importantes de Vida. O significado da vida dela -- como o de qualquer outra --  uma questo enlouquecedoramente ambgua e envolta em incerteza. Mais tarde naquela noite, Esther, seus amigos e eu fomos dar uma volta por Boston (nos revezando para empurrar a cadeira de rodas dela) para tomar caf e sorvete. Nunca vou conseguir explicar como tudo aquilo foi divertido, como foi uma grande aventura, comparvel  escalada do monte Everest, vagarmos pelas ruas centenrias procurando sobremesas. Fiz um vdeo sobre Esther algumas semanas depois, e ela logo se tornou uma espcie de celebridade na comunidade nerdfighter. Durante os ltimos meses de vida, ela tratou essa nova ateno que recebeu com graa (que era, afinal, seu nome do meio -- Grace). Ela at comeou a fazer seus prprios vlogs, e, apesar de estar muito doente e a poucas semanas de morrer, os vdeos eram engraados e charmosos e atraram um grande pblico. Continuamos mantendo contato, e ela ainda visitava seus amigos no chat do Catitude, mesmo quando a conversa, por vezes, ficava acelerada demais para ela,  medida que seu estado de sade piorava. As ltimas imagens que ela filmou fizeram parte de um vdeo colaborativo do Catitude para o meu aniversrio de trinta e trs anos, em 24 de agosto de 2010. Quando o vdeo foi exibido, Esther estava de volta  UTI. Ela morreu na madrugada do dia 25 de agosto. Quando pensamos na morte, muitas vezes a imaginamos acontecendo de forma gradativa: pensamos em uma pessoa doente se tornando menos e menos viva at por fim ir embora. No entanto, mesmo em seus ltimos dias, Esther estava totalmente viva, to viva quanto qualquer um de ns, e, portanto, mesmo que todos que a amavam entendessem que ela estava morrendo, sua morte ainda foi um choque terrvel para mim. Ela no partiu devagar, mas de repente, porque, mesmo quando no conseguia mais sair da cama, ela encontrava maneiras de desfrutar a vida plenamente: brincar com os amigos, contar piadas, amar e ser amada. E ento ela se foi, de repente, de uma hora para outra. Eu j disse muitas vezes que A culpa  das estrelas, embora dedicado a Esther, no  sobre ela. Quando o livro foi publicado, muitos jornalistas queriam que eu falasse sobre Esther, queriam saber se meu livro tinha sido "baseado em uma histria verdica". Nunca soube como lidar com essas perguntas, e continuo sem saber, pois a verdade (como sempre)  complexa. Esther inspirou a histria no sentido de que minha raiva depois de sua morte me levou a escrever o tempo todo. Ela me ajudou a imaginar adolescentes mais compreensivos do que eu acreditava que eles pudessem ser, e seu charme e sua ironia inspiraram o livro tambm. Mas a personagem Hazel  muito diferente de Esther, e a histria de Hazel no  a de Esther. A histria de Esther pertencia a ela, e, felizmente para ns, ela era uma escritora extraordinria, que conta essa histria divina

nestas pginas. Encontro consolo nisso, mas no se engane: ainda estou muito zangado por ela ter morrido. Ainda sinto falta dela. Continuo achando que perd-la  uma injustia intolervel. E queria que ela tivesse lido A culpa  das estrelas. Fico surpreso que o livro tenha encontrado um pblico to grande, mas a pessoa que eu mais queria que o tivesse lido nunca o far. Mencionei anteriormente que Esther me manteve longe da pista de dana naquela noite, em 2009, mas aquela no foi a ltima vez que ela me salvou de uma catstrofe. Na verdade, ela continua me salvando, o tempo todo. Nestas pginas, e nas minhas memrias, ela me faz lembrar que uma vida curta tambm pode ser uma vida boa e rica, que  possvel viver com depresso sem ser consumido por ela e que o sentido da vida est na unio, na famlia e nas amizades que transcendem e sobrevivem a todo tipo de sofrimento. Como o poeta escreveu no Cntico dos Cnticos da Bblia, "O amor  forte como a morte." Ou talvez mais forte ainda.

Almofada de estrela,
ARBIA S AUDITA,

2000

Esther trabalhando ,
MAS S ACHUS ETTS ,

2003

ESTHER GRACE uma apresentao
pelos pais de Esther, Lori e Wayne Earl

D

esde pequena, Esther tinha certeza de que ia ser escritora. E ns acreditvamos nela. Ela amava as palavras, sentia sua fora e acreditava na magia das histrias. Mais velha, ainda mantinha uma lista de ideias e personagens que queria desenvolver. Ns a estimulvamos a escrever e prometamos com entusiasmo ajud-la a encontrar pblico para seu trabalho. Mais ou menos aos oito anos ela comeou a fazer um dirio, e passou a escrever mais e mais  medida que crescia. Claro que no escrevia no dirio com a ideia de que aquilo um dia seria publicado. Fazia isso porque precisava. Era apaixonada pelo processo e achava essencial para sua sade mental e emocional conseguir tirar os pensamentos da cabea e bot-los no papel. Como muitas pessoas da mesma idade, manter um dirio a ajudou a atravessar a passagem da infncia para o incio da adolescncia. E escrever se tornou cada vez mais importante aps seu diagnstico. O que Esther escreveu pertence agora a voc, leitor. Temos certeza de que ela no se oporia. Sempre falava do desejo de estimular e inspirar os outros, e fazia isso quer as pessoas percebessem quer no, talvez especialmente se no percebessem. Era defensora dos solitrios, receptiva com estranhos, uma pessoa acolhedora. Escrever no dirio, em geral, era a ltima coisa que Esther fazia no dia. Ela escrevia na cama, e s depois de ler algo que lhe desse prazer. Est claro que se dirigia ao dirio como a uma pessoa, e costumava reler o que escrevia, pois procurava melhorar suas qualidades e lidar com o que achava que eram defeitos e pontos fracos. Com o passar dos anos, o estilo e o contedo dos textos passaram a refletir uma vida com propsito do ponto de vista de uma menina simptica e alegre forada a navegar pelas guas monstruosas de uma sentena de morte, o cncer, enquanto ao mesmo tempo entrava no fascinante mundo da adolescncia no incio do sculo XXI. Diante de um intruso to indesejvel, costumamos nos sentir impotentes enquanto lutamos para nos manter positivos. Para ns, a mquina onipresente que a ajudava a respirar era um lembrete incessante de que estava chegando o dia em que seu rudo tranquilizador silenciaria. Mas Esther preferia ver as coisas de outro modo. Durante todo o tratamento, sentia que, no geral, sua vida tinha sido boa. Ela teve o amor da famlia, dos amigos, e a cada dia sua dedicao  misso de confortar e cuidar dos outros se renovava. No importava a fora do ataque -- enquanto seu trabalho no terminasse, ela no fazia planos de abandonar seu posto como guarda da esperana. Duas semanas depois de fazer dezesseis anos, ela tuitou para os amigos:

Se eu pudesse pedir para ter trs talentos, seriam: entrar em corpos (sem machuc-los) e tirar todo o cncer, danar & PALAVRAS.

Children's Hospital,
BOS TON,

2008

No avio, voltando da Europa, 2004

Criar palavras que pudessem curar, compartilhar e celebrar a vida com entusiasmo aqui e agora: esse era o legado dela. Estamos convencidos de que  por isso, e por seu amor profundo pelos outros, que ela gostaria de ser lembrada. Sua vida foi seu livro. Ela no pde escolher o final, mas a forma como preencheu as pginas torna a histria irresistvel. Compartilhar nossa Estrela -- nosso maravilhoso raio de sol --  um modo de espalhar sua luz. Somos muito gratos por ela ter agraciado nossa vida, mesmo que por pouco tempo. Lendo as palavras dessa jovem escritora, esperamos que outros se inspirem e sejam transformados para melhor, como ns fomos.

Ilustrao sem ttulo, 6 DE DEZEMBRO DE 2008

Esther Grace Earl: FRAGMENTOS DA INFNCIA

3 DE AGOSTO DE 1994

Nascida em Beverly, Massachusetts, filha de um pastor e de uma educadora, ESTHER GRACE EARL j era muito amada bem antes de o mundo conhec-la. Esther, que significa "estrela", recebeu esse nome em homenagem  corajosa rainha judia que muito tempo antes arriscara a vida para salvar seu povo.

Esther com sete meses ,
HAVERHILL, MAS S ACHUS ETTS ,

1995

A menininha,
WARD HILL, MAS S ACHUS ETTS ,

1997

CABELO

Nossa estrela nasceu com um cabelo maravilhoso e maluco que combinava com seu modo eltrico de encarar a vida: era indomvel, ento nem tentamos! s vezes, ouvamos o seguinte comentrio sobre nossa menininha: -- Hoje ela acordou com o cabelo ruim, hein? Nossa resposta indignada saa sempre em tom de censura: -- Amamos o cabelo dela!

CRIATIVIDADE

Com apenas dois anos de idade, Esther fez o desenho de uma bota com cadaro e um rosto sorridente. Seu pai escreveu sobre isso no dirio dele: -- Esther, voc viu esse desenho em algum lugar? -- No. -- Foi s uma ideia que passou pela sua cabea? -- . Eu vi a bota, pai, e fiz uma cara para ela! Voc gostou? -- Gostei, sim, Esther. Gostei muito.

A bota do papai, 1996

Esther e Graham,
ALEMANHA,

2000

EMPATIA

Quando Esther tinha quatro anos, fomos contratados para dar aulas na Arbia Saudita. O mundo de Esther girava em torno da famlia, incluindo as irms mais velhas, Abby e Evangeline, e o irmozinho, Graham. A empatia de Esther, j nitidamente visvel, ficou clara no dia em que ela passou uma poro generosa de filtro solar no rosto de Graham. Quando ele comeou a chorar porque havia entrado um pouco de creme nos olhos, Esther logo interveio: -- No, Graham, est vendo, no di nada! E passou filtro nos prprios olhos para mostrar a ele. Os dois acabaram chorando de dor e saram correndo para buscar ajuda!

LER E ESCREVER

Em 2001 nossa famlia voltou para Massachusetts, onde o pai de Esther assumiu o comando de uma igreja. J sendo uma leitora vida, ela tambm encontrou vrias oportunidades para escrever histrias e outras coisas, inclusive e-mails para amigas e para a famlia, como este para o pai em outubro daquele ano. Querido papai, Espero que voc esteja bem. Escrevi mais duas histrias, "O gato assustador destri a cidade dos vegetais" e "O pato de Pscoa", e estou indo bem na escola. S estou meio triste porque voc est longe. Eu te amo e rezo por voc. E pensei no que quero de onde voc est, quero um bicho de pelcia ou um Kinder Ovo, tanto faz, voc s no pode me trazer um boneco da coleo Beanie Baby porque no sabe quais eu tenho e  por isso que voc no pode comprar um para mim. Com amor e beijos da Esther XOXOXOXOXO

Esther Grace ,
BAHREIN,

2001

Terceiro ano ,
KINGS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2003

TUDO SOBRE MIM

Esther foi uma dos dois nicos alunos de todo o segundo ano que conseguiram chegar ao topo da escada de cordas no ginsio da escola de ensino fundamental, conquistando com muito orgulho a honra de escrever seu nome no teto! Pster "Tudo sobre mim"
CINCO PALAVRAS QUE ME DESCREVEM : UMA COISA QUE ME TORNA ESPECIAL: MEU LIVRO FAVORITO:

legal, inteligente, divertida, engraada, carinhosa

meu nome do meio  Grace

Harry Potter pizza

MINHA COMIDA FAVORITA: MEU ESPORTE FAVORITO: MEU ANIMAL FAVORITO:

futebol

um gato gosto de ler e escrever

QUANDO TENHO TEMPO LIVRE: QUANDO EU CRESCER:

quero ser escritora

NOVE ANOS

O irmozinho Abraham se juntou  famlia quando Esther fez nove anos. Ela assistiu a seu nascimento e cortou o cordo umbilical. Seu comentrio para todos os que estavam na sala de parto foi claro e seguro: -- Eu estou adotando! Esther amava o oceano. At seu rosto parecia feito para a areia e o mar, salpicado de sardas  primeira luz do vero! Sua alegria se reflete no poema a seguir, que ela escreveu sentada na praia.

Colhendo mas ,
NORTHBORO, MAS S ACHUS ETTS ,

2003

O mar  muito especial para mim Cada vez que eu olho para ele , Ele olha para mim tambm Amo o azul da gua do mar Cor que tambm no cu se pode encontrar

O mar  muito especial para mim Quando eu crescer se o mar ainda estiver l Vou abrir os olhos e respirar o fresquinho do ar Porque o mar  muito especial para mim. O mar  calmo e  disso que eu gosto A areia  novinha e o vento sopra meu cabelo no rosto E o mar  muito especial para mim.

Alle Centrale ,
PARIS , FRANA,

2004

QUINTO ANO

De um cartaz intitulado "Entrevista da turma", aqui esto algumas das perguntas que Esther respondeu sobre sua vida como aluna do quinto ano. P. R. P. R. P. R. P. R. P. R. Do que mais gosta em voc? Do cabelo e das sardas, baby! O que faria se visse uma pessoa sendo zoada porque gagueja? Chamaria para se sentar comigo no almoo e para jogar no computador da minha casa. Medos? De acidente de avio, carro, barco ou de me machucar sozinha em casa. Apelidos? Estee, Star. Paraso? Acho que vai ser perfeito e tudo vai ser mais do que legal!

FRANA

Mudamos para a Frana em dezembro de 2005, para trabalhar em uma organizao sem fins lucrativos, realizando o sonho de uma vida. As crianas entraram em programas de imerso em escolas pblicas francesas, e Esther, especialmente, pareceu se adaptar a toda essa mudana com facilidade. Ela devia estar se saindo realmente bem, pois um dia chegou em casa depois de uma aula de educao fsica -- em que tinha esquiado nos Alpes! -- e nos contou, achando a maior graa, que foi chamada de "francesinha bonita" por uma famlia britnica.

Esther e Abe ,
ALBERTVILLE, FRANA,

2006

Sexto ano, Collge Mignet,
AIX-EN-PROVENCE, FRANA,

2006

ESTHER GRACE

Depois de quase um ano, as crianas estavam se adaptando bem  nossa vida nova na Europa. Mas no meio do conto de fadas surgiu o cncer. Nossa garota de doze anos esbelta, forte, cheia de energia e infatigvel comeou a se sentir cansada de andar mesmo curtas distncias. Precisava parar para recuperar as foras e tambm comeou a tossir. O medo de pneumonia ou tuberculose fez com que a levssemos ao hospital. E ento recebemos a pior das notcias: cncer da tireoide .

DIAGNSTICO E TRATAMENTO
por Dra. Jessica Smith mdica endocrinologista do Boston Children's Hospital

E

m 2006, quando tinha doze anos e morava na Frana com os pais e os irmos, Esther comeou a sentir que no conseguia acompanhar o ritmo de viagens da famlia de sete pessoas. Ao lembrar das semanas anteriores, percebeu que vinha sentindo dores no peito, que estava tossindo muito e tinha dificuldade de respirar, sobretudo quando praticava atividades fsicas. Foi levada ao Hpital de la Timone, em Marselha, onde se pensou, a princpio, tratar-se de uma pneumonia. Ento, surpreendentemente, raios X do trax mostraram que havia fluido e ndulos nos dois pulmes. Esther foi internada de imediato e, aps muitos exames, diagnosticada com cncer da tireoide papilar metasttico, o tipo mais comum da doena em crianas. Em novembro daquele ano, Esther passou por uma cirurgia para a retirada dessa glndula e de numerosos ndulos linfticos do pescoo. Aps a cirurgia, teve srias complicaes que a obrigaram a tomar hormnio da tireoide, clcio e suplementos de vitamina D constantemente. Como parte do tratamento contra o cncer, Esther tambm foi submetida a duas sesses de radioterapia. ***** Conheci Esther e sua famlia em agosto de 2007, no Boston Children's Hospital, quando eles procuraram ajuda para encontrar remisso e cura. Em geral, no longo prazo, o prognstico do cncer da tireoide em crianas  bastante bom, havendo uma taxa de sobrevivncia de at noventa por cento aos vinte anos. Mas o caso de Esther era diferente: ela apresentava a doena na forma mais avanada. O cncer dela se espalhara por todo o corpo e se instalara nos gnglios linfticos do pescoo e nos pulmes. Uma equipe, que inclua um tireoidologista (mdico especialista em cncer da tireoide), um pneumologista (mdico especialista em pulmes), uma enfermeira endcrina (enfermeira que auxilia em doenas relacionadas a hormnios) e um assistente social (um especialista em lidar com as dificuldades financeiras e emocionais e com todos os ajustes necessrios), foi montada para avaliar o estado de sade de Esther. Em geral, os pacientes com cncer da tireoide precisam visitar o hospital a cada seis a doze meses, mas Esther precisava ser atendida com uma frequncia muito maior. Nossa primeira abordagem foi administrar doses elevadas de iodo radioativo (radiao) para atingir a doena nos

ndulos linfticos e nos pulmes. Isso no apenas exigia uma dieta extremamente restrita, como tambm um isolamento maior dos amigos e da famlia. Embora Esther comeasse a responder ao tratamento, ela e a famlia passaram a enfrentar muitos desafios associados a ele. Esther no pde mais frequentar a escola normalmente devido ao nmero de consultas mdicas. A quantidade de remdios que era obrigada a tomar todos os dias cresceu de forma dramtica, e o estresse sobre seu corpo provocou dores de cabea e nuseas dirias, alm de perda de peso. Eu estava cautelosamente otimista com a reao de Esther  terapia at junho de 2008, quando ela comeou a piorar. Ela no conseguia mais respirar sem o aparelho de oxignio e sua perda de peso foi muito acentuada. Esther resistiu bastante  ideia de colocar um tubo no estmago para ajudar com a alimentao e a medicao, mas, depois de conversarmos muito sobre maneiras estilosas de escond-lo, ela por fim concordou que fosse cirurgicamente inserido. Ento, em outubro de 2008, Esther chegou  UTI com uma piora significativa depois de passar por dois episdios de hemorragia pulmonar. No permitia ser sedada e, mais adiante, se mostrou muito inflexvel com relao a remdios que afetassem seu estado mental. Depois que Esther deu entrada na UTI, conversei muito com ela e sua famlia sobre as etapas seguintes do tratamento. Decidimos consultar o Dana-Farber Cancer Institute e buscar uma terapia nova e experimental. Apesar de seu objetivo no ser a cura, poderia trazer mais qualidade de vida para Esther. Os riscos e benefcios foram avaliados tanto com ela quanto com a famlia, e, embora a deciso tenha sido difcil (mais hemorragias pulmonares eram uma possvel consequncia), Esther se mostrou disposta a tentar a nova terapia. Durante essa transio, ela precisou de apoio extra de enfermagem domiciliar e no conseguia mais dormir em seu quarto. A famlia transformou a sala de jantar no quarto de Esther porque ela no podia subir e descer escadas. Durante os dezoito meses seguintes, Esther lutou corajosamente e alternou duas terapias experimentais. Ao longo desse tempo, sua irm mais velha tornou-se uma excelente cuidadora e passou muito tempo levando-a e trazendo-a do hospital. Esther apresentou diversos efeitos colaterais, incluindo perda de cabelo, sobrecarga de lquidos no sangue, erupes cutneas, nuseas e dores de cabea, mas, apesar de tudo, sempre manteve uma atitude positiva. Durante o vero de 2010, comeou a sofrer de insuficincia renal. Em todas as etapas, Esther esteve muito envolvida com decises relativas a seu tratamento. Senti-me abenoada por estar presente na noite quente de vero, em agosto de 2010, quando Esther faleceu em paz, na presena da famlia, devido a complicaes relacionadas ao cncer. Pediram-me para contribuir com um pequeno texto dedicado a Esther Earl. A parte mdica, embora seja uma lembrana dolorosa de uma bela vida perdida, faz parte da minha histria profissional. Tive a grande sorte de atender Esther e sua famlia e cuidar deles. Enfrentei tambm a difcil tarefa, e os desafios a ela associados, de explicar o prognstico no longo prazo, que foi

acompanhado de grande ansiedade, choque e decepo inesperada. Mas as lies de vida que Esther me ensinou e a chance de ter estado junto com ela e sua famlia nessa experincia que mudou minha vida so uma verdadeira bno. Resumir em poucas palavras meus pensamentos e sentimentos com relao a Esther  quase impossvel. Ao conhecla, soube de imediato que era uma estrela. Ela iluminava o consultrio com seu sorriso, aquecendo-o com sua aura sempre presente. Seu senso de humor era sarcstico, porm agradvel, e sua risada clareava os dias mais escuros. No incio de nosso relacionamento, Esther se destacou como uma adolescente consumidora de cafena extremamente inteligente e peculiar, cuja sabedoria ia alm da idade. Sempre escutava nossas discusses em silncio, embora com ateno, e suas perguntas no eram apenas inteligentes, mas tambm astutas do ponto de vista mdico. Mesmo aos treze anos, Esther era capaz de desafiar de forma respeitosa as decises mdicas e fazer questionamentos instigantes.  medida que nossa relao se estreitava e ela comeou a confiar em mim, criamos um vnculo que era, ao mesmo tempo, leve e profundo, honesto e ntegro. Esther nunca esteve disposta a aceitar o fracasso, mas aceitava seu destino e era capaz de se expressar de forma clara e emocional, com muita sabedoria e confiana.  medida que sua doena progredia, ela lutava com equilbrio e dignidade. Por meio de seus blogs, Esther permitiu que cada pessoa se sentisse nica e especial e estabeleceu com estranhos relacionamentos duradouros que se estreitaram ao longo do tempo. Seu amor por literatura, amizade, arte e pelo processo criativo como um todo fez seu crculo de amigos ficar mais forte, e isso persiste at hoje. Esther desenvolveu sua prpria estrutura de apoio, permitindo que a famlia e os amigos se fortalecessem no cenrio de sua doena.  preciso ser extremamente resiliente a fim de alcanar esse sucesso com uma doena que aflige to poucos. No se passa um dia sequer sem que eu pense nela. Sua contribuio para o meu trabalho me permitiu fortalecer a dedicao  minha carreira e ao meu desenvolvimento pessoal. Sempre a menciono em minhas apresentaes e palestras. Apesar do curto perodo de tempo conosco, sua longevidade e seu legado estaro definitivamente presentes em muitos meios. Da minha parte, sempre saberei onde encontr-la -- em meu corao.

U

m dos passatempos favoritos de Esther era criar um trabalho artstico e dar para algum. Esses tesouros podiam ser feitos  mo ou podiam ser colhidos, como um buqu de margaridas, ou costurados, pintados ou colecionados, como uma xcara cheia de conchas. Seus mimos sempre eram acompanhados de um bilhete ou carta: a verdadeira inteno de sua doao, seu verdadeiro presente. Mesmo que as flores tenham murchado e os desenhos comeado a amarelar, suas cartas to queridas e cheias de amor permanecem.  LORI E WAYNE EARL, PAIS DE ESTHER

Sem ttulo, 2009

CARTA, 2 de junho de 2007

Wayne e Lori Earl...  o aniversrio de casamento de vocs! Sabem o que isso quer dizer?!? Vocs esto juntos/casados h 23 (ou seriam 24?) anos! Legal. Me desculpem por no poder fazer nada mais especial ou mais romntico para o aniversrio de vocs. Falando srio... quem quer um aniversrio sem graa? Ah, mas isso no deve ter importncia j que tm o amor um do outro :) Pais, eu amo vocs dois. Muito. Tenho muita sorte de ter pessoas to incrveis me criando. Porque... de verdade, eu no seria quem sou hoje se no fosse o amor e o carinho de vocs dois. Por favor entendam que vocs so incrveis. Agradeo a Deus por Ele ter me abenoado com pessoas to amorosas. Ter cncer  difcil. Eu no teria chegado to longe se no fosse pela minha famlia. Muito obrigada por estarem aqui comigo. Assim fica parecendo menos difcil. Sei que posso soar melosa, mas no consigo expressar com palavras tudo que vocs dois representam para mim. Apenas saibam que eu amo vocs e no trocaria nossa famlia pobre e sem casa, mas cheia de amor, por nada neste mundo. Por favor, tenham um dia divertido, apesar de no haver nada legal planejado. Ns amamos vocs e desejamos o melhor aniversrio de casamento do mundo.

Com muito amor, Sua Estee

CARTA, 3 de junho de 2007

Querrid, pode ser o dia das mes na Frana, mas VAMOS COMEMORAR! Mame, Eu te amo. No h outra forma de expressar isso. Voc  uma mulher incrvel, sabia, me? Ns, seus filhos, somos os filhos mais sortudos: no temos dinheiro "nenhum", mas, em vez disso, temos o amor de uma me e um pai maravilhosos. No temos casa, mas com voc sentimos que estamos sempre no nosso lar... com voc, o anjo da guarda que Deus mandou para nos amar (:D), no precisamos nos preocupar. Me, sei que sou s uma criana, mas posso dizer que passar pelo cncer me ajudou a crescer. s vezes, quando penso em por que tinha que ser eu, recebo algumas "respostas". Tipo, antes do La Timone, eu no era muito prxima de Deus. No queria pensar Nele. Gostava de coisas materiais que no importam... Mas um dia percebi que sem Deus nada importa. Por isso, pedi que Ele entrasse no meu corao. Olha, no entendo basicamente nada sobre Deus, exceto que Ele me ama, Ele me fez e sem Ele eu estaria perdida. No teria percebido nada disso sem voc, papai e Abby me dizendo para ler a Bblia e lendo em voz alta para mim. Obrigada.

Outra coisa que percebo  que sua amizade  muito importante para mim, e eu no teria uma relao to prxima com voc se no fosse por tudo isso. E, se eu tivesse a escolha de voltar no tempo de alguma forma e impedir o cncer, eu no faria isso, porque mudaria muitas coisas. S queria que voc soubesse que talvez eu no me importe muito de ter cncer.  parte de mim no momento, e acho que sou uma pessoa de bastante sorte. O que quero dizer  que o cncer da tireoide  tratvel com radiao, e quase no sou afetada por isso!  diferente da quimioterapia. Que ...  uma tonelada de veneno matando as coisas boas tambm. Espero que encontrem uma boa cura para o cncer logo, porque a verdade  que, se eu no tivesse ficado doente, no ficaria

pensando nas pessoas com a doena... Eu sentiria pena do tipo "ah... coitado" em vez de solidariedade sincera. s vezes, tenho vontade de gritar e dar um chilique porque os mdicos no conseguem encontrar uma cura para essa doena... ah,  doloroso. (Uau! Acabei de perceber que parece que estou falando com meu dirio, no com voc. Ah, pacincia!!!) S achei que voc devia saber que aceito o fato de ter cncer da tireoide. Est tudo bem e eu NO estou em negao nem nada, s sei que est tudo bem pois tenho Deus e uma famlia protetora, amorosa e carinhosa me ajudando a passar por isso. Tudo bem, desculpe mudar o clima, mas  seu... o que mesmo?... Dcimo oitavo Dia de Dia das Mes!! P.S. Sou melhor escrevendo do que falando. De verdade. At com Angie. Ah, isso me faz lembrar que... sabe que, apesar de eu no conseguir me abrir com [voc] tanto quanto com ela, voc sabe que eu agradeo pela nossa amizade mais do que muitas coisas, no sabe? Porque  verdade. E, me? Querida, eu te amo, e no tem outra forma de expressar isso. P.S. Diga para o papai que agradeo a ele tambm... sem ele, eu no estaria aqui... literalmente!

Feliz Dia das Mes!

I love you. Ich liebe dich. Je t'aime.

+ e umas cento e dez outras lnguas Sua Para Sempre, E sempre, E sempre, E sempre, E pelo Infinito, <3 Estee <3

Me e filha,
PLYMOUTH, MAS S ACHUS ETTS ,

2003

Calado da praia,
S ANTA CRUZ, CALIFRNIA,

2004

5 de junho de 2007

A vida est indo bem agora. Est mesmo. Mame e papai fizeram aniversrio de casamento dia 2 de junho, mas saram para um jantar de comemorao na cidade no dia primeiro. Escrevi um carto e deixei na porta do quarto deles durante a noite. Eles disseram que "amaram". A, por volta das onze da noite (de 2 de junho), Angie e eu decidimos fazer alguma coisa pelo dia das mes, que era no dia 3. (Os coroas estavam na cama, dormindo.) Usamos papel branco e recortamos um "FELIZ DIA DAS MES!!!", duas letras por pgina. Colocamos na mesa de jantar com um carto que escrevi para mame (bem comprido!) & um bilhete que Ang escreveu. Achamos que estava muito sem graa, ento fomos at o quintal e pegamos um monto de flores (algumas dos jardins das outras pessoas... :D). Foi muito divertido, porque era tipo meia-noite e meia! Demos uma de dbis & louras. Divertidao.

20 de junho de 2007, 15h

Sabe, tenho uma postura tima em relao a esse negcio de cncer. Sorrio, dou gargalhadas e brinco. S tenho surtos tipo uma vez por ms. E... costumo surtar s no meu quarto, longe das pessoas. Angie nunca nem me viu chorar por causa disso, mas  muito difcil. No  como se as pessoas estivessem aqui para me consolar agora. Estamos estressados. Vamos para outro pas amanh... para outro continente, na verdade. O que devo responder quando as pessoas dizem coisas como "Seja corajosa, voc s passou por uma cirurgia", como Angie acabou de falar?  que... a cirurgia no parece ser o problema. Foi h uns seis meses. A cirurgia acabou e ponto final. S que ainda tenho cncer no meu corpo. Foi a MIM que Deus no curou. Mas no estou com raiva Dele. Ele tem motivos para tudo.  que... s quero que algum pergunte como realmente me sinto. Ainda sinto dor por dentro, no importa o quanto parea feliz por fora. Me desculpe por parecer to depressiva quando converso com voc.  que... voc  a nica "pessoa", fora Deus, com quem posso falar. Me deixa muito feliz saber que Deus me ama e cuida de mim. Fico me sentindo bem segura... DE VERDADE. Suspiro. Tenho que arrumar as coisas agora. <3 At mais xoxo

Evangeline, Abraham e Esther, La Grand-Place ,
BRUXELAS , BLGICA,

2007

Hoje  dia 22 de junho e estamos nos Estados Unidos! Quanta coisa para contar...

Acordei na tera (dia 21) por volta das seis e quarenta, apesar de no estar muito cansada porque tinha ido dormir antes das onze da noite. Fomos no nibus das oito da manh para Aix, pegamos o transporte para o aeroporto de Marselha e chegamos l com bastante antecedncia. Nos aprontamos para pegar o primeiro avio para Munique. Eu estava com duas malas de mo de rodinhas, uma bolsa e meu Mickey. Fui ficando cansada de tanto puxar, e tudo estava se tornando mais e mais pesado, a, parei e disse "Me, no consigo carregar todas essas malas!", claro que meio choramingando (emoes, noites sem dormir). Mame ento disse "Papai, voc consegue levar uma delas?", e ele veio e falou "Ah, ESTHER! Pare com esse choramingo idiota!", e isso me magoou. Senti o aperto no estmago que ando sentindo ultimamente quando fico irritada ou chateada. Fiquei triste e zangada, e papai veio pegar a mala, todo bravo e nervoso. Quando ele pegou a bolsa, eu me afastei com "apenas" trs malas e disse "Pare com isso, pai!", com a voz falhando. Fui para o check-in/sala de espera/ embarque, depois andei at o banheiro (sem as malas, d). Fiz xixi e chorei por... dois (?) minutos, depois joguei gua no rosto, e, assim que consegui me recuperar suficientemente, Angie entrou. -- Voc est bem? Passei por ela e segui em direo  porta. Descontando minha raiva nela, eu acho. -- Estou tima. Andei meio metro e voltei para o banheiro, tentando no chorar. Explodi em lgrimas, e Angie me abraou por bastante tempo. Foi muito reconfortante. De verdade. Fico muito feliz de ter voltado l. Falei um pouco sobre o que vinha se passando na minha cabea nos ltimos tempos. Como o fato de me sentir to sozinha. E essa coisa toda  muito difcil. Porque  mesmo. No consigo... Bem. Ela  uma amiga e uma irm incrvel.

Data precisa desconhecida

Amor, intensidade, valor, paixo, rejeio, esperana, cuidado, fracasso, alegria. O que a vida joga em cima da gente nunca faz sentido. Parece at que estamos nas mos dela. Quanto tempo esperamos que a vida mude a gente? Quanto tempo devamos tentar mudar a ns mesmos? O peso da morte, o peso do pavor. O fardo do estresse, aqui est a dor. Nunca saber, nenhuma projeo, nunca saber, quanta confuso. No demonstre se importar, no tenha amor, no sinta alegria, seno voc pode mudar.

Sentir O peso da morte, o peso do pavor, o fardo do estresse, aqui est a dor. Nunca saber, nenhuma projeo. Nunca saber, quanta confuso No demonstre se importar, no sinta alegria, no tenha amor, a vida no  para brincar mas ainda assim sentimos, temos, mostramos, quem sabe... Eu no sei. Eu no sei.

9 de setembro de 2007

16 de setembro de 2007

Wayne, pai, paizinho, papi, papai... Papai... Feliz 48 anos!!! Voc tem quase 50,  quase um coroa! Escolha errada de palavras, eu quis dizer homem MADURO.:) D. S queria que voc soubesse, papai, o quanto  especial para mim. Voc cuida de mim e me ama mesmo com tudo o que aconteceu. Como quando eu estava na cama do hospital, com o cabelo parecendo uma juba, meu rosto branco como o lenol que me cobria, com tubos no nariz, nos braos, na lateral do corpo... at no pescoo em certo momento! Sem contar que minhas pernas estavam peludas como as suas! :/ Mas, durante toda essa poca, voc segurou minha mo, rezou e cuidou de mim. E me amou. E isso  tudo de que eu preciso para saber que voc  o pai mais incrvel do mundo. Nunca se sabe, mas talvez um dia essa verso de mim, doente, cheia de tubos e fazendo xixi na comadre volte. Se voltar, sei que voc estar l, me ajudando a entender que est tudo resolvido aos olhos de Deus; me ajudando a saber que Deus me ama ainda mais do que voc e a mame e todo mundo junto vezes infinito. E, pai, s mais algumas coisas... sem voc, eu seria uma garota pobre, doente e sem esperanas, mas agora sou apenas uma garota doente. S estou doente no corpo pelo tempo que Deus me quiser na Terra, e quando eu for para o cu vou entender que meu perodo na Terra era apenas parte do meu tempo, no todo. E que, no segundo em que Deus estiver pronto para que eu v comemorar com ele, toda a doena vai embora.  isso que me d esperanas. Papai... quero dizer que sei como era importante para voc ir trabalhar na Sua, como voc estava pronto, animado e disposto a ir, e lamento ter estragado seus planos. Mas agradeo por voc ter desistido por minha causa e porque tudo de que preciso est aqui, em Boston, e por me mostrar que nem reconsideraria ir para l depois que os mdicos disseram que o que eu precisava era to importante para mim. S quero dizer... obrigada, papai, obrigada. Muito mesmo. Por tudo. Agora, vamos mudar de assunto. Feliz aniversrio! Espero que voc tenha um aniversrio fantstico, papai. Eu te amo demais para explicar.

xxoxoxoxoxoxoxoxoxoo Sua filha, Esther Earl

Pai e filha,
BOS TON,

2009

Segunda-feira, 17 de setembro de 2007, 12h11

Sabe, acho que por um tempo meus textos eram felizes, aqueles em que eu dizia ", a vida no  to ruim e tal". E nas vezes em que eu pensava que, depois de tudo por que passei, a vida era boa. Bem, acho que a vida no  to ruim, mas me sinto pior do que nunca. Estou cansada, com preguia, desanimada... no sei. Hoje estou me sentindo mal: minha cabea di, minha barriga di, me sinto quente, mas verifiquei a temperatura e est normal, 36,5 graus. Ontem foi o aniversrio do papai e foi legal. Na sexta, eu tinha comeado um bordado de pato em ponto de cruz, e (na igreja!) no domingo eu terminei. Era um pato amarelo com um lao azul no pescoo e estava escrevido [sic]... "Sou sua patinha, PAI!", alguma coisa assim. Segui mais ou menos a base do bordado do pato. Papai gostou. Tambm demos para ele um porta-guardanapos (*risadinha debochada*) e um coador de costas (*risada engasgada*), e dei para ele uma carta que me fez chorar quando estava escrevendo (*ooh* ;) ) Ah, sim, a vem o senhor srio fazer uma visita. E olhem, ele trouxe o Sr. Sbrio e a Sra. Porfavorsintapenademim! Uau, que grupo. :'\ Um tempo atrs, acho que na quarta, dia 12, mame e papai foram ao mdico. E voltaram com novidades! . A "!"  s para exagerar o quanto estou chateada. >:( Cito a mame (como consigo lembrar), que citou o mdico. Aspas: "Encontramos mais cncer do que imaginvamos nos pulmes. O plano  fazer uma dose alta de radioterapia em janeiro, para dar tempo para os pulmes de Esther se recomporem." Fecha aspas.  claro que isso  um resumo gigantescamente curto, foi bem mais hesitante, emotivo, longo, detalhado, mas  isso. S chorei depois que eles saram do quarto, depois de me contarem. Angie e eu (contei tudo para ela) nos abraamos e choramos. :\ De qualquer modo, o que isso quer dizer  que o cncer est mais avanado do que pensavam, mais espalhado. Ah, sim, tambm estou com uma pedrinha no rim. A doutora Jessica Smith disse que provavelmente ela vai se dissolver e vou "expelir na urina sem reparar... talvez sinta um pouco de desconforto, ou nenhum...", mas estou bastante preocupada. Ontem passei o dia todo lendo trechos do xodo... foi interessante. Li sobre Moiss, e Deus parece to severo. Eu no sabia que ele era to rgido! Como com o fara... por que provocou tanta dor nele?? Ser que Ele (Deus) no podia ter usado Moiss para abrir o corao do fara?

17 de setembro de 2007

Ei... a vdd? Eu no quero crescer.  to difcil. Abe  to alheio  dor que a gente vivencia quando passamos a compreender mais... Ele tem tanta sorte! Quer saber, venho reparando nisso faz algum tempo, mas as pessoas/adultos falam e agora acho as discusses deles interessantes. Mas eles falam assim... bem, eis um exemplo... "Falei com Bob hoje e ele disse que tia Ronda est com cncer.  mesmo,  terrvel." "Joy disse que o cncer de Opa se espalhou!" "Esther, voc sabia que o pai da me de Keri est com cncer tambm?" O cncer aparece em tantas conversas e meus pais falam sobre isso to abertamente, tipo "ele morreu de cncer assim, e ela de cncer assado...", e fico to triste, tipo, eu posso morrer! Ah, no falei? Antes, quando eu tinha CNCER DA TIREOIDE NORMAL, eu estava nos 99,6% <-- (mais ou menos) de crianas que se curam. Agora, veja s, entro nos 0,4% de crianas que se curam, mas o cncer volta s vezes e elas morrem, ou morrem imediatamente, ou ento como mame diz: "Voc est na `categoria incerta'." Divertido, n? Eu posso morrer.  assustador... Mas me sinto to em paz. Acredito de verdade que muitas vezes  pior para o amigo ou o parente que no tem cncer, e que no est acostumado a ter uma pessoa com algum tipo de doena ou debilidade, ou quando morrem... Mas, ah,  to difcil ser to diferente. No me importo tanto quanto antes, mas, se no tivesse se espalhado, eu poderia estar curada agora... ento est me deixando um pouco mal de novo. Fora isso, estamos todos bem! :D cansada, boa noite. xoxo <3 Esther Earl

Garota da bola de sabo ,
MEDWAY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Oi :) me desculpe por parecer uma pessoa to emo,  que sempre fico deprimida  noite, e voc  a nica pessoa... coisa?... com quem posso desabafar minhas tristezas. A Dra. Smith mandou um e-mail para mame e papai hoje avisando que vai marcar uma ressonncia magntica, uma consulta com ela, ACHO que com o fisioterapeuta e alguma outra pessoa. Procurei ressonncias magnticas no Google Images, e parece com um desenho que vou fazer depois. Estou nervosa, no s porque tenho que encarar um negcio claustrofbico, mas tambm porque tem chance de o cncer ter se espalhado. E j est to, to difcil. Hoje falei para mame: "O que aconteceria se eu tivesse cncer na espinha?" E, enquanto ela falava sobre o quanto isso seria srio e que, se ele se espalhasse *pausa* primeiro seria leucemia... eu me dei conta de que tenho cncer. CNCER! O tipo de doena que mata pessoas... muitas vezes! No fico pensando muito nisso, mas no gosto nem um pouco do fato de que tenho cncer. E de que posso morrer.  uma doena to sria que eu nunca imaginei que ia ter, nem mesmo durante a cirurgia. Logo antes da cirurgia,  engraado, eu no fiquei muito triste. S ficava pensando que eu ia ser operada -- no dava para pensar em outra coisa. Pouco antes de eu ir, Opa rezou e rezou, e mame e papai tambm, mas me lembro de me sentir bem em paz. Lembro que falei com Deus/rezei para Ele enquanto estava deitada na sala de cirurgia, sem poder me mexer porque a cnula na lateral do meu corpo doa. E me lembro de dizer para Deus que o que houvesse de ser seria. Me lembro de dizer para mim mesma: "Ele est no controle." Lembro que nem fiquei nervosa na hora de entrar, s um pouco triste, talvez (se as coisas dessem errado), por nunca mais ver minha famlia. Ah, acabei de ter um ataque de choro. Eu estava pensando que no sei se vou viver. Estou com tanto medo. Deus  to importante para mim, mas eu queria que Ele me ouvisse.  vaidade? Egosmo? Idiotice? Acho que querer ficar boa  o desejo de qualquer criana doente. Voc sabe que Deus ama especialmente as crianas, no sabe? Sou uma criana, certo? Bem, eu s quero que ele me levante e me abrace, como em todas aquelas fotos de Jesus e as criancinhas...  pedir muito? Talvez seja, no sei. Vou ler Ester na Bblia, e tem um versculo que estou procurando. BOA NOITE! <3 Esther Ester 7:3: "Se,  rei, achei graa aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, d-se-me a minha vida como minha petio."

Coisas pelas quais agradeo:

meus gatos! minha famlia! mquinas de oxignio ar-condicionado peso Deus nossa casa

CARINGBRIDGE ESTHER EARL/ DIRIO Dirio de Esther Grace Earl
O site CaringBridge para Esther comeou depois que ela chegou muito perto de nos deixar durante um longo perodo no hospital, em outubro de 2008. Enquanto ela jazia inconsciente por vrios dias, muita gente soube pela primeira vez da gravidade de sua doena. Desde o diagnstico, vnhamos colocando a famlia e os amigos a par das notcias por e-mail e telefone, mas de repente havia gente demais preocupada! Com isso, Lori concluiu que o CaringBridge seria o veculo perfeito para transmitir as notcias sobre a condio de Esther de forma mais eficiente. Em 1 de novembro de 2008, o pai dela escreveu o primeiro comentrio: Queridssima Estee Estrela, Eu amo muito, muito voc, e voc est em meus pensamentos mesmo nos momentos em que no estou ao seu lado! Com amor e para sempre, Papai A pgina de Esther no site da CaringBridge continua ativa e as pessoas ainda escrevem mensagens de estmulo para ela e nossa famlia. At 1 de novembro de 2013 -- cinco anos aps o incio da pgina -- ela recebeu 84 mil visitas.

No Children's Hospital,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Sbado, 1 de novembro de 2008, 12h30

Na ltima semana, Esther teve boas melhoras e est com mais energia e apetite. Ela comeu vrios charutos de folha de uva preparados pela me e ontem  noite provou curry africano! J se fala em mand-la para casa para passar algum tempo na semana que vem, assim que a logstica de transporte casa-hospital-casa com o equipamento de oxignio for resolvida. Ns adoraramos que ela estivesse em casa, e Esther est louca para ver seus gatinhos, Pancake e Blueberry.

Segunda-feira, 3 de novembro de 2008, 23h28

Combinado, este  o dirio neste site! Aparentemente,  onde vamos escrever sobre as principais coisas que acontecem comigo (Esther). A maior parte do tempo, mame (tambm conhecida como Lori)  quem vai atualizar, mas quero dizer oi s vezes. :) Mesmo que eu nem sempre responda ou escreva, s quero dizer que amo todos os recados e cartes e sentimentos e oraes e todas as pessoas que pensam em mim e em ns. Sou muito grata por tudo. Muito obrigada a todos. :) S quero dizer rapidinho que estou me sentindo bem e que esto pensando seriamente em me mandar para casa amanh! Viva :D Esther

Blueberry e eu,
OUTONO DE 2008

Tera-feira, 4 de novembro de 2008, 22h18

Neste dia de eleio, enquanto vocs aguardam os resultados com alegria ou resignao, eis uma coisa para ser comemorada DE VERDADE!!! Esther Earl deixou o hospital e est em casa esta noite! Enquanto estava contando isso para outro professor hoje, parei no meio da frase para exclamar: -- Isso  que  felicidade! Apesar de no haver alterao no diagnstico de Esther e de seus nveis de oxignio ainda estarem calibrados muito altos (cinco litros), os mdicos a consideraram estvel o suficiente para ir para casa enquanto for possvel. Estamos animadssimos, e ela adorou a liberdade de deixar o Children's Hospital depois de trinta e dois dias de priso! Seus gatos, irmos e irms a receberam, e planejamos aproveitar cada momento que Deus possa nos dar com Esther, sejam alguns meses ou anos. Alegrem-se conosco!

Quinta-feira, 6 de novembro de 2008, 5h40

 o incio da manh de quinta-feira, e Esther est se mantendo firme aqui em casa! Houve alguns momentos de pnico, como as quatro vezes seguidas em que o fusvel queimou no quarto dela por causa de todas as mquinas em funcionamento ao mesmo tempo -- redistribumos tudo nas tomadas e, at agora, tudo bem! (Tambm chamamos o proprietrio para ver se ele poderia reformar a rede eltrica do segundo andar desta casa velha!) Esther me acordou s quatro e meia da manh porque sua oxigenao estava muito baixa. Fomos conferir o aparelho de BiPAP e estava ligado, mas o oxignio no estava conectado. Oops! A enfermeira que visitou Esther ontem disse que seus nmeros pareciam bons. Treinamos nosso francs, j que ela  do Haiti. Obrigado a todos pelo apoio: espiritual, emocional e financeiro. Boa quinta-feira!

Sbado, 8 de novembro de 2008, 15h51

Sbado. Estamos nos acostumando  nossa "nova" rotina, cuidando para que Esther tome a medicao nos horrios certos, assegurando que tudo esteja conectado e ligado! Ela tomou um banho de chuveiro quente e DEMORADO ontem, e parece que  uma nova mulher.  impressionante como ns passamos a apreciar coisas pequenas como se fossem um luxo quando ficamos sem elas... Algumas pessoas perguntaram do que Esther gosta. Ela gosta de ler quadrinhos do Archie e do Garfield e revistas de adolescentes e de moda. Joga video game em seu Mac e tem alguns programas de tev favoritos como What Not to Wear, Jon & Kate Plus 8 e Grey's Anatomy. Adora pintar as unhas (a ltima inveno foi branco com pontos pretos como dados!). Nunca sabemos por qual nova atividade ela vai se interessar. No hospital, ela montou entre oito e dez quebra-cabeas enormes. Estamos absolutamente felizes s de v-la aproveitar a vida!

Domingo, 9 de novembro de 2008,13h29

Achamos que vocs fossem gostar de saber quais as qualidades que Esther considera importantes em um bom enfermeiro: Conseguir tirar sangue na primeira tentativa. No me acordar cedo. Saber botar e tirar o curativo Duoderm sem arrancar a pele junto. No falar comigo como se eu fosse um beb. No me acordar. Ser paciente mesmo quando estou mal-humorada. Ouvir meus pedidos com respeito. No me acordar! A maior parte da equipe no Children's Hospital foi maravilhosa e agradecemos o que todos fizeram por ns. Os poucos que foram desafiadores nos deram a oportunidade de crescer! Por isso, muito obrigado a eles, tambm.

Tera-feira, 11 de novembro de 2008, 11h25

MAKE - A - WISH*
Esther teve um dia timo na segunda-feira! Comeou com nossa primeira consulta na Jimmy Fund Clinic, em Boston; foi uma experincia positiva, pois nossos principais cuidadores so uma dupla muito alegre, perfeitamente adequada para Esther. Depois disso, ela ficou fora do BiPAP por dezesseis horas, fez uns desenhos legais para os amigos, comeu comida chinesa, mandou uma mensagem de texto para a irm mais velha, Abby, e passou um bom tempo na companhia do cachorro, de vrios gatos, da me, do pai e de Angie. Na semana passada, o pessoal da Make-A-Wish [Faa um desejo] apareceu, mas no conseguiu arrancar nada da nossa Estrela. Ela simplesmente no deseja nada, exceto ficar boa,  claro. Recentemente ela sonhou que estava na Frana, caminhando apressada com a irm quando deu falta do cilindro de oxignio! Ela estava comeando a entrar em pnico quando se deu conta de que no precisava mais daquilo! Isso  um desejo de verdade... O que voc pode desejar quando j tem tudo o que quer e de que precisa? Ela disse que queria outro gato, mas lhe dissemos que s se ela desse um dos que j tem! (Se a gente tivesse espao, ela teria muitos indivduos variados do reino animal.) Ela mencionou que gostaria de visitar a ndia porque adora a cor e a culinria de l, mas ela no pode viajar. Gostaria de nadar de novo... No h ningum que gostaria de conhecer, nada que quisesse ter. Suas ideias sempre so sobre algo que gostaria de dar, e no receber. Alguma sugesto para um caso to complicado?

Quarto de Esther,

QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Quarta-feira, 12 de novembro de 2008, 19h26

Oi. :) S uma atualizao rpida para contar que estou bem! Tive uma consulta no Children's Hospital na segunda e foi tudo certo, inclusive acordar s oito da manh foi... ok. Hahaha. E na tera alguns amigos vieram me visitar um pouco, e foi muito divertido. Tiramos muitas fotos e jogamos Scene It? e ficamos de papo. :) Na quarta e hoje passei um tempo com minha famlia, assisti a tev, joguei e fiz outras coisas. Est tudo, sim, indo bem, ando me sentindo animada. Adoro ler todas as mensagens e os cartes que as pessoas mandam! Tambm queria postar um link para um site (chamado Flickr) com muito mais fotos de mim e da minha famlia. Com amor, Esther

Sexta-feira, 21 de novembro de 2008, 18h07

Ontem Esther foi pela segunda vez  Jimmy Fund Clinic. Foi uma grande excurso de quatro horas para ela, j que ela s sai de casa para essas visitas. Descer as escadas, ir at a van, entrar no hospital, fazer os exames de sangue, um check-up e voltar para casa, tudo isso em uma temperatura de menos um grau... ufa! Ela sente um desconforto permanente na garganta, e eles disseram que as dores recentes e intensas no estmago provavelmente so consequncia da acidez da droga da qumio que ela est tomando. Infelizmente, pela primeira vez a contagem de hemcias baixou. Sem dvida  por isso que ela anda mais cansada que o normal. Por isso, na prxima quarta-feira de manh vamos para o hospital s oito da manh, para sua primeira transfuso de sangue, que dura cerca de duas, trs horas. Algumas pessoas perguntaram se Esther est em remisso: no, isso significaria que ela est livre do cncer.  improvvel que ela venha a ter uma remisso. Espera-se que a quimioterapia atual detenha o crescimento do tumor e possivelmente at destrua as clulas cancerosas. Mas esse seria o resultado ideal, e as equipes mdicas na verdade no sabem se ela vai viver sessenta dias ou sessenta anos. Eles foram claros sobre ser preciso um milagre para que ela chegue  vida adulta. J conversamos sobre isso, sobre morrer, sobre suas chances, e ela sabe o que estamos escrevendo aqui. O pai lembrou a ela por volta das duas da madrugada de ontem que estar ausente de corpo  estar presente com o Senhor. Para uma jovem que no quer nada alm de estar presente com seu Senhor, no  um mau negcio. Claro, ela, e ns, preferimos que ela fique por aqui para abenoar seus bisnetos! Nossa famlia est aguardando com ansiedade o Dia de Ao de Graas. Resolvemos preparar s um peito pequeno de peru para nos concentrarmos nas coisas que realmente adoramos! Legumes grelhados, muito pur de batatas (isso  o que Esther est com mais vontade de comer!), azeitonas e outros petiscos, muffins de abbora e torta de abbora. Esperamos que todos vocs recebam a bno de Deus conosco nesta poca de festas.

Quinta-feira, 27 de novembro de 2008, 00h11

Queridos amigos,  Dia de Ao de Graas, um momento para se reunir com os amigos e a famlia e, juntos, demonstrar a gratido e a satisfao por nossas muitas bnos. Hoje tambm faz exatamente dois anos que ouvimos pela primeira vez a frase "Esther tem cncer". Somos gratos por cada dia que tivemos e estamos especialmente animados pela recente transfuso de sangue de Esther, que elevou seus nmeros de 23 para 38! Alm disso, depois de dois dias de antibiticos, ela comeou a melhorar de uma infeco e agora est se sentindo muito melhor. Voc pode ver Esther expressando vrias de suas ideias de seu jeitinho peculiar clicando no link do YouTube aqui neste site. Tambm hoje atendemos a porta e descobrimos que um amigo inscreveu nossos nomes em uma estao de rdio local e fomos escolhidos para receber uma ceia completa de Ao de Graas. Ento, no fim das contas, vamos assar um peru inteiro.

Segunda-feira, 1 de dezembro de 2008, 18h30

Fico feliz por tantas pessoas se importarem com Esther. As muitas mensagens e expresses de carinho do nimo a todos ns. Wayne e eu pensamos em cada um de vocs, mesmo que a gente no responda a cada e-mail individualmente. O Dia de Ao de Graas foi muito emocionante para mim. Foi a felicidade suprema estarmos juntos como uma famlia e compartilharmos em torno da mesa farta nossas listas de coisas pelas quais somos gratos. Mas eu frequentemente sou tomada por uma grande tristeza porque Esther est muito pior do que um ano atrs. No ano passado fomos ver o desfile de Natal de Quincy e a uma fazenda de pinheiros para cortar nossa rvore. Este ano as nicas sadas de Esther provavelmente sero visitas ao mdico, apesar de termos esperanas de lev-la ao concerto de fim de ano de Angie na North Quincy High School.  possvel que consigamos lev-la em uma cadeira de rodas, com oxignio a reboque... Os resultados dos exames de sangue hoje esto bons, e a contagem de hemcias permanece alta. Ela tem uma infeco constante perto do tubo de alimentao e no tem conseguido comer muito porque as erupes no rosto agora tambm so internas, e engolir mais que o necessrio lhe causa muito desconforto. Talvez tenhamos de lev-la para a clnica amanh, para ver como esto as coisas e verificar que medicao podem receitar para esses efeitos colaterais. Ultimamente ela tem gostado de seu dirio novo, e vislumbramos desenhos de seus gatos no caderno de desenho. Somos conscientemente gratos a cada dia.

Autorretrato ,
BOS TON,

2008

Accio Pooh!,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2008

* Make-A-Wish Foundation: Fundao sem fins lucrativos que realiza desejos de crianas com

doenas graves, com o intuito de lhes dar esperana, alegria e mais fora para combater suas enfermidades. (N. do T.)

DIRIO, 2 de dezembro de 2008

Este  o meu novo dirio. Agora estou sentada aqui vendo Jon & Kate Plus 8, que, alis,  o meu programa favorito. Neste minuto, os Gosselin e os oito filhos esto indo ao programa da Oprah para falar dos seus problemas. Li o livro deles, Multiple Blessings [Bnos mltiplas], na semana passada.  quase todo escrito por Kate e pela amiga dela, Beth Carson, e conta como  estar grvida de sxtuplos e ter que passar por muitas dificuldades emocionais, fsicas e financeiras. O livro  cheio de histrias sobre a f deles, e como muitas vezes, quando eles desistiram, Deus ajudou! Essas histrias me inspiram e me fazem lembrar de que  Deus que est me ajudando a passar por todas as MINHAS dificuldades. Quais so as minhas dificuldades? Hm. Primeiro de tudo, e definitivamente a mais difcil, tenho cncer e estou doente. Segundo, nosso dinheiro e nossa renda no vo muito bem; mas pode ser que no, pois nunca escuto muita coisa sobre dinheiro. Terceiro, acho que nem  to importante,  que acho que estou ficando mais velha. Ento vamos falar de novo desse tema maravilhoso que  o cncer... Ah, no sei bem por onde comear. Vou comear com a droga da histria toda!  mesmo um timo ponto de partida. Vamos ver, quando eu tinha doze anos, na verdade, no, eu tinha onze, estvamos morando em Plymouth, Massachusetts, d. Naquela poca, mame e papai decidiram que seria o mximo a gente se mudar para a Frana. Fomos perto do inverno, ser que era novembro?, para uma cidade chamada Albertville, nos Alpes franceses. Foi uma... experincia. Talvez voc oua falar da velha Albertville uma outra hora. Depois... espere, no. Enquanto eu morava em Albertville, minha turma francesa do quinto ano foi para uma piscina na aula de educao fsica e tivemos que nadar. Me lembro de ficar muito sem flego de ter que dar quatro voltas sem parar... Alm do mais, tnhamos que correr ao redor do ptio da escola, e achei estranho ter cimbras na rea das costelas, mas pensei que s estivesse fora de forma. Tambm em Albertville, Angie e eu comeamos a fazer caminhadas pela cidade, basicamente dia sim, dia no. Continuamos a fazer isso at nos mudarmos para uma nova cidade na Frana chamada Aix-en-Provence.

Uma vez, em algum momento entre o vero e o outono, fizemos uma longa caminhada at um parque mais ou menos perto. Levamos a chave do apartamento e, quando voltamos e nos preparamos para entrar, no consegui encontrar a chave. De repente, lembrei que tinha deixado na grama, e Angie e eu andamos parte do caminho de volta. Angie me mandou andar o restante sozinha. Peguei a chave e voltei para casa. Fiquei com dor na lateral do corpo e extremamente sem flego. S depois de meia hora  que consegui voltar a respirar direito. Essa coisa toda de ficar sem flego, tossir e sentir dor do lado comeou em setembro ou outubro. Pensei que fosse a boa e velha dor de exerccio ou menstrual. Tambm pensei que estivesse sem flego por me exercitar demais. Enquanto moramos na Frana, Abby estudou em um colgio interno na Alemanha em que se falava ingls. Mame, Angie e eu fomos visit-la por dois dias, mais ou menos. Quando voltamos, papai achou que minha tosse -- fosse ela de resfriado ou simples fingimento para matar aula -- sumiria. Como no sumiu, ele disse: "Vamos tirar um raio X." Fizemos exatamente isso, e os exames mostraram um monte de fluido nos meus pulmes. O mdico nos mandou ir para o hospital. >:,S Fomos para l, e acho que j na manh seguinte me mandaram para cirurgia para colocar um tubo na lateral do corpo e drenar o lquido.

Kandern, Alemanha,
JUNHO DE 2007

Ir para a cirurgia foi apavorante. Fiquei deitada na cama e rezei muito pedindo a Deus para cuidar de mim... Uma cirurgi muito simptica segurou minha mo enquanto injetavam remdio para eu dormir. Depois da operao, dormi por um ou dois dias, alternando entre desperta e inconsciente. O tubo tinha uns cinco centmetros, estava do lado esquerdo, entre as minhas costelas, e ia at minha pleura (no at o pulmo de verdade, r!). Ele drenou um monto de lquido. Alguns dias depois, ainda no hospital, me examinaram e furaram para tentar entender o porqu do lquido. Acharam que fosse tuberculose ou pneumonia, ou alguma coisa assim. No entanto, no Dia de Ao de Graas, os mdicos vieram e disseram que era cncer. **bosta** No lembro direito quando, mas um pouco depois um caroo foi removido do meu pescoo, junto com minha tireoide e uma (ou duas, ou trs?) paratireoide. Alguns dias depois, fui transferida para o La Timone, o hospital peditrico de Marselha. Eles tinham mais experincia com crianas com cncer, mas o cncer da tireoide  especialmente raro em crianas, ento no tinham tanta experincia. Passei por uma dose de tratamento com iodo radioativo, que era uma plula sem muitos efeitos colaterais. Um ms depois, mais ou menos (talvez dois?), tomei mais uma dose, e outra um tempo depois. Planejavam me dar outra dose quando voltssemos dos Estados Unidos, onde ficaramos... dois meses? Mas acabou que ficamos nos Estados Unidos para sempre. No Children's Hospital foi bem diferente do La Timone, porque eles pareciam saber melhor o que estavam fazendo. Tomei uma dose bem maior de iodo radioativo e isso fez eu me sentir bem. Dois meses atrs, no entanto, mais ou menos uma semana antes de outra dose de iodo radioativo, senti um ronco alto na parte inferior esquerda/meio do pulmo e achei que fosse um chiado de novo. Eu estava fazendo xixi, ento respirei fundo, e fez muito barulho. Tossi, pensando que fosse sair muco, mas o que vi foi sangue. Ningum imagina como foi a sensao de olhar o leno de papel e ver sangue. Meu corao disparou, fiquei com um frio no estmago e meio tonta. Gritei chamando a mame, mas estava to angustiada que minha voz falhou. Ela ouviu, e veio correndo junto com papai. Depois de tossir

mais um pouco em uma tigela, papai me levou para a emergncia. Eu j estava me sentindo melhor, ainda nervosa, mas bem. Meu oxignio foi aumentado de dois para quatro, mas eu estava bem, bem. Me internaram e disseram que sangrei porque, ao parar com a tiroxina (em preparao para o iodo radioativo), os tumores dos meus pulmes tinham ficado ber ativos. Alguns dias depois, tomei minha dose de iodo radioativo. Fiquei bem no primeiro dia. No segundo, tive um pouco de dor de cabea. No terceiro dia, precisei de uma nova mquina de oxignio, chamada "BiPAP", e de morfina. S me lembro de dormir. Mame entrou, me acordou e disse que Abby e Angie estavam l, ento fiquei alguns minutos conversando meio sonolenta com elas. Mame e papai ficaram no meu quarto, s vezes se revezando l dentro por causa dos meus altos nveis de radiao. Aparentemente todo mundo achou muito muito que eu fosse morrer. Foi por isso que, apesar dos altos nveis de radiao, mame e papai passaram tanto tempo no meu quarto, e Abby e Angie foram me ver. Mas eu no sabia que estava quase morrendo. S imaginei que estava me sentindo mal porque a dose de radiao tinha sido muito alta. Felizmente, graas a Deus, eu sobrevivi! S uma semana depois, na UTI em que eu estava, mame me contou sobre o negcio de morrer. Ouvir isso me fez pensar mais sobre morrer, a morte, o cu, o inferno. Eu sempre pensei que soubesse o quanto a morte era assustadora. Eu imaginava que a gente morria e ia para onde devia ir, mas nunca fiquei pensando muito sobre isso. Agora, estando em um ponto da vida em que os mdicos dizem que posso viver seis dias ou seis meses ou seis anos ou sessenta anos, eles no sabem, tive mais tempo para dizer: se eu morrer amanh, o que acontecer? Mesmo tendo tanto tempo para pensar, acho que minha opinio sobre a morte no mudou muito. Acho que agora eu entendo que uma pessoa morre e tem a sensao de olhar para o prprio corpo de cima, como papai falou quando conversamos a respeito disso. E talvez encontre algum que a leve para onde ela vai. Ou talvez ela j esteja l, no sei. Eu me pergunto se algum na Terra faz ideia do que  a morte.

3 de dezembro de 2008

Como obviamente estou doente, e de certa forma isso me deixa presa no quarto a maior parte do tempo, no vejo muita gente. Em parte  porque no quero mesmo, ento pedimos para as pessoas no virem me visitar. Afinal, quem quer gente que no conhece direito em casa perguntando "Como voc est?"?  o tipo de coisa esquisita que j me aconteceu antes. Haha :\ Mas tambm me sinto afastada do mundo. Um dia, uma semana atrs mais ou menos, minha melhor amiga, Alexa, e minha amiga Melissa, que conheci na Carolina do Norte, vieram me visitar e ficaram trs horas. Foi bem esquisito no comeo, mas depois foi muito divertido! Por isso, eu gostaria de ter alguma forma de contato humano na vida, mas a vontade de coisas sociais vem e passa espontaneamente (se  assim que se escreve...). Talvez um dia a gente descubra. ... Ok, isto  meio constrangedor, mas, quando estou entediada (ou seja, todos os segundos de todas as malditas horas), s vezes me filmo fazendo alguma coisa no computador e posto no... YOUTUBE!! Eu no sou muito boba? Ah, cara, muito mesmo. Mas at agora tenho um vdeo de introduo com imagina que ttulo? "Introduo ao YouTube", um vdeo de "favoritos" em que mostro minhas coisas favoritas, e agora fiz um chamado " muito engraado", no qual comento sobre as pessoas irritantes que falam " muito engraado" o tempo todo. Mesmo quando no . Quando mame e papai trouxeram este dirio para mim (que batizei de Daisy, embora isso possa mudar), tambm trouxeram um bloco de desenho em que venho desenhando algumas coisas. Recentemente, fiz um olho, a sobrancelha, um nariz e lbios em uma pgina.  para parecer metade do rosto dela, sem muitos detalhes do nariz e do restante do rosto. Devo comentar que fiquei bem orgulhosa do olho. Eu estava pensando que, quando no souber o que escrever e bater uma vontade, vou tentar redesenhar aqui.

Aah, cara, est to ESTRANHO, mas voc no adorou a linda ris? :D

5 de dezembro de 2008

Ugh. Ugh, ugh, ugh. Sabe o que aconteceu anteontem? Tive uma enxaqueca. Ontem fui para o hospital, onde, alis, minha enfermeira Annette disse: "O sangue de quem foi coletado aqui? Suas taxas esto incrveis!" :) Quando cheguei em casa, eu estava exausta. Mais tarde, uma enxaqueca surgiu. Cochilei por quatro horas e fiquei acordada um tempo, mas de repente outra enxaqueca. Que alegria. No sei o que estava causando isso... Cansao? Quimioterapia? Estresse? Os tumores? Ahrgh. Portanto, fico constrangida de dizer isto, principalmente porque sei que um dia mame e papai vo ler, mas, enfim... Voc sabe como minha vida  cheia de problemas com os quais adolescentes no deviam ter que lidar, n? Tipo o cncer... Bem, quando fao coisas "normais", como ver um filme com minhas irms, sair de casa ou apenas descer um andar, costumo me sentir melhor. Cansada, mas bem. E ultimamente venho pensando em garotos, oh-oh. Foi estranho, porque sonhei que tinha beijado um garoto (no sei quem), depois beijei de novo, e  por isso que venho pensando em garotos. Ento ... ultimamente venho pensando que, se e quando eu morrer, gostaria de passar por mais uma coisa normal de adolescente, que  beijar um garoto. =) E me sinto boba de pensar isso, porque, entre querer passar mais tempo com a minha famlia e ficar mais prxima de Deus, tem essa vontade enorme de ter um primeiro beijo. Voc pode no acreditar, mas quero uma porcaria de beijo.  uma coisa normal que eu talvez nunca tenha, mais uma coisa que vou perder. Suspiro. No consigo pensar em mais nada para escrever. Fico com medo de escrever pensamentos aleatrios porque este dirio  to lindo que no quero estragar...! :D Ah! NATAL! ESTOU TO ANIMADA! J meio que pensei no que quero ganhar.  mta coisa, devo botar aqui? Sim? Ok. ;)
Lista: 1. CD de Matt e Kim (mesmo ttulo) CD do Phantom Planet 2. Maquiagem 3. MEIAS! 4. CD Grand, de Matt e Kim (s sai em janeiro...) 5. vale-presente/dinheiro =) 6. CD da Regina Spektor

Domingo, 7 de dezembro de 2008, 8h07

 domingo de manh cedo, e est nevando de levinho! Nossa primeira nesta estao. Os meninos no conseguiram ficar em casa dormindo,  claro, e j esto l fora brincando no quintal dos fundos, com meu "shhh!" frequente para no acordarem a vizinhana! Estou no Craiglist tentando achar um futon, pois Abby vai passar as frias de Natal conosco. Esther fez uma boa visita  Jimmy Fund Clinic na quinta-feira. A enfermeira responsvel voltou com um animado "De quem  este sangue? Est perfeito!". Estamos muito contentes por o corpo de Esther estar mostrando bons sinais de uma fora oculta. Ela voltou para casa com dois novos antibiticos para a infeco urinria e um nodo linftico no pescoo que parece estar infeccionado -- mas melhor isso que outro tumor! Alm disso, ela tem que tomar um remdio a cada oito horas para proteger o esfago. Ontem  noite j conseguiu comer mais do que em uma ou duas semanas, pois a dor diminuiu muito. Ontem  noite Wayne estava organizando todos os remdios dela em uma tabela por horrios. Algo complicado, pois alguns exigem estmago vazio, com outros no se pode comer por duas horas aps tom-los e outros devem ser ingeridos sozinhos...  preciso ter um diploma para conseguir organizar tudo! Hoje mais tarde Wayne vai trazer uma rvore cortada -- nada de fazenda de pinheiros este ano. A vamos trazer Esther para o andar de baixo e enfeitar a rvore. Temos planos de acender nossa bela lareira antiga de tijolos e preparar muffins de abbora quentinhos com cidra! Lori

Foto diria feita com a webcam,

QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2008

8 de dezembro de 2008

Sabe o que  meio estranho? Quase todas as noites, quando estou indo para cama, falo meio que sozinha e meio que com Deus (minha forma de orao, acho). E, enquanto estou falando com Deus, sem dvida falo das minhas dores e tambm do cncer. Essa no  a parte estranha. A parte estranha  que no final costumo ter lgrimas escorrendo pelo rosto, mas no sei por que, j que no fico (muito) triste por causa do cncer todos os dias. Talvez isso libere algumas das minhas emoes que as pessoas normais* controlam em situaes sociais dirias... No fao ideia. Ento, mudando de assunto, ultimamente venho pensando em minha identidade. Por que, voc deve perguntar? (Talvez no esteja perguntando, mas voc  meu dirio, ento vai perguntar!) Bem, desenhei um autorretrato no muito bom outro dia, e Abe viu. Ele perguntou "voc desenhou isso? Sem usar uma foto?" e ficou um tanto impressionado, e foi legal que ao menos Abe tenha ficado... impressionado. E ento, ele disse "mas onde est sua coisa do nariz?" e apontou para minha cnula nasal. Achei que foi bem perspicaz e no fiquei incomodada. S que mame ouviu, e papai tambm, e mais tarde ele disse que mame chorou.  meio triste, acho, ver meu ativo e entusiasmado irmo de cinco anos no se lembrar dos dias em que tinha dois/trs anos e eu o levava para brincar nas barras em Albertville, ou ele me olhava fazer piruetas nas barras. E eu penso que Abe no lembra, mas todo mundo, sim. No entanto agora estou percebendo que j tem dois anos, e as lembranas comeam a sumir e so substitudas por uma "ENORME" sada para jantar, ou algo assim. Espero que nem todas as lembranas sejam ruins. :\ Outra vez que Abraham disse algo engraado e no triste (uau!) e tambm bem original foi enquanto estvamos decorando a rvore. Ele disse: "Ah! S mais um!" enquanto tentava pegar mame no colo. Foi muito engraado. Ah, sim! Decoramos nossa rvore de Natal ontem  noite! Papai e os meninos foram at a Home Depot, compraram uma pr-cortada, trouxeram para casa e colocaram no canto da sala. O jantar era um ensopado, e sim!, eu desci para comer com todo mundo! Menos Abby. :P Depois do jantar, Angie foi para cama e todos ns decoramos a rvore. Abe adorou os enfeites dele**, e Graham pareceu gostar de pendurar os seus "bem embaixo, para carem na saia ao redor da rvore e no quebrarem", disse ele. Foi divertido pra caramba! Eu queria que Angie tivesse ficado l em cima tempo o bastante. Mas

ela tem uma "vida". Duas noites atrs, ela "dormiu" (ou seja, ficou a noite toda acordada) na casa da amiga dela, Michelle. Aparentemente, estava cansada ontem  noite, vai entender. Acho que, porque tenho cncer, passo muito tempo com meus pais. E por causa disso acho que me dou melhor com eles do que minhas irms. Acho que Abby se d bem com eles tambm, mas nem sempre os respeita. Pela forma que os trata, acho que Angie respeita menos ainda, mas talvez no. Nunca perguntei a ela... Mas a forma como ela os trata tem me dado nos nervos nos ltimos tempos, e por causa disso s vezes no falo muito com ela, e minha mente diz "no faa isso, Esther". Ento, fico legal com ela de novo. Mas, a esta altura, ela j voltou para dentro da concha da "vida dela", o que ela faria de qualquer jeito, eu sendo legal ou m. Mas normalmente sempre sou legal. Acho que acabei de me contradizer totalmente, hah.
* Normal?! Que diabos  normal? Acho que saudvel  minha definio de normal.

Aparentemente.
** egocntrico! Nahhh :D

11-12 de dezembro de 2008

So duas da madruga! Uau, hoje foi um dos dias mais agitados para mim dos ltimos tempos. Comeou s nove e meia, acordei enjoada, ento chamei papai e ele veio para o meu quarto e me deu o comprimido para diminuir o enjoo. Eu me arrumei toda, fiquei pronta e ns dois fomos para a Jimmy Fund s dez e meia, mais ou menos. Chegamos l umas... onze e meia. Tiraram meu sangue, quebrei recordes no site de jogos Webkinz (GEEK!) e fiz xixi no copinho. Quando tiraram meu sangue, erraram a porcaria da veia e tiveram que tirar da outra droga de brao. (Sabe, teve uma poca em que eu teria gritado e chorado se tentassem tirar meu sangue; um pouco depois disso, passei a chorar e precisava respirar fundo; um pouco depois, quando algum tentava, eu ficava com lgrimas nos olhos enquanto a agulha entrava; e agora, quando tiram meu sangue, eu inspiro fundo, no sei por que, e eles tiram.  s um belisco.) O que me irritou mesmo dessa vez, alm de errarem a "droga do brao", foi que uma das enfermeiras ficou repetindo "est doendo?" enquanto mexia a agulha na minha veia. Fiz minha melhor expresso de d/confuso, e ela continuou perguntando. Sei que  o trabalho dela, mas  claro que di! Depois, com meus band-aids e a coleta feita, ela ficou dizendo "est doendo?", apontando para os band-aids. Eu disse que no.  louco o quanto coisas que no so nada pessoais e nem chegam perto daquilo com que me preocupo podem me deixar zangada, triste, solitria ou feliz. Bem, no consigo pensar em exemplos agora. Ah, se eu pensar, escrevo aqui. Ah, sim, eu estava falando do meu pai. Depois de fazer aquilo tudo, me pesei (QUARENTA QUILOS!!) e mediram minha temperatura e minha presso. E sempre que medem a presso arterial, enrolam parte do brao superior, e a pessoa (eu...) estica o brao e aperta tanto -- tanto que acabo ficando com uns cortes. No de sangrar, s uns verges na pele. A a pulseira  desenrolada. A minha presso estava boa. Isso  bom, porque  comum que essa nova droga experimental cause presso alta, ento esto de olho na minha. Depois de verificar os sinais vitais, Annette entrou e avaliou minhas dores do dedo do p at a cabea. A parte inferior do corpo est bem, meus braos esto bem, meu tubo de alimentao ainda est estranho, um pouco infeccionado. Minha garganta/pescoo ainda est com aquele negcio estranho dos caroos. No sei bem o que , nem os mdicos. Minha cabea est doendo de

um jeito diferente, no sei bem como descrever... Hm, na parte esquerda atrs, perto da orelha, e perto do pescoo tambm, tenho um tipo de dor que  um latejamento que vem e vai. Acontece quando mudo de posio, e  assim: "Nenhuma dor, ONDA DE DOR, nenhuma dor."  bem estranho e aconteceu ontem e anteontem, irrita mais do que di, embora agora esteja doendo mais. . Assim, depois que terminamos, conversamos um pouco. Eu vi o Dr. G! Ele  engraado.  uma pessoa alegre que faz voc se sentir melhor s de v-lo. Alm do mais, trata crianas e adultos da mesma forma, com o mesmo tom. No fala comigo como se eu tivesse cinco anos, o que  muito bom. Depois disso, ns, d para acreditar, entramos no nosso carro! E papai e eu decidimos ir para o OLIVE GARDEN! Ento eu ***andei*** do carro at o restaurante, passei por vrias mesas e fui at a nossa.  coisa  bea para se andar, meu amigo! No  brincadeira. Comemos um bolo de chocolate delicioso e a excelente salada de l. E conversamos sobre um assunto qualquer, nada importante! Foi legal sair com papai. Ele  um cara bem legal para um pai. ;D Depois, andamos de volta at o carro (na chuva!) e fomos para casa, a subi a escada at minha cama e me sentei. E agora, depois de horas, aqui estou. Ento, estava pensando, se eu fosse descrever minha famlia agora, como eles so, o que diria? E o que faria para desenh-los? De um jeito bobo, pensei em tentar. Deixa para l. Foi uma ideia horrvel. Mas eu tenho uma ideia boa! Pronto?!

Esses so (apenas alguns dos) meus fantsticos, fabulosos e variados bens! Bens sorridentes, eu quis dizer. Voc no adorou? Meu fave  , que fica diferente cada vez que fao! Embora eu no consiga me lembrar de ter feito essa carinha antes... heh. Carinhas so divertidas.

12 de dezembro de 2008

Reparou na minha "decorao de pgina de Natal"? Abby e Elise vieram para casa hoje e vo ficar aqui at domingo, que  daqui a dois dias (hoje  sexta). Amanh vamos a um restaurante chamado Tia's e vamos comer LAGOSTA! Eu nem, tipo, nem sei se gosto de lagosta, mas espero que sim. Ns amos ao No Name, mas o Tia's  melhor porque  mais metido a besta. Ah, lembra que eu estava falando sobre o quanto coisas pequenas s vezes disparam algumas das minhas emoes? , eu estava falando sobre isso ontem. Papai estava frustrado com alguma coisa e foi grosso comigo ontem  noite e algumas vezes hoje. Sei que no  "pessoal", mas fiquei com vontade de chorar. Nunca choro durante o dia. Se preciso, seguro esperando para chorar  noite. s vezes choro, s vezes, no. Se no choro, a emoo reprimida vai para minha panelinha de emoes, e quando a panelinha de emoes fica cheia, eu desmorono. Ento, quando papai foi grosso, senti que era minha culpa ele estar estressado. E ultimamente venho sentindo como se, D, fosse minha culpa os meus pais estarem estressados. Se no fosse por mim, eles ainda estariam na Frana, ou onde mais quisessem estar.  claro que eles no dizem isso, mas  verdade. Quando se tem qualquer tipo de doena em casa,  claro que h mais estresse e frustraes... portanto,  minha culpa. Outra coisa que senti e pensei bastante  que mame e papai me acham preguiosa. Acham mesmo, mas no dizem porque no querem me magoar. Acho que estou letrgica e poderia fazer mais, mas eu SOU, tipo, limitada. Fico desorientada se ando para algum lugar, e tambm perco o flego. Mas eu poderia fazer mais e faria mais, s que encontrar a vontade de fazer as coisas  algo que acontece bem pouco. Pouco mesmo. :\ Se eu ficasse mais motivada, provavelmente faria mais, mas no vejo sentido em fazer as coisas. AGagh. Bem, vou colocar meu BiPAP e pensar na vida. Alegria ao mundo... <:D Ah, alis, o que desenho? Meu caderno de desenho est sendo ignorado h dias! No consigo pensar em nada. D:> No gosto de "natureza morta", acho que gosto mais de coisas imaginrias ou de fantasia. Meh.

15 de dezembro (dia 14, meia-noite...) de 2008 Papo sobre o prato de lagosta

Ontem  noite, Abby e Elise e mame e Angie e eu samos para jantar! Pegamos dois cilindros grandes de oxignio e trs pequenos, s para garantir uma noite agradvel. Fomos de carro at o restaurante! O plano inicial era ir ao Anthony Piers 4, mas custava uma nota preta, ento decidimos ir ao Tia's. Mame ligou e descobriu que estava fechado durante o inverno! Droga. Ento mame escolheu o no to chique, mas no to casual, Barking Crab. Chegamos l e sentamos  nossa mesa ao lado da lareira*.
*Mas no perto demais... ningum quer que um cilindro de oxignio exploda. <:]

Infelizmente ficamos tambm perto da porta, e toda vez que algum a abria, sentamos uma lufada de ar gelado. Brr! D: Fora isso, estava confortvel. Aparentemente, o banheiro era l fora, mas s Elise e Angie precisaram fazer xixi, ento, haha! Pedimos um balde de patas de caranguejo de entrada, e anis de cebola tambm. As patas de caranguejo eram muito estranhas! E no fazamos ideia de como tirar a carne da casca, ento perguntamos, e a garonete trouxe uma pedra enorme para usarmos para quebrar!  assim: voc coloca a pata de caranguejo no meio do prato de papel e dobra o prato por cima dela. Depois, pega a pedra e bate no prato de papel dobrado, bem em cima do caranguejo, at ouvir um estalo. Depois, abre o prato, pega a pata e tira a casca at ver a carne. A, com o garfo/os dedos puxa a carne e come! No achei incrvel, mas tambm no estava ruim. Depois, pedi lagosta. Uma lagosta INTEIRA. Com as antenas e as patas e tudo. Eles cortaram onde precisava ser cortado e "tudo que eu tive que fazer" foi: 1. Girar as garras para arrancar, e eram duas! 2. Puxar o corpo para trs para o rabo sair. 3. Olhar/rir/enjoar por causa do coc que sai depois de arrancar o rabo. 4. Arrancar a casca do rabo. 5. Arrancar a carne do troo que parece um osso. 6. Mergulhar a carne na manteiga e comer.

No The Barking Crab,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2008

No foi muito difcil. Infelizmente, meio que gostei do sabor, mas no da textura e dessa coisa meio sei l. Eca. :/ Comi um pouco, Abby comeu o restante, e comi um monto de anis de cebola. Estavam uma delcia. Ei, eu estava pensando, sabe quando as pessoas tm listas de coisas que querem fazer antes de morrer se tiverem oportunidade? Quero fazer uma coisa assim. Mas ainda no sei. Tem algumas coisas que eu faria se no tivesse dificuldade de respirar: 1. Montar uma barraquinha no centro da cidade com um cartaz escrito "abraos grtis" e abraar quem quisesse. 2. Fazer alguma coisa por crianas doentes. 3. Experimentar vrias comidas diferentes. 4. Ir para a ndia. 5. Testemunhar uma coisa realmente incrvel. 6. Fazer mais. Mas no sei. Eu gostaria de fazer coisas e apenas VIVER, porque, se eu morrer logo, ficar sentada no meu quarto e sair de vez em quando no vai dar certo.  to difcil me mexer. Sabe do que eu t falando? Eh a vida. (boa noite...)

Segunda-feira, 15 de dezembro de 2008, 17h54

Esther anda muito bem esses dias, o que faz com que este Natal esteja sendo muito esperado! No fim de semana Abby voltou da Gordon College para casa, e uma grande amiga dela dos tempos da Black Forest Academy tinha vindo de sua faculdade no Missouri para visit-la. Levei todas as garotas para comer em um restaurantezinho de frutos do mar a alguns quilmetros de casa, no cais de Boston, j que Esther estava com disposio para sair e disse: "Eu nunca provei lagosta!" Duas de ns comemos peixe, Angie pediu aspargos e Esther provou lagosta. Ela no gostou... Mas se encheu de anis de cebola, e tivemos uma noite tima. Ela ficou muito bem com o cilindro de oxignio (acho que levamos quatro cilindros, s por garantia...!). Nossa rvore de Natal est maravilhosa, apesar de ser da Lowes, e no escolhida especialmente por ns em uma fazenda. Esta casinha tem uma lareira de tijolos, ento estamos aproveitando algumas noites quentinhas ao redor da rvore. Desejamos a todos vocs uma tima semana enquanto descansam (ou se animam) antes das festas!

Segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Fiz aquela aventura enorme (porque pelo visto sou uma aventureira...) no sbado, a da lagosta, e foi divertido. Tambm foi muito exaustivo, e naquela noite dormi direto. No dia seguinte (ontem), acordei s cinco da tarde. Apesar de a luz e a tev do meu quarto estarem acesas desde as duas, quando papai comeou a "me acordar". AH! Ento,  isso, eu estava bem cansada. Ontem fiquei lenta e meio mole, mas fiz MESMO assim um vdeo novo para o YouTube! Animao HOJE de manh, acordei s seis me sentindo muuuito enjoada. Isso tem acontecido em algumas manhs desde que comecei a quimioterapia, principalmente quando me esqueo de tomar o comprimido contra enjoo na noite anterior. E ontem eu esqueci. Ento... acordei s seis e liguei para o celular da mame, porque achei que ela estivesse em casa (desorientao...), mas  claro que ela estava na escola, ento liguei para casa, me sentindo muito enjoada. Papai subiu e colocou um balde na minha frente enquanto eu vomitava. Foi na hora certa, se ele tivesse chegado um pouco depois, eu ia vomitar na cama. Tenho que dizer que meu esfago est estranho, com uma espcie de ferida. Estou tomando remdio para isso, e graas a Deus a dor que eu vinha sentindo na boca do estmago sumiu. Mas, se eu comer carne ou alguma coisa que fuja  minha dieta, tenho uma azia horrvel, que arde muito. Foi por isso que o vmito queimou minha garganta e a rea do esfago, e olha, doeu. S parou de doer mais de duas horas depois. No foi nada, nadinha legal. Depois do episdio do vmito, no consegui dormir, ento me levantei. Eu me filmei e ia colocar no YouTube, mas no deu certo. Fiquei uma hora rezando e passei um tempo com meu irmo Abe. Fizemos alguns desenhos juntos e sa da cama (!) para ver a arrumao nova do quarto dele (papai tinha mudado a cama de lugar). Foi divertido passar um tempo com Abe. Mais tarde, umas nove da noite, comecei a ficar cansada e depois no conseguia mais ficar de olhos abertos. Mas quando j estava na cama (onze? meia-noite?), passei mal de novo. E aqui estou! :D e... acho que estou ficando cansada de novo. Vou escrever mais amanh. Estou tentando pensar em um personagem legal de desenho animado para fazer uns desenhos fofos, s uma pessoa/criatura aleatria de quem eu goste. Vamos ver. Se eu conseguir pensar em alguma coisa, desenho aqui. D. TCHAU!

Tera-feira, 16 de dezembro de 2008, 11h31

Esther est lentamente se encaminhando para um horrio "normal". Em um dia comum ela dorme doze horas, das duas da manh s duas da tarde. Estamos tentando adequar esse horrio para um mais sensato, de meia-noite ao meio-dia, o que no  fcil. O problema  que ela insiste que estejamos ao lado para cobri-la (o que gostamos de fazer). s vezes vamos para a cama e ela nos chama (por telefone) quando quer dormir.  noite h remdios para tomar, um tubo de alimentao para preparar, loes para aplicar e cobertores para arrumar e rearrumar. s vezes, uma conversa longa e/ou alguma bobagem completa. De vez em quando eu resmungo com ela, apesar de ela nunca ter sido injusta ou exigente. Durante o dia, h ainda mais remdios, visitas semanais ao hospital e muito tempo de bobeira. Ontem ela acordou s sete e meia da manh e teve um timo dia desenhando, escrevendo no dirio, vendo qualquer coisa no canal HGTV e assistindo atentamente a seriados de comdia antigos (ela gosta especialmente de Cosby e alguns outros programas que acho peculiares...). Hoje, porm, ela vai pagar por aquele dia agitado e ter que se esforar para ver a luz do dia. Ela escreve bem e com profundidade (no que eu saiba...) e faz desenhos maravilhosos de gatos, pessoas e vrias outras coisas, como paisagens. Recentemente desenhou uma charge de Graham e Abe mergulhando em uma piscina (eles esto fazendo aulas de natao na ACM). Resgatamos todos os desenhos ou escritos que ela joga fora, coisa a que ela se ope e que acha bizarra, mas a mame e eu estamos tentando salvar a maior quantidade possvel de flocos de neve... No deixe de conferir seus posts superoriginais e normalmente engraadssimos no YouTube, que vocs podem encontrar na seo de links deste site. Que todo o nosso amor esteja com voc, leitor querido!

Flocos de neve,
MARS ELHA, FRANA,

2006

18 de dezembro de 2008
Uau, hoje foi o segundo dia agitado em uma semana! :) Que loucura! Acordei s dez e meia hoje e decidi ficar acordada. Mas papai lembrou que tinha o concerto de Natal do coral de Angie mais tarde, ento cochilei das trs s cinco da tarde, quando acordei sozinha. Desde que dormi, por volta das trs e meia da madrugada, dormi um total de oito/nove horas. No  to bom, mas tudo bem. Acordei s cinco, me vesti, fiquei pronta (e me estressei... me estresso com facilidade...) e l para as sete ns samos. Andei at o teatro/palco, e mame, Abby e eu nos sentamos na primeira fila. No comeo, achei que todo mundo estivesse olhando para mim, e tenho certeza de que muita gente estava, porque, sejamos realistas e totalmente sinceros aqui, uma garota com um tubo saindo do nariz e preso a um cilindro enorme atrai alguns olhares. Mas s fiquei sem graa por alguns segundos e depois fiquei, tipo, tanto faz. Me concentrei nos cantores e tentei esquecer que as pessoas podiam me ver. Alm do mais, no posso impedir as pessoas de pensar o que pensam. Elas podem pensar o que quiserem. :\

Natal de 2008

queridos, [sic] pais... (Feliz Natal!)... Eu queria ser melhor em descrever meus sentimentos, porque tem muitas coisas que eu gostaria de dizer. Primeiro de tudo, me desculpem se minha letra estiver difcil de ler: eu tento e, tipo, epic fail, mas acho que est traduzvel. :) Segundo,  timo estar aqui, dois anos (mais de dois) desde o diagnstico e muitas coisas bem doidas depois. Nem todas elas foram insanamente ruins,

algumas foram boas. ;) Tipo, lembram quando vocs me empurraram de cadeira de rodas pelo Cours Mirabeau na poca do Natal? Tinha um monte de quiosques de Natal e barracas e um monte de brinquedos. Me lembro de ir naquele brinquedo em que voc se senta e v um filme tipo Star Wars, e o brinquedo sacode como se voc estivesse despencando e tal. Graham e eu fomos uma vez, e na segunda vez Abe foi, e ele teve tanto medo que precisei segur-lo e usar meu p para me segurar. Haha, conclumos que era um pouco assustador demais para ele. :D Ah! E lembra que ganhei aquele Pooh de pelcia naquela mquina de garra/guindaste? Ainda tenho o ursinho!  to fofo. Outra lembrana que tenho  de ir naquele circo dos Irmos Wringley [sic]! Os elefantes e os palhaos eram to legais! Bem, ao menos os ELEFANTES eram legais... :( Tinham trapezistas tambm? Acho que sim. As coisas que consigo lembrar foram divertidas! haha... aaah! Uma das minhas lembranas *favoritas*  do meu dcimo terceiro aniversrio! Ns (inclusive Keri, d) fomos a um restaurante chins e abri todos os meus presentes l, menos um. Quando abri o ltimo, era um SACO DE COMIDA DE GATO! (com outras coisas de gato.) Lembro que eu surtei! Uau, fiquei to animada.  claro que o que veio em seguida da notcia de que [eu] ia ganhar um gato foi o *ainda no*, o que, tenho que dizer, veio logo depois da semana mais comprida do mundo. Mas ento acabei ganhando no um, e sim DOIS gatos, o que foi incrvel. Na noite em que os trouxemos para casa, Pancake e Blueberry dormiram entre mim e Angie. AWW.

Tambm adoro a lembrana do Natal passado! De ir procurar a rvore de Natal, de "deixar" Graham escolher a rvore, de papai "tentar" cortar a rvore. hahaha :D. Andamos a fazenda inteira procurando a rvore certa! Depois fomos para aquele chal com a lareira e aquele, err... Papai Noel. Ah, e tinha cidra. AI MEU DEUS! Ganhar meu nano ano passado foi muito legal! Vi

hoje o vdeo da minha reao, to engraado! Eu no esperava :) Sei que estou esquecendo muitas boas lembranas, mas pacincia. Espero ansiosamente ficar velha e enrugada e falar sobre aquele "ano estherico"... Entendeu? Tipo "ano histrico", mas  Esther em vez de "hister"! HAH!

Vamos criar mais lembranas, sem dvida. Algumas at podem superar as timas que j mencionei! :D Talvez... SCREEEECH!!... desculpem, mas agora preciso mudar o ritmo da msica, do hip hop da moda para uma mais lenta, melanclica e melodramtica. No por estar tentando ser m e fazer vocs chorarem, mas porque gosto de ser um tanto sentimental. :) E tambm quero compartilhar alguns dos meus sentimentos, pois nem sempre sou de falar. Se vocs no quiserem conhecer alguns dos meus sentimentos, hm, no sei. Vou achar isso meio estranho... :( heh, heh... Bem, vocs de todas as pessoas sabem mais do que ningum (exceto eu mesma) o que  ouvir que eu talvez viva por pouco tempo.  uma droga, cara. Mas  a verdade, e a verdade  horrvel. Acho que, at eu ter o sangramento, pensei que estivesse ficando melhor. Eu no estava me sentindo nada diferente, mas achava que estava. A o sangramento me deixou doida e eu no fazia ideia de qual era o nvel da minha... "escala de sade". Eu conversei um pouco com vocs sobre morrer (um pouco) e achei que ficaria bem. Outro sangramento... Bem, quem sabe. Parei a radiao e quase morri. Agora estou ficando saudvel de novo, e a nica coisa ruim que sobrou (estou exagerando)  a morte. Sabem? Talvez eu no devesse ter contado isso para vocs. Hm. D para riscar? No, agora vocs j sabem o que eu estava pensando? Sabem. Uau, estou falando demais! Droga! :O Reli o que acabei de escrever e no  realmente tudo o que penso.  verdade que no sei bem se os planos de Deus incluem ou no minha morte iminente ou se vou viver at fazer cento e quatro anos. Mas sei que Deus tem um plano. Ele no est sentado no cu... SEM ter um plano! Est no controle, mas ainda estou preocupada. Vivo cada dia, agradeo por ele e me preocupo,me preocupo,me preocupo. Em determinado momento, tentei consertar,consertar,consertar, mas no deu certo. Ento, agora eu... me preocupo,rezo,me preocupo,rezo,me preocupo,durmo. Hahaha :P Penso muito mesmo em morrer, mas no sei. Sinto que finalmente entendi, tipo, que eu no

viveria mais na Terra. Mas estou trabalhando no progresso verdadeiro da morte e na parte de as pessoas sentirem minha falta, sabem? Vocs talvez (ou talvez no) estariam interessados em saber como seria o "meu" cu? Meu cu seria uma colina toda verde com cu bem azul, e muitas flores coloridas e cor-de-rosa, completamente calma e serena, onde eu pudesse correr e correr, sem oxignio. Seria muito legal.

Talvez um dia eu consiga fazer isso :) Eu nem lembro o que pensava um ano atrs. Talvez vocs tambm no. Talvez os crebros esqueam o que pensavam antes sobre as coisas. Quando o dia chegar, seja em um, dez ou cem anos, eu no quero que vocs pensem em mim e fiquem tristes. Mesmo agora que estou viva, no pensem em mim e digam "Pobrezinha.  uma pena que ela esteja doente." No que vocs faam isso. Pensem em mim e pensem na luz do sol e no quanto aaaamo animais e desenhar coisas bonitas. Como essa carinha -> :) <- AW! Sou uma tima artista de carinhas :) Falando nisso... :O mademoiselle esther cometeu um faux pas! :( No era disso que eu estava falando. Eu estava falando sobre como sou uma tima artista de carinhas, e eu IA dizer tambm que tenho timas expresses faciais, mas agora acho que no vou mais. :( Agora, quero agradecer. Falando srio. Um obrigado muito srio. Obrigada, me, por ser minha me. Quando voc est comigo, sinto paz, e quando voc assume o controle, sei que vai cuidar bem das minhas necessidades. Voc aguenta mais do que qualquer mulher deveria -- sempre. Voc  minha amiga, minha me, minha inspirao, quando estou triste, seu abrao me faz lembrar que no estou sozinha. Voc faz eu me sentir melhor. Quando zoamos juntas (tambm

conhecido como passar tempo) e rimos daquele comercial com o "eu te amo mais. No, eu te amo mais, porque eu te dei remdio!" ou assistimos  HGTV juntas, fico feliz! <3 Obrigada por cuidar de mim e mandar os mdicos e pneumologistas irem embora! Voc  to boa, e sua genuidade (essa palavra existe?)  inspiradora. Se eu crescer um dia, espero ser como voc. Amo voc completamente! Obrigada por tudo. Pai, obrigada por ser meu pai. Voc  minha pessoa favorita para conversar sobre estudos estranhos ou quando tenho perguntas sobre assuntos complicados. Sua risada  contagiante e suas piadas s vezes me fazem rir. :) Quando fico inquieta ou meio confusa, sua presena me devolve a sanidade. Voc  um ouvinte muito bom e timo amigo. Amo voc por tudo o que voc faz, obrigada. Vocs dois esto me criando (e criaram at agora) muito bem, e com essa coisa toda do cncer vocs tm sido incrveis. Sei que sem vocs eu no me sentiria to bem. E mesmo nas minhas dificuldades vocs ficam comigo o tempo todo. S quero que saibam que no so apenas meus "pais", mas meus pilares de sustentao. Deus  o motivo de eu estar sobrevivendo, mas ele sem dvida colocou vocs na minha vida de uma forma maravilhosa. Eu amo vocs. Queria que houvesse uma forma menos melosa de dizer, mas amo mesmo. Simplesmente amo. Obrigada. Vocs dois so incrveis. O que  isso, ela no acabou?!?! AHHHHHHH! Ah, no, vocs criaram uma filha com mo extremamente forte que consegue escrever informaes inteis por PGINAS!! E PGINAS!! No, esta pgina e talvez outras (no sei o quanto ainda vou escrever) so pensamentos aleatrios que tenho durante o dia e vou anotar. Talvez uns desenhos. Quem sabe?... Posso ser profunda ou nem to profunda. Vocs vo ver. (S para registrar, as palavras a seguir so ESPECIALMENTE sem propsito...)  NATAL! Feliz Natal! Vocs conseguem acreditar que trs anos atrs nosso Natal foi em... onde foi? Vamos ver, o Natal passado foi em Quincy, antes disso foi na Frana, antes foi na Alemanha, antes foi em Plymouth, e assim por diante... Ei, vejam aquela coisa maneira embaixo daquele "S"!

A= 1959. Nasce Wayne Eugene Earl II. B= 1963. Nasce Lori Lanei Krake.

C= 1984. Wayne e Lori se casam. D= 1989. Nasce Abigail Cherisse Earl. E= 1991. Nasce Evangeline Danei Earl. F= 1994. Nasce Esther Grace Earl. <- eu! G= 1996. Nasce Graham Kenneth Earl. H= 2003. Nasce Abraham Judson Earl. I= 2005. Os Earl se mudam para Albertville. J= 2006. Se mudam para Aix/Marselha. J2= 2006. Esther recebe o diagnstico <- :O K= 2007. Mudana para os Estados Unidos! L= 2008. UM MONTE DE COISAS <- zzzz. Se vocs no se importarem, acho que vou dizer uma coisa "profunda", tambm conhecida como "sria". haha. :) No livro Multiple Blessings, de Jon e Kate, eles falam sobre as coisas difceis pelas quais passaram e ainda passam e que perderam a esperana muitas vezes e se sentiram impotentes. Acho que ns, dentre todas as pessoas, sabemos como  se sentir impotente (se lembram de Fuveau, quando passamos aquela semana comendo s feijo?), e no sei vocs, mas perdi a esperana vrias vezes. Quando eu perco a esperana e sinto que no tem nada que eu possa fazer, praticamente s choro! , eu choro. E soluo. E converso com Deus. E enquanto estou conversando com Ele, costumo parar de me sentir assim. Mas s vezes, como hoje, por exemplo, senti que estava  beira das lgrimas e senti que tudo de negativo estava direcionado a mim. No estava, mas  assim que me sinto quando estou desse "jeito". Mas eu estava dizendo que hoje eu estava desse "jeito" e fiquei triste e meio zangada, e, finalmente, depois de rezar e respirar, estou me sentindo melhor. Ento est bom. :)

Como eu estava dizendo (antes de a pgina anterior rasgar e eu ter que arranc-la), Multiple Blessings fala das dificuldades dos Gosselin e TAMBM das... facilidades... haha, o que quero dizer  que tambm fala de tudo o que Deus oferece e da f que eles tm Nele. As histrias da f deles me inspiram de verdade, e o ltimo captulo me fez agradecer mais a Deus e me sentir menos impotente. O ltimo captulo inclui seis pontos a serem lembrados quando eu estiver me sentindo um pouquinho... agitada. (1.) Deus est no controle. (2.) Deus  bondoso e forte. (3.) Deus  fiel. (4.) Deus  amor. (5.) Deus vai ajudar. (6.) Glria e louvor a Deus! Acho que conseguimos entender por que isso  importante.  fcil, ao menos para mim, esquecer que  Deus quem controla tudo. s vezes sinto que eu quero controlar, mas sei que  sempre Deus. Eu definitivamente sei que Deus  forte. Se fosse fraco, no conseguiria me segurar quando estou cansada, mas ele consegue. A bondade dele  maravilhosa, quando ficamos irritados com ele, ele sempre diz "Eu Perdoo Voc". Deus  sempre fiel, e ns, ou pelo menos eu, descobri que no acreditar que Deus vai me manter segura durante todo esse cncer me deixaria louca. Eu sempre posso confiar em Deus. Ele  amor. Assim como vocs me dizem "eu te amo mais", Deus nos ama ainda mais.  muito amor. Deus vai ajudar, claro que sabemos que  verdade. Mesmo nos momentos em que no tnhamos dinheiro na conta e pouco a receber, tivemos um telhado sobre nossa cabea, comida suficiente para no passar fome e uns aos outros. Mesmo no sendo tudo o que queramos. Ele no nos deixa faltar nada. O ltimo item a lembrar nesta lista  dar glria e louvar a Deus. Quando voc conseguiu o emprego de professora em Hanover, me, dissemos graas a Deus. E Deus  o motivo de eu ainda estar aqui. Ele d talentos s pessoas, como os mdicos, e eles usam esse talento. Como a Dra. Smith, que me ajudou e tal. Mas Deus merece a glria. Sabem? . Essas no so as nicas coisas que devemos lembrar, mas concordo com Kate e Jon :) Gosselin que elas so muito importantes. Uau, ento esta "carta" passou de bilhete a carta e agora  como meu dirio! Nossa. Acho que acabei agora. :) Por enquanto. Chega. Juro. Talvez uma palavra. Acabei. ACABEI... Feliz Natal! versculo... favorito

Isaas 40:31 "Mas os que esperam no SENHOR renovaro as foras, subiro com asas como guias; CORRERO, e no se cansaro; caminharo, e no se fatigaro." Feliz Natal! Amo vocs dois :) Com amor, Esther

Domingo, 27 de dezembro de 2008

Passou a vspera de Natal, passou o Natal, passaram muitas coisas desde que escrevi neste dirio pela ltima vez (que, em determinado ponto, eu queria batizar de... Delilah? Agora no tem nome). Eu queria estar escrevendo mais, mas fazer o qu? Acho que vou tentar. No lembro bem o que ando fazendo ultimamente, mas posso voltar para segunda-feira, dia 22 de dezembro. Papai e eu fomos  Jimmy Fund, e foi s uma visita comum. Ganhamos um urso de pelcia l, que guardamos para dar para Abe no Natal. Foi um dia legal. O dia 23 de dezembro IA ser o dia em que Alexa e Melissa viriam me visitar, mas fiquei muito cansada e no quis que elas viessem. Ento remarcamos, e aquele dia (era uma tera) foi sonolento. Ah, e vimos Um Duende em Nova York. :D O dia 24 de dezembro  um dia que todos conhecemos... VSPERA DE NATAL! Caramba, como foi divertido. Fiz um vdeo novo para o YouTube enquanto embrulhava presentes, depois desci (umas onze da noite) para relaxar com a famlia. (Ah, antes ns assistimos a Namorada de Aluguel, s Angie, Abby e eu, e foi divertido.) Os presentes de Graham "no estavam l", ento ele abriu os dois presentes do papai. Abe quis abrir dois, a decidimos todos abrir os nossos...  claro que depois Graham viu por acaso os presentes dele debaixo da rvore. Eu ganhei WALL-E, o DVD, e um travesseiro. Ns sempre abrimos os presentes juntos,  uma tradio. =) Depois que abrimos os presentes, eu subi e dormi. Mano, eu tava cansada pra burro. Eu t, tipo, falando maneiro. ;) Quinta, 25 de dezembro, foi... N-A-T-A-L! O Natal foi demais! Acordei tipo o qu? Dez, onze da manh. E desci e Abe estava se coando para abrir os presentes, e os presentes de Graham "estranhamente" tinham um rasgo... pahaha! Ento papai leu a histria de quando Jesus nasceu, e dos Anjos assustando os Pastores, e os homens eram magos e eram trs. Sim.  mesmo, sem sarcasmo, uma histria legal e calma. Eu queria ler de novo. Depois de ler a histria, Abe abriu o primeiro presente... que eram os tnis de skatista! Ele adorou! Graham tambm ganhou, mas no ficou to feliz quanto Abe. Vamos ver se consigo lembrar quem ganhou o qu... Abby: a primeira temporada de Grey's Anatomy, um desenho de uma margarida e um bilhete meus, um livro de anatomia, mais alguma coisa?

Angie: tapete de ioga, xampu, mais alguma coisa ...? Abe: um monte de roupas, tnis de skatista, brinquedos Graham: o mesmo que Abe Eu: uma legging metlica sexy de oncinha! E uma bolsa cheia de maquiagem, outra bolsa com esmaltes, material para desenhar, mais alguma coisa? A minha memria no  das melhores. Mas Abby e eu (e Angie, mais ou menos) fizemos desenhos de mim, Abby e Angie. E prendemos em uma moldura. Acho que deu um total de... quinze retratos? , bem, achamos legal e demos para o papai, e meio que para a mame, de Natal. Ele(s) adorou(aram)!

De um modo geral, o Natal foi um dia bom.

Tera-feira, 30 de dezembro de 2008, 12h37

Recordaes de Natal criadas em conjunto...  isso que vai permanecer conosco quando, no futuro, relembrarmos essas ltimas semanas. Nada dramtico, nada de sinos, nem confuso, s vivemos a vida. Desfrutamos de um Natal "tranquilo" com nossos cinco filhos. D para acreditar que Abe e Graham abriram suas meias quando acordaram s sete e quinze, depois esperaram at as dez para abrir os presentes, o mais cedo que Esther concordou em fazer isso?! (E da se alguns dos presentes com o nome de Graham na etiqueta estavam com os embrulhos meio frouxos de tanto ele tentar ver o que eram?!) E voc sabia, como Abe nos informou durante a leitura da histria de Natal, que os anjos em torno dos pastores nos campos cantavam "Jingle Bells!"? Talvez cantassem... Mais tarde fizemos uma ceia relativamente calma com presunto assado, pur de batata, recheio como acompanhamento, ensopado de forno de vagem e torta musse de sobremesa. No dia seguinte, tio Jerry e prima Michaela chegaram da Califrnia, o que nos levou a visitar o aqurio, a uma ida (que incluiu Esther) ao santurio de La Salatte para ver as luzes de Natal e ao cinema  noite! Agradecemos ENORMEMENTE a todos vocs que nos abenoaram e a Esther neste Natal com cartes, oraes e presentes. Seus nomes podem no estar aqui, mas vocs tocaram nosso corao e ajudaram a aliviar nosso fardo. Que deus atenda s suas necessidades com a mesma generosidade! Esther teve um dia longo ontem no Children's Hospital e na Jimmy Fund, com direito a tomografias e exames de sangue completos. Samos de casa s sete e quinze da manh e voltamos s seis da tarde! Na quarta-feira, Wayne e eu teremos um encontro com toda a junta mdica para saber o estado de sade de Esther, saber de qualquer melhoria ou preocupao, especialmente em relao a alguma mudana desde que ela comeou a tomar a droga experimental da quimioterapia. Estamos nervosos... Continuem rezando por ns, e aguardem notcias.

Quinta-feira, 1 de janeiro de 2009, 19h17

Wayne e eu enfrentamos a tempestade de neve ontem para ir  reunio com a mdica principal de Esther na Jimmy Fund Clinic. Para encurtar as coisas, depois de ver as tomografias de segundafeira, eles revelaram que, nos dois meses desde o incio da qumio experimental, os tumores nos pulmes de Esther diminuram um pouco. O que esperavam era no ver crescimento NENHUM, diminuir foi uma notcia ainda melhor (a nica coisa melhor ainda, disse o mdico, seria um milagre!). Por isso ela vai continuar a fazer a qumio por enquanto, trabalhando para manter os efeitos colaterais reduzidos com vrios medicamentos como estamos fazendo atualmente. Eles estavam sendo claros conosco: as pesquisas diziam que aquela qumio funcionava por cerca de oito meses e depois parava de ajudar. Quando a eficcia terminar, a expectativa  de que o tumor volte a crescer. Comparamos isso a uma guerra em que estamos em inferioridade numrica, mesmo assim no momento estamos vencendo a batalha. Recebamos essas semanas e meses a mais com gratido...! Feliz Ano-novo para todos!

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Sexta-feira, 2 de janeiro de 2009 nfase no um

Se uma pessoa se senta em frente ao computador um dia e digita uma palavra, isso afeta o futuro? Se essa uma pessoa no digitasse essa uma palavra, ser que a histria do futuro seria mudada? Ser que a uma palavra dela significa alguma coisa? Ser que a minha uma (vezes um monte) palavra significa alguma coisa? Ser que essa uma palavra dessa uma pessoa chega a ser lida, uma vez? Se eu no estivesse sentada aqui escrevendo minhas palavras, ser que meu futuro seria diferente? Sem dvida que seria. Tenho certeza de que eu alcanaria muito mais na vida se no estivesse to absorta pensando nessas coisas e escrevendo... Acho que, no total, j tive entre dez-quinze blogs. Talvez no seja muito? No sei o nmero de blogs que uma pessoa tem, em geral. Sinto que dez-quinze blogs  muito. Pense bem, por que eu escreveria tanto e decidiria que no gosto do meu blog s para comear um novo depois de apagar o outro alguns meses depois? Srio. Minhas palavras fazem sentido? Sempre que escrevo alguma coisa e releio, faz pouco sentido. Talvez eu seja inteligente demais para o meu prprio crebro. (;

Inteligente demais para o meu prprio crebro,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

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Domingo, 4 de janeiro de 2009 parte do contedo foi apagada

Ai meu Deus. Posso contar sobre o pior dia do mundo? Foi bem ruim. Foi assim: 2h da madrugada: eu vou dormir. 7h: "Esther acorda eu dormi demais temos que ir agora!" "SHHH!" "Vamos!" 7h20: Ns samos. (Mame e eu) 7h50?: Chegamos ao Children's e vou com mame para a sala onde tenho que fazer a ressonncia em que fico uma-duas horas deitada de costas. Eles perguntam se fiquei sem comer por quatro horas. Dizemos que interrompemos a alimentao s sete. "Oh-oh", eles dizem, e furam meu dedo para tirar sangue e testar minha glicose (?). Estava tudo bem, ento fico deitada por uma hora e meia, para a ressonncia. Depois, mame e eu vamos comer e me colocam um tubo intravenoso. OPS, erraram. E tentam de novo. Conseguiram, e fico deitada por dez minutos, para uma tomografia computadorizada. Depois disso, vamos para a Jimmy Fund, onde precisam de sangue. Eu j tinha tirado o tubo intravenoso porque estava doendo, ento me furaram. Mais tarde, Annette chega e diz que precisam de mais sangue. Inacreditvel. Eles me cutucam de novo e tiram sangue, e o furo do tubo comea a sangrar. Depois de um tempo, para, e Annette conversa com a gente sobre vrias coisas. Vamos para casa, e j so cinco. BAH. Esqueci que dia foi, mas foi um saco. :\ Nos dias seguintes, meus pulmes pareciam machucados por eu ficar tanto tempo deitada reta. Ay yi yi. Agora preciso parar para dormir, porque o sono me chama. Adeus.

Domingo, 4 de janeiro de 2009

Tenho entrado mais no YouTube nos ltimos dias/ltima semana. No para postar mais vdeos, mas encontrei algumas pessoas legais, engraadas e que no tm muitos assinantes... No gosto quando o nmero de assinantes do canal da pessoa passa de uma certa quantidade porque todas as suas postagens so substitudas por outras em cinco minutos. No  muito divertido. Alm disso, iniciei um blog, , blog, em que postei duas vezes at agora. Tenho um "seguidor" e trs pessoas que eu "sigo". Para mim, parece que o blog  como um dirio pblico: voc escreve seus pensamentos, mas edita para ficar mais impressionante. Os meus esto LONGE de ser impressionantes, mas, ... Esqueci o que estava dizendo. Ah, caramba.

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Domingo, 4 de janeiro de 2009 ... vou contar de quantos jeitos.

Gosto de muitas coisas. Gosto de livros, livros com mensagens, mas com humor, ou histrias em quadrinhos. Gosto de filmes, principalmente romances clssicos e comdias, mas gosto dos artsticos e estranhos tambm. Gosto de msica, coisa indie, mas no gosto de gostar de msicas das quais as outras pessoas gostam. Gosto de comida, na verdade s do Olive Garden e da comida da minha me. Gosto da internet e de ir aos meus sites favoritos vinte vezes por dia. Gosto de livros de colorir, principalmente quando uso aqueles lpis metlicos e brilhosos. Gosto de animais, me comunico melhor com eles do que com a "espcie humana". Gosto da neve quando est intocada e toda branca e estou dentro de casa. Gosto de folhas, do tipo que estala quando a gente pisa e fica toda esmigalhada. Gosto quando o sol brilha no brao e a gente sente o calor. Gosto de bichos de pelcia, dos pequenos que cabem na minha cama, mas acabam debaixo do meu colcho. Gosto do silncio, quando posso ficar parada, e ento s fico parada e no fao mais nada. Gosto de vasos cheios de flores que parecem arrumadas sem esforo, todas espalhadas igualmente. Gosto de muitas coisas. Tambm amo muitas coisas. Mas o que amo de verdade, amo mesmo, mesmo, mesmo  muito fcil de dizer... Amo Neverball.

Jughead, meu verdadeiro amor,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Hora do Game Boy,
ALBERTVILLE, FRANA,

2006

Dama da praia,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

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Tera-feira, 6 de janeiro de 2009 No sei muita coisa

Eu queria ser uma pessoa melhor. Tento fazer coisas boas, mas, falando srio? Acho que fao, mas no fao. Acho que sou uma daquelas pessoas que pensa em seus prprios problemas, apesar de desejar poder fazer uma coisa til. Agora sou uma daquelas pessoas que pensa nos prprios problemas e posta no blog sobre o quanto gostaria de fazer uma coisa que fizesse diferena. Perfeito. Tambm queria ser um pouco mais criativa. Sempre quero postar no blog, mas nunca consigo pensar em nada interessante para dizer. Eu poderia contar a histria da minha vida, mas estou de saco cheio disso. Talvez um dia eu fique entediada o bastante e digite tudo. Tudo? Ha, acho que acho que sou mais velha do que sou. Falando srio, catorze anos  quase nada, e talvez voc esteja pensando "acorda, garota, voc no sabe nada da vida!" (porque no  verdade que todos falamos assim?) e talvez eu no saiba. No sei mesmo. Estou ouvindo Regina Spektor. No costumo gostar da voz de mulheres, mas ela tem msicas to bonitas... esto me fazendo chorar. Nem sei por qu. No estou triste. Talvez esteja. Eu nunca consigo decifrar minhas emoes.
Palavras-chave: no sei, regina spektor, pensamentos, cansada Postado por Esther s 20:48 0 comentrios

Os filhos da famlia Earl,
BRAINTREE, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

BLOG CRAZYCRAYON
16 de janeiro de 2009

Ando to mal-humorada ultimamente. Odeio isso. Fico furiosa com meu crebro por ficar furiosa. E fico furiosa com meu corpo por estar cansado. Odeio ficar furiosa. Odeio odiar ficar furiosa. AGHHHHHHHHHHHHHHHHH. Vou cortar o cabelo amanh. Vai ficar curto e angulificado. Porque essa palavra existe. E depois de cortar vou pintar de laranja com mechas roxas. Isso mesmo.

Domingo, 25 de janeiro de 2009, 11h28

J comeou 2009 faz algum tempo e estamos gratos por cada momento com nossa Estrela (apelido que papai deu para Esther). Infelizmente, devido  qumio, ela est aos poucos perdendo o cabelo recentemente tingido de laranja bem forte. Clios, sobrancelhas e pele tambm foram afetados. Ela  forte e diz que no liga, mas ns sabemos que no deve ser fcil passar por tudo isso. Uma coisa muito positiva: Esther esta semana passou dos quarenta quilos!!! H pouco tempo ela estava com quase dez quilos a menos, por isso  uma notcia fantstica. Na verdade, quarenta e cinco quilos  o teto para sua altura e biotipo. Esse ganho de peso  parte estratgica de sua batalha, e ficamos satisfeitos em dizer que ela est ganhando a. Alm disso, seus exames (estou jogando um monte de informao aqui) tm andado bastante bons, e nos disseram esta semana que ela pode reagir a terapias adicionais relacionadas assim que o tratamento atual terminar. So timas notcias! A rotina semanal dela inclui visitas  clnica de cncer em Boston (apesar de termos ido  clnica duas vezes na semana passada por causa dela e prximo dali para uma terceira consulta, desta vez para Graham). Se deixssemos, ela dormiria facilmente dezesseis horas por dia, mas tentamos manter em doze. Ainda estamos lutando para adaptar seus padres de sono ao nosso horrio. Ela nunca gosta de ser despertada para tomar remdio nem nada. Dorme com a mscara enquanto a pequena mquina de BiPAP enche e esvazia seus pulmes com ar e oxignio para facilitar o ato de respirar e diminuir o desconforto. Durante o dia ela respira por um tubo nasal preso a um cilindro de oxignio (para sair do quarto ou de casa) ou  prpria mquina de oxignio, um acessrio permanente de seu quarto. Ela adora um prato de legumes apimentado de um restaurante chins perto de casa e o pede pelo menos duas vezes por semana. Gosta do bolo de chocolate do Olive Garden, que s vezes compramos na volta do hospital. Se diverte pintando as unhas de cores estranhas, e seu irmozinho Abe gosta que ela sempre pinte as dele tambm (ele tambm exige que Esther pinte o rosto dele como alguma espcie de super-heri, mas no com esmalte! As pinturas dela sobre pele ou telas so sempre maravilhosas). Ela ama seus gatos e adoraria ter um terceiro ou quarto gato correndo por a (no vai rolar: pai). Os gatos dormem na cama com ela, se revezando sobre sua barriga! Ela disse que ia adorar viver em um lugar onde pudesse ter bichos de todas as espcies em volta para se divertir (por enquanto, ela prefere essa ideia a estar com pessoas). Est lendo vrias coisas em diversas reas, mas na maior parte do tempo vive no computador, escreve, pinta ou assiste  tev, sai do quarto quase todos os dias para jogar jogos de tabuleiro e conversar com a gente no andar de baixo. Ela ainda  a garota otimista e alegre que sempre nos trouxe alegria!

Apesar desse cncer horroroso e seus efeitos colaterais cruis, com catorze anos e meio e a alguns meses de comear o ensino mdio, no h como impedir Esther de se tornar a mulher jovem e bonita que sempre sonhamos que ela iria se tornar.

Sbado, 7 de fevereiro de 2009, 6h51

Esta semana foi um pouco difcil, com um novo tipo de dor de cabea que no deixou Esther dormir e a fez sofrer muito. O resultado agora  que seu horrio est completamente invertido: fica acordada  noite e s consegue dormir durante parte do dia. Seus mdicos esto tentando resolver com medicamentos, e suspenderam a qumio por alguns dias para ver se a dor  resultado da dose maior que ela tomou nos ltimos dez, quinze dias. Por isso agora estamos vivendo  base de analgsicos... tentando mant-los em seu sistema constantemente para que ela sinta algum alvio. Tirando isso, seus exames ainda esto bons. Esperamos que seja apenas um pequeno problema passageiro. Vov mandou alguns brinquedos para os gatos dela. Rimos muito com as "penas em uma vara de pescar". Quando eles conseguem pegar o monte de penas, tentam fugir com seu "passarinho", mas  claro que so puxados com fora quando chegam ao fim da linha que estamos segurando!  muito engraado v-los fazer isso vrias vezes seguidas. Esta semana Esther tambm ganhou de presente de umas amigas uma manta de patchwork para cobrir as pernas. Ela e eu estamos nos divertindo com as bobagens de American Idol. Esther tem pintado, lido (quando a dor de cabea melhora) e,  claro, "teclado"!

Tera-feira, 10 de fevereiro de 2009, 17h38

A parte boa: Felizmente soubemos que os resultados da tomografia e da ressonncia magntica de Esther de ontem esto normais! Todo mundo estava preocupado que o cncer tivesse se espalhado para o crebro etc., o que teria causado esses sintomas recentes. A parte ruim: Apesar de seus pais e da equipe mdica estarem muito contentes, ela ainda sofre com dores de cabea muito fortes. Esperamos que um novo analgsico seja aprovado e que a ajude (at agora, o seguro-sade no liberou). Ela est sofrendo muito e s quer dormir. Acordar nos ltimos dias no tem sido nada divertido, pois envolve vmito, diarreia e enxaqueca. Continuem a orar e a ter esperanas!

1-2 de fevereiro de 2009, 5h

Me sinto to intil. E sei que est tarde e estou cansada e estou chateada e devia estar dormindo, mas sinto necessidade de escrever. Provavelmente vai ser um texto curto. Me sinto to intil por no saber. No ia fazer diferena se eu morresse. O que quero dizer  que no  que eu seja uma suicida, s no tenho feito nada alm de ficar no computador de um ano para c. , no posso fazer muitas outras coisas, mas srio?! Quero fazer diferena, ajudar algum. E no sei como. Ajudar algum faria eu me sentir muito bem, como se eu tivesse feito uma coisa produtiva para variar, e acabei me ajudando tambm. Talvez um dia.

Sbado, 21 de fevereiro de 2009, 23h54

Queridos amigos da Estee, Esther passou os ltimos dias muito bem! Com o ajuste da medicao e a nossa luta com Deus em oraes, houve melhoras! Agradecemos pela participao de vocs nisso. Apesar de as dores de cabea no terem sumido totalmente, no momento elas esto sob controle. Alm disso, seus horrios de sono esto melhorando, e as ltimas visitas semanais  clnica de cncer revelaram um progresso geral excelente! S essas coisas em si j nos deixariam eufricos, mas, desde a ltima vez que escrevemos, ela tambm esteve ocupada com alguns eventos: uma visita surpresa de um amigo de infncia (o Andrew, de Nova York, muito legal!), ela foi uma tarde ao shopping com o pai para comer trs pretzels quentinhos e deliciosos (apesar de achar que chamava ateno demais, porque as pessoas olhavam o tempo todo para seu cilindro de oxignio), pintou o rosto de Abe duas vezes (de um superalgo superassustador), tocou piano algumas vezes no andar de baixo (adoramos isso), assistiu a American Idol com a me (elas adoram -- vamos l, Danny!), passou um tempo com a irm mais velha Abby uma vez ( difcil afastar Abby de seus amados livros de qumica mais tempo que isso!), fez algumas deliciosas refeies caseiras (he-he)  mesa como uma garota normal e foi uma bno, como de costume. Espero que isso d nimo a todos vocs. No ponto em que estamos hoje, somos especialmente gratos por esses e muitos outros presentes do dia a dia! Wayne

Domingo, 15 de maro de 2009, 10h39

Queridos amigos, No tenho mantido uma boa frequncia nas atualizaes, o que, afinal de contas,  uma boa coisa! Nenhuma notcia, em geral, significa que no h notcia ruim! Descobrimos que uma das coisas mais difceis em relao ao cncer da Esther  encontrar o equilbrio certo na abordagem da vida. Costumamos nos sentir como se estivssemos  espera, mas queremos nos sentir VIVENDO. Descobrir a maneira de viver com a perspectiva certa  uma parte grande do que significa levar uma vida seguindo Cristo, certo? Ento vamos aos fatos para aqueles que esto interessados. As visitas semanais de Esther  Jimmy Fund Clinic (setor ambulatorial para crianas com cncer do Dana-Farber/Children's Hospital de Boston) foram positivas, com leve melhora em seus vrios exames de sangue, taxa de oxigenao e sade em geral. Estamos constantemente ajustando os medicamentos conforme novas preocupaes com sua sade vm e vo. Esta semana  uma medicao oral contra as aftas -- que surgiram por causa do tratamento com esteroides contra a enxaqueca que durou uma semana, algumas semanas atrs. Ela tambm est com Clostridium difficile (ou C-diff), por isso ontem comeamos um novo antibitico. Seus nveis de clcio caram, ento retomamos um suplemento. Uma pequena presena de sangue em seu exame de urina causa certa preocupao. Estamos aguardando para saber o tamanho do problema. Como podem ver, a situao nunca  a mesma, ela sempre varia entre uma preocupao controlada e uma preocupao avassaladora. No quesito social, nossa Esther se saiu muito bem! Foi ao cinema com Abby e Angie na semana passada, j que Abby veio do Gordon College passar uns dias em casa. Alm disso, na noite da ltima quinta-feira, a famlia inteira foi assistir ao recital de voz (maravilhoso) de Angie na North Quincy High School. E Esther tem passado a maioria das tardes jogando GameCube com os irmos. No h nada que Graham e Abe gostem mais do que descobrir que ela est acordada e pronta para jogar quando eles chegam da escola! Um dia vamos fazer um upgrade para o Wii, mas eles ainda amam seu video game antigo, e pelo menos jogos usados so baratos, por isso sempre podemos comprar novos! Graham fez treze anos h alguns dias, e eu gostaria muito que todos vocs tivessem ouvido a orao que ele fez quando estvamos reunidos  mesa para seu jantar de aniversrio. Havamos assistido a vdeos antigos da famlia, e sua orao emocionada foi para que Esther voltasse a andar e correr como antes... e todos ns ficamos com os olhos cheios d'gua.

Agradecemos a todos por suas oraes -- vamos mant-los informados!

Segunda-feira, 30 de maro de 2009, 10h42

Acelera, Esther! Esther teve um sbado superatarefado. Primeiro pintando rostos em uma palestra especial sobre educao que a me ajudou a organizar, e depois foi tomar caf da manh em um lugar chique com a me e a irm Angie. Depois disso, as garotas foram ao mercado, o que foi um acontecimento, porque, pelos nossos clculos, Esther no saa para fazer compras de verdade havia quase um ano! Enquanto os outros andavam, ela dirigiu um daqueles carrinhos motorizados, por um tempo sem incidentes, at fazer uma curva fechada e bater em uma pilha de produtos. Fora isso, no foi to mal para quem nunca fez aula de direo! A partir desta semana, alm das visitas regulares para exames e avaliao de seu estado geral, Esther far duas sesses semanais com um fisioterapeuta. Ela agora tem trs compromissos por semana em Boston (mas sero s duas viagens no total, felizmente). Alm disso, em uma ou duas semanas sua cada vez maior equipe mdica (oncologista, endocrinologista etc.) vai se encontrar para discutir nossos prximos passos. H algumas diferenas de opinio sobre como o tratamento deve prosseguir, ento eles, e ns, precisamos de sabedoria. A grande notcia  que eles nos instruram a pensar em um plano de cuidados de "longo prazo" ! No sabemos ao certo o que isso significa, mas parece muito bom! Vamos receber essa notcia como eles queriam que recebssemos: como timas notcias, sem dvida.

Tera-feira, 31 de maro de 2009, +- 16h

Tive um sonho estranho ontem  noite. Foi espetacular. Lembra que eu reclamei, dizendo que queria beijar um garoto? Parece bobo, mas quero gostar de algum e que algum goste de mim. Eca, estou parecendo uma aluna do segundo ano do fundamental. Tanto faz. No meu sonho, a gente estava assistindo  tev, sei l, e o garoto que estava comigo beijou minha bochecha, e eu fiquei toda arrepiada e foi incrvel. (haha no que eu tenha ficado excitada, ah, caramba, isso soou errado.) Depois ele fez carinho no meu pescoo e beijou minha nuca. Ai meu Deus, foi bom. Mas tinha gente olhando, acho, ento fomos para outro cmodo. Jogamos GameCube e assistimos  tev, e aproximei os lbios do rosto dele, eu acho?? Mas nada aconteceu. Acordei e fiquei triste porque no tinha sido real. Mas a comecei a pensar e me dei conta: quem era aquele cara? hahaha. Tambm sonhei com os B-s boys. Eles vieram e eu abracei Bruce, e ele me levantou bem alto, acho. Depois, fui abraar JT, mas ele s acenou com a mo. A eu acenei para o Ryan. Todos estavam com expresso triste. Mais tarde, perguntei por que eles pareciam to chateados, e eles disseram que era porque Graham estava doente. Mas ele no estava... que estranho. Fiquei achando que o garoto do sonho do beijo podia ser Ryan. Mas a lembrei que tive um sonho com Jake S (cohenism) e ele  incrvel, ento ser que  ele? Ou um cara to inventado quanto aqueles beijos. Ah, e no sei se j falei, mas agora nem posso beijar um garoto, porque a qumica no meu cuspe poderia fazer mal a ele.  uma tristeza quando uma coisa que a gente quer no pode acontecer. Hmm. Falando em querer, a LeakyCon 2009 vai acontecer entre os dias 21 e 24 de maio. EM BOSTON. Que diabos  isso, voc pergunta? Acontece tipo a cada dois anos. Fs de Harry Potter de todo o mundo se encontram para passar um tempo juntos e ouvir Wrock (msica de HP) e HANK E JOHN GREEN VO ESTAR L. EM BOSTON. EM BOSTON, NA LEAKYCON!!!

Quero tanto ir. TANTO. Mas os ingressos custam 195 dlares cada um, e mais 30 dlares para encontrar os Green. Alm do mais, no conheo ningum que v. Mas mame ou Abby e Angie poderiam [ir] comigo! Infelizmente, no temos dinheiro. Eu poderia pedir isso para a Make-AWish...

Bom, eu queria ir e queria beijar algum e meio que queria fazer amizade com algum que v  mgica LC09. Suspiro. Enfim, esse foi um texto incrivelmente imaturo e frvolo. Pensar nisso mais do que na sade. Ah, uma coisa boa. Fiz um "amigo" no OMGPOP Balloono (haha) e fazemos desenhos com bales e nos matamos com eles. Tipo placas, tringulos...  legal e me deixa feliz. :)

Certo, tchau.

Sem ttulo, 10 DE ABRIL DE 2010

Quarta-feira, 15 de abril de 2009, 12h55

A equipe mdica de Esther no Children's Dana-Farber and Mass General Hospital est muito satisfeita com o progresso dela at agora! Aps muita discusso e estudo do caso, a recomendao dessa vez  continuar a quimioterapia com Sorafenib (uma droga "inteligente"), que ela toma duas vezes por dia em casa, e dessa vez NO trat-la com radiao com I-131. Felizmente os efeitos colaterais da qumio foram mnimos em comparao aos que outras pessoas sofrem (ela teve algumas erupes, perdeu um pouco de cabelo e sofreu de dor no estmago). Tenho que admitir estar feliz por interromper a radiao. A ltima dose foi em outubro, e ela passou to mal que achamos que fssemos perd-la. Os mdicos tambm esto esperando para ver na semana que vem os resultados das tomografias feitas no dia 23. Se virem que os tumores nos pulmes continuam reduzindo ou que pelo menos no aumentaram, vo continuar com o atual esquema de tratamento. Outra coisa: esta semana, Esther ganhou um Wii! Como ela acabou de comear a fisioterapia quando vamos na Jimmy Fund s quintas,  o momento perfeito! Ela vai poder fazer a terapia enquanto joga boliche, tnis, golfe e,  claro, todos os jogos antigos do GameCube, que tambm funcionam no Wii. Essa aquisio foi graas a duas pessoas generosas. Muito obrigada, Lee e Freda! Esther (e os meninos,  claro) esto empolgadssimos! Tambm tivemos um grande dia na Sexta-Feira Santa, quando Esther substituiu seu tubo gstrico por um GEP, ou um tubo "Mickey". Eu digo a ela que parece o bico de encher de uma bola de praia. Devido aos pulmes comprometidos de Esther, eles fizeram o procedimento sem nenhuma medicao -- acho que com toda a qumio e a radiao, o tubo passou por muita coisa, e ficou muito mais duro e difcil de extrair do que esperavam. Mas conseguiram, apesar de Abby dizer que no imaginava que Esther tinha tanta fora para apertar a mo dela daquele jeito. No Domingo de Pscoa todos visitamos juntos nossa "velha" igreja aqui em Quincy. Foi maravilhoso ter Esther conosco pela manh, e a famlia da igreja ficou feliz em v-la. Depois, tivemos um jantar de Pscoa mexicano e vegetariano com duas amigas de faculdade de Abby. Foi um dia de muita alegria. Do mesmo modo que Abe gosta de encontrar ovos coloridos e cont-los, ns comemoramos as bnos disfaradas e valorizamos cada uma delas... Lori

"Sonhos so estranhos", 21 de abril de 2009

Sempre tenho sonhos muito, muito estranhos. De verdade, eles costumam ser bastante estranhos. Ontem  noite, sonhei que estava perseguindo um carro, era um carro vermelho, e ele parou em uma placa de pare, ento corri at ele e bati na janela. A janela foi aberta e uma pessoa com olhos grandes de mang olhou para mim, e os olhos preencheram toda a tela, tipo de um cinema, e eu estava de p em uma poa de gua. Da gua saram umas criaturas tipo golfinhos e comearam a cantar sobre aliengenas. Um dos golfinhos veio andando (??) na minha direo e sorriu, depois beijou minha bochecha. Nesta hora eu acordei, e meu gato Pancake estava lambendo meu rosto. Foi um dos sonhos mais estranhos que j tive, e acho que a culpa  um pouco de Doctor Who. Eu s tenho assistido a isso ultimamente. Estou de frias esta semana, ento no tenho nada para fazer. Acordo por volta das trs da tarde, tomo caf, converso com algumas pessoas por Skype e assisto a Doctor Who. Estou no ltimo episdio da primeira temporada, finalmente :O Hoje  tarde fui ao shopping e comprei a segunda e a terceira temporadas! A capa idiota da terceira entregou uma coisa que aconteceu com algum, mas no sei se devo dizer, porque odeio revelar segredos. Mas , a capa da terceira temporada me deixou zangada. T_T. Tambm comprei uns pretzels em uma loja do shopping chamada Auntie Anne's, e OMG: os pretzels so incrveis! So meio doces, mas no com gosto de canela, e tm sal, mas no de um jeito nojento tipo "nunca mais quero comer sdio na vida", e so supermacios. Ah, cara, quero mais agora... Enfim. Meu crebro est cansado. Fiz muito dever de casa hoje. Agora preciso dormir! Ah, e postei meu vdeo no meu canal failboat! Voc devia assistir. :D

Blueberry, 5 DE DEZEMBRO DE 2008

Segunda-feira, 4 de maio de 2009, 6h29

Bem, se voc s gosta de ler ms notcias, ento feche a pgina rpido! Porque hoje s temos boas notcias sobre Esther para contar. Os resultados da tomografia mostraram "poucas mudanas". Mas o exame computadorizado pode mostrar detalhes menores, e ele registrou uma reduo contnua de at quinze por cento no tamanho de alguns dos vrios tumores nos pulmes. O mdico dela disse que, de todos os resultados possveis, esse era o melhor que eles poderiam esperar. Pesquisas atuais mostram que os benefcios dessa qumio duram at vinte e quatro meses, at que o cncer se mostra mais inteligente do que essa droga inteligente. Por isso ns nos sentimos um pouco como Cristo em O peregrino, vendo  frente uma estrada reta e sem percalos. Vamos em frente! Ento estamos dedicados  tarefa de VIVER. Esther comeou seu programa de lgebra e estamos conversando com a escola para ver como conseguir oficialmente o diploma do ensino fundamental. Ainda temos que pensar no que fazer sobre o ensino mdio no ano que vem -- provavelmente ser pela internet, mas talvez uma combinao. Vamos ver o que acontece durante o vero. Continuaremos postando aqui de vez em quando, pois a jornada no terminou  claro. Esther ainda usa oxignio vinte e quatro horas por dia, de segunda a segunda, mas os mdicos a esto estimulando, dizendo que ela talvez consiga ficar sem ele durante alguns intervalos. Temos nossa cota de efeitos colaterais das muitas drogas que ela toma, mas at agora eles tm sido bem administrveis. Continuamos a trabalhar no horrio de sono de Esther, pois ela tem dificuldade para adormecer, depois dorme at tarde durante o dia (ou ser que isso  porque ela  adolescente?!). Obrigada por rezar, se preocupar e celebrar com todos ns! Lori (em nome de toda a nossa turma!)

Sbado, 23 de maio de 2009, 8h30

Ol a todos, Esther est se divertindo este fim de semana na LeakyCon aqui em Boston. O evento comeou na quinta-feira e vai at domingo. Ela simplesmente amou ir e conhecer pessoalmente muitos de seus amigos e heris da internet, como o escritor John Green. A irm mais velha, Abby, foi junto e no ficou deslocada, mas s depois de um treinamento intensivo com Esther. --  Grinfindria, no Lupa-Lupa. (No, pai, no.  Lufa-Lufa, no Lupa-Lupa, e  Grifinria, no Grinfindria. bahaha.) Ou: -- Ah, o Ministrio da Magia  meu favorito. Abby, na verdade,  uma grande nerdfighter enrustida, se o tanto que est se divertindo prova alguma coisa. Angie vai ajudar a carregar o oxignio por l hoje, e ela tambm no vai se sentir deslocada porque pelo menos ela sabe que linguagem usar. A me e o pai no sabem muito bem qual  a graa, mas Estee est felicssima, e para ns  o que importa. Vejam o site www.leakycon.com [contedo em ingls] para ter uma noo melhor das coisas. Alm disso, h fotos novas no Facebook de Esther. Outra notcia muito boa: depois de um ano indo  clnica em Boston uma vez por semana, Esther recentemente foi promovida a visitas quinzenais!  meio como ser promovido da classe econmica para a primeira classe, com mais espao para as pernas e amendoim grtis. Por enquanto  isso, Wayne

Na Leaky com Alex Day!,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Sexta-feira, 3 de julho de 2009, 23h11

Oiii, pessoal. Aqui  Esther, e decidi atualizar e tal, porque faz tempo que fiz isso pela ltima vez. No aconteceu nada de significativo em junho, o que acho que  ao mesmo tempo uma notcia boa, mas tambm um pouco sem graa. Comecei um horrio melhor na fisioterapia em casa (todas as segundas) e ainda estou indo  Jimmy Fund quinta sim, quinta no. Os remdios so os mesmos e vou fazer os prximos exames na segunda que vem, dia seis de julho, ento depois contamos como foi. Uma semana ou duas atrs, fui a um show aqui perto com minha irm Angie, e foi incrvel. Ns danamos, e fiquei exausta no dia seguinte, mas, cara, valeu tanto a pena... Tenho dois cilindros de oxignio "lquido", e eles duram umas quatro horas cada, ento os levo comigo sempre que vou sair. Se formos a algum lugar e eu precisar de mais de oito horas de oxignio, tenho tambm uns cilindros grandes que armazenam quantidade para trs horas. Ah, semana passada minha me e meu pai (ou podemos cham-los de Lori e Wayne) foram para uma ilha, para uma comemorao atrasada de aniversrio de casamento. Abby e Angie ficaram responsveis por meus remdios e por manter Abe e Graham ocupados, e devo dizer que elas se saram muito bem. No fizemos nada de mais, mas preparamos bolo de caf e outras coisas. :) Haha e ontem Abe, Graham e eu esprememos um tubo todo de creme de barbear e brincamos. Pode parecer chato, mas foi muito legal.  srio, espremer um punhado de creme de barbear  MARAVILHOSO. Hmmm, no consigo pensar em mais nada para dizer. AH. Este ano vou entrar na escola em que Angie faz ensino mdio -- eu no primeiro ano e ela no ltimo. Acho que vou trs vezes por semana, talvez para trs ou quatro aulas por dia. ... ainda no decidimos direitinho, mas a ideia principal  essa. Vou ter aulas de fotografia, e Angie vai estar na mesma sala que eu, e isso  bem legal. Amanh  Quatro de Julho, e no sei o que vamos fazer O_o Provavelmente ver os fogos aqui perto ou algo assim. haha Tenho uma sacola enorme com cartes que recebi, e ontem, enquanto estava arrumando, eu li todos, e foi muito legal. Obrigada, pessoal, por todos os desejos de melhoras, presentes, oraes, pensamentos, e-mails, tudo o que vocs nos deram nos ltimos trs anos. Apesar de a gente se esquecer de responder a quase todos (oi, somos os Earl), eles significam muito SIM, e fico muito

agradecida de ter tanta gente me apoiando, nos apoiando. Espero que todos tenham um lindo Quatro de Julho. Esther

Com Paul DeGeorge do Harry and the Potters,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Sbado, 31 de janeiro de 2009

Obviamente sou uma pessoa um tanto... "nica". O que quero dizer  que no gosto de estar com pessoas que no sejam da minha famlia, e mesmo assim s gosto de visitas curtas. No  que eu no GOSTE de pessoas, nem que no AME minha famlia, s me irrito com elas. Tambm no gosto de esportes, o que me afasta de gente do tipo "esportiva"; no sou muito artstica, no sou muito nerd, no sou muito popular, no sou muito engraada/palhaa. No sou muito rebelde. No me encaixo em grupo nenhum. Mas ultimamente tenho assistido a vrias coisas no YouTube, e meus canais favoritos so esses: fiveawesomegirls -- cinco garotas que se revezam na postagem de vdeos durante a semana, e os "tpicos" principais delas so Harry Potter, Wrock (bandas que tm a ver com Harry Potter), teatro e nerdfighteria (mais sobre isso abaixo/ -->) hayleyghoover -- uma das meninas do 5AG, a mais engraada e que me faz rir :) italktosnakes -- outra do 5AG, se chama Kristina e eu gosto da personalidade dela :)

rhymingwithoranges -- Jazza -- ele  legal, engraado e canta :) vlogbrothers -- dois irmos que comearam a fazer vlogs e pararam de se comunicar por escrito durante um ano. To incrvel!! Pois ento, os "vlogbrothers", John e Hank Green, comearam a chamar quem assistia aos vdeos deles de nerdfighters, que so basicamente nerds incrveis. Como falei antes, no sou totalmente nerd, mas gosto de pensar em mim como uma nerdfighter, por causa das coisas nerds de que gosto: YouTube, iilwy, Harry Potter, Wrock e... hm... acho que  isso.

Mas, para me tornar uma nerdfighter oficial, preciso elaborar um verso para uma msica sobre as coisas nerds de que gosto. :) Partiu fazer logo isso. DFTBA no se esquea de ser incrvel :) 8) :D 8D

Quinta, 12 de fevereiro de 2009, 1h

Cinquenta pginas. No as reli recentemente, mas cinquenta -- 50 -- pginas minhas escrevendo sobre coisas sem sentido  surpreendentemente menos do que pensei que escreveria. Dois meses depois de ganhar o Sr. Dirio, eu achava que ele ficaria cheio, todas as 234 pginas. Seria muita coisa escrita, mas pensei que conseguiria. Ah, bem, no estou reclamando, s queria ter escrito mais. :| Bem, vou contar mais detalhes e ento, se minha mo no estiver doendo "particular"... Eu diria que por volta do dia primeiro de fevereiro tive uma das minhas enxaquecas durante o dia e precisei descansar at ela ir embora. S para deixar claro, minhas enxaquecas comeam com luzes intensas no meu campo de viso. Parece que um flash de cmera piscou e o flash no some. Depois de uns dez-vinte minutos das luzes -- ou "aura" --, eu tenho dor de cabea. Normalmente uma hora depois, mais ou menos, a aura some e fico com dor de cabea pelo resto do dia. Pois , domingo :), uno de fevereiro (acho), tive enxaqueca, que passou mais tarde. No dia seguinte, tive enxaqueca, cochilei, ela foi embora e tive OU-TRA enxaqueca no mesmo dia! No dia seguinte, tive duas enxaquecas em momentos diferentes de novo. No dia seguinte, quarta-feira, tive outra enxaqueca, porm com mais dor do que estou acostumada. Acho que dormi bastante para tentar acabar com a enxaqueca dormindo. O dia depois de quarta foi, *surpresa*, quinta, que  minha visita semanal ao mdico. Fomos por volta das onze? mais ou menos? E papai teve que ir com Graham e Abe at o Children's enquanto eu ficava com Annette. Contei para ela sobre as dores de cabea e tal, e a a "moa da atividade" chegou. Fizemos colagem (ela e eu, no Annette LoL) e comecei a ter uma dor de cabea leve. Quando papai voltou junto com o psiquiatra (:D), minha cabea estava doendo muito. Ento, apesar de papai querer ir embora, esperei que Annette me desse remdio para dor, s oxicodona e Tylenol. Ajudou bastante, acho. E fomos para casa. E dormi em casa, mas tive outra dor de cabea horrvel... e dormi e acordei e tomei um monte de remdio para dor. O dia seguinte, tambm conhecido como sexta-feira em alguns lugares, foi to ruim quanto, se no pior. Acho que dormi o , vou ficar mais

dia todo, com a cabea latejando, o pescoo doendo e qualquer coisa me deixava enjoada ou pior. Eu estava tomando remdio para dor a cada quatro horas, uma mistura de oxicodona e Tylenol. O dia seguinte foi ruim igual; no comi nada, vomitei pelo menos duas vezes de manh e literalmente qualquer coisa que no consistisse em ficar deitada cem por cento parada ampliava a dor. Acho que no domingo a farmcia me deu um remdio que usei no hospital para dores de cabea fortes, mas s dois comprimidos, um para tomar de imediato e outro para duas-trs horas depois. S porque  muito caro... Mas esse remdio me deixou melhor. Fiquei acordada, finalmente, e minha cabea quase parou de doer. Consegui ficar um pouco no computador, acho. Na segunda-feira eles nos mandaram ir fazer exames para ter certeza de que no tinha nada de mais srio provocando as dores. Ento eu fui, e cada som e movimento provocava um baque de dor na minha cabea. O engraado  que me senti bem melhor naquele dia do que em toda a semana. Ainda estava com muita dor, mas eles cuidaram para eu ficar abastecida de remdios o dia todo. Isso ajudou. Primeiro, enfiaram um tubo intravenoso em mim e -- ah! -- erraram! >:[ Tentaram de novo e remexeram at entrar na minha veia. Ufa. Depois, passei para a ressonncia magntica, que faz muito barulho e me deixou meio em pnico. Mas fui bem. Os primeiros quarenta e cinco minutos foram quase relaxantes, a mquina fazia um monte de vibraes e um monte de roncos, os trinta minutos seguintes foram muito longos, mas nem to ruins. Fiquei feliz porque a dor de cabea sumiu quase completamente. Fiz uma tomografia de dez minutos, que foi tranquila. A, voltei para a Jimmy Fund Clinic... e esperei. Eles voltaram e disseram que tudo parecia bem, o que  timo, porque estavam com medo de tumores ou sangramentos. Assim, agradeo a Deus! `:D (pessoa suando de nervoso) Disseram que as dores de cabea so uma mistura, muito provavelmente, de falta de sono e desidratao, ento tenho que ir para cama na mesma hora todas as noites. Minhas dores de cabea esto menos severas desde tera, apesar de no terem sumido. Estou imvel, literalmente sem me mexer, e quando minha cabea fica melhor meu pescoo comea a doer. Ento me deram esteroide para ontem, hoje e por mais dois dias, :D, o que  esquisito, mas parece estar ajudando. Vou de novo amanh ao meio-dia e meia, a consulta   uma e meia, e acho que vou conversar com um neurologista e com especialistas de sono para ver se eles tm alguma ideia brilhante... Conto tudo depois (com as emoes). Estou cansada demais para isso.

Mas sou muitssimo grata aos mdicos e  mame e ao papai pela ajuda constante, eles tm sido incrivelmente pacientes comigo. Tambm agradeo a Deus por nunca fazer a dor durar tempo demais. A dor  muito ruim, mas sempre vai embora. xis, , xis,  :)

"You Are the Moon" [voc  a lua],
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

CATITUDE :
Encontrando amizade e comunidade virtual e na vida real por Lindsay Ballantyne

Q

uando as pessoas pedem uma Histria do Catitude,  difcil identificar que partes so as mais importantes, e  ainda mais difcil entender a linha do tempo dos acontecimentos. Nossos caminhos se cruzaram de variadas maneiras antes de nos reunirmos. Muitos de ns nos encontramos em chats relacionados aos shows ao vivo feitos pelo Vlog brothers ou pela Harry Potter Alliance, em um site chamado BlogTV. O chat Vlogbrothers BlogTV tambm foi utilizado em suas horas fora do ar como um ponto de encontro dos entusiastas do is is Not Tom, uma srie de enigmas on-line que se misturavam com uma histria misteriosa escrita por John Green. Em abril de 2009, alguns de ns participamos de um evento, comandado pela autora Maureen Johnson, chamado Blog Everyday in April (BEDA), e fomos apresentados por Maureen como os "Amigos BEDA", espcie de sistema de apoio para atravessar o ms. Outros futuros Cats assistiram juntos, em maio, ao concurso de ortografia Scripps National Spelling Bee, e o entusiasmo daquele evento foi mantido em festas anuais nas quais assistimos  competio. ramos todos muito prolferos no Twitter, e tnhamos pginas inteiras de conversa em mensagens de at cento e quarenta caracteres. O BEDA foi o lugar onde tudo comeou para mim. Havamos criado um chat no Skype com o objetivo de gerar ideias de blogs, mas acabou sendo um fluxo de pensamentos compartilhados. Quando o BEDA terminou e nossas conversas diminuram um pouco, Arka mencionou que vinha conversando com uma garota que ele achava que ns gostaramos de conhecer -- Esther. Um chat novo foi formado para que pudssemos falar com Esther, e no pensamos duas vezes. Quando conheci Esther, ela falava muito bem, era atenciosa e amvel. Achei que era esperta demais para ter a minha idade, ento, imagine a minha surpresa quando descobri que, aos catorze anos ("quase quinze"), ela era cinco anos mais jovem que eu. Quando conheci o restante do Catitude, foi a mesma histria. Rapidamente, constatei que minha avaliao de idades nunca seria precisa quando se tratava desse grupo extraordinrio de pessoas. No muito tempo aps o incio de nossa amizade coletiva, Esther disse: "Eu me sinto como se ns todos tivssemos a mesma idade. No sei que idade  essa, mas  assim que sinto. " Era verdade. Podamos passar de discusses sobre o que seria melhor comer -- coc com sabor de chocolate ou chocolate com sabor de coc, se voc tivesse que escolher (uma disputa que

durou anos e acabou sendo nossa discusso mais polmica) --  expresso de nossos pensamentos e desejos mais profundos sem hesitar. Logo no incio descobrimos que Valerie no sabia nada sobre Harry Potter. Uma vez que nos conhecemos por causa de nosso envolvimento com a comunidade de fs de Harry Potter, sentimos que era nosso dever cvico corrigir isso. Era a primeira vez que falvamos uns com os outros; e, assim, como quase totalmente estranhos, organizamos a "Operao HP Valerie". Nossa misso: fazer Valerie ler Harry Potter, fazendo anotaes nos livros e enviando-os para ela, vindos de todo o pas. Duas ou trs pessoas foram designadas para cada livro e acompanhamos tudo em uma planilha muito complicada (uma tradio antiga do Catitude). Aconteceram diversos chats na primeira metade de 2009, que frequentemente tratavam de uma necessidade momentnea, mas, em geral,  aceito que o Catitude, da forma como ns o conhecemos hoje, compartilhe sua data de aniversrio com Esther. O dia em que ela completou quinze anos coincidiu com seu retorno de um perodo de uma semana sem internet, por isso reunimos o maior nmero de amigos que conseguimos, inclusive aqueles que tiveram um contato mesmo que superficial com Esther, em um enorme chat comemorativo via Skype.

por JULIAN GOMEZ Esther, lembro que conheci voc no dia do seu aniversrio, que foi basicamente o incio do que o Cat-i-tude  agora. Fizemos uma festa para voc no Skype, e a primeira impresso que tive foi "Eu quero muito ser amigo dela." Estou muito feliz por termos nos tornado bons amigos.

Trecho do "chat de aniversrio" 4/8/2009

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JULIAN GOMEZ: Por

que ningum me contou dessa coisa de colab? ARIELLE LINDSEY ROBERTS: *finalmente jogando truth or fail*. LINDSAY: teryn organizou isso ARIELLE LINDSEY ROBERTS: teryn organizou isso ESTHER: TOCA NO VERDE KATIE TWYMAN: TERYN FAIL. D:< LINDSAY: ela disse que mandou uma DM para todo mundo no chat. BLAZE MITTEFF: #culpadateryn. JULIAN GOMEZ: Ah, aparentemente Teryn me odeia ESTHER: hahahha

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LINDSAY: D:

como se estivesse ignorando vocs >.< JULIAN GOMEZ: ltima DM que tenho  de ncacensorship ARIELLE LINDSEY ROBERTS: Julian voc viu meu tute para searchlight? JULIAN GOMEZ: VI ARIELLE LINDSEY ROBERTS: no seria incrvel? JULIAN GOMEZ: Muito haha ARKA: caramba quantas pessoas esto neste chat? VALERIE: 21!? JULIAN GOMEZ: Ns tuitamos ao mesmo tempo ESTHER: MUITAS PESSOAS INCRVEIS [MORBLES.]: 21?!?! BLAZE MITTEFF: mais de 8000* JULIAN GOMEZ: 1337** [MORBLES.]: me sinto especial ARIELLE LINDSEY ROBERTS: ningum vem pra flrida =( [MORBLES.]: mas tosco ao mesmo tempo <3 ESTHER: TOSCO? BLAZE MITTEFF: eu fui pra flrida. >:( JULIAN GOMEZ: Soa como um problema pessoal, Morgan [MORBLES.]: hahahaha [MORBLES.]: valeu Julian ROY DUKE: eu acabei de conseguir o CD do searchlight,  INCRVEL KATIE TWYMAN: LEAKYCON. FLRIDA. VENCEEEE. JULIAN GOMEZ: em loop < ARIELLE LINDSEY ROBERTS: desculpa correo nenhuma banda vem pra flrida.

[MORBLES.]: sinto

Os quatro cantos da minha vida,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Como acontece com qualquer grupo grande, algumas pessoas se afastaram do nosso cantinho na internet. O grupo de mais ou menos vinte e cinco pessoas que permaneceram veio a ser conhecido como Catitude. Os chats do Skype podem ser batizados por qualquer um dos participantes, e muitas vezes abusamos desse recurso na tentativa de sermos engraados. Era bem tarde da noite (momento auge da besteirada) quando mudamos o ttulo para "Cat-I-Tude", e os poucos de ns que estvamos on-line no conseguamos parar de rir disso. Sempre que algum mudava o nome do chat a gente mudava de volta para Catitude. Por fim, quando John Green e Andrew Slack comearam a se referir a ns, coletivamente, como Catitude, o nome pegou. Voc podia entrar no Skype a qualquer hora e tinha algum l para cumpriment-lo. Muitos tinham dificuldade para dormir, ento fazamos companhia uns aos outros em chamadas coletivas ou conferncias de vdeo e participvamos de jogos on-line com vrias pessoas at o sol nascer. Katy disse: "Estvamos unidos por alguns fatores em comum: um pequeno vcio em internet, o amor por John e Hank Green e pela nerdfighteria, e todos conheciam Esther. Ela realmente era o farol do Catitude. Ela criou o ambiente aberto, tinha uma maravilhosa maneira de atrair as pessoas, de fazer cada uma se sentir como se fosse a nica que importasse."

Conversvamos desinibida e ininterruptamente sobre nossas obsesses em comum; fazamos piadas estpidas, das quais s ns achvamos graa, e citaes fora de contexto que publicvamos no Twitter. Todo mundo sabia muito bem o que em geral dizem de amizades feitas pela internet, e zombvamos dessa ideia com frequncia. Ns chamvamos uns aos outros de "stalkers", alguns chegando ao ponto de escrever detalhes sobre o grupo em seu prprio "caderno do stalker", e costumvamos brincar que um de ns era, na verdade, um homem de quarenta e sete anos. Assistimos ao A Very Potter Musical juntos, fazendo contagem regressiva para tentarmos apertar o play ao mesmo tempo e, em seguida, atribuir uns aos outros os papis do musical. Esther e eu acabamos representando Voldemort e Quirrell, respectivamente, sobretudo porque os personagens partilham uma capa na maior parte do musical e pensamos que a nossa diferena de altura aumentaria a comicidade. Logo depois, ela me enviou esta carta e um poema ilustrado:

ah meu querido Quirrell / voc me deixa em um remoinho / de emoes /  como um Twhirl / mas sem tutes. ah meu ombro amigo / voc no vai vir para c / e me mostrar que liga. / no deixe nosso amor murchar. / como as flores / que voc planta.

Por vrios meses, nenhum de ns sabia que Esther estava doente. Vimos algumas fotografias dela com cnulas de oxignio, mas sempre que algum tinha coragem de perguntar a ela sobre aquilo, Esther dizia apenas que "tinha problemas respiratrios". Durante uma de nossas chamadas de vdeo, tarde da noite, lembro-me de pensar: "Como  que o cabelo de Esther sempre parece perfeito, mesmo s trs horas da manh?" Era, claro, uma peruca. A internet era um dos nicos lugares a que Esther poderia ir sem ser tratada como a "garota com cncer". Quando penso nisso, fico extremamente grata por ter tido tempo para conhecer Esther, a verdadeira Esther, livre das restries que so inevitavelmente impostas a um relacionamento quando algo como o cncer entra na histria. Ento, uma noite, decidimos que no conhecamos suficientemente os detalhes pessoais uns

dos outros; a, nos revezvamos fazendo e respondendo perguntas. Este trecho comea com a resposta de Esther  pergunta: "O que voc quer fazer com sua vida?"
12/9/2009

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tive muito interesse na rea mdica. tenho uma poro de problemas de sade que me obrigam a passar um tempo imenso em hospitais, e curar as pessoas  uma coisa muito legal. eu simplesmente no sei se seria capaz de lidar com o outro lado da indstria da medicina, como a morte e coisas parecidas. sei que existem ramos que voc no tem que lidar com esse lado constantemente, mas enfim. no sei o que farei com meu futuro mais bvio. KATY: que problemas de sade voc teve, Esther? :/ KATY: barra tem TERYN: :/ TERYN: tambm andei curiosa. ESTHER: aha. querem ouvir uma longa histria? Eu provavelmente vou escrever por um bom tempo. TERYN: sim, o que Katy disse. KATY: estamos aqui para voc, mocinha TERYN: tudo bem, no tem pressa. LINDSAY: sim, eu sei um pouco, mas no muito TERYN: estamos aqui <3 ESTHER: eu nunca falei sobre isso com as pessoas da internet, ento contar coisas para as pessoas por escrito  meio estranho. bem, em novembro de 2006, recebi o diagnstico de cncer da tireoide, que no , tipo, nada comum em crianas. ele tinha espalhado para meus pulmes, o que no era muito bom. ento, tiraram o tumor, mas ainda tinha uma poro de porcaria nos pulmes, de onde, tipo, voc no pode tirar coisas. a eles fizeram uns tratamentos algumas vezes, e funcionou um pouco. eu estava na Frana naquela poca. ento, em 2008, mudamos de volta para os EUA, e eles comearam a fazer outros tratamentos que funcionaram melhor. no natal passado tive um momento muito ruim em que passei bem mal, mas tenho melhorado muito. ento, bem, meu diagnstico  de cncer da tireoide, e ele simplesmente trouxe uma poro de outros problemas, que trazem outros problemas. . no sei mais o que dizer sobre isso, mas eu provavelmente no dei a vocs, tipo, qualquer informao sobre isso, blz ento. VALERIE: ei cara VALERIE: amo vocs, pessoal ESTHER: aha isso foi muita coisa. TERYN: *l* KATY: Ah Esther < 3333333 LINDSAY: *l esther*

ESTHER: eu sempre

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<333333333 VALERIE: droga, no quero ir pra cama agora, quero falar com vocs VALERIE: e esther <3 TERYN: ah Esther <33333333333333 *amor*

DESTINY: Esther

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<3 DESTINY: assim que eu digitei Esther, I want candy do Aaron Carter comeou a tocar LINDSAY: esther <33 ARIELLE: haha destino ESTHER: * doce* LINDSAY: ah querida ESTHER: eu no tenho problema nenhum em falar sobre tudo, s no sei como levantar o assunto ou o que dizer sobre isso. KATY: amo vocs, galear! DESTINY: igualmente, Esther TERYN: Entendi, Esther. LINDSAY: ento voc est em remisso ou o que exatamente? KATY: voc vai ficar bem, no , Esther? LINDSAY: AMO VOCS TAMBM LINDSAY: MUITO LINDSAY: galear VALERIE: eu tenho mesmo que ir agora amo todos vocs MUITO e espero ter mais conversas como esta KATY: NS VAMOS <3 DESTINY: awn tchau Valerie! VALERIE: <333333 ESTHER: boa noite valerie <3 ESTHER: amo muito vocs <3 ESTHER: ah e no, eu ainda tenho cncer e provavelmente no vou ficar oficialmente curada, mas parece bom, acho. ainda tenho uma poro de outras coisas junto com ele. no sei mesmo o que o futuro me reserva, por isso costumo no pensar muito pra frente :\

ARIELLE: esther

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</3 TERYN: awn Esther LINDSAY: esther <333 TERYN: *amor* ESTHER: *amor tambm* TERYN: <3 LINDSAY: eu no sei se deveria dizer isso mas estou totalmente chorando agora LINDSAY: </3 TERYN: esther voc  sensacional ESTHER: eu amo muito todos vocs. LINDSAY: VOC  MUITO SENSACIONAL LINDSAY: EU TE AMO ARIELLE: sim esther voc  totalmente sensacional! KATY: Lindsay, tambm estou quase KATY: </3 ESTHER: estou quase quase mesmo chorando TERYN: estou me debulhando em lgrimas KATY: #menininha ARIELLE: eu tambm ESTHER: estou meio trmula TERYN: Deus Esther, eu, bem... voc  incrvel. Por continuar. Sei que pode parecer meio estranho, porque no  como se voc tivesse escolha, mas  srio. Isso faz que voc seja pica. E vai em frente. E eu te amo. ESTHER: <33 LINDSAY: sim TERYN: <3 LINDSAY: esther sempre foi pica LINDSAY: isso s acrescenta ESTHER: hahaha <3 ARIELLE: ok ento aqui vai uma pergunta: Alm dos nerdfighters e do harry potter por que outras coisas voc  apaixonada de verdade? ESTHER: eu no encontrei minha coisa para me apaixonar, mas o cncer infantil  uma droga. e sei que h muitas causas impressionantes que ajudam, mas passar por isso meio que muda a forma como vejo as coisas e  s que, no sei, no  como se eu fosse realmente encontrar uma cura, porque no tenho como, mas gostaria de ajudar as pessoas que tm que passar por isso a se sentirem melhor. ARIELLE: eu amo vocs, pessoal KATIE: Deus, srio. ESTHER: sim, eu estou muito feliz porque TODOS VOCS esto aqui, agora, falando comigo. nunca falei sobre nenhum assunto srio com ningum da internet, mas estou

KATY: awn Esther

muito feliz por ter vocs galera <3
[23:00:58] [23:01:08] [23:01:10] LINDSAY: eu no

canso de dizer o quanto estou aqui para o que der ou vier para vocs

galera de verdade ARKA: galera fale sobre algo idiota por cinco minutos tenho que pegar o laptop
LINDSAY: tipo,

Ficamos mais prximos naquela noite. As pessoas compartilharam suas inseguranas, lutas contra a ansiedade e a depresso, e muitas das maiores provaes que a vida tinha lanado em seu caminho. Nosso bate-papo no Skype tornou-se mais do que apenas um lugar de diverso; era um lugar cheio de amor incondicional e apoio. Saber sobre o cncer de Esther no afetou a dinmica do grupo tanto quanto seria de esperar. No fundo, havia sempre a preocupao, mas Esther era realmente boa em no exagerar a situao, e a conhecamos to bem que conseguamos pensar nela sem a doena. O Catitude prosseguiu em ritmo acelerado, tornando-se uma comunidade ainda mais ativa quando iniciamos um tumblog juntos, dedicado a mostrar a criatividade incrvel da nerdfighteria.



s vezes, eu simplesmente fico sentada assistindo ao chat, e todo mundo  muito engraado, inteligente e carinhoso um com o outro. Parece a forma mais verdadeira, pura e maravilhosa de amor e amizade. No sei.  simplesmente tudo de bom. E Esther era parte daquilo. Ela era isso. Tudo de bom. -- ALYSIA KOZBIAL

A

cho que houve uma srie de razes para todos ns nos apaixonarmos de imediato por esse pequeno chat que criamos. Obviamente, muito do sucesso se deve ao fato de estarmos todos interessados em coisas semelhantes: nos conhecemos atravs de vrias comunidades online, como a nerdfighteria, a Harry Potter Alliance e os fruns de fs de bandas como e Mountain Goats e ey Might Be Giants. Os interesses mtuos tornaram as apresentaes iniciais simples e confortveis. Ento, em poucos meses, nos tornamos inseparveis, e acho que isso se deveu a mais do que simplesmente nossa histria comum. Parece-me que estvamos, cada um de ns, um pouco como em uma encruzilhada de vida, todos questionvamos coisas em nossa vida que antes aceitvamos sem grandes reflexes. Muitos de ns lidvamos com ansiedade, depresso e outros problemas de sade mental. Outros faziam planos para cursar faculdade e seguir uma carreira, comeando a explorar como seria a vida adulta. Juntamente com o crescimento vem a insegurana e a incerteza. O Catitude ajudava a nos tranquilizar. O Catitude era importante porque era exatamente o que precisvamos que ele fosse a qualquer momento. Passamos uma enorme parte do tempo nos fazendo de bobos completos e absolutos. Noites inteiras foram passadas em chamadas de Skype, participando de jogos on-line com vrias pessoas na internet. Lembro-me de fazer piadas sobre coc, fazendo questo de deixar o outro incomodado, e de rir de coisas, como um bando de crianas de seis anos com hiperglicemia. E, em seguida, houve noites em que algum aparecia no chat, obviamente magoado ou triste. Todo mundo parava o que estava fazendo, e todas as atenes se voltavam para a pessoa que precisava. Nada mais importava at aquela pessoa ter sido bem-cuidada. Era impossvel no confiar nossas partes mais vulnerveis a todo mundo no chat. -- KATIE TWYMAN

Os braos do Catitude,
LEAKYCON, ORLANDO, FLRIDA,

2011

F

iz uma poro de amigos virtuais ao longo dos anos, mas, em geral, descobri que  muito mais difcil ter conversas pessoais e ntimas on-line do que pessoalmente. Talvez seja a disponibilidade esmagadora de cultura divertida e desmiolada a ser absorvida, ou talvez sejam apenas as barreiras estranhas dos teclados desajeitados e das centenas de quilmetros. Talvez sejam apenas os resduos das advertncias dos pais para no falarmos com estranhos em chats. Isso no significa que  impossvel falar sobre assuntos srios, uma vez que  fcil discutir essas coisas de forma abstrata e impessoal, mas, ao contrrio, que  difcil falar a srio, com algo em jogo, sobre detalhes simples, pessoais e ocultos. Na verdade, muitas dessas coisas podem parecer to mundanas e bvias que no percebemos que esto sendo evitadas. Falar com Esther pela primeira vez on-line no foi exceo. Conversamos sobre jogos on-line, Harry Potter e como algumas outras comunidades virtuais eram estranhas. Quando penso nos primeiros meses aps conhecer Esther, o que mais recordo  de ter rido muito e achado que ela era divertida e inteligente.  estranho, mas, no incio da nossa amizade, ela j parecia ser uma irm mais nova, ainda que estivesse a milhares de quilmetros e que eu s a tivesse visto em vdeos fora de foco no YouTube. Zombvamos dos erros de digitao uns dos outros; tnhamos discusses apaixonadas, tarde da noite, sobre Harry Potter, sobre o filme mais recente da srie, sobre como uma determinada cena tinha sido perfeita; tnhamos os chats mais fteis com nossos outros amigos, com a tolice incomparvel de adolescentes e jovens adultos. Ser amigo de Esther era simplesmente divertido e, s vezes, parecia que isso bastava. No muito depois de ficarmos amigos, percebi que havia algo mais sobre Esther que causava um profundo impacto em seus amigos mais prximos.  difcil descrever essa caracterstica, mas acredito que fosse, no fim das contas, uma profunda capacidade de compaixo. Simplesmente, de vez em quando, ela desviava nossa ateno de piadas sobre peidos e coc e transformava nosso bate-papo em um espao ntimo para deixar outras pessoas entrarem naquelas partes que a gente quase no mostra a ningum. Ela fazia essa transio de maneira natural, e acho que todos ansivamos por momentos daquele tipo.  muito difcil deixar pessoas novas entrarem em nossos eus desinteressantes, desconfortveis e sombrios da vida real; on-line,  fcil estabelecer contato com pessoas com as quais voc fala regularmente por multiplataformas, mas com quem nunca realmente se abre. A internet no exige as mesmas expectativas das interaes sociais, e a maioria das mdias sociais no tem a mesma franqueza das interaes cara a cara. Em minha opinio,  preciso ter muita coragem para romper a conversa tola e descontrada e realmente pedir a seus amigos para mergulharem nas profundezas de suas vidas. Esther conseguia romper as camadas de humor irnico e distante para nos fazer falar sobre nossas famlias, nossos passados, nossos medos e nossas ansiedades, sobre nossas falhas. Ela fazia nossas conversas parecerem convidativas e ningum julgava ningum. Ela dava a impresso de que estava honestamente preocupada com as pessoas, que se importava de verdade com algo mais do que o talento de algum para fazer trocadilhos. Em grande parte, graas a ela, nosso grupo de

amigos passou das piadas e do entusiasmo nerd aleatrio, os quais, por si s, no constituem um problema, a um espao virtual seguro e reconfortante de amor e compaixo. Antes de conhecer Esther, eu no considerava a internet um meio para os amigos exporem a alma uns aos outros. No podia imaginar que conheceria amigos virtuais no mesmo nvel que conheo os amigos que vejo todos os dias. Essas so as coisas que Esther significa para mim: ser capaz de cuidar de seus amigos de maneira profunda e ostensiva e de se tornar completamente acessvel e vulnervel na presena deles. s vezes, no entanto, esqueo uma parte igualmente importante de Esther.  incompleto caracterizar Esther como tendo sido completamente aberta e vulnervel. Esqueo, apesar de me lembrar constantemente de que Esther era uma jovem assustada, doente, solitria e com defeitos. Esqueo porque levei vrios meses para descobrir que Esther tinha cncer. Esqueo porque havia muito menos conversas quando ela me disse que ficara triste e deprimida quando seu amigo faleceu, ou como acordar parecia intil uma vez que voltaria a dormir, ou como ela se sentia isolada, embora recebesse a ateno arrebatada dos amigos e familiares que a amavam. Esqueo porque, mesmo ela sendo alguns anos mais nova do que eu, s vezes parecia que tinha a maturidade e a sabedoria de um velho sbio. Esqueo, pois no tenho que pensar na morte todos os dias, exceto nas aulas de filosofia. Esqueo porque  difcil entender que a mesma pessoa que lhe d tanto amor, e para quem voc d tanto em troca, pode passar por tipos de dor e sofrimento que nada que voc faa pode aliviar. Talvez por isso seja doloroso me lembrar de Esther. Poderia ter sido fcil simplesmente recordar sua risada, sua digitao idiossincrtica, sua ideia de diverso alegre, at mesmo seu amor sem limites, mas  mais fiel  maneira dela de amar lembrar todas as pequenas fissuras em sua imagem atravs das quais ela ocasionalmente nos permitia acesso s suas preocupaes e medos mais profundos. Ela gostaria que a gente se lembrasse de seu eu autntico, incluindo todas as partes imperfeitas. Por que se abrir aos amigos se eles no percebem voc em sua vulnerabilidade? O que importa  amar os amigos completa e totalmente, o melhor e o pior lado, e amar mais do que apenas as coisas boas. Trata-se de mostrar que voc est disposto a aceit-los pelo que so, que eles no devem se sentir inseguros ou constrangidos na sua presena, o que pode ser uma tarefa difcil. Esther sabia de verdade como fazer algum, o tempo todo, sentir que ela se preocupava profundamente e tambm sabia mostrar que ela amava as pessoas, fosse isso dito ou no. -- ARKA PAIN

Make-A-Wish! Esther, Teryn Gray, Lindsay Ballantyne, Katie Twyman, Madeline Riley, Abby Drumm,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

O

Catitude  algo realmente difcil de tentar descrever -- at mesmo eu tenho problemas para articular a estranha e maravilhosa relao que existe entre todos ns. Tenho outros amigos que disseram que tm inveja da abertura total e do amor desinibido que existe entre ns, do Catitude. Acho que  uma coisa muito boa fazer parte disso. Nunca houve um momento em que senti que no pudesse compartilhar tudo e qualquer coisa com algum no chat. No tenho certeza de que esse aspecto nico se originou de termos forjado nossa amizade on-line, mas tenho certeza de que tem muito a ver com a forma como ns nos agrupamos por intermdio de Esther. Esther compartilhou seus sentimentos nesse chat e atravs de ns e, ento, por sua vez, ns nos abrimos tambm. Ele se tornou uma plataforma aberta para a discusso de todos os problemas e contratempos da vida, mas tambm um lugar para onde podamos correr para ver quem era o mais rpido a responder a perguntas sobre mincias do Harry Potter (uma honraria pela qual Esther e eu sempre competamos). Confiamos uns nos outros e nos aceitamos de uma forma que nem sempre podemos confiar e aceitar -- ao amar os erros dos outros, aprendemos a aceitar os nossos. -- TERYN GRAY

O

evento do livro Will & Will foi meu primeiro encontro ao vivo e a cores. Foi o primeiro de Esther tambm. Eu estava apavorada. Tive que dirigir algumas horas para chegar l. Tudo foi planejado. Aquele dia meio que solidificou tudo. Amigos que tinham sido amigos antes de se encontrarem pessoalmente se viram pela primeira vez. Estava nervosa demais para rir alto demais, falar demais, abraar demais, dizer a coisa errada. Tudo o que eu queria fazer era olhar para eles para me assegurar de que eram reais e no fugiriam de mim. Esse foi um dos dias mais assustadores/gratificantes da minha vida. -- SIERRA SLAUGHTER

Lanamento de Will & Will,
CONNECTICUT,

2009

Esther "masculinizada" com um amigo, 2009

Os trechos a seguir foram tirados de um dos primeiros projetos abandonados do Catitude. Enquanto envivamos correspondncias por correio normal uns aos outros, algum surgiu com a ideia de fazermos um dirio compartilhado. Esther foi a segunda e ltima a receber este bloco de anotaes que, segundo planejvamos, deveria transitar entre os integrantes do grupo mltiplas vezes. Esse  o nosso eptome como um grupo, mergulhando com muito entusiasmo e completando, talvez, metade do que pretendamos realizar.  uma mostra do Catitude, como ramos em 2009, incluindo muitas piadas recorrentes. Esther se refere a Valerie como um cachorro, se chama de "efeminada" quando est cansada e vez ou outra introduz citaes de A Very Potter Musical. -- LINDSAY BALLANTYNE
* Referncia ao desenho animado Dragon Ball Z. (N. do T.) ** Forma de escrever "leet", em portugus: "elite". (N. do T.)

CADERNO CATITUDE DO STALKER 17 de setembro de 2009
OI, PESSOAL, AQUI  A ESTHER, E ADORO ESTE CADERNO. Estou em uma ligao telefnica de verdade com a Lindsay Ballantyne, essa pessoa incrvel. Ela acabou de colocar o telefone na mesa para prender o cabelo, e consegui ouvi-la fazendo barulhos tipo "nghngg" eheheh. Estou tentando botar nosso adorvel apstrofo personagem apstrofo no papel e Lindsay quer que eu tente desenhar um D com olhos, mas de alguma forma fazendo parecer um cachimbo. Ah, Lindsay, aqui vou eu... `D' que m `D' que m `D' Lindsay que diabos  para eu desenhar? No estou entendendo :/ (<3) E agora ela est me contando sobre dividir o quarto com Geri e outras colegas. Elas mandariam vdeos pelo Facebook. A cor da tinta da minha caneta mudou! :O! Ah, cara, ento Lindsay e eu ainda estamos conversando. Estamos falando h :) + de quatro horas. Ligamos para Arka e depois ligamos para Abby porque ela estava com cime da nossa LIGAO, e ligamos tambm para Teryn para dizer oi. Ligamos para Katie para dizer oi, mas ela no estava, ento deixamos um recado incrivelmente incrvel e no sabamos como desligar, ento ficamos falando sem parar, e ligamos para Valerie por uns cinco minutos para dizer oi. Ah, e falamos com Abby por meia hora mais ou menos e ela foi mimir. Lindsay e eu estamos no closet. Em closets separados, infelizmente, mas mais tarde... mais tarde eu vou para o dela. >:) Lindsay acabou de me perguntar do nada "quando voc botou minha casa no Google Maps, ela estava branca ou azul?". eheheh adoro coisas esquisitas. SO DEZ E VINTE DA NOITE E ESTOU TO EFEMINADA. A escola est me transformando neste monstro. Esse monstro com babados, cheiro de flor e lao no cabelo! Espero que amanh (porque amanh  sexta) AH, vou dormir e agora so onze e trinta e dois da manh do dia 18 de setembro de 2009. No sei como aquela frase ia acabar. SUSPENSE. Hoje tive francs, mas meu professor no apareceu, ento s desenhei pontinhos no caderno enquanto o substituto gritava com a gente por conversar apesar de a gente no estar conversando. Ele  um professor estranho... Eu desenhei pontinhos e escrevi citaes de A Very Potter Musical.

Como: Aaaah  uma nova pgina DE VERDADE! eeeeeeeeee! (isso foi porque quero tentar "umm" como Abby fez. Olha aqui: divertido escrever!ummmmmmmmmmm AAAH foi DIVERTIDO! #jeitoslegaisdesedivertir Quando eu mandar no mundo, vou plantar flores! Quando eu mandar no mundo, vou ter... cobras! >:)

Photo Booth com Katie Twyman e Lindsay Ballantyne,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Domingo, 20 de setembro, 11h41
hihihihihihihihihihihi no me esqueci de voc, Sr. Caderno, na verdade pensei em voc muitas vezes. S no escrevi em voc.  SEI PQ. S no escrevi. Ontem  noite foi muito legal. Usamos o TokBox e ummm. O que mais fizemos? (alm de, voc sabe ;) hmm. Foi #sprincipais (lindsay, arka, geri, eu, obviamente). Adoro usar o TokBox/ligar/conversar com vocs. :D Fico dividida entre querer adotar gramtica, pontuao e letras maisculas corretamente, isto , escrever bem em geral, e no me preocupar com isso. Sabe, naquela noite teve um VDEO LOL demaaaaaaaais! Eu quis dizer frase. bah aha ah cara. #nerd oooooook e agora. O que discuto o que compartilho o que penso da vida e de todos os seus grandes mistrios QUEM SABE no eu!! #wtfug Droga a bateria do meu celular caiu no cho. No quero pegar :/ tudo bem j peguei CARA. CARA. Vou levar este caderno ah espera ah cara eu quero ah cara no vou contar isso vai ser uma surpresa pra qual alguns de vocs no vo ligar HA!!! </retardada>

22 de setembro, 16h22
Estou me sentindo estranha. Tive um dia muito, muito horrvel. Tipo, tudo bem, eu estava bem, nada de muito ruim tinha acontecido, s me senti sem saco. A, cheguei em casa e me senti absurdamente sem saco. Minha casa  quente, mas no tenho para onde ir. Ento eu dormi. Depois fui para o dentista e lalala fiz uma obturao e tomei remdio para ansiedade ou sei l como aquela querida bosta se chama. Tambm precisei tomar duas anestesias na gengiva/bochecha/ah ou na bochecha/gengiva/sei l, porque meus dentes esto ruins. yay! Mas meu dentista me contou que o filho dele era um nerdfighter porque comeamos a conversar sobre o John Green e ele  do segundo ano e estuda na minha escola e a filha do meu dentista  uma seminerdfighter e  do primeiro ano da minha escola e eu simplesmente :D adoro quando tem nerdfighters morando perto de mim. Vou v-los AMANH na ESCOLA. eeeeeeeeeenfim, vou tentar pensar em coisas melhores para escrever aqui e vou mandar logo EU JURO. T, vou dormir ou sei l TCHAU.

Domingo ?lol quem sabe de setembro, 13h02
Aahhhhmmmm oi. Como voc est, querido caderno? como? h estou ok. Acabei de acordar. Estou um pouco cansada. Nem fiquei acordada at tarde ontem. Adormeci por volta das cinco da manh mais ou menos. Ficamos s Lindsay e eu durante quase toda a conversa. Destiny participou de algumas partes, mas ramos mais Lindsay e eu digitando (eu no podia falar -- famlia) e rindo e ah, meu e-mail da rowling foi o melhor. lol. O passarinho da Valerie tem que ser fcil de copiar para eu poder desenhar uma fofura fofa TAMBM. *come banana* *se sente estranha* *olha pra banana* *joga a banana fora* isso sempre acontece. Ento eu estava pensando. Quando acabarmos de mandar isso entre ns, devemos mandar (talvez outro) de novo para a gente ver o que os outros escreveram. Podia ser um ciclo sem fim, n?  sei... me parece uma ideia legal, o que vocs acham? ps. No tem problema nenhum se vocs violarem meu espao pessoal de escrita escrevendo/desenhando coisas no meu... espao pessoal de escrita :D Ps.ps. eu shippo tanto escrever/desenhar

Sbado, 3 de outubro, 13h59
Tudo bem. Antes de eu comear a pedir desculpas por no escrever, quero contar algumas coisas. Estou resfriada, e ontem  noite foi pico incrvel demais fantstico genial. , fui ver o show de Draco and the Malfoys, Harry and the Potters, Whomping Willows e JFF & the Sugar Quills. Foi D+. No vou MUITO a shows de rock bruxo, mas quando vou sempre tem as mesmas pessoas de Massachusetts por l e finalmente estou conhecendo algumas.  TIMO. :D ... mas enfim, comprei uma camiseta e pins e uma bolsa do JFF e e e ah, cara, adoro rock bruxo. ahhh. Ah, e a MEREDITH, a namorada do Paul DeGeorge, que  a vendedora dos produtos da banda,  incrvel demais e me adicionou no Facebook! Vou parar de gritar agora. Deus, eu sou incrvel pra caramba. Hmmmm. Bem, antes do show, ah ah, eu quase esqueci, mas juro que no. Sabe, pensei em talvez levar o Caderno do Stalker para o show, mas ESQUECI ento trouxe uma coisa para vocs todos (que gostam de rock bruxo, pelo menos). Ento, pessoal. Vou mandar logo. Acho que no vou escrever mais nele, mas  sei. Amo tanto vocs... Minha vida  muito estressante, e antes de descobrir os vlogbrothers, a nerdfighteria, vocs, eu no estava, sabe, morta, mas sinto que tem muito mais coisa na minha vida agora. Claro, ainda no est completa, mas s de ouvir a esttica de vocs minha vida fica um pouco mais suportvel. Vocs so os melhores, todos vocs. E, quando digo vocs, no  s por falar. EU REALMENTE meio que amo vocs. Um pouco. :D (s vezes os emoticons ficam meio assustadores no papel.) (Alis vou finalmente mandar isso no dia 26 de dezembro de 2009. :) ) OK <3333 (No  nada demais, mas tem autgrafos dos HatP e vocs s vo v-los na Leaky de 2011... porque eles so todos de Massachusetts? Eu adoro, pelo menos >:) )

Data exata desconhecida
Perguntas esquisitas:

Ideia da Valerie: Voc pode responder esta(s) pergunta(s) se quiser, seja l quem voc for. E faa perguntas se quiser. Cara, os cachorros tm boas ideias se a gente ao menos OUVIR! 1. Voc gosta de mostarda? Tem algum motivo para gostar/no gostar? E ketchup? Maionese? Tem alguma outra coisa qualquer possivelmente nojenta da qual voc gosta/detesta? Compartilhe! ! ! ! ! ! 2. VOC ESTALA OS DEDOS/qualquer outra coisa (por exemplo, o pescoo :S)? Seu esquisito... 3. Se voc fosse uma girafa e quisesse muito chocolate, mas estivesse preso em uma jaula/zoolgico/rea fechada, como fugiria/escaparia/mataria todos os guardas e qual seria a arma escolhida? Voc s pode escolher uma opo, infelizmente. Afinal,  apenas uma girafa. No que girafas no sejam especiais, mas no d para carregar muita coisa. 4. O que (seja estar em uma caixa de cereal, se formar na escola/faculdade/outra coisa qualquer, estar vivo, sei l) voc deseja alcanar no prximo ano? 5. Como era a vida antes de voc ser nerdfighter? Como voc *descobriu* os nerdfighters? Voc se lembra da sua primeira reao lol? Ok, tchau de verdade agora <3 Esther (como se isso fosse o Skype, onde no consigo dizer tchau.)

Hierarquia do Catitude,
CADERNO DO S TALKER,

2009

VDEO DE "AGRADECIMENTO"
25 de novembro de 2009

Tentei escrever no blog. Tentei fazer um vdeo, h... No estou preparada para fazer isso, mas vou fazer porque quero que seja feito, tipo... h, eu s, eu tenho um monte de coisa para dizer e quero poder ver mais tarde que disse tudo. No  para voc, seja l quem voc for. Voc pode assistir, tudo bem. Mas, tipo, isso ... no sei. Nem sei o que estou dizendo. Mas, enfim... O Dia de Ao de Graas  a hora de agradecer pelo que a gente tem. E, para a maioria das pessoas, o que importa mais  o jantar e o que se vai comer... uhsshh atualmente  peru. Mas eu estava pensando nisso hoje e percebi que trs anos atrs, em 2006, alguns dias antes do Dia de Ao de Graas, eu fui diagnosticada com cncer da tireoide. E, h, ah, isso me fez perceber e... h... aquele Dia de Ao de Graas eu passei... , naquele ano eu passei o Dia de Ao de Graas no hospital. H... e estava com um tubo na lateral do corpo e no sabia o que ia acontecer. Porque eu estava doente e meus pais pensavam que o pior que ia me acontecer era ter uma pneumonia. Ahh, a eu, a eles tipo, ah! Isso no seria to ruim agora. Mas... o Dia de Ao de Graas seguinte... e ento todas aquelas coisas aconteceram --  uma histria diferente. O Dia de Ao de Graas seguinte, eu passei meu Dia de Ao de Graas seguinte em casa. Na poca, em 2006 e 2007, estvamos morando na Frana. (Ah, essa tambm  outra histria!) E aquele Dia de Ao de Graas, eu passei meu Dia de Ao de Graas em casa. Com um tubo de oxignio (aponta para a cnula), s que, sabe, era diferente, a coisa toda pela casa inteira, s ligada  mquina que me daria oxignio. E era l embaixo e meu quarto ficava em cima, ento o tubo percorria o caminho todo e meus pais pisavam nele. E era meio que engraado, meio que, sabe... sei l. Mas depois, o Dia de Ao de Graas foi... estvamos nos Estados Unidos. Voltamos para os EUA, para eu poder ir a um hospital que sabia mais sobre "cuidados de cncer" em crianas. H, e , passei o Dia de Ao de Graas em casa, na casa da pessoa que nos hospedava. Eu acho, nem lembro. O prximo Dia de Ao de Graas  este, que  hoje, ento feliz Dia de Ao de Graas! Mas, pois , eu queria dizer que... por ter sido diagnosticada com cncer, sabe, eu no tive realmente... bem, estive perto de morrer vrias vezes, err... sabe, bem perto de morrer. Achei que fosse literalmente... no Natal passado... em dezembro, novembro passado. Nossa, srio? Em dezembro, novembro passado. Ah, , foi no inverno passado. Cheguei bem perto de morrer. E, h... isso me deixa agradecida por estar viva, basicamente. Hmm... h, se eu tivesse morrido, isso no

teria sido legal. Ah, minha voz est tremendo. H, ... eu... s vou, s estou feliz por estar viva e agradecida pelos mdicos e remdios e, tipo, oxignio e, tipo, sabe... todas as coisas que evitam que eu morra. Os comprimidos e coisas assim. Hmm, mas este Dia de Ao de Graas  difcil, porque estou um pouco melhor apesar de ainda estar meio doente. Vou sempre estar doente, mas, sabe, estou feliz de estar saudvel, saudvel... um pouco mais saudvel agora. E estou em casa e tenho "vivacidade" (aspas no ar), e tenho minha famlia, e tenho os nerdfighters e... a internet e amigos incrveis que conheci pela internet. E, sinceramente, no sei onde eu estaria se no tivesse tido, hmm, aquele Dia de Ao de Graas horrvel em que fui diagnosticada com cncer da tireoide. No sei nem se... sabe, nem sei... eu poderia ter morrido de um jeito diferente! Heh, que pensamento feliz, ha, ah, caramba!... , s, hmm... Ento, eu normalmente no... penso, penso no que me faz sentir agradecida... tipo, eu s meio que penso. Mas estou muito agradecida por... apenas estar viva. E estou agradecida por minha famlia, porque minha famlia  incrvel. E estou muito agradecida por meus amigos porque eles so legais mesmo estando... mesmo a maioria no estando fisicamente presente neste mundo. Eu quero dizer o meu mundo! No meu mundo, na minha cidade, a maioria deles est no computador. Eles esto pre... hmm, hmmm, a maioria est presente neste mundo, quero dizer, no, no, no mundo. Ah, sim,  isso que acontece... quando voc... no sabe direito o que est dizendo, s que meio que faz, mas est presa nos seus pensamentos... Tudo bem. Espero que vocs tenham um bom Dia de Ao de Graas, porque o Dia de Ao de Graas  legal. S, sabe... lembrem que vocs tm sorte, mesmo se acharem que no tm. Porque sempre tem alguma coisa pela qual ficar agradecido. E, , eu sei. Ok.

Sexta-feira, 27 de novembro de 2009, 9h17

Feliz Dia de Ao de Graas para todos! O melhor presente de todos foi comemorar esse dia todos juntos, comendo peru recheado, batatas ao murro (com a casca!), batata doce, legumes grelhados e petiscos requintados. Todos  mesa disseram a que estavam dando graas -- tudo, da famlia ao emprego, da comida ao Wii, foi lembrado! Esther continua firme. Tivemos um susto recentemente quando as enfermeiras ouviram arritmias cardacas -- chegaram a cinco-nove em um minuto. No entanto, aps exames completos feitos pelos departamentos de cardiologia e eletrocardiografia, nos disseram que no havia motivo para nos preocuparmos. Suas equipes mdicas de vrios hospitais tambm vo se encontrar nas prximas duas semanas para discutir o tratamento daqui para a frente. Ela teve mais dores nos ps (como se houvesse bolhas por dentro), um efeito colateral da qumio experimental que ela toma. Tambm comeou a usar um novo medicamento para os nervos que deve ajudar a aliviar o desconforto. H trs anos, neste mesmo fim de semana, descobrimos que Esther tinha cncer. No ano seguinte, o Dia de Ao de Graas de 2007, foi quando o Children's Hospital terminou de estudar o histrico mdico de Esther e afirmou que o que se podia fazer era estabilizar, no curar o cncer de Esther. No Dia de Ao de Graas de 2008, Esther tinha acabado de sair de um ms na UTI, onde nossa famlia foi chamada, a pedido dos mdicos, para se despedir dela, s de garantia. O fato de ns sete estarmos juntos  mesa no Dia de Ao de Graas de 2009  uma celebrao muito estimada da vida! Portanto, se voc ainda no fez isso, agradea a Deus por sua famlia e seus amigos, e olhe algum nos olhos hoje e diga a essa pessoa que a ama. Do nosso lar para o seu, Lori

Sbado, 23 de janeiro de 2010, 14h07

Esther tem passado bem e ido  escola umas trs vezes por semana. Ela ama fotografia e francs, e est bem na aula de ingls. Tem uma monitora de lgebra que vai em casa e faz o curso de histria a distncia. No ltimo semestre ela ficou entre as melhores alunas do colgio! Sua sade tem andado boa, at o problema com a mquina de oxignio esta semana. O cabelo dela voltou a crescer, por isso depois do Natal ela voltou para a escola au natural, sem a peruca. Ela tem sentido muitas dores nos ps, por isso sua equipe mdica resolveu lhe dar umas frias de duas-trs semanas dos remdios, para ver se os danos aos nervos vo diminuir. Entretanto, a semana foi difcil para Esther. Ela usa uma mquina de BiPAP  noite para ajudar a respirar, e a mquina no funcionou direito na segunda-feira. O tcnico veio consert-la na tera, a, meia hora depois de Esther ter ido para cama, a mquina parou. Achei que ela ficaria bem por uma noite (isso nunca tinha acontecido desde que comeamos a usar o equipamento, em novembro), ento esperei para telefonar para eles na quarta de manh. Eles finalmente chegaram  uma da tarde de quarta-feira. Esther passou a noite inteira em claro, estava aborrecida, exausta, sensvel, e seus pulmes doam. A empresa deixou uma mquina reserva, que Esther usou pelo restante do dia. Na quinta-feira tivemos clnica, e ela estava to cansada que usou cadeira de rodas, algo que no fazia havia alguns meses. Ento, inacreditavelmente, na sexta-feira de manh, por volta das seis, a mquina reserva parou! De novo, a empresa s nos trouxe outra mquina  uma da tarde. Para mim, a lio realista de tudo isso foi ver a que ponto seus pulmes esto comprometidos. Eu sabia que usar a mquina de BiPAP aumentava seu nvel de conforto; eu no sabia que NO usla comprometia tanto a sua sade. Agora sabemos que os enormes ganhos conquistados por Esther este ano podem estar associados ao suporte que tem recebido para os pulmes. Sem essa mquina  noite, no tenho certeza de que a qumio ou o tubo gstrico teriam resultado em alguma melhora significativa em sua sade. Ter esse suporte deu a ela energia para comer mais, ganhar peso e voltar  escola. Deu a ela a sensao de melhoria em sua sade e de bem-estar. Enfim, alguns pargrafos longos. Nossa esperana  que at segunda-feira ela tenha recuperado o equilbrio e esteja se sentindo melhor. Bem a tempo para as provas do trimestre na semana que vem!  um lembrete para que eu me alegre por cada dia bom, e ns esperamos que vocs faam o

mesmo em suas vidas... Que Deus os abenoe, Lori (em nome do cl dos Earl)

17 de maro de 2010
Teve uma citao em um episdio de Lost um dia, mas esqueci qual era, espera, digitei em algum lugar? Ah: "Voc passou tanto tempo fugindo que esqueceu para onde estava correndo." Profundo, n? ha. Eu gosto. Lost  meu novo amor h um tempo. Adoro as referncias bblicas e partes mitolgicas.  bem legal. Pena que est quase acabando aaaah. Estou com muita dor agora, lol. No forte demais, mas normalmente no tenho... *nenhuma* dor. Fiz alguma coisa com a perna esquerda (espreguiando, acho?) e agora di quando eu fao *qualquer* movimento. aaa yay. Mas no  to ruim porque no mexi nada na ltima semana/mais ou menos. Por qu? lol. Porque estou com um tantinho de fluido a mais nos pulmes (tipo, literalmente um tantinho; quase nem consideraram. Mas, como meus pulmes reparam em tudo, eu sinto. ugh). Ento parece que tem alguma coisa apertando meus pulmes. Ugh. Quando eu acordo  pior. Mas me sinto uma chata de reclamar! Porque tem crianas que sofrem muito mais, mas fazem *bem* ao mundo. :| Ok. Vou ouvir msica/desenhar. Tchau.

Estrela da nerdfighteria,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Quinta-feira, 29 de abril de 2010, 18h48

Meus amados, Esther no anda bem. Na semana que vem eles vo botar um ou mais drenos (tubos para extrair fluidos) em seu lado direito. Todo o fluido que drenaram h uma semana voltou -- e mais. Isso muito provavelmente  sinal de crescimento do tumor. Ela est se sentindo desconfortvel e muito cansada e pediu uma cama de hospital para dormir por perodos mais longos. Nossa equipe de cuidados mdicos est avaliando a possibilidade de outra qumio experimental e talvez algo extra. Estamos com disposio; e Esther, pronta para continuar lutando, por isso no vamos perder a esperana! Mesmo com tudo isso, sofrer parece algo intil. No vejo valor na dor da minha filha. Conheo as respostas padro ("pagando todos os pecados", "Deus escreve certo por linhas tortas", "Deus sabe o que faz", "cada um carrega sua cruz"). Mas a nica realidade  um mistrio, e isso  uma droga. No perdemos nossa f, mas ela mudou. Deixamos de lado "coisas infantis". Falamos de morte e de morrer e de amar e esperamos, e tentamos sonhar um pouco juntos a cada dia. Esther sabe mais sobre essas coisas do que qualquer pessoa de quinze anos deveria saber. A tristeza para ns  como um aperto no peito, um n, pesar e raiva e, principalmente, sensao de impotncia. Eu no posso fazer nada para acabar com a dor da minha menininha! E ela  to perfeita para mim. Eu queria poder contar mais a vocs, mas esses tesouros no momento so nossos. Obrigado por esperar conosco. Wayne

2 de maio de 2010
Acho que no vamos viajar de carro (a viagem para visitar a maioria dos meus amigos). Isso porque piorei. Quero convidar meus amigos para virem aqui.

Para onde? Algum hotel? Quem: Abby, Lindsay, Katie, Teryn, Maddie Talvez tambm: Blaze, Arka, Destiny, Sara, Geri, Arielle O que faramos: ver tev (The Office, DW, Community, sei l), duelo de baguetes...

Amigos de Esther,
S QUANTUM, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Sexta-feira, 7 de maio de 2010, 12h48

Para nossos amigos: Esther passou bem pelo cateterismo na noite passada e est se recuperando na Unidade de Tratamento Intensivo. Os mdicos removeram mais um litro de fluido e puseram um tubo permanente durante o procedimento de uma hora, e em poucas horas ela conseguiu baixar de cinco litros de oxignio para trs litros, ou seja, seus pulmes sem dvida tm mais espao para trabalhar sem o fluido. A tomografia que fizeram h alguns dias mostrou alguma coisa suspeita no ombro direito -- assim que ela sair e aps alguns dias de recuperao, vo fazer uma ressonncia magntica para ver se o cncer se espalhou para os ossos. Neste momento ela est frequentemente sob o efeito de analgsicos, mas estvel e lcida, e assim que puder sair da medicao intravenosa para a dor, e eles nos ensinarem a usar a bomba de fluidos no tubo do peito, vamos conseguir ir para casa. Agora esto drenando os fluidos mais uma vez, tentando retirar algum ar preso na cavidade pulmonar. Ontem  noite Esther disse que est grata por ter mdicos que no apenas fazem seu trabalho, mas tambm realmente se importam com ela. Nossa equipe na Dana-Farber/Jimmy Fund e no Children's Hospital  a melhor de todas! Somos muito agradecidos. Obrigada por se importarem. E vamos mant-los atualizados. Lori

Domingo, 9 de maio de 2010, 11h52

Esther ainda est na UTI, lutando para controlar sua dor e respirao. Obviamente retirar o fluido melhorou sua capacidade de usar os pulmes, j que seus nmeros baixaram para trs litros de oxignio. Seu pulmo direito, porm, no est reinflando por completo, por isso subimos os ajustes de seu BiPAP, que ela est usando em vez do tubo nasal, s que agora apenas por umas duas horas por dia. Ela tem tido febre baixa, ento hoje vo comear a lhe dar antibitico durante quarenta e oito horas enquanto esperam as culturas indicarem se h alguma infeco. A troca da morfina por outro analgsico nas ltimas vinte e quatro horas resultou em uma forte dor de cabea na noite passada, por isso esto trazendo uma equipe de anestesistas para ajudar a encontrar a melhor medicao para ela. Ento... As coisas no esto dramaticamente piores, mas tambm no esto melhorando muito.  difcil no temer o futuro enquanto contemplo dias na cama com dor e cada vez mais intervenes para minha filha de quinze anos. Talvez com a nova qumio ns tenhamos meses de dias melhores... No saber  difcil. Ver Esther lutar com ansiedade e dor  mais difcil ainda. Ansiamos por sobrevida e oramos por resignao. No  triste que tantas vezes seja preciso encarar a morte para se apreciar a vida e uns aos outros por inteiro? Espero que voc esteja fazendo diferena para algum hoje... Lori

De bobeira com Graham,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Sbado, 15 de maio de 2010, 11h52

Uau! Que poder tm a internet, o Twitter e especialmente os nerdfighters! Quando John Green contou que Esther estava doente e precisava de apoio, a quantidade de coisas maravilhosas que chegou para ela foi algo impressionante de se ver. Como pais, agradecemos a vocs por alegrar os dias dela com suas mensagens. Na quarta-feira Esther saiu da UTI para o andar da oncologia e para o quarto mais incrvel que eles tm! Parece uma sute de hotel, com duas tevs, um sof, uma cama de hospital tamanho queen, e at micro-ondas e frigobar. Melhor ainda: parece que estamos prestes a lev-la de volta para casa por volta de tera-feira da semana que vem. Seus prognsticos no mudaram, e o cncer est bem avanado. Mas temos esperanas de que essa qumio experimental que ela comeou faa efeito, possa deter um pouco o cncer e nos d algum tempo. Ela vai para casa ficar em uma cama eltrica que se move para cima e para baixo (Abe j andou experimentando!), e com todos os analgsicos e aparato de respirao para se manter o mais confortvel possvel. Obrigada por suas mensagens. Esther est lendo todas... Lori

Esther e Pancake no quarto dela,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Sexta-feira, 21 de maio de 2010, 20h26

Esther chegou em casa do hospital na tera-feira e est instalada em seu novo quarto arrumado no trreo (a sala de jantar convertida em algo melhor!). Durante o dia temos um bom cuidado das Brockton Visiting Nurses, que passam cerca de uma hora aqui para fazer exame clnico, coletar material para exames laboratoriais e drenar o cateter em seu peito. Alguns dias so bons; outros, apenas tranquilos. Esta tarde Esther se sentou um pouco na nossa varanda e mais cedo viu dois episdios de Doctor Who com o irmo Graham (Abe  pequeno demais para o Doutor...). Ela agradece por todas as maravilhosas mensagens e abraos e carinho da internet... Eles a deixam mesmo feliz. Lori

Quinta-feira, 3 de junho de 2010, 19h49

Esther tem passado bem. Ultimamente anda mais cansada e mais enjoada, provavelmente por causa da nova qumio. Agora eles lhe deram esta semana de folga, por isso esperamos melhoras. Ela est instalada com conforto em seu quarto no trreo, e  maravilhoso porque as pessoas podem entrar e sair, e os irmos podem ver como ela est.  uma andada curta para jogar Wii com eles ou ficar um pouquinho com a gente na cozinha ou na varanda. Ela est animada, agora, planejando uma viagem "ao contrrio" da Make-A-Wish: vo trazer vrios de seus melhores amigos para visit-la em um hotel em Boston. Isso vai ser no fim de semana do Quatro de Julho, e como ns estaremos l, tambm estamos animados com isso! Esther se divertiu muito com a av e o av que vieram de visita de Dakota do Sul nesta ltima semana. Conseguimos sair para um jantar especial em um de nossos restaurantes favoritos, mas na maior parte do tempo s ficamos no quarto dela. Alm disso, a irm mais velha, Abby, chegou em casa recentemente da Alemanha, o que  uma grande injeo de nimo em todo mundo! Novas atualizaes em breve. Lori

5 de junho de 2010
 o Adivan.  o maldito Adivan e eu sei, mas ainda estou emotiva e... bem... pssima. Anette disse que quando uma pessoa toma Adivan perde as inibies, e as emoes que j tem ficam amplificadas. Ento, resumindo: estou triste. Estou incrivelmente solitria. No tenho com quem conversar, s Lindsay, que sinto que no merece esse papo de merda e confuso do Adivan (alm do mais, ela est ocupada agora), ou mame/papai.  meio triste. O que digo para Angie? Ela est ali. No futon. Eu poderia perguntar a ela sobre o "namorado", Bill. Ou sobre os amigos. Ou sobre lcool ou maconha. Ou raiva. Tem assuntos que ela falaria comigo. Eu poderia perguntar o que ela pensa. Se ela imagina como vai ser quando eu morrer. Porque, com honestidade, acabamos de escolher meu lugar no cemitrio. Literalmente.  um lugar legal, de qualquer modo. "Acho que  por isso que saio o tempo todo. Porque no gosto de pensar nisso", diz Angie. , ok. Angie e eu somos duas pessoas extremamente diferentes... Ah Deus, no abrao ningum h muito tempo. Estou triste. E com um pouco de raiva. De que, no sei. Sinto saudade de Angie. Quero que as pessoas perguntem se estou bem; se estou com medo; se no sei direito que diabos estou sentindo.

Meu cncer? h suspeita de que esteja no meu ombro. adivan  um grande babaca. excuse moi franais apesar de que... me ajuda a dormir

e s tomo  noite.

Quarta-feira, 9 de junho de 2010, 13h28

Uma nota rpida: estamos saindo daqui a pouco para o hospital, pois Esther continua tendo altos e baixos. Ontem  noite, Oma e Opa (os pais de Lori), Abby, mame e papai foram juntos  formatura do ensino mdio da irm mais velha, Angie ( isso a, Angie!). Foi uma noite maravilhosa aqui em Quincy, e Esther estava simplesmente "radiante" (como Charlotte disse para Wilbur). Agora, hoje, ela est com problemas para respirar, por isso a me vai sair logo com a filha na ambulncia. Vou encontr-las l. Na ltima sexta-feira, Esther deu uma volta (ou melhor, foi empurrada por Angie em uma cadeira de rodas) por um cemitrio local onde escolheu seu jazigo. Estou mesmo dizendo isso? Que pais ajudam seus filhos a escolherem um tmulo? Isso no  o que queremos. A alegria e a tristeza de ver as duas irms circulando pelo local e simplesmente estarem juntas era surreal. No sei explicar por que a esperana nos mantm inclusive na presena da inocncia desfeita. Muito poucas pessoas em nossa cultura falam sobre morte e morrer, ou, quando falam, falam em "abraar a luz/sofrimento" ou dizem "no tema, voc vai encontrar seus entes queridos no cu". Eu no me preocupo com a morte nem um pouco, apesar de no querer que Esther morra. No quero comemorar isso, eu queria lev-la ao altar no dia do seu casamento! O paraso  Esther voltar a dar uma pirueta, sua nuvem de cabelos arrepiados como um fogo intenso, brilhando e acenando para a terra  espera. Wayne

Quinta-feira, 10 de junho de 2010, 10h57

UM DIA MELHOR Estou agora sentado ao lado da cama de Esther. Depois do dia assustador de ontem, ela est acordando, e a nvoa da morfina de ontem  noite est finalmente se dissipando. Ela acha melhor descansar deitada de costas, como uma experiente adoradora do sol. Mas sem bronzeado, pois sua pele  branca como porcelana. Ela  mais que uma moa muito bonita, e uma verso madura daqueles cabelos rebeldes, agora arrepiados pela qumio e de cor incerta, voltou. Assim que ela puder, nosso objetivo  lev-la para casa, para seus gatos, para o aconchego da famlia, as visitas dos amigos e o prprio quarto. Alm disso, ela perdeu trs episdios de Doctor Who, e Graham simplesmente no v nenhum deles sem ela! Seu Make-A-Wish est marcado para se realizar daqui a trs breves semanas, e ela est mais do que um pouco empolgada por conta disso. Depois vem seu aniversrio de dezesseis anos sem nunca ter dado um beijo na boca (e no, no estamos preocupados em mudar essa situao). Esther sempre foi minha musa e at tolera o que eu escrevo aqui (de "ah, pai" at "isso est bom"), mas so os comentrios em sua pgina na internet que realmente a emocionam e lhe do esperana. Ela manda seu amor a todos. Wayne

Sbado, 12 de junho de 2010, 22h39

S um aviso: minhas postagens so bem menos poticas e refletivas do que as do meu pai. lol ;D Acordei hoje de manh por volta das oito, depois de dormir bem durante a noite (o que quero dizer , ah, s fui acordada pelo ronco do meu pai algumas vezes). Em determinado ponto -- foi s nove? -- comecei a sentir uma dor de cabea, ento uma das minhas enfermeiras favoritas fez massagem em mim e dormi de novo. Nada demais! Ao meio-dia, minhas duas irms e meu irmo Graham estavam de p a meu lado, me sacudindo de leve e (pelo menos parecia) gritando para eu acordar. Fiquei sem entender o que estava acontecendo, mas eles pegaram uma caixa grande com um logotipo de um bichinho e colocaram no meu colo. quela altura, eu estava ficando consciente o bastante para achar que eles estavam me dando um bolo em formato de gato, mas no! Ao abrir a caixa, UM GATO PRETO PULOU DE DENTRO. Oi, Pancake! ! Pelo visto, minha famlia e uma das moas gentis que trabalham aqui no Children's se uniram para trazer Pancake, meu gato, escondido para o meu quarto de hospital! Ele agora est ronronando com alegria nas minhas pernas, e  to bom ter meu gatinho comigo, mesmo no hospital. Ento, apesar de presa no hospital, estou feliz. Gosto do quarto em que estou ( o mesmo quarto enorme em que fiquei da ltima vez. sucesso~), estou com meu gatinho, me sinto bem e passei o dia todo jogando com minhas irms, Abby e Evangeline, e com meu irmo Graham, mais novo que eu. A visita do meu gato foi a maior notcia recente e  uma coisa boa de contar. Espero que vocs estejam se sentindo bem esta noite, e se lembrem de dar um abrao no seu bichinho. No se esquea de ser incrvel. com amor, Esther

Pancake e Blueberry,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2009

Sbado, 19 de junho de 2010, 11h28

Nesses dias o entorno da nossa casa parece at a Grand Central Station! Vrios amigos passaram para visitar, os avs vieram e j foram, recebemos refeies maravilhosas trs vezes por semana, a enfermeira vem pelo menos trs vezes por semana, e tem as irms, os irmos e os amigos...! Abraham chegou em casa com trs amigos da escola na quinta-feira, e eles divertiram Esther com sua imitao de seis anos de idade de "Shake your booty...". Foi engraadssimo! O ritmo desses dias gira em torno de Esther, pois seus problemas respiratrios continuaram. O oxignio est em sete litros, mas o novo cateter IV PICC permite uma medicao contnua que ajuda a mant-la confortvel. A maior parte da animao em nossa casa est por conta do iminente evento da Make-A-Wish. Nossa famlia e seis amigos especiais de Esther vo ficar em um hotel em Boston de 1 a 5 de julho. As atividades incluem um almoo em um passeio de barco, a visita de uma celebridade (!), uma maratona de filmes do Harry Potter, um show, jogos, vista do stimo andar dos fogos de artifcio no rio Charles e mais! Esther est EXTREMAMENTE animada...! Aguardem as fotos e informaes. Com vrios escritores eloquentes na famlia, desempenho o papel da pragmtica... Da nossa casa para a sua, Lori

Passeio de barco!,
BAA DE BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Segunda-feira, 28 de junho de 2010, 11h16

U-huuuu! O evento da Make-A-Wish  neste fim de semana e comea cedo com a chegada de duas amigas de Esther na quarta-feira. Na quinta-feira ns vamos para o hotel em Boston, e os outros quatro amigos chegam. Vai ser uma semana muito, muito cheia para Esther, que normalmente j fica superestimulada com uma ou duas horas de visita de uma pessoa (como a visita recente de seus primos Victoria e Alex!), ou a excitante ida semanal  Jimmy Fund Clinic!!! E  claro que temos muita coisa para fazer: mandar uma cama de hospital e cilindros de oxignio para o hotel, pegar pessoas no aeroporto, limpar a casa, empacotar umas mil coisas para Esther e nossas prprias malas com roupa de banho e de festa... Oramos por sade e fora e alegria e para criarmos lembranas maravilhosas que durem a vida inteira... Lori

FIM DE SEMANA DA MAKE - A - WISH
por Lori e Wayne Earl

Alguns dias antes do fim de semana do desejo, chegou um pacote enorme, e todo mundo viu pela primeira vez as pulseiras verde-limo que iam virar sinnimo de esperana e de Esther. (Na verdade, a partir daquele momento, a cor seria chamada por seus amigos e sua famlia de "verdeEsther".) Nas pulseiras havia apenas as seguintes palavras escritas: ESSA ESTRELA NUNCA VAI SE APAGAR. Havia um bilhete na embalagem: Caros Esther e famlia Earl, Este material foi criado pela equipe de design de Alexa Lowey e Melissa Mandia. Esperamos que gostem. Cerca de oitenta pessoas j esto usando as pulseiras e vo encomendar mais em breve -- a demanda por conta de pessoas que conhecem ou que conheceram Esther tem sido grande. Lembrem-se: "Essa estrela nunca vai se apagar!" Alexa mais tarde explicou que ela e Melissa pensavam em vrias frases quando essa de repente "surgiu do nada" para ela. O evento da Make-A-Wish de Esther na verdade levou dois anos para acontecer. Ela simplesmente no conseguia decidir o que queria ou do que precisava. Os conselheiros da MakeA-Wish a cobriram de sugestes: Disney World? "Com um cilindro de oxignio?!" Uma viagem para conhecer alguma celebridade? Ela no conseguia pensar em ningum mais que quisesse ver ou conhecer. Ela flertou com a ideia de uma farra de compras na Sephora, j que ela adora sombras, esmaltes e pincis de maquiagem... Mas, quando teve a ideia de encontrar seus amigos de internet do Catitude na vida real, ela se concentrou cem por cento nisso. Apesar de ser um pedido incomum, o pessoal da Make-A-Wish, com a ajuda dos "Friends of Esther" locais, fizeram um timo trabalho para transformar o sonho dela em realidade.

por LINDSAY BALLANTYNE Muitas vezes perguntei a Esther sobre sua sade, e v-la regularmente em chamadas com vdeo me fez ter certeza do que esperar. Ela me disse que quase sempre usava uma cadeira de rodas, uma vez que no tinha muita fora para respirar, mas no havia nenhuma maneira de ter uma ideia concreta da sua situao at eu v-la pessoalmente. Foi um susto, mas tambm um privilgio ajudar a cuidar de suas necessidades bsicas, mesmo que por pouco tempo. Eu disse adeus a Esther durante uma sesso prolongada de sono recuperador, sentindo que aquela seria a ltima vez em que iria v-la pessoalmente e duvidando de que ela sequer se lembraria daquilo .

por KATIE TWYMAN As semanas que antecederam a viagem Make-A-Wish de Esther foram totalmente dedicadas ao planejamento. Estvamos muito ansiosos para nos ver e queramos ter certeza de que aproveitaramos cada segundo na presena uns dos outros. Horas foram gastas planejando as formas mais ridculas de passarmos tempo juntos. Colocamos um monte delas em uma lista que continha as seguintes ideias, entre muitas outras: ir a um restaurante de waffles s trs da manh e comer batatas fritas com queijo e ler livros em voz alta falar com sotaque britnico pelo menos quarenta por cento do tempo JOGAR LARP NO HOTEL P/SEMPRE abraar Abe (e outros no to importantes) DUELO DE BAGUETE fazer Arka se sentir desconfortvel Obviamente, nem todas as nossas ideias faziam muito sentido e apenas alguns dos itens da lista acabaram acontecendo. Quando, por fim, nos reunimos em Boston, no demorou muito para percebermos que o que realmente fizemos no era nem de perto to importante quanto o simples fato de que estvamos fazendo aquilo juntos. Passamos horas abraados, devorando doces e rindo de bobagens. A maior parte do tempo, nos abraamos. E quando penso sobre a viagem, essas so as memrias que surgem primeiro. Afinal, este foi o objetivo da viagem: passar tempo com pessoas amadas e encontrar pequenas formas de mostrar que voc as ama.

Por vrios dias e noites intensos, exuberantes e repletos de emoo, seis dos amigos mais queridos de Esther do Catitude, junto com toda a nossa famlia, ficaram hospedados no hotel Marriott no Boston Tudor Wharf, com vista para a fragata USS Constitution a partir do ptio do hotel. Na primeira noite l, a farra foi um jantar chique em que ficamos falando um monte de bobagens, recebemos a visita da assistente social mdica de Esther, Jenn, e uma visita muito animada do Professor Dumbledore em pessoa! (Que trouxe com ele Andrew Slack, um dos fundadores da Harry Potter Alliance.) O ponto alto do fim de semana para Esther era a visita programada para o dia seguinte de seu amigo e autor favorito de literatura juvenil, John Green. Naquela manh, o pai dela encontrou John Green no saguo do hotel para expressar sua gratido por John ter pagado as despesas do prprio bolso para comparecer ao fim de semana de Esther. Wayne perguntou se ele j tinha se imaginado como uma espcie de Doctor Who. Quando John pareceu no entender, Wayne prosseguiu: -- Bem, vi uns episdios de Doctor Who com Esther e parece ser a histria de um aliengena maravilhoso, mas solitrio, que, por acaso, tem dois coraes. Ele tem muito amor pela

humanidade e viaja pelo universo fazendo coisas extraordinrias, uma das quais  de vez em quando cair do cu e escolher algum sortudo para ser seu companion no que ele chama de sua "prxima aventura!" Depois de prometer virar o mundo do companion de cabea para baixo, ele sempre lhe d a chance de recusar. Claro que todos optaram por se juntar a ele, e ao final da jornada, eles so transformados, e o Doutor tambm, sempre para melhor. O pai de Esther ento olhou John nos olhos e continuou: -- Acho que voc  o Doutor, e Esther  sua companion da vez. No sei por que voc a escolheu agora, mas obrigado por convid-la para a aventura. O mais importante, porm,  que sabemos de seu amor por ela. Essa  a parte fcil de entender. Alguns minutos mais tarde, eles subiram para o quarto de hotel onde todos estavam reunidos, esperando aquele momento especial e estimulante quando John Green em pessoa entraria no mundo deles. Assim que a porta se abriu, como se fosse um pistoleiro de antigamente, John sacou sua cmera de vdeo e comeou a filmar. Eles passaram aquele dia mgico inteiro com ele. Comeram pizza, jogaram, conversaram e choraram, tambm. O grupo brincou de Serious Ball, que consiste em jogar uma bola de espuma coberta de perguntas escritas por cada um dos amigos. Quando a bola era jogada, quem a pegasse tinha que responder a pergunta que ficasse embaixo do seu polegar direito. Algumas das perguntas eram: "Maior medo no futuro", "O que mais marcou voc em sua vida nos ltimos cinco anos?", "Qual o momento mais importante de sua vida e por qu?", "Um objetivo para o fim do ano?", "Do que voc realmente gosta?", "O que voc diria a J. K. Rowling se tivesse a oportunidade de conhec-la?" e "Se pudesse mudar uma coisa em voc, o que mudaria e por qu?". Mais tarde na mesma noite, beberam caf expresso no North End italiano ali perto, um evento que Esther depois descreveu com uma frase simples: -- Passeamos pelo North End, tomamos gelato e expressos, e foi divertido ali, s curtindo com John. Quando saiu do caf, ele comprou duas rosas de um ambulante, deu uma para Esther e a outra para Arka, do Catitude, e disse: -- Bem, ele  o nico homem alm de mim, e eu no quero discrimin-lo. Antes de deixar o hotel no dia seguinte, John deixou uma mensagem para Esther. Escrita em um bloquinho do hotel, ele desenhou uma seta que apontava para as palavras impressas no alto da pgina: IDEIAS QUE MERECEM SER LEMBRADAS e acrescentou seu comentrio meio rascunhado: "No posso prometer isso, na verdade." Ele prosseguiu: Querida Esther, Este papel  do hotel onde passei uma das noites mais importantes da minha vida.

Obrigado pelo presente desse dia, por sua generosidade e pela pizza. Tenho muita sorte por conhec-la, e, pelo que vi,  impossvel conhec-la e no am-la. Que estrela to brilhante em nosso planetinha. Rezo por um milagre para que nunca tenha que sentir a sua falta -- mas eu sei de uma coisa: enquanto eu me lembrar de alguma coisa, vou me lembrar de voc e dos presentes sem igual que voc compartilhou comigo. Com amor, John Mais tarde, no mesmo dia, todo mundo (menos Esther, que estava exausta demais) foi de limusine ver o filme Eclipse em IMAX. Depois o grupo pegou Esther para um almoo em um passeio de barco ao redor das ilhas da baa de Boston. Ela e os amigos terminaram o dia indo de limusine para um show de rock bruxo em Quincy, montado especialmente para eles com participao das bandas Draco and the Malfoys e Justin Finch-Fletchley. O grupo estava se sentindo no paraso ouvindo as vozes altas acompanhadas de guitarras barulhentas uivando letras relacionadas a Harry Potter. O ltimo dia deles foi de preguia no hotel. Esther recebeu a visita de sua endocrinologista, a Dra. Smith, que deu uma passada com a famlia para comemorar com sua bela e jovem paciente. Naquela noite, do conforto do sexto andar no Massachusetts Eye and Ear Hospital, com vista para o rio Charles, todo mundo se juntou em mais um evento particular -- com mais pizza! -- e viu os fogos do Quatro de Julho iluminarem o cu. Foi um momento de unio e cura para todos os que participaram. Esther passou dias maravilhosos e disse que sua parte favorita foi sem dvida as pessoas: a famlia, o Catitude e o dia da visita de John Green. Durante todo o fim de semana prolongado, inmeros laptops se espalhavam por sofs, pelo cho de quartos de hotel e pelas camas como se fossem vrios palitos de picol! Por mais agitados que os dias tenham sido, sempre houve bastante tempo para se sentar juntos e desfrutar do silncio.

Make-A-Wish,
BOS TON, JULHO DE 2010

Abby Drumm, Arka Pain, John Green, Katie Twyman, Teryn Gray, Madeline Riley e Esther
S AINDO PARA TOMAR CAF EXPRES S O NO NORTH END DE BOS TON

com Evangeline

Lindsay Ballantyne, Esther, a mdica de Esther Dra. Jessica Smith, Teryn Gray, a assistente social Jennifer Rein e Katie Twyman
THE JIMMY FUND CANCER CENTER, BOS TON

Katie Twyman, Arka Pain, Teryn Gray, John Green, Esther, Abraham Earl, Lindsay Ballantyne, Abby Drumm, Madeline Riley

Puff fight,*
JOHN & ES THER

"Rugido" de Quatro de Julho com Teryn

Com Abraham Earl

Lindsay e Esther

por TERYN GRAY Uma de minhas lembranas favoritas de Esther  do Quatro de Julho de 2010, durante a viagem proporcionada pela Make-A-Wish. Tnhamos acabado de assistir  queima de fogos de artifcio no cu acima do rio Charles e todos voltavam para o hotel em uma van, mas Esther e eu fomos no carro de sua famlia. Foi uma viagem de volta tranquila; os acontecimentos daquele dia cheio haviam esgotado a energia dela. Aps alguns minutos sentadas ao lado uma da outra em silncio, Esther pegou minha mo com as duas dela e a puxou para seu colo. Ps a cabea em meu ombro e acariciou minha mo com o polegar durante toda a viagem de volta. Ela sussurrava para mim: "Te amo. Te amo muito." E aquilo era realmente tudo que eu precisava ouvir para que todo o restante desaparecesse. Esther me fazia sentir muito importante e muito amada. E eu estava com muito medo de perd-la. Mas ela continuou acariciando minha mo enquanto ns duas chorvamos baixinho . No tenho certeza de que foi s a tristeza que provocou as lgrimas, mas havia muito amor. E isso era tudo o que importava. Apesar do medo, da tristeza e da dor, havia amor. Para mim, Esther era assim. Ela era todas as coisas humanas: imperfeita, assustada. Mas, para mim, o que a torna to notvel  que ela tambm era muito, muito cheia de amor e extremamente disposta e ansiosa para compartilh-lo . O Catitude continua imperfeito e assustado, mas temos muito mais amor entre ns graas a Esther. E ns a amamos muito por isso. Eu a amo muito por isso. Sinto sua falta, E.

Havia outras pessoas que no tinham ido a Boston, mas tambm amavam Esther e queriam anim-la. Alm dos membros do Catitude, vrias celebridades on-line responderam com cartas para um lbum de recordaes que estava sendo montado para anim-la. Wheezy Waiter, Cute With Chris, Lauren Fairweather, Harry and the Potters, Julia Nunes, entre outros, fizeram pginas para ela, e a prpria Katie Twyman do Catitude deu de presente para Esther um grande lbum de

fotos e recordaes quando elas se encontraram no fim de semana da Make-A-Wish. Katie Twyman tambm escreveu uma apresentao: Queridssima, INCRIVELSSIMA Esther, Este livro  para lembr-la de que h tantas, tantas pessoas que realmente a amam do fundo de seus coraes maravilhosos... voc nos deu TANTA coisa. Nos deu gargalhadas e sorrisos e risos irnicos inapropriados. Voc nos deu orgulho, confiana e autoestima. Nos deu fora, estmulo e coragem. Mas, acima de tudo, voc nos deu amor.

Arka Pain, Lindsay Ballantyne, Esther, Teryn Gray,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

* Brincadeira entre os nerdfighters que consiste em uma "briga de cabelos". (N. do E.)

A GAROTA QUE IMAGINOU MELHOR: Fazendo a diferena "com Esther"
por Andrew Slack cofundador da Harry Potter Alliance

U

m grupo de crianas com as quais eu trabalhava em 2002 me incentivou a ler Harry Potter. Eu estava relutante -- pensava que fosse apenas uma moda passageira --, mas, assim que comecei o primeiro captulo, no consegui mais largar. Fechei o livro, virei-me para a pessoa sentada ao meu lado e disse: -- Este livro acaba de mudar minha vida. Hogwarts abriu um mundo de liberdade para mim, um mundo de maravilhas. Depois, descobri os fs de Harry Potter e entrei em xtase. As pessoas que cresceram com Harry tinham criado uma cultura on-line em torno dele. Juntos, eles criaram novos sites, pod casts, conferncias, fanfics, uma liga de esportes, musicais e centenas de bandas de rock bruxo. E embora eu me emocionasse por estar cercado por pessoas on-line que no me achavam louco por ser louco por Harry, tambm ficava frustrado. Harry Potter faria muito mais do que simplesmente comemorar o fato de ser Harry Potter. Ele lutaria contra as injustias em nosso mundo do mesmo jeito que lutava contra as injustias no dele. Afinal, Harry literalmente cria um grupo de estudantes ativistas, cujo nome homenageia seu mentor Dumbledore, chamado Armada de Dumbledore. Senti que, se toda a comunidade on-line de fs de Harry Potter pudesse se tornar uma Armada de Dumbledore para nosso mundo, poderamos revolucionar uma cultura de cidados heris novatos, engajados em suas comunidades e no mundo. Poderamos provar que a fantasia no  uma fuga do nosso mundo, mas um convite para se aprofundar nele. Como era de se imaginar, a maioria das pessoas achava que eu era louco. Ento, conheci uma banda de rock bruxo chamada Harry and the Potters.  composta por dois irmos que se parecem com Harry Potter, se vestem como Harry Potter e cantam canes de rock indie escritas do ponto de vista de Harry. So muito populares e adoraram minha ideia, porque era louca. Com a ajuda deles, e com a ajuda dos meus melhores amigos, a Harry Potter Alliance (HPA) nasceu. Quando conheci Esther Earl, em 2010, a HPA tinha toneladas de unidades, enviara avies de carga carregados com suprimentos para o Haiti, construra bibliotecas em todo o mundo, financiara a proteo de milhares de civis em Darfur e na Birmnia, ganhara elogios de J. K.

Rowling na revista Time e progredira bastante em questes relacionadas ao casamento igualitrio. Centenas de milhares de fs apoiavam nossa causa e sentiam o poder de se tornarem heris. Foi muito gratificante mostrar ao mundo que o poder de nossas histrias pode mudar a histria do nosso mundo. E eu sabia que poderamos fazer muito mais, crescer ainda mais, mas precisvamos de financiamento e credibilidade. No surpreende que seja difcil para muitos doadores de peso levar a srio uma organizao sem fins lucrativos chamada Harry Potter Alliance. Precisvamos apenas de uma primeira ao de destaque, na esperana de que o restante viesse em seguida. Por ter passado a infncia devorando Harry Potter com a irm Evangeline, Esther encontrou consolo nas experincias de Harry. Da mesma forma que tantos outros e eu, para Esther, os triunfos de Harry eram os triunfos dela. As perdas dele, as perdas dela. Esther era um membro da Harry Potter Alliance que desejava fazer a diferena em nosso mundo, um desejo que Esther e eu compartilhvamos. Esther se lamentou com os pais por achar que talvez no vivesse tempo suficiente para fazer a diferena.  medida que o cncer avanava, ela ficava cada vez mais cansada. Muitas vezes, foi obrigada a ficar em casa ou de cama, sentindose impotente e frustrada. Esther tambm desejava fazer amigos e ser parte de uma comunidade. Sua condio fsica tornava tudo isso quase impossvel. Mas, a, havia a internet.  verdade que as mdias sociais e a internet ganharam uma reputao ruim por serem um espao que tanto pode ameaar quanto dessensibilizar nossa experincia humana. Mas a histria que muitas vezes no  contada  a de uma adolescente morrendo de cncer que entra em contato com os outros por meio de fansites de Harry Potter, Facebook, YouTube, Twitter e Skype. Esther fez todas essas coisas. Quando a Make-A-Wish Foundation perguntou o que Esther desejava, o que ela realmente queria era encontrar seus melhores amigos na vida real. Embora eu s soubesse um pouco sobre a Esther, ela era uma grande f da HPA e eu morava na regio, ento sua me, Lori, me convidou para participar de um fim de semana que mudaria minha vida. Quando entrei no hotel, com uma marionete de Dumbledore na mo, fui surpreendido pela atmosfera incrivelmente positiva da sala e pelo excelente humor de todos, que riam muito (e contavam muitas piadas irreverentes!). Mas, acima de tudo, fui surpreendido por Esther. Nossa amizade foi instantnea. Esther tinha uma doura rara. Ela podia olhar para voc e ver algo, v-lo como voc gostaria de se ver. Por meio de sua bondade, seu carinho e amor pela vida, ela permitia que os outros fossem eles mesmos. Nenhum de ns sabia que, no fim de semana do Quatro de Julho, algo muito especial estava para acontecer; que estvamos a um dia do momento em que o amor de Esther pelo mundo se tornaria contagioso. Ela estava prestes a inspirar uma mudana no mundo.

Poucos dias antes do fim de semana Make-A-Wish comear, a HPA entrou no Desafio de Doaes Comunitrias do Chase Bank. Mais ou menos dez mil organizaes competiam por votos no Facebook. A organizao com o maior nmero de votos ganharia duzentos e cinquenta mil dlares. Se pudssemos, de alguma forma, realizar esta tarefa aparentemente impossvel, ela seria a virada do jogo que almejvamos. Embora tivssemos dezenas de voluntrios no mundo todo trabalhando noite e dia por ns, tentando obter votos -- apesar de termos sites de fs de Harry Potter e bandas de rock bruxo nos apoiando --, para chegarmos em primeiro lugar, precisaramos que algo verdadeiramente ssmico acontecesse. Durante o fim de semana Make-A-Wish, Esther deve ter conversado com John Green sobre a campanha, inspirando-o a fazer o vdeo no canal Vlogbrothers chamado "Com Esther." Durante a noite inteira pensei sobre o quanto estava grato por conhecer Esther e tentei descobrir um jeito de, tipo, agradecer por nossa estranha amizade de internet que atravessava geraes. E ento me lembrei de que a maravilhosa primeira noite de maravilhas que passei com Esther foi na LeakyCon, uma conferncia sobre Harry Potter. E, a bem da verdade, se no fosse por Harry Potter, eu no teria nenhuma Esther e alm disso, provavelmente a nerdfighteria no existiria. Ento, pensei sobre o fato de que Esther  uma grande defensora da Harry Potter Alliance, uma organizao de caridade com a qual a nerdfighteria frequentemente se associa. Sabe quando a nerdfighteria e a Harry Potter Alliance arrecadaram cento e vinte e trs mil dlares para ajudar na recuperao do Haiti e carregamos o navio SS DFTBA com donativos e ele foi at o Haiti? Pois ,  aquela Harry Potter Alliance. A HPA est em um grande concurso para tentar ganhar duzentos e cinquenta mil dlares e aumentar drasticamente a quantidade de coisas ruins que eles podem combater. A HPA est atualmente em terceiro lugar, mas e se todos ns votarmos e dissermos aos nossos amigos para votarem e ela ganhasse os duzentos e cinquenta mil que lhe permitisse continuar com seu trabalho de entregar livros a crianas ao redor do mundo -- do delta do Mississippi a Ruanda -- e ajudar o trabalho que fazem, defendendo os direitos humanos em todo o mundo? E tambm  uma maneira pequena de dizer a Esther, oi, obrigado por ser incrvel. No vou dizer que devemos ganhar este concurso para Esther porque, se eu disser isso, ela vai ficar com nsia de vmito e me odiar. Acho que devemos ganhar este concurso com Esther. Ento, se voc quer agradecer pela existncia da nerdfighteria e pela existncia da Esther e pela existncia de maravilhosos garotos bruxos, por favor, acesse o link e vote na Harry Potter Alliance. Ento, por favor, vote e obrigado novamente a todos em Boston. Foi muito divertido estar com vocs. Agora era segunda-feira, 5 julho de 2010. Eu examinava quantos votos a HPA recebia no concurso.

Estvamos indo bem, com uma mdia de cerca de um voto a cada dois minutos. E, de repente, quando apertei a tecla para atualizar, recebemos mais cinquenta votos. Depois, mais cem votos. Logo tnhamos quinhentos. Em seguida, mais de mil votos. O vdeo mudou tudo. Graas a ele, graas a John e graas a Esther ganhamos o primeiro lugar no Desafio de Doaes Comunitrias do Chase Bank; os nerdfighters em todo o mundo comemoraram, tuitando: "Ns vencemos COM Esther." Quanto  Esther, ela no podia acreditar. O vdeo "Com Esther" a transformara em uma estrela da internet. Ela estava recebendo montanhas de mensagens de fs no Facebook e por email. As pessoas estavam contando seus problemas para ela, e ela oferecia um ouvido atento e til. Seu desejo de fazer a diferena estava se tornando realidade. Uma semana depois, foi realizada uma grande conferncia sobre Harry Potter em Orlando, na Flrida, onde o Chase Bank nos entregou um cheque gigante durante uma coletiva de imprensa. No ltimo minuto, a HPA tentou levar Esther e os pais  Flrida, para o evento. Infelizmente nenhuma companhia area comercial tinha condies de acomodar sua mquina de oxignio com to pouca antecedncia. Ento, me esforcei para montar uma chamada com vdeo pelo Skype durante a coletiva de imprensa para que Esther pudesse estar l o tempo todo. Ao fim da coletiva, ligamos a tela e eu disse: -- No conseguimos trazer Esther para a conferncia, por isso estamos levando a conferncia at Esther. Todo mundo viu Esther sentada em sua casa, sorrindo para eles, e toda a sala irrompeu em uma ovao de p. Mais de uma centena de pessoas fizeram fila em frente ao computador para saudar Esther, para agradecer por ela ser to incrvel, para dizer-lhe que ela era uma inspirao para eles. ***** O autor Jack Kornfield diz que a questo mais importante no final da nossa vida no  o quanto trabalhamos ou o quanto realizamos. : "Amei bem?" E Esther amou bem.  raro ver qualquer ser humano amar to bem. E, embora Esther, eu e muitos de ns ansiemos fazer a diferena -- at mesmo salvar o mundo --, nosso mundo precisa de amor mais do que precisa "ser salvo". Apesar de todos os problemas do planeta, no estamos aqui para salvar o mundo. Estamos aqui para nos apaixonarmos por ele. E se esse amor s puder se espalhar como o de Esther se espalhou... Se pudermos fazer o que ela pediu e encontrar formas criativas para expressar amor e gratido s pessoas que amamos e s que no conhecemos, isso pode elevar a condio humana e permitir que Esther Grace multiplique um desejo que ela j realizou: ter feito a diferena.

Andrew Slack anunciando que a HPA ganhou 250 mil dlares "com Esther",
BOS TON & ORLANDO ,

2010

Esther com o Professor Dumbledore e seu assistente Andrew Slack,
BOS TON, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

ENTO (ah sim, no acabei)... s 11h43 da manh de 13 de julho de 2010, John Green me enviou uma mensagem de texto: "A HPA ganhou 250 mil." * !!!!! Fiquei "  " e respondi com "Voc est falando srio?!" ** John: #3 Falo srio. Nunca aconteceria sem voc e todos sabem disso. #4 Meu rosto foi de :3 para: . para: ;_; Basicamente, ele me fez chorar de alegria. Porque fiquei muito honrada! MUITO HONRADA! John Green ME usou para INSPIRAR CENTENAS DE PESSOAS! Isso  MARAVILHOSO de verdade! Agora duas instituies de caridade INCRVEIS tm 250 mil para diminuir as coisas ruins do mundo INCRVEL! AHA! * A Harry Potter Alliance estava competindo com outras instituies de caridade em um concurso para ganhar 250 mil. Eles ganharam obviamente hahaha ** eu no falo palavro! p. nmero 7 pessoal

A ARMA QUE TEMOS  O AMOR
por Paul DeGeorge do Harry and the Potters e cofundador da Harry Potter Alliance

M

eu irmo e eu escrevemos um monte de msicas sobre a srie de livros Harry Potter. Algumas delas so bobas, estranhas e cheias de ironia. Algumas so romnticas, outras triviais e um pequeno nmero delas  totalmente sincera. "e Weapon" [a arma] se encaixa na ltima categoria.  primeira vista, a cano  uma declarao autoconfiante de fora de vontade que d a Harry conforto e incentivo na guerra que se inicia contra Voldemort. Mas a msica tambm aborda alguns dos temas centrais da srie: o altrusmo, a superao da morte e o poder do amor como uma arma duradoura e poderosa na luta contra o mal. Estes temas tocaram os leitores de Harry Potter, e nossa msica tem, me disseram, desempenhado um papel no estreitamento dessa conexo para alguns fs. O refro da msica "a arma que temos  o amor" tornou-se o lema da Armada de Dumbledore do mundo real, a Harry Potter Alliance, e foi nesse contexto que cantei a msica durante a coletiva de imprensa da HPA aps a vitria no Desafio de Doaes Comunitrias do Chase Bank. Esther estava presente naquele dia, seu rosto gigante projetado comicamente acima do palco na transmisso via satlite. No foi a primeira nem a ltima vez que eu tocaria a msica para Esther, e soube mais tarde que aquela era, na verdade, uma de suas canes favoritas. Fazia sentido. Esther estava sempre envolvida em uma batalha maior do que sua luta contra o cncer. Ela estava fazendo a sua parte para transformar nosso mundo em um lugar melhor. Ela queria que o poder do amor fosse reconhecido e contabilizado, e trabalhou de maneira abnegada para diminuir as coisas ruins do mundo e aumentar o que  incrvel. Vejo o sucesso de sua luta. Ele  mostrado por sua famlia, por seus surpreendentes amigos do Catitude, pela Harry Potter Alliance, pela TSWGO, pelo Dia da Esther e pelo trabalho de John Green e de todos os nerdfighters que foram inspirados por sua existncia. Todos que conheceram Esther entendem que, apesar das dificuldades da vida, at mesmo apesar da morte, nosso mundo  incrvel e belo, e devemos levar a srio nosso papel de preserv-lo e melhor-lo. Essas mesmas ideias esto no cerne de nossa cano "e Weapon". A apresentao mais difcil da vida do meu irmo, Joe, foi tocar essa msica no funeral de Esther.

THE WEAPON -- A ARMA
composta por Harry and the Potters (Paul e Joe DeGeorge)

We may have lost Sirius Black But we're not turning back We will fight till we have won And Voldemort is gone I'm gonna do whatever it takes I don't care what that prophecy says No I'm not afraid Cause there's one thing that I've got One thing that you've got inside you too One thing that we've got And the one thing we've got is enough to save us all We taught ourselves to fight And now we know that neither can live while the other survives And I know that that means me So I'm glad we've got our Army We're gonna take down the Dark Lord's crew The Death Eaters will all be running from me and you And you and you and you and you and you and you And there's one thing that I've got One thing that you've got inside you too One thing that we've got And the one thing we've got is enough to save us all The weapon we have is Love

Podemos ter perdido Sirius Black Mas no vamos recuar Lutaremos at ganhar E Voldemort derrotar Vou fazer o que for preciso No me importo com o que a profecia diz No, no estou com medo Porque h uma coisa que tenho Uma coisa que voc tem dentro de voc tambm Uma coisa que temos E a nica coisa que temos  suficiente para salvar todos ns Ensinamo-nos a lutar E agora sabemos que nenhum poder viver enquanto o outro sobreviver E eu sei que isso significa eu Ento estou feliz por termos nossa Armada Vamos derrubar a turma do Lorde das Trevas Os Comensais da Morte todos fugiro de mim e de voc E voc e voc e voc e voc e voc e voc

E h uma coisa que tenho Uma coisa que voc tem em voc tambm Uma coisa que temos E a nica coisa que temos  suficiente para salvar todos ns A arma que temos  o amor

Com Paul e Joe DeGeorge de Harry and the Potters ,
S QUANTUM, MAS S ACHUS ETTS , 2010

Julho de 2010
Feliz Dia dos Pais por E. Earl preldio: explicao Ah, ento nos encontramos de novo, hein? Papai, eu ia fazer uma coisa muito legal, recortar algumas formas de papel-carto, colar por todo lado... mas, pois , acabei ganhando belos dedos grudados. No  o melhor presente? Ento decidi ficar com o presente n 2 para o papai (o n 1 seria, como todos sabem, uma gravata colorida): uma carta. Espero que voc goste e tambm espero que esteja legvel. lol.

captulo um: saindo de rumo Durante minha vida (todos os meus quinze anos, meu chapa), sempre me lembro de pensar que voc parecia ter uns trinta e poucos anos, que nem mame. Mas agora, com a vida seguindo em frente e voc envelhecendo, voc est comeando a parecer estar com uns quarenta. Mas voc no tem uns cinquenta? rpc.1 Se voc me chamar de Danei,2 posso esquecer sua idade. Combinado? Enfim, o objetivo do pargrafo era dizer que voc parece bem jovem. Mas me lembro de uma vez no hospital de Aix (acho que foi antes de eu ser diagnosticada), eu estava descansando na cama, meio mal-humorada depois da colocao do cateter (btw,3 decidi que gosto bem mais do meu cateter atual do que daquele...) e olhei para voc. Voc estava me observando dormir, e eu, como estava mal-humorada por causa dos remdios, fiquei aborrecida e cobri a cabea com o Mickey. Agora, claro, quando penso naquele momento, me sinto muito mal, e tambm me lembro do quanto seu rosto estava cansado, apesar de voc estar sorrindo de leve. Ver voc cansado e com aparncia de velho faz eu me sentir pssima. E ser a causa disso faz eu me sentir... pssima. Mas

sei que voc jamais me culparia por nada.4 Podemos dizer que mame nunca pareceu ter mais do que vinte e trs anos. Certo, pai?

Captulo 3: o lar  onde a famlia est Em Williamstown tivemos um hamster, n? Ah, o nome dele era William? Quem sabe. Mas, enfim, Evangeline e eu pegvamos blocos e fitas de vdeo e coisas grandes e construamos um labirinto. A a gente colocava William no labirinto e saa correndo para brincar de "pique". Willy sempre roubava5 passando entre os espaos nas paredes do labirinto e depois esbarrava nos nossos ps. A mudava a pessoa e... . Legal. Por que contei isso? Ah, no sei, mas agora j foi.
6

Histria n 2: Graham est vendo um episdio do Doctor Who agora.  um em que o Doutor (David Tennant) e Rose viajam para a Nova Nova York. Eles encontram enfermeiras com rostos de gatos que testam remdios em humanos (malvadas!). Tem tambm (al, histria dentro da histria) uma mulher que  "o ltimo humano da Terra", porque  o ltimo humano original da Terra... enfim, essa mulher (Cassandra) conta com um homem/aliengena, que  devotado a ela. Mais tarde, bl-bl-bl, as cobaias humanas so salvas, a conscincia de Cassandra est dentro de Rose, o homem/aliengena /devotado de Cassandra est SUPOSTAMENTE morto, e Graham diz: "Espero que aquele cara ainda esteja vivo. Ele era muito legal." Adoro os comentrios dele, srio. Ento, no final, a conscincia de Cassandra entra no homem/aliengena (que  CLARO que Graham percebeu), Cassandra/homem/aliengena volta no tempo at a Cassandra do passado, C/h/a diz "Voc  to linda" e morre, e Graham inocentemente (mas de um jeito fofo) diz "Ah! talvez Cassandra tenha entrado nessa garota e o cara legal sobreviva!" Graham  demais! Ultimamente s tenho ficado com ele. Ele costuma pedir para ver Doctor Who, mas sl.* Gosto da companhia dele, e ele parece no ficar frustrado comigo. verdade. , acredito que ele vai ser legal, de

Hora de Abe. Ele foi at a loja de coisas de um dlar ( uma cilada, pai) com mame e voltou com

presentes pour moi, uma tatuagem e um pato galinha*(2) de plstico, e comprou a loja toda para ele. Abraham  adorvel. Ele sabe ser fofo. Tambm sabe ser choro... ah, aquele chatinho. Mas (lol) ele  um menino timo. Diz umas coisas profundas. Aquela coisa toda de "mas quem fez ele? E quem fez ele? E quem fez ele?" deixa minha cabea toda
*(3)

Algumas lembranas que tenho dele so do primeiro aniversrio. Foi na casa de Plymouth, e fizemos para ele aquele bolo de chocolate muito bom da mame. Fomos para a varanda e Abe ficou sentado na cadeirinha dele, enquanto ficamos ao redor da mesa de vidro (no era nossa? sei l...). Depois, Abe usou as mos e esmagou o bolo com a boca. Acho que foi a primeira vez que ele comeu bolo. Foi uma experincia fofa. Ah, acho que ele no gostou do bolo por muito tempo. lol. Outra lembrana de no muito tempo depois foi quando Abe espertamente decidiu se trancar no banheiro. E ento, a porta espertamente decidiu no ter tranca por fora. E a voc surtou, rpc. E Abe chorou. E eu, sem querer parecer muito metida, salvei o dia com meus bceps enormes, bronzeados e reluzentes e subi pela janela e KAPOW! destranquei a porta.

Vamos falar sobre Angie? Ela  uma figura, sem dvida. Minha lembrana mais antiga dela ou  a histria do besouro na Arbia Saudita ou quando ela salvou o gatinho que os idiotas (na Arbia Saudita) estavam jogando de um lado para o outro. Escondemos o gato por trs dias no nosso armrio antes de vocs descobrirem, lembra? Ah, sim, ns somos boas. Outra lembrana? Ir correr tipo s sete da manh em Albertville. Estvamos tentando "ficar em forma" (eu com doze anos e Ang com quinze anos, lol). Eu me lembro de correr quase at os Briggs (a casa deles era longe, t?) e, de repente, sem aviso, precisei fazer coc. Muito. O que eu podia fazer?! Estvamos muito longe de casa. Mas passamos correndo -- rpido -- por uns bodes,*(4) por uns observadores matinais,*(5) e corri at o banheiro e fiz coc. Sabe aquela sensao quando, ah,

minha nossa, voc precisa fazer coc e a vai e faz? , eu senti isso. A sensao... ... maravilhosa. Depois que fiquei doente, sinto que Angie e eu nos afastamos um pouco. A gente no tinha muito em comum, com ela levando uma "vida adolescente" e eu levando uma "vida de invlida preguiosa". Na verdade, h pouco tempo conversamos sobre isso...  difcil manter contato e a amizade quando voc se acostuma com a rotina... Amo aquela garota, e ela tem potencial para caramba, e consegue ser to forte.  uma boa irm para se ter. Espero poder criar mais lembranas com ela muito em breve.

Tem outra coisa que quero dizer sobre Grahambo. Depois do episdio do Doctor Who, ele perguntou: "Mais uma vez, por que voc tem cncer?" E eu, como nunca estou preparada para responder bem, falei sobre clulas (sobre as quais ele sabia! "da tev") e que s vezes as pessoas nascem com cncer nas clulas. Eu teria dito alguma coisa mais filosfica, mas... no disse. Ha. Ento, Graham falou: "Se eu tivesse dois desejos, um seria ter mais tempo para passar com Amber. E o outro seria que seu cncer sumisse para sempre." Abby  uma daquelas primognitas boas, sabe o que quero dizer? Pode ser que tenha tido uma fase rebelde... eu me lembro claramente de estar com Alexa e... estar indo deix-la em casa?... quando de repente tivemos que ir para o Walmart, para voc e mame buscarem Abby e Keri na segurana. Acho que elas estavam l porque tinham furtado um colar lol. Abby me disse que nem era um colar legal.
*(6)

Tenho boas lembranas com Abbs... de brincar de "loja" na Arbia Saudita; era quando a gente*(7) montava uma loja c/*(8) nossos bonecos Beanie Babies e tipo... trocava...  mais bom*(9) quando voc  mais novo, tenho que dizer. Recentemente, tentei brincar disso c/ Graham e Abe, e, nossa, como foi chato. Uau.

Mas ento, estou usando uma caneta nova, s para voc saber. Lol brinks,*(10) encontrei minha caneta fav!!!!!!!!!!!! Abby sempre foi uma boa irm. Quando morvamos em Albertville, Angie e eu no gostvamos muito de andar com a grande A. Por qu? Porque sim! Quando ela estava l era porque estava nos VISITANDO, vinda do espao DELA. E estava invadindo NOSSO espao. Voc sempre fazia a gente lev-la para o nosso grupo, o que era HORRVEL porque todo mundo achava ela hilria/tima/um rostinho novo, INCLUSIVE os meus INTERESSES AMOROSOS e os da Evangeline. Ou seja, Ryan e Bruce. Como voc pde fazer uma coisa dessas? Mas, fora isso, sempre me senti completamente  vontade com Abbs, ou seja, as pessoas foram feitas para se sentir  vontade com a famlia, mas s vezes a gente tem boas ligaes com as pessoas, e eu sou assim com ela; ela  tima. Tambm  HORRVEL porque no sente culpa de implicar comigo apesar de eu ser uma CRIANA DOENTE E FRACA.  uma desgraa se voc quer saber.
*(11)

Abby agora  tima, e ela  to boa cuidando de mim.  mesmo. E, como falei antes, ela no tem problema em implicar comigo,*(12) o que mostra que fica  vontade mesmo com minhas mil limitaes. -- VIVA ABBY!!!!! -- Depois dos meus elogios a Abby, quero observar que ela no  a nica irm que admiro. Abby  uma pessoa que eu admiro, mas Angie tambm , de algumas maneiras. Angie escreve bem, e, nossa, como sinto inveja disso.  tambm uma pessoa de quem eu simplesmente gosto, . Outra pessoa que admiro e sinto necessidade de mencionar  uma pessoa que todos conhecemos e amamos... KERI LYNN HINKLEY.

Uma das minhas primeiras lembranas de Keri Lynn "Irm Earl" Hinkley : Graham e eu

estvamos jogando video game*(13) no sof na fazenda de Medway quando Abb e Keri entraram. Eu tinha uns oito anos, ento elas tinham... treze/catorze? Rpc. Elas eram jovens, n. Ento Keri entrou, disse oi e a primeira coisa que me veio  cabea foi se ela era indiana. Claro que no perguntei. Ah, no, eu estava ocupada demais jogando jogos idiotas e sendo tmida. Mas enfim, acabei descobrindo que ela no  indiana de verdade -- ELA S  BEM BRONZEADA, SABE? Ser que  caucasiana ou italiana ou sl???

E ento essa garota bronzeada e sarcstica foi entrando na nossa famlia e agora eu a considero como uma irm.  legal. Porque tipo, mesmo se Abb e Keri no fossem amigas, ainda teramos Keri na nossa vida. E acho isso legal. Algumas noites atrs, Keri dormiu no meu quarto (o da sala de jantar!) e conversamos um pouco sobre tudo e foi legal. Muito legal. Adoro aquela garota, de verdade. Mame  uma pessoa maravilhosa, voc sabia? Se voc no existisse (o que seria incrivelmente triste ), sei que mame continuaria sendo incrvel no que faz, e voc sabe disso! Ela  uma mulher adorvel. Se ela fosse a me de uma amiga, eu diria "SUA me  SUPER legal!!!", mas na verdade eu digo "ei, mame  legal, TRAGA BLUEBERRIES PFVR!!!!" Mas vamos falar srio um minuto; adoro conversar com mame. Sobre coisas srias e coisas no srias. Adoro abra-la e adoro quando ela me diz que as coisas esto bem; mesmo quando... voc adivinhou... no esto. Mame  incrvel e eu a amo. Agora voc, por outro lado... no suporto voc!!! S estou escrevendo essa carta de dez pginas para mostrar o quanto eu no amo voc.

Ah, cara, peguei voc. , eu realmente GOSTO DE VOC, Wayne! Lol da sua cara... ah... mas no

vou falar sobre VOC agora. FIM... do captulo 3 Captulo 4: Esther  m (at o caroo) Posso contar um segredo? NO FIQUE ZANGADO, mas sinto que preciso contar para voc. Apesar de eu nunca ter sido beijada (buu), teve uma vez em que voc e mame saram e os meninos estavam no grupo jovem. Angie convidou Kelsey para vir aqui e eu decidi SAIR do quarto e ir l para fora para ajud-los a fazer uma minifogueira. Foi um tempo atrs... e ns (bem, Kelsey e Angie, e eu observei) fizemos a fogueira e ficamos doidos. Eles estavam bebendo vinho, e eu tomei um pouco (no surte, s estou contando histrias ). No estava muito bom, mas tomei dois copos. (Eu j tinha tomado dois copos seguidos antes, na Frana.) Naquela hora, Ang tinha convidado Adam e alguns amigos dela. E a eu deitei na cama elstica e o cu girou e minha respirao pareceu tima e Angie olhou nos meus olhos e me declarou bbada. Enfim, estou me perguntando se arranco esta pgina ou no, mas eu gostaria de compartilhar com voc a histria da minha primeira*(14) vez bbada. Ento Angie e os amigos decidiram que iam para a casa de Kelsey (DEPOIS de buscar os garotos). Ento Angie me ajudou a subir, eu balanando e rindo muito. Ela carregou meu oxignio, apesar de eu no ter ficado sem flego (no sei se foi o lcool ou o qu). Legal. Ento eu subo, e ela me manda dormir e cham-la se precisasse. E chamei quando fiquei com soluo. Mas eles acabaram indo embora e eu dormi. Uau, rebeldia. Foi literalmente a primeira coisa comum de adolescente que eu fiz, Ai ai ai. Ah, sem contar o meu "encontro" c/ Yasser quando eu ainda tinha catorze anos. Fomos ver um filme juntos e com um grupo que depois foi ao 99 comer. Mas a coisa toda foi estranha e ele precisou ir embora no meio do jantar. EU NO SEI... mas aquilo foi estranho, rpc. Ento, fora isso, o mximo de ao e "lcool" que tive foram dormir com o Mickey e beber um gole da Smirnoff da mame. Sou SELVAGEM, baby! Outra coisa "ruim" que fiz foi isto:*(15) Angie e eu adorvamos Barbies por um tempo, voc deve lembrar. A gente tinha um monte de roupas para vestir nas Barbies, e construamos casas e quartos para elas, mas no brincvamos depois. A arrumao  o mais divertido.

E a, a gente sempre queria roupas novas... amos a vendas de garagem e comprvamos bolsas de roupas velhas da Barbie... mas no era o bastante (porque ramos crianas gananciosas). Ento, uma vez, quando fomos "obrigadas" a visitar a casa de uma "amiga" que tinha filhas, e as filhas tinham Barbies, ns brincamos com elas. E depois, quando estvamos sozinhas no quarto, pegamos um vestido (ainda lembro) vermelho de Barbie que achamos lindo e talvez algumas outras coisas e ROUBAMOS. Me senti pssima, mas Isabelle e Skipper e Barbie ficaram to lindos... Ok, mas tudo bem,  o fim da histria. Tenho quase certeza de que vendemos todas as nossas roupas de Barbie em uma venda de garagem. lol. O que voc pensa de mim agora? J contei todos os meus piores segredos. Devo ser enforcada, como aquele sujeito do Alm da Imaginao? lol brinks pfvr no faa isso... Ah, lembra quando Graham caiu da cama na Arbia Saudita? Ugh, me senti to mal, papai, porque Amanda e eu estvamos pulando da minha beliche e o pobre Graham escorregou e quebrou o brao. :( Eu meio que me lembro de ir para o hospital, mas  sei. Pequena demais para lembrar, acho. Sinto culpa por mais alguma coisa? Estou tentando pensar... Ah, esta  "sria"... Para comear, sei que voc jamais, nunca mesmo me culparia por uma coisa que resultasse do meu cncer. Mas TEM vezes em que me sinto to culpada... Vou explicar: meu cncer nos trouxe de volta aos Estados Unidos. Sei que vocs estavam com pouco dinheiro, mas tambm sei que amavam a Frana. Me deixa... triste. meu cncer nos SEGUROU nos Estados Unidos. Sei que no foi o que planejamos, mas  sei, s vezes me sinto culpada. Eu sei que no devia, mas sentimentos so sentimentos. teve uma vez (e antes que voc leia a prxima parte, lembre que amo voc lol...) no hospital em que voc e a mame estavam discutindo pelo caf derramado (HAHAHA sou to engraada) literalmente e tipo, pode ter sido a morfina, mas chorei um pouco porque eu estar no hospital foi a causa do estresse. Nossa, eu acho que no devia contar essas coisas como presente de Dia dos Pais, eu s queria... contar coisas que no contei antes. E esses sentimentos no so constantes, s sentimentos que tive em determinado momento(s). Ainda amo voc.

Captulo 5: Amor, dio, sentimento. Papai, voc percebe que sou humana. O que  sempre bom. E, portanto, tenho sentimentos e pensamentos (acredite, tenho muito tempo para pensar... ha). E voc percebe, felizmente. Tenho certeza de que tem muitos pais que pensam diferente, mas voc e a mame so pais de primeira. sl, no lembro o que ia dizer, mas: ei.  dia 3 de julho (bem, acabou de comear o dia 3 de julho... acho que deve ser tipo meia-noite e meia?... mais ou menos.) E... adivinha? John Green foi para o quarto dormir depois de um dia cheio de... J Green. lol. Ele  demais e, tudo bem, vou escrever umas coisas que podem ou*(16) no fazer sentido. Hoje cedo, John brincou com a gente. Foi com perguntas hilrias e bobas como "coc com gosto de chocolate ou chocolate com gosto de coc?" e "cor da calcinha?" Mas, depois disso, o papo ficou muito srio.*(17) Sempre que havia uma pergunta boa, John fazia rodar o crculo para darmos nossas vrias respostas. John e Abby -- o amigo -- filmaram a coisa toda, basicamente. (Mas Lindsay depois me disse que John filmava a resposta de todo mundo at chegar a mim. A ele parava ahhhhahah...) A brincadeira virou uma sesso de abraos -- e de dizer o quanto amor temos --, o que foi legal. E cheio de lgrimas. Depois, fomos dormir. Em seguida, andamos at o North End, onde compramos sorvete e expresso e foi legal ficar com John.*(18) Minhas amigas Katie e Teryn e eu pegamos um txi para voltar, mas todo mundo andou para casa c/ o Sr. Cadeira de Rodas. Quando voltamos para o hotel, vocs tinham montado a tela de fotos. Show de slides! Vocs montaram o projetor de slides! Ns todos assistimos, foi timo. Um pouco longo, mas eu tinha minhas msicas e sou to fofa. Estou gostando muito de contar histrias, mas vou terminar porque a maior parte disso  de coisas que vocs j sabem.

Segunda-feira, 19 de julho de 2010, 21h41
Meu tubo de alimentao est infeccionado. Meu tubo de alimentao est infeccionado e di. Tenho certeza de que  minha culpa; coloquei o tubo Mickey novo e -- BAM -- dor ao redor. Bom trabalho, Est. No sei o que ando fazendo... as pessoas on-line ainda dizem coisas como "obrigado, voc  uma inspirao"; " vc  incrvel"; "uau, voc  famosa"; "voc  to bonita por dentro e por fora". Mas O QUE EU DIGO PARA ELAS? Ah, jgreen me citou em um vdeo junto c/ meus amigos e fez outro vdeo dizendo "Vote COM ESTHER PARA HPA", e ah antes de tudo isso ele fez centenas de nerdfighters assinarem minha pgina de recados. Mas ainda sou Estee & no fiz mais nada!!!!" Ah, sei l,  uma falao boba, mas, tudo bem, olha, me sinto muito preguiosa. Percebo que estou doente, mas, como posso me conectar com Ang? Acho que no tento, para falar a vdd,*(19) pelo menos no tanto.  s que, cara, entrar na cabea de Angie e ter uma conversa em que ns duas ficaramos expostas exigiria muito esforo. A, sinto preguia... BL, QUE PARGRAFO IDIOTA~~~ Tudo bem, no posso escrever agora (escrever certo AHAHA) porque estou cansada e estou me sentindo mal/com dor na barriguinha. Espero que o anti-B que compramos hoje ajude. Weeee ok.

Quarta-feira, 14 de julho de 2010, de manh cedo lol... 17h30
Abraham est terminando meu desenho de uma montanha-russa, sei l, ento estamos sentados juntos na minha cama. Ok deixa para l, ele comeou a fazer outro desenho de um garoto andando de skate. Adoro as rampinhas de skate nas quais ele anda na mente. Ontem  noite, tive minha primeira noite "at tarde" em um bom tempo... Fiquei acordada at as duas e meia conversando por vdeo basicamente com Abby D e Arka, mas tambm com Maddie e Katie. Acordei s cinco da tarde hoje. Viva a rotina bagunada... S QUE NO!*(20) Enfim, estou tentando pensar em histrias que gostaria que fossem lembradas (portanto, histrias que eu possa contar), mas nada surgiu na cachola velha. Coc. :O Ser que eu s gosto muito de segurar uma caneta na mo e escrever palavras com ela?  tranquilizador. Alm do mais, estou entediada.

Segunda-feira, 26 de julho de 2010
Expliquei para o Graham hoje que todo mundo nasce com clulas de cncer e s vezes, em pessoas como EU, o cncer ganha "vida". Sabe, ele pareceu mt interessado.*(21) Expliquei por imagens. Tipo... tudo bem, aqui: (voc nem deve estar interessada nisso, Pessoa, mas no ligo!!)

"Todo mundo nasce c/ clulas de cncer. Esta sou eu beb." "Voc  gordinha." "O azul so as plaquetas (explico o que so), o vermelho so os glbulos vermelhos, e isso... as verdes so as clulas de cncer." "Elas so verdes?" "No de verdade." "Ok." "Eu vivi bastante tempo sem cncer."

"At a Frana." "Mais ou menos, . A, s vezes, as clulas de cncer so... afetadas, sei l, ou crescem mais.  a que o cncer comea." "Ok [alguma coisa sobre peidos]." Graham e eu Uau, foi uma explicao to ruim lol lol lol lol

Julho de 2010
Meu aniversrio  quando... em cinco dias?  mt legal,  mt legal. Lauren Fairweather do The Moaning Myrtles vir com o namorado dela EM PESSOA, Matt Maggiacomo, que nem  nada demais. Enganei vocs. Ele  do The Whomping Willows. Alm do mais, A Slack vai se juntar a ns com a namorada dele EM PESSOA, tal e tal, que estou ansiosa para conheceEeEeEr. No sei o que quero de nver nem o que as pessoas vo me DAR. Eu literalmente tenho tudo o que quero e isso parece muito "ah, que criana fofa com cncer. Estou com lgrimas nos olhos", mas a verdade : "J tenho coisas que me interessam." Ah, nossa, quero tanto escrever uma histria aqui, mas no tenho energia. Tem uma boba e uma menos boba, mas uma histria muito mais difcil rondando minha cabea. Elas parecem legais... E agora vou pular na cama e criar um mundo de esconde-esconde no papel!!! ~~~ Ento. No fiz nada hoje. Ah, fiz esses "personagens" bobos para um "esconde-esconde de papel" que estou fazendo.  sei o que [estou] fazendo ha. Tambm gastei umas trs horas (fazendo os personagens :3) O que eu fao tchau.

Quinta-feira, 29 de julho de 2010 /sit *(22) : cansada. Humor: pensativa?
Quando escrevi "cansada", reparei em Blueberry olhando, preciso acrescentar, com olhos arregalados para mim. "Ah, esse gato", eu pensei, "ele  mesmo um sujeito curioso." Continuei e escrevi lentamente o pen-, a olhei para os olhos redondos dele. E no sa-, caramba, ele estava observando os movimentos da caneta...! ti- crianas autistas no fazem uma coisa assim? v- observam coisas se movendo (como o cursor do mouse, que o prprio Blue j ficou olhando)? atalvez Blueberry tenha alguns traos que pessoas autistas tm na vida. Ser que isso  possvel? Ok.

Voc veio ao VEDA *(23) da Esther Obrigada por assistir.
Transcrio do vdeo, nada mais do que sentimentos, 9 de agosto de 2010

Primeiros exames amanh. Estou com medo do que vo mostrar e de que o cncer ou no esteja menor ou que tenha... que tenha mais. Tenho medo de ter espalhado para os ossos. Me sinto meio sozinha porque ultimamente no tenho mantido contato com amigos. E  uma coisa que sinto boa parte do tempo, porque fico sentada na cama, s vezes no sof e, hmm, passo a maior parte do tempo com minha famlia ou meus gatos. Sinto cansao, sempre senti cansao. Estou confusa, muito confusa. Ah meu Deus, a confuso est num ponto muito, muito alto da minha lista de sentimentos agora! Tambm sinto orgulho de me forar ultimamente, porque, vocs no sabem de nada disso porque  s uma coisa do dia a dia, no costumo registrar, mas venho me forando ultimamente a acordar de manh e fazer coisas. Estou entediada. Tenho muitos outros sentimentos, mas so tantos que sequer consigo identificar. Me sinto um pouco sobrecarregada por causa disso, porque no consigo entender quais so meus sentimentos. E sinto tristeza por coisas que aconteceram na minha vida. E fico feliz porque ainda estou viva, mas tenho certa vergonha por no estar fazendo muito.  como se eu estivesse enganando as pessoas, porque, sabe, nos meus vdeos e no que o John Green e todas aquelas pessoas incrveis disseram sobre mim, tipo, elas dizem aquelas coisas incrveis sobre mim, mas sinto que estou enganando vocs todos, porque nem sempre sou incrvel, e nem sempre sou demais, e no sou sempre forte, e no sou sempre corajosa, e vocs deviam saber disso, sabe? O que quero dizer  que no sou sempre essa pessoa perfeita. Fico zangada, fico, fao besteiras. Eu... tenho raiva. Eu choro. Odeio meu cncer. Eu julgo as pessoas. Grito com meus pais. Eu... s vezes queria nunca ter que passar por isso, a percebo que, se isso acontecesse, eu no seria quem eu sou, e a fico toda "Ah, isso  muito confuso". Mas s vezes queria que nunca tivesse acontecido esse cncer. Se voc , tipo, uma pessoa com sentimentos, eu insisto que escreva, escreva isso, escreva no seu dirio ou no seu blog ou faa um vdeo ou escreva em um post-it seus sentimentos, porque  bom poder ver quais so, e mesmo se voc no conseguir entender todos, porque, caramba, o crebro tem muitos sentimentos! E seu corao, ou sei l,  uma anatomia, anata, anatomicama-mente correto. Vejo vocs amanh. Provavelmente.

[1 "rpc: rindo pra ca*****. Eu diria algo mais pesado, mas parece demais" 2"... e Abby, Graham e Lori e Abra..." ] [3 btw: by the way, alis. Somos bem inteligentes, hein? 4a no ser, digamos, que eu tenha quebrado uma mesa brincando ou algo do tipo. *cof, cof *... angie... *cof, cof *] [5 aquele ladrozinho safado 6 esses so meus emoticons, btw. emoticons so tipo smiles.] [* sl: = sei l. oOoOo, desafiador
*(2) no sei mesmo qual dos dois... *(3) explodiu minha cabea, basicamente]

[*(4) se lembra deles? *(5)estvamos de short e camiseta regata.] [*(6) isso  um cara rindo tanto que os olhos esto espremidos, btw.] [*(7) a gente era Abb, Ang e eu *(8) c/ significa COM. *(9) EU QUIS DIZER MELHOR. *(10)Brincadeira -- inteligente, n? ] ["POR QUE VOC FARIA ISSO, PAI, POR QU?" *(11)  sei o que tem c/ esse rosto. *(12) e voc sempre diz que nunca implicam comigo...] [*(13) claro que era o incrvel jogo Luigi's Mansion... *(14) no, no sei como as carinhas que estou usando funcionam. Mas funcionam, t?!] [*(15)"essa histria tambm inclui Angie. chocado?"] [*(16) ou talvez no... *(17) al: hoje ... dia dez de julho, ento estou confiando na memria agora... t? * (18) e meus amigos!] *(19) vdd: verdade *(20) usando uma dica dos anos 1990 HAHAHAOME B-) *(21) S para registrar, "mt" significa muito... lol. *(22) sit: situao, obviamente, mano. *(23) Vlog Every Day in April / Todo Dia em Abril. (N. do T.)

Quinta-feira, 12 de agosto de 2010, 21h45
Esther est fazendo dezesseis anos... (No sei como posso ser me de filhos de 21, 19, 16, 14 e 6 anos de idade!) O aniversrio de Esther foi tranquilo, com vrios amigos e muito papo intelectual e divertido. A sobremesa foi o doce favorito de Esther: musse de chocolate  black tie, do Olive Garden. Hmmmm! Ela abriu presentes muito criativos; alm disso, recebeu cartes, e-mails e alguns pacotes de amigos e familiares de perto e distantes. Obrigada a todos! Na segunda-feira voltamos  rotina, com um longo dia no hospital para exames de tomografia computadorizada e de sangue. Depois dos resultados, os mdicos dizem que no momento a qumio com a "droga inteligente" parece estar desacelerando seu cncer, o que  uma coisa boa. Tambm a est deixando com hipertenso, por isso esta noite ela comea a tomar um remdio para isso. A melhor notcia  que o cncer continua restrito  regio do pulmo, sem se espalhar para os ossos, que era a preocupao deles. Ontem passamos a noite jogando Harry Potter Clue. Abby ganhou. Esta noite Graham, Abby e Esther esto assistindo a O Senhor dos Anis -- a coisa l parece estar bem animada! Ns somos abenoados... Lori (em nome do cl dos Earl)

Um desenho nota 10 de Blueberry em sua melhor pose , 14 DE AGOS TO DE 2010

14 de agosto de 2010
Acabei de desenhar a lpis; espero que passar por cima a caneta (para no apagar) no estrague muito. Ah, caramba, Papai Atual! Nem voc nem mame deviam ver este dirio at ele estar lotado de histrias interessantes!!! E desenhos aleatrios, principalmente de gatos... Ah, hoje  dia 13 de agosto? -- no, 14 --, e eu desenhei isso agora lol e demorei uns... quarenta e cinco minutos? Blue ficava mudando de posio HAH. Mas, , vou passar maquiagem e me vestir e tal pq* mame, Angie, Abby e eu vamos ver um filme chamado Comer, Rezar, Amar que NO parece um filme mulherzinhaaaa! J vi muito filme mulherzinha na vida... 1. 2. 3. 4. 5. 6. cara/garota feliz cara/garota triste aventura louca conhecem par maluco se beijam amor

Ok, tem alguns tipos diferentes de filme mulherzinha, mas esse  um deles!!!

TENHO Q IR, SENO AS GAROTAS EARL SAEM S/ MIM!

Sexta-feira, 20 de agosto de 2010
No sei o que despertou em Abe a atual "necessidade de mame". Por algum motivo, acho que foi depois de um tempo meio longo no hospital cheio de "mame vai estar em casa  noite ou papai ou quem??" e deve ter sido/estar sendo difcil para o pequeno.** V-lo assim me deixa triste:

Mudando de assunto, acordei hoje de manh (19h) com o nariz sangrando. Isso mesmo; acordei cheia de sangue na mscara do BiPAP. Isso. Foi. Divertido... Na verdade, at agora meu dia s teve umas quatro-cinco horas de durao. Estou ficando doida com essa coisa de "vida"!!!!! Estou deitada aqui escrevendo e meus olhos se fecham. Olhos idiotas, achei que vocs representassem: rgos Leitores e Humildes Observadores de Sutilezas ??? BOA NOITE.

* pq = porque (acho que j falei isso, ah,  preciso repetir trs vezes para lembrar, n?!) ** Quase escrevi "... devia estar sendo..." ECA, detesto quando as pessoas fazem isso lol.

Domingo, 22 de agosto de 2010, 13h30
O vero est passando muito rpido... os Earl j esto se aprontando para a faculdade, o ensino mdio e o primeiro ano! E Esther resolveu, agora que tem dezesseis anos, oficialmente deixar a escola e estudar para passar no exame do ensino mdio. Ento vamos comprar os livros e estimul-la a estudar. Alm disso, vamos permitir que ela mantenha a rotina de dormir o dia inteiro e ficar acordada at meia-noite! Do ponto de vista mdico, a presso arterial de Esther est bem alta, mas sob controle. A mais nova complicao  um possvel dano aos rins, resultado da qumio. O que significa fazer exames de sangue dirios at ver se os rins vo se recuperar espontaneamente. Wayne diz que o cncer  como lutar no front de batalha, achando estar vencendo, depois descobrir que o inimigo chegou escondido para atacar tambm pelo outro lado. (Bem, ele diz isso de forma mais eloquente, este  apenas meu resumo.) S sei que a cada dia adentramos em territrio novo e desconhecido. Vamos manter contato... Lori

"O AMOR  MAIS FORTE QUE A MORTE"
por Wayne Earl

"Os que forem sbios, pois, resplandecero como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam justia, como as estrelas, sempre e eternamente." ~ Daniel 12:3

E

m 17 de agosto de 2010, Esther se sentou para gravar a dcima primeira postagem em seu vlog no ms. Na que seria sua ltima publicao no YouTube, ela mostra a escada de casa. Comeando com sua alegria de sempre, ela diz com bom humor: -- Sei o que podemos fazer! Vamos conhecer minha casa! -- Ento ela leva o espectador por um passeio por seu quarto. -- ... agora esta  minha cama, e este  meu abajur, e agora a estante de livros, e este  meu santurio de Harry Potter. E o dos quadrinhos do Archie! Ah, e este  o Dinamarca! Gente, vocs no conhecem o Dinamarca? Conheam meu, hm, respirador artificial, que eu amo! -- Ela passa pela cozinha, pelo hall de entrada, a sala de estar e finalmente termina no banheiro, onde conclui: -- Vejam isso! Estou me vendo no espelho! Me vendo na cmera... no espelho! Me vendo... em vocs! -- Finalmente ela faz uma pausa, abre um enorme sorriso e termina com a despedida de sempre. -- Ei... Amo vcs! Depois disso, o vdeo mostra um desenho de seu personagem monstro de biscoito ao p da escada e ouvimos a voz dela dizendo: -- Lalalal. Opa! Escadas! Uh! Eu no passo. Voc no passar! * -- No p do desenho, ela escreveu ainda: "Ento ele nunca mais passou pelas escadas." Ela gravou mais um vdeo curto no domingo, 22 de agosto, como parte das mensagens de parabns do grupo Catitude para o aniversrio de trinta e trs anos de John Green. Nele, ela parece cansada, e est obviamente fazendo esforo para respirar, com o rosto plido e inchado. Mas est sorrindo. Estranhamente, seus comentrios so breves quando diz sinceros "Feliz aniversrio" e "Eu amo voc", fazendo uma promessa de colaborar com algo melhor depois, quando estivesse se sentindo melhor. No dia seguinte, 23 de agosto, Esther estava exausta e passou a maior parte do tempo na cama. Nessa noite, enviou o que seria sua ltima mensagem de texto para outro membro do Catitude, com as palavras: "Amo voc". Tambm leu vrias discusses na internet e ficou interessada em uma sobre problemas de desenvolvimento em crianas e a relao desses problemas com o crebro. Pensando no irmo Graham, ela nos mandou o link e escreveu: "Achei interessante, mas, provavelmente,  irrelevante para Graham. Mesmo assim, sabe,  interessante, e so s dez minutos. Ei, nem  to ruim assim!!! ~ " Depois ela comentou o mesmo vdeo no Twitter, dizendo: "Gosto muito de ver as pessoas falarem das coisas sobre as quais so apaixonadas, porque, quando falam, elas ficam todas GENTE, ISSO  UMA REVELAO, e isso

para mim  engraado/inspirador/hilariante..." Foi a ltima vez que ela usou o computador. Sua tentativa de dormir naquela noite foi em vo. Ela no conseguia respirar direito. No incio da manh seguinte, estava claro que ela precisava de mais cuidados do que ns podamos dar em casa. Observamos a equipe de paramdicos lev-la embora e bot-la com cuidado na ambulncia. Lori entrou para acompanh-la na viagem at o Children's Hospital, em Boston. Esther deu um sorriso corajoso, mesmo que fraco, por baixo da mscara de oxignio, em seguida acenou para se despedir. Logo estvamos na emergncia, em torno de nossa Estrela, que, mais uma vez, estava deitada em uma cama familiar de hospital. Fui direto para seu lado. -- Oi, pai, que bom que est aqui -- disse ela meio zonza. -- Onde mais eu ia querer estar? Este  o evento principal. Afinal de contas, voc  famosa neste lugar! Ela sorriu, pegou minha mo e a apertou com fora, como uma criana no primeiro dia de aula, em uma escola nova, que sabe que vai ter que se separar e, mesmo assim, encara tudo com coragem, segurando as lgrimas. Ento, nos encontrvamos de novo em um elevador de hospital, subindo e subindo. Apesar de no querermos estar em nenhum outro lugar, na poca pensamos naquela familiar ascenso da famlia at o dcimo primeiro andar do Children's Hospital como mais um desvio necessrio no plano de tratamento contnuo de Esther. Quando estava instalada em seu quarto, seus amigos on-line j sabiam que ela estava "de novo no hospital". Logo os comentrios, as mensagens de texto e as perguntas no Facebook, no Twitter e no site CaringBridge, da Esther, cresceram com preocupao sobre seu estado. Blaze, do Catitude, tuitou: "Sei que a maioria de vocs j sabe, mas @crazycrayon est doente e todos os meus pensamentos esto com ela agora." Da Flrida, ericaeeks, outra amiga da internet, escreveu: "Eu <3 @crazycrayon, por favor, pensem nela esta noite...", e o amigo dela Andrew Slack escreveu: "Pfvr, mandem amor, luz e ar para 1 das estrelas mais brilhantes do mundo c/1 sorriso que ilumina meu corao: @crazycrayon." Desconhecidos tambm sentiam a angstia e enviaram uma mensagem de apoio atrs da outra. Dripduke escreveu: "Tive que sair da aula porque estava prestes a chorar." A maioria das mensagens era parecida com a de hazmatbarbie, que declarou: "Esther, amo voc!!! Voc consegue sair dessa." RebeccaActually resumiu o sentimento de muitos ao dizer: "Voc nunca me conheceu, mas amo voc." VerveRiot confessou: "Normalmente eu no rezo, mas esta noite posso comear a rezar por Esther, que est no hospital lutando para no morrer de cncer!" Durante todo o dia e toda a tarde, ns nos revezamos no acompanhamento dessa torrente de carinho, que trouxe muito conforto a todos, incluindo Esther, apesar de estar se sentindo muito mal para responder.

Nossa impresso era que todo mundo on-line estava falando sobre ela! No devamos ter ficado surpresos. Era a resposta natural dos amigos de internet de Esther, coletivamente conhecidos como nerdfighteria. "Uma comunidade", disse algum uma vez, mas com "muitos endereos". Um "lugar mgico onde tudo que  incrvel  celebrado, e onde cada membro luta para diminuir as coisas ruins do mundo". Essa era a famlia que Esther tinha conhecido e aprendido a amar, e agora que um deles estava com problemas, eles estavam ao lado dela. Podiam perceber que sua jovem Estrela estava lutando, perdendo as foras, e eles ficaram determinados em continuar rezando, trocando mensagens de texto, por Twitter ou em chats, ou mesmo conversando pelo telefone durante toda a tarde e at altas horas da noite. Estavam determinados a no deixar que Esther passasse por aquilo sozinha. Esther continuava a sentir muito desconforto, e seu estado geral estava ficando cada vez mais instvel  medida que o fluido se acumulava em volta de seus rgos internos. Em determinado momento, a equipe do hospital decidiu inserir um cateter urinrio, um procedimento ao qual ela j tinha sido submetida vrias vezes, e que detestava. Uma enfermeira explicou que aquilo era necessrio caso ela precisasse urinar, ao que Esther respondeu: -- Tudo bem, mas e se eu tiver vontade de fazer coc? Felizmente, no final da tarde, a enorme quantidade de analgsicos que ela estava tomando comeou a acalm-la. Ela ficou menos agitada, e sua respirao parecia menos difcil (com a ajuda da onipresente mquina de BiPAP). Ela ainda estava consciente, mas comeava a ficar com os olhos fechados por perodos cada vez mais longos e a falar cada vez menos. Ns no compreendemos a gravidade da situao at que a equipe mdica de Esther chegou, puxou a mim e a Lori em um canto e disse: -- A situao no parece boa.  bem provvel que ela nos deixe esta noite... Quando eles saram, ns voltamos para seu lado. Ela estava de olhos fechados, e eu me debrucei sobre ela e sussurrei: -- Estrela... a internet est bombando a tarde inteira com pessoas falando sobre voc. Essas pessoas on-line so maravilhosas. Todo mundo quer que voc fique boa. Ela sorriu. Eu me vi como o intrprete de Esther, ou o mensageiro, e tinha dito em mais de uma ocasio que ia escrever sua histria se ela fosse levada pela doena. E contei a ela sobre a conversa que tnhamos acabado de ter com os mdicos. Disse a ela que, desta vez, ela podia no conseguir. Terminei nossa conversa com uma pergunta: -- Esther, quer mandar uma mensagem dizendo a seus amigos o quanto voc os ama? Esperei um aceno imediato e afirmativo de cabea, ento fiquei surpreso com sua resposta. -- No -- disse ela, calma e decidida. No foi uma resposta caracterstica, mas, por mais difcil que tenha sido, obedeci sua ordem e em minha atualizao seguinte no mencionei que ela estava mandando seu amor. (Tenho

certeza de que seus seguidores sabiam como ela se sentia sobre eles.) Publiquei o seguinte texto no site CaringBridge, sabendo que ele teria um efeito multiplicador e transbordante de preocupao, tristeza e afeio. Depois de uma noite agonizante de Esther respirando com muita dificuldade e sem conseguir ficar confortvel, chegamos esta manh ao hospital, e ela agora est na UTI. Continua com muitos problemas para respirar devido ao grande excesso de fluido. Isso significa que o corpo dela, em parte devido a um rim comprometido, tem cada vez mais dificuldades de eliminar o fluido com a rapidez que ele se acumula. Seus nveis de oxignio esto to baixos que ela est completamente exausta. Esta visita  muito sria. Nossa mdica favorita disse que ela pode partir hoje. Eu contei a Esther. Ela ainda est lutando e no d sinais de querer desistir! Estamos todos aqui. Esther est cercada por suas irms, que a adoram, e pela equipe daqui, que a conhece e gosta dela. Ns desejamos mais dias com nossa Esther Grace! Eu disse mais cedo a Graham que ela poderia morrer no hospital, mas que preferamos traz-la de volta para casa e aproveitar mais noites estreladas juntos. Ele concordou, dizendo que uma pessoa de dezesseis anos era "nova demais para morrer". E completou: "Dezessete  uma idade melhor para morrer. Talvez vinte, porque isso j  bem velho." Mais tarde, eu compreendi que ela j tinha penetrado nessa floresta, e tinha decidido no olhar para trs. Tinha entrado corajosamente naquele vale da sombra, e, como cada um de ns, teria de encarar sozinha o que havia adiante. Acompanhando atentos e impotentes, nos revezamos segurando suas mos e acariciando seu cabelo maravilhoso enquanto ela seguia em sua longa caminhada rumo ao silncio. Com a medicao fazendo efeito por todo o seu corpo, Esther logo adormeceu, e ficou claro para ns que aquele respirador artificial e seu corao forte eram as nicas coisas que a mantinham viva. Antes de ficar inconsciente, ela falou com cada um de ns e respondeu agradecida s nossas mensagens cheias de lgrimas de afeto, canes, massagens nas mos e carinhos no rosto. Ela amava a famlia mais do que qualquer coisa, e todos estvamos ali a seu lado enquanto ela ia embora. Ela teria adorado ter seus gatos queridos com ela, e eles viriam a sentir muito a sua falta. (Depois desse dia, eles se mudaram para a cama do irmo mais novo, Abraham,  noite.) Esther ficava entrando e saindo de um estado de conscincia. De repente, ela disse um nmero: -- 1.842! Ficamos intrigados com isso e fomos correndo para a internet ver se a data tinha algum significado. Ri pensando que ela podia ter acabado de revelar a resposta para o segredo do universo! Alm de um balbucio eventual, Esther continuava a dormir. Entretanto, cerca de uma hora

mais tarde, ela de repente abriu os olhos, tentou se sentar e, olhando direto para Evangeline (que estava segurando sua mo direita), disse: -- Estou indo, estou indo. Perguntada por Evangeline aonde ela estava indo, Esther respondeu: -- Ah, s estou sonhando. Ento ela fechou os olhos e voltou a dormir. Essas foram suas ltimas palavras. Durante as trs horas seguintes, os nicos sons no quarto eram da mquina que a mantinha respirando, das palavras de conforto dirigidas a ela e das lgrimas das pessoas que estavam ao seu lado. Nas primeiras horas da manh do dia 25 de agosto tomamos a impossvel deciso de desligar a mquina de BiPAP. Quando o zumbido alto de seu funcionamento cessou, o silncio foi imenso. Em menos de meia hora, a respirao de Esther, digamos, se tornou extremamente difcil, como se dissesse: "No vou durar muito desse jeito." Durante nossa viglia, Evangeline ficou do seu lado direito, e Abby, do esquerdo. Lori ficou junto de Evangeline ao lado de Esther. Keri, a amiga querida de Abby, que amava Esther como uma irm, permaneceu ao lado de Abby durante nossa viglia. Os meninos dormiam ali perto havia muito tempo. Eu estava ao p da cama. Aps alguns minutos de espera, chorando em silncio e tocando nossa amada Estrela, ela deu seu ltimo e estranhamente longo suspiro, como se estivesse desistindo e oferecendo aquilo, sendo empurrada para a frente, para uma vida nova e mais plena. Sua morte nos parecia mais um nascimento do que uma morte, uma espcie de submisso voluntria, como se sua luta tivesse se completado e estava tudo bem terminar essa batalha final. Reconhecendo o que estava acontecendo, olhei para o teto e, meio que chorando, disse para Esther: -- Est bem, garotinha, est bem. Voc pode ir! Ns amamos voc! Alguns minutos depois, a mdica de planto, que conhecia Esther, lentamente tirou o estetoscpio, o ps sobre cada um dos pulmes agora silenciosos e em seguida sobre aquele corao maravilhoso. Ela olhou para mim do outro lado da cama, balanou suavemente a cabea de um lado para outro. Quando percebemos a imobilidade, todos nos maravilhamos por termos participado de uma vida to perfeita, corajosa e maravilhosa. Evangeline sorriu e disse: -- Ela parece em paz. Lori comentou que era a primeira vez que via Esther sem a cnula nasal em "muito, muito tempo...", e ento ela no resistiu e chorou. Abby puxou o cobertor do hospital um pouco mais para cobrir os ombros de Esther, e todos riram e choraram pensando nesse gesto simples agora desnecessrio, a primeira vez que nenhum de ns podia dar qualquer conforto a nossa Estrela. Lentamente, sem pressa, cada um de ns se despediu.

********************************* De volta em casa, eu me sentei e escrevi a seguinte mensagem em sua pgina no CaringBridge. * Referncia  fala do personagem Gandalf em O Senhor dos Anis. (N. do E.)

25 de agosto de 2010, 4h04
Para todos os que amam Esther, Nossa amada Esther Grace agora pertence aos cus. Estvamos todos juntos quando ela nos deixou, s trs da manh de hoje. Estamos certos de que ela est mais verdadeiramente viva que nunca, mas mesmo assim estamos muito tristes... A famlia de Esther DFTBA

Quarta-feira, 25 de agosto de 2010, 13h01
Acordamos com uma cama vazia... e coraes vazios. H uma sensao horrvel por toda parte. Estamos tristes. O clima est triste. Os gatos de Esther esto tristes. Mas Esther gostava desse tipo de dia. Ela gostava de quase tudo. Esther gostava. Nos ficvamos abatidos, mas ela fazia com que levantssemos a cabea e recebssemos a graa de um novo dia. E Esther amava tanto vocs! Ela tambm nos amava. Esther amava. Agradecemos a todos, os que esto perto ou longe, os que so nossos conhecidos ou no. Vocs ajudaram a carregar nossa luz e vida, deram a ela horas de alegria e propsito. Ela vai sentir saudade de vocs, e vamos sentir falta dos bate-papos dela com vocs. No estamos muito no clima de receber visitas nem telefonemas, mas agradecemos seus emails, mensagens de texto e tutes de condolncias... nerdfighteria: vocs so incrveis! Lembremse: as coisas boas sempre vencem as ruins. A morte no  a palavra final, mas a "grande aventura seguinte", como Dumbledore disse to bem. Esther nunca foi uma moa infeliz. Sempre estava alegre e disposta a uma aventura! Ela agora pode ser encontrada em nosso corao e explorando o cu. Nossa Estrela era uma pessoa acolhedora. No importava quem voc fosse ou que emblema voc usasse ou no usasse, voc era bem-vindo se quisesse fazer uma visita pessoalmente ou falar com ela pelo computador. Quem quer que voc seja e onde quer que esteja, ns lhe damos boas-vindas, tambm, para se juntar a ns enquanto recordamos e celebramos sua vida breve, porm gloriosa. Com carinho, A famlia de Esther

Carregando meu corao ,
QUINCY, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

Tateamos uns aos outros no escuro Falamos em cdigo e ningum sabe como fizemos isso funcionar mas o que vamos fazer agora? Tateamos uns aos outros no escuro Incertos de tudo, a no ser do vazio em nosso corao e da mgoa e da perda e da descrena, e sabemos as mesmas coisas e compartilhamos muito sofrimento Hoje acordei sozinha, sem o sol Achei estranho que o dia pudesse mudar hoje acordei sem o sol -- BLAZE MITTEFF, do Catitude, que escreveu essa letra logo aps a morte de Esther

J

 estou h trs anos sem Esther ao meu lado, e ainda assim  possvel que ela tenha me ensinado mais nestes ltimos anos do que durante os oito anos de nossa amizade. Eu poderia dizer que tudo isso me surpreende -- inspirando livros, bem como inmeras pessoas e propagando muito amor --, mas, na verdade, no o faz. No me lembro de um momento em que Esther tenha sido negativa. Ela nunca se importou com coisas pequenas, ou expressou temor de uma forma exageradamente dramtica, e sempre foi paciente. Sei que ela no gostaria de ser chamada de perfeita, porm, se mais pessoas fossem como ela, o mundo seria um lugar melhor. No passa um dia sem que eu pense em Esther Grace. Penso em todos os momentos divertidos que poderamos estar vivendo e em todas as gargalhadas que poderamos estar compartilhando.  frustrante saber que,  medida que o tempo passa, mais e mais pessoas no conhecero a presena que Esther tinha enquanto vivia. No entanto, me faz sentir bem ser capaz de disseminar o amor que ela representa. Ouvir as pessoas dizerem "eu te amo", ou ver as pulseiras TSWGO no pulso de meus amigos e de suas famlias, traz esperana e certeza de que os anos no conseguiro ofuscar sua luz, porque, afinal de contas ela ... a estrela que nunca vai se apagar.
-- ALEXA LOWEY

Amigas e princesas para sempre, com Alexa Lowey,
MEDWAY, MAS S ACHUS ETTS ,

2003

E

m 24 de agosto, quando soubemos que Esther estava internada de novo e, dessa vez, a esperana dos mdicos era pequena, o Catitude se reuniu de uma forma que eu nunca vira antes. Fomos todos para o Skype, comeando uma chamada em grupo que durou, pelo menos, vinte e quatro horas. Passamos o dia esperando ansiosamente qualquer tipo de notcia. A maioria

das pessoas tentou tirar algumas horas de sono, mas Teryn e eu no conseguimos. Eu recebia os alertas de atualizao de seu dirio CaringBridge por meio de "torpedos", e quando meu telefone tocou, s duas da manh, eu sabia. Ainda assim, acessei o site e li as palavras que temi ler o dia todo. Fiquei congelada, os dedos pairando sobre o teclado, chocada e descrente. A chamada continuava aberta e ento sussurrei o nome de Teryn. Andrew Slack nos havia feito prometer que o avisaramos na mesma hora se tivssemos alguma notcia, ento dei a Teryn o nmero de telefone dele, sentindo-me incapaz de falar qualquer palavra, mas, sobretudo, aquelas. Quando ouvi o choro dela, tentando articular esse evento aparentemente impossvel, perdi o controle. Tremendo e chorando, gradualmente chamamos todos de volta ao Skype. Durante vrias horas, no dissemos muito, s precisvamos ficar juntos e ouvir os sons de dor -- a prova de que no estvamos naquilo sozinhos. -- Todos passamos por isso -- disse Katy. -- Todos fizemos isso juntos. Todos sofremos nos meses e anos seguintes,  espera de que nossas feridas abertas e nossos coraes se curassem. E tnhamos uns aos outros para juntar as peas das partes confusas sobre amor, perda e luto pela internet. O que fazer quando uma passagem de avio para ir ao funeral custa setecentos dlares? O que fazer quando John Green gravou um vdeo sobre sua amiga, e pessoas que nem mesmo a conheciam esto de luto? Como voc chora quando ningum em sua famlia, nenhum de seus professores, ningum na sua cidade sabe que uma moa em Boston morreu de cncer? A dor era insuportvel, e ainda assim conseguimos superar aquilo juntos, tanto quanto se pode "superar" tal perda. Todo mundo que tinha participado da Make-A-Wish foi ao funeral, e mais alguns outros. Wayne me abraou e disse que sentia muito, que desejava que no estivssemos nos reencontrando daquela forma. A viagem foi simultaneamente reparadora e marcante. Foi algo que precisvamos vivenciar. Katy continuou: -- Uma grande parte do Catitude se reuniu na LeakyCon [em 2011], para uma conveno de Harry Potter. Estava prevista a presena de Esther, mas foi a primeira vez que muitos de ns estivemos juntos, em pessoa, depois de sua morte. E sofremos muita dor, mas tambm rimos, danamos como nunca, comemos e tivemos ataques de pnico. Foi maravilhoso, belo e estressante -- no vou mentir dizendo que manter dezesseis pessoas juntas por uma semana em um estado diferente no tenha sido estressante. Mas valeu a pena estarmos juntos. Ns ainda ramos amigos sem Esther, mas ela continuava presente. A marca que ela deixou em todos ns no se apagaria. Anos mais tarde, a nossa amizade continua forte. Temos muita sorte de termos encontrado uns aos outros, este sistema de apoio de nerds com o mesmo senso de humor inacreditvel. As pessoas dizem que sentem que Esther vive em ns. Espero que isso seja verdade. Sei que sempre a levarei comigo, e ter um pedao do brilho de sua graa em mim  um presente que vou continuar me esforando para merecer.

-- LINDSAY BALLANTYNE

U

m dos maiores presentes que ganhei de Esther foi algo que ela nem sabia que tinha me dado. Trata-se de uma conversa que tivemos no incio da nossa amizade. Falvamos sobre o que queramos ser quando crescssemos. Naquele momento, eu lhe disse que estava pensando em estudar medicina para ser mdica. quela altura da nossa amizade, eu sabia que ela estava doente, e conversamos um pouco sobre tudo o que acontecia com ela. Eu sabia o quanto ela amava os mdicos e enfermeiros por a manterem viva e achava muito legal que eu quisesse seguir o mesmo caminho. Eu gostaria de lembrar suas palavras exatas durante essa conversa, mas, honestamente, no acho que as palavras foram to importantes quanto o efeito que elas tiveram em mim. Suas palavras tocaram meu corao. Ela me fez sentir orgulho de minhas aspiraes profissionais. S de pensar nela pensando em mim como mdica e achando a coisa mais legal do mundo me inspirou por muito tempo e me ajudou a passar pelo exigente e cansativo incio da faculdade que tinha uma grande nfase em teoria. Acabei desistindo do curso de medicina por vrias razes, preferindo estudar optometria. Mesmo assim, no sei se eu teria continuado na rea mdica se no fosse por Esther e seu apoio. Houve muitas vezes, ao longo dos ltimos anos, em que estive prestes a desistir e seguir um caminho diferente, mas, todas as vezes, ouvia a voz de Esther dentro de mim, e isso me motivava a continuar. Ela ainda permanece comigo em tudo o que fao.
-- ARIELLE ROBERTS

A

h, Esther. Eu nunca poderia explicar o quanto sinto a sua falta. Mas cada minuto de tristeza e dor tem valido mil vezes a pena. Muito obrigada por me apresentar ao Catitude. Muito obrigada pelas noites passadas rindo de bundas e outras coisas bobas. Muito obrigada por me ouvir. Muito obrigada por ser bonita e honesta. Muito obrigada pelo amor mais puro e incondicional que j vi. O fardo da dor  pesado, mas voc me deu bastante amor e alegria para eu poder superar isso. Muito obrigada por tudo, E. Amo voc, muito, muito.
-- KATIE TWYMAN

N

o percebo que voc se foi at pensar em voc. E ento me dou conta de que nunca conversarei com voc novamente. S ouvirei os risos gravados nos seus vdeos do YouTube. E essa  uma imitao plida da verdadeira. Quando entes queridos morrem, as pessoas sempre dizem: -- No fique triste. Tenho certeza de que eles iam querer que voc fosse feliz. Tenho certeza de que isso  verdade. Mas vamos ser realistas, as pessoas tambm querem que as outras sintam sua ausncia.  um pesadelo para qualquer um deixar o mundo como se nunca

tivesse existido. Mas voc no precisa se preocupar com isso, Esther. Voc causou uma impresso duradoura em muitas pessoas, e no deixaremos de sentir sua falta to cedo. Voc foi uma guerreira muito corajosa, Esther. Voc foi maravilhosa. Voc viveu tanto em to poucos anos. Voc mudou muitas vidas em to pouco tempo. Esther Grace Earl, amo voc para sempre. Tenho muito orgulho e sou feliz por ter sido sua amiga.
-- MANAR HASEEB

E

sther, dou muito crdito a um monte de pessoas diferentes por tornarem os ltimos quatro anos e meio da minha vida to maravilhosos, mas nenhuma delas merece tanto reconhecimento quanto voc. No estou dizendo isso porque acho que voc seja, de alguma forma, melhor do que o restante do mundo, embora pudssemos argumentar com razo que voc seja, de fato, "melhor" do que um grande nmero de pessoas. Mas ouvi muita gente falar sobre voc dessa forma, como se tivesse alcanado um estado de iluminao antes de ir embora. E, ainda que entenda o que todas queiram dizer e onde vejam isso, no estou dizendo obrigada apenas porque voc foi incrvel ou por ser algum tipo de ser sobrenatural superior. Todos sabemos que voc  incrvel e acho que, provavelmente, voc teria ficado aborrecida com este ltimo atributo. Ento, no. No  nada disso. Mas minha vida nunca foi muito boa... e voc pegou tudo isso, tudo de terrvel que aconteceu, e ouviu e se importou de verdade, mas no substituiu isso, e sim me apresentou a muitas pessoas incrveis que trouxeram um monte de experincias extraordinrias para minha vida. E, de repente, as coisas ruins no importavam mais porque eu tinha muitos momentos bons que no permitiam que as ms me deprimissem durante muito tempo. Eu nunca tinha experimentado algo parecido. Foi uma coisa inovadora para mim ter uma comunidade de pessoas que gostava de mim, que se importava genuinamente comigo, que eu sabia que estaria l a qualquer momento. Voc foi a lder que entrou em minha vida com um monte de pessoas igualmente espetaculares que a seguiam; as pessoas que se tornaram minha famlia e verdadeira fonte de apoio, e eu nunca pude demonstrar toda minha gratido por isso. Voc  minha amiga, Esther, e eu no posso lhe agradecer porque voc se foi, mas espero que voc tenha sabido o quanto eu a amava e como minha vida teria continuado a ser muito deprimente se eu nunca a tivesse conhecido. Voc abriu a porta para um mundo em que pude ser eu mesma e ser amada por isso. Assim, continuarei tentando com que minha vida seja a melhor possvel e tentando disseminar o amor de todas as maneiras que eu puder porque essa  a melhor forma que conheo de honr-la. E manterei em aberto a possibilidade de encontr-la novamente em outro fluxo de conscincia em algum lugar. Sou muito feliz por t-la conhecido. Estou muito feliz por ter tido voc por perto por algum

tempo. E, acima de tudo, estou muito mais feliz porque tive a sorte de voc ter me chamado de amiga. Amor eterno, -- DESTINY TARAPE

V

oc foi a primeira pessoa que conheci na internet. Ainda no consigo acreditar. Nunca mudaria aquele dia enquanto viver. Devo muito a voc. A princpio, lembro que estava muito apavorada por falar no Catitude. Ento, falei com voc. Muito. Voc me contou sobre seus problemas de sade antes de contar para o grupo. Senti que realmente confiava em mim. Foi quando eu percebi que tambm podia confiar em voc. Sinto muito a sua falta. Mas sua memria vive para sempre.  impressionante o impacto que voc causou no mundo. Enquanto ainda estava aqui, eu nunca teria esperado por isso. Sinto que, s vezes, no dou o devido valor  nossa amizade, me sinto culpada por fazer isso, mas sei que voc acharia graa. Sinto sua falta todos os dias e agradeo por tudo o que voc fez por mim antes e ainda hoje.
-- SIERRA SLAUGHTER

U

ma das piores coisas quando se perde algum jovem -- e isso se multiplica no caso da perda de um amigo --  o sentimento de que algum tipo de potencial no foi alcanado. Esther no precisava/teria que se preocupar com isso: tenho certeza de que h coisas que ela gostaria de ter feito na Terra em vez de faz-lo no lugar para onde as pessoas amadas vo (no me cabe especular sobre a vida aps a morte, embora acredite muito fortemente que h uma [haha, ops, especulei]), mas, apenas por ser ela mesma e por fazer bons amigos, Esther conseguiu impactar muitas vidas de uma maneira profunda. Quando conheci Esther, achei-a muito popular, extrovertida e muito mais velha e mais sbia do que se acreditaria que uma adolescente pudesse ser. Quanto mais a conhecia, mais me surpreendia com o fato de uma menina que vivia acamada poder ser to acolhedora e compreensiva com os problemas alheios. Esther era to sbia que parecia apenas habitar o corpo de uma adolescente como uma fase temporria de uma vida til maior e para alm da amiga que conhecemos. Parece quase irnico que ela no possa ser esquecida agora que sua histria atingiu tantos e instigou tantas pessoas a se inspirarem nela. Desta forma,  como se ela pudesse viver o resto de sua vida, por meio de ns.
-- PAUL HUBER

E

sther, eu nunca esquecerei quando oficialmente a conheci no Skype e no Twitter durante o concurso de ortografia Scripps National Spelling Bee de 2009. Assisto ao concurso todos os anos desde que a conheci, no s porque  incrivelmente divertido e me faz lembrar as origens do Catitude, mas tambm porque faz eu me lembrar de voc. Voc e os concorrentes compartilham uma determinao de querer adquirir constantemente novos conhecimentos. Alm disso, quase da mesma forma que os soletradores, voc teve a coragem de cometer erros e aprender com eles. Mas, acima de tudo, a concorrncia acirrada do concurso me faz lembrar que voc foi uma guerreira at o fim. Para mim, o concurso ser para sempre um smbolo do esprito de Esther Earl. <3
-- MORGAN JOHNSON

A

cho, por mais egosta que seja, que ainda estou transtornado por causa da minha perda pessoal e preocupado, pensando que minha amiga talvez no esteja sendo considerada de uma forma suficientemente complexa -- na minha lembrana e na de pessoas que ouvem sua histria. E se esse  o preo a pagar para levar as pessoas a refletirem sobre tudo, desde os cuidados com a sade  mortalidade e  bondade, se nos permitimos nos inspirar na pessoa que me lembro que Esther foi: simptica, engraada, doce e, acima de tudo, uma amiga. Bem, pelo menos estaremos no caminho certo.
-- ANDREW KORNFELD

Um pai e sua bruxa,
S QUANTUM, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

DISCURSO FNEBRE,
Funeral de Esther Earl, 29 de agosto de 2010 por Wayne Earl

O

brigado a Jim e Julie Salmon, ao pastor Jim e  Medway Village Church por abrirem o corao para ns; por nos abrirem sua casa. Esther teria ficado muito feliz por ver toda essa gente, por saber que tinha tantos amigos que a amavam. E ela cantava neste exato palco. Fazia parte do coral e cantou com prazer muitas belas canes neste lugar. E a, vocs podem dizer, ora, "Por que voc est a em cima fazendo esses comentrios, quer dizer, o que voc sabe?" Bem, eu assisti da primeira fila. E eu a vi bem de perto. No apenas dos camarotes. Eu estava nas coxias, ao lado dela na vida. Mas, mais que isso, eu tive a oportunidade de am-la e de ser amado por ela. E ns a amamos, e fomos amados por ela, fomos tocados pela sua luz. E ento, vocs sabem que no  coincidncia que este tenha sido seu nome: Esther Grace. Foi o nico nome em que pensamos para ela. Quer dizer, se fosse menino talvez tivesse se chamando Herman Mudd ou qualquer outra coisa, mas era uma menina, ento seu nome era Estrela. Eu sempre a chamei de Estrela. Eu sempre a chamei de Estee. E Grace era apenas para lembrar que no queramos esquecer que tudo isso se deve  graa. Tudo tem a ver com o fato de que no merecemos essas coisas boas, mas as recebemos assim mesmo, para aproveitarmos e compartilharmos e nos regozijarmos nelas. Ela era uma estrela! E uma estrela ilumina, certo? Quer dizer, quando vemos a luz, ela j se apagou. Mas ela ilumina alguma coisa; neste caso, Esther lanou uma luz -- sua luz -- da graa. Ela nos ajudava a ver nossas falhas, mas sem nos deixar chateados com isso. Ela nos ajudava a ver nosso potencial, nossa vida, o tipo de contribuio que dvamos... a ver como ramos incrveis, sabem? Alguns relacionamentos so ruins para voc, d vontade de sair deles o quanto antes, e outros so bons. Voc gosta deles, quer que continuem do jeito que so. E outros nos mudam, e nunca mais somos os mesmos. Samos depois e dizemos: "Alguma coisa aconteceu comigo, estou diferente..." O modo como descrevo isso  a vontade de chegar um pouco mais alto, servir com mais disposio, amar por mais tempo. Quero que a graa esteja em toda a minha vida. Ela fez isso. Esther viveu. Esther viveu! Dezesseis anos, mas ela viveu bem, e viveu profundamente enquanto estava viva! Ela adorava ir depressa, no ? Desde pequena estava sempre correndo, com aquele cabelo voando por toda parte. E era to alegre e feliz, e amava tudo... Lembro quando estvamos na Arbia Saudita. Esther tinha s quatro anos, mas pegava um desses carrinhos eltricos de quatro rodas e levava Evangeline correndo pelas areias, subindo e descendo as ruas -- bem, areias -- da

Arbia. Ela adorava criar coisas. Vocs viram seus trabalhos artsticos na internet. J viram de perto. Ela estava no processo de criar um jogo maravilhoso para Abraham, e no sabia como o jogo ia funcionar, mas ele achava que ela sabia. Ela adorava seus vlogs e todos aqueles cartes e mensagens de texto, brinquedos de parquinho, de brincar na neve e de ir  praia. Tudo de que uma criana gosta. Esther tinha um tremendo senso de humor. Ficaram emocionados com isso? Ela era engraada. Engraada e peculiar e diferente e nica e viva. Ela gostava de leite achocolatado, todos os tipos de comida e cultura, video games, cores e aromas e pessoas de culturas diferentes. Ela gostava... outro dia mesmo ela estava na internet... e disse: "Pai, veja s isso, um site dedicado a palavras da lngua inglesa que no usamos mais." Ela as descreveu para mim e disse: "Ser que eu consigo junt-las e escrever um pargrafo ou uma frase s com palavras que no usamos mais?" Era assim que ela pensava. Em seu Facebook tem uma lista de coisas de que ela gosta. Vocs sabem: a "Happy Dance" [dana feliz] do John Green, Skittles e rock bruxo. Vocs podem v-la, a lista  bem grande. Ela gostava de garotos. Gostava de quando estava doente e vrios amigos a visitavam e s vezes subiam e ficavam na cama com ela, porque ela estava, vocs sabem, ela precisava dessa conexo. Mas um dia eu entrei e vi Arka de um lado dela e havia uma amiga do outro, e avisei: "Voc sabe, se um dia eu pegasse um cara na cama com minha filha, acabava com ele, mas vou perdoar voc s dessa vez." Ela nunca beijou um rapaz ( foi o que ela disse). Mas eu estava lendo seus dirios esta semana. Hm. E ela, hum, onde est Alexa? Est bem, Alexa a apresentou a algum chamado John, e esse tal de John foi com Esther para trs de uma moita quando tinham onze anos, coisa assim, e ela disse que aquele foi seu primeiro beijo. Mas a Alexa voltou e atrapalhou os dois. Isso foi bom. Ns a amamos. Ns fomos amados por ela. Ela tambm amava, e como sabia amar. Amava muito, e profundamente. Tinha paixo por todo o tipo de coisas. Na Arbia Saudita, era por gatos de rua. Ela e as irms traziam vrios gatos abandonados que eram uma montanha de pulgas e carrapatos e sabe-se l o que mais! E a elas diziam: "Pai, podemos ficar com eles, podemos ficar com os gatos?" "Podem, podem ficar com eles a fora, bem longe." Um dia pegaram um vidro vazio e encheram de besouros, ela e as irms encheram de bichos, foram para casa e disseram: "Me, pai, vejam s!" E derramaram os besouros em cima delas mesmas e ficaram olhando os insetos andarem. "Vocs no acham legal como eles andam por cima de vocs?!" No achamos nada engraado. Ela adorava uma causa, amava coisas que importavam. No percebi isso, j havia visto antes, mas no sabia que ela ainda estava usando, mas ela faleceu com uma pulseira escrito "Save Darfur" [salve Darfur], que usava havia muito tempo. No sei, talvez um ano, e tambm com a pulseira feita para ela aqui. Ela amava os amigos, amava os amigos, e tinha muitos considerando

que s ficava em casa, que no saa. Recentemente ela comeou uma coluna de conselhos e opinies. As pessoas escreviam para ela e diziam: "Sabe, estou chateado porque meus pais esto me enchendo o saco, voc tem algum conselho para viver com pais insuportveis?" E ela respondia: "Sei o que quer dizer. Vamos falar sobre isso." E alguns de vocs viram seus posts. Ela os escrevia especialmente para cada pessoa. Estava ficando cada vez mais comum para ela receber esse tipo de pergunta. Ela adorava a nerdfighteria, que nos ltimos dezoito meses a animou muito. H algum nerdfighter aqui hoje? Vamos l! Tem esses aqui, est bem, legal. Se vocs amavam Esther, ento agora so nerdfighters honorrios, certo? Ela era uma pessoa acolhedora. Acreditava que no havia estranhos. Dizia que todo mundo devia ser bem-recebido, e eram bem-recebidos em seu corao. Quero dizer, ela sabia a diferena entre pessoas deprimidas e pessoas falsas e tudo isso, mas ela acolhia. Eu mesmo me surpreendia com sua bondade. No importava se voc estava confuso ou deprimido ou fosse uma pessoa perfeita confusa sobre sua identidade sexual. Fosse o que fosse, ela dizia: venha, entre, eu quero am-lo. Quero ser sua amiga. Quero cuidar de voc. Quero entender. Ela no acreditava que houvesse pessoas includas e excludas. E tambm tinha essa capacidade nica de fazer com que voc se sentisse a pessoa mais importante na vida dela. Sabe, eu podia dizer que eu era a pessoa mais importante na vida dela at que outra pessoa entrasse na sala. E essa pessoa saa de l se sentindo tima. E no  que ela sempre concordasse com voc. Eu chegava e largava as minhas coisas e dizia: "Ah, isso est me deixando louco..." E ela ouvia. Agora percebo que ela nunca dizia que concordava comigo. Mas me ajudava a lidar com a situao. E isto  graa: estar presente. E ela estava presente. Ela amava a famlia. Amava Abe. Sabem, isso  fcil, porque anunciamos a gravidez aqui deste plpito. Vocs se lembram disso? J ramos bem velhos ( falo por mim!). Anunciamos que amos ter mais um, o que foi uma surpresa para todo mundo. Vocs sabem que milagres ainda acontecem! Ento o que fazer com um quinto beb? Bem, voc d para suas filhas. Ns no sabemos o que fazer! Estamos cansados, por isso a me foi para a cama, e eu para o trabalho, e pronto. Vocs criam a criana. Evangeline cuidou dele durante o primeiro ano, e depois Esther quando ele tinha entre um e dois anos. Ela cuidava dele enquanto estudava em casa, o que significava: "Voc cuida do beb enquanto eu me recupero?" Ela amava Abe, e vocs podem ver isso. Podem ver isso na internet. Quem os viu juntos sabe disso. Ela amava a Abby. Ela achava voc, Abby, perfeita, inteligente e divertida. E acho que, se h algum que ela mais idealizava... voc sabe, quando ela pensava ( fecho os olhos e penso, "cara, quem so meus modelos, igual a quem eu quero ser?", eu penso em Esther), ela pensava em Abby. Ela dizia: "Uau, eu quero ser como Abby." Ela amava Evangeline. Evangeline estava sempre presente. Estava presente quando ela morreu. E suas ltimas conversas foram com Angie. Ela era a pessoa que Esther mais queria

impressionar. Porque Angie era legal, ela era muito legal; ela a achava de uma beleza perfeita. No que estava absolutamente certa. Ela no gostava de pessoas falsas; no gostava de fazer maldades. Mas s vezes fazia umas coisas sorrateiras. Como uma vez h alguns anos quando Evangeline, hmmmm... quando garotos ainda eram tabu, Esther criou uma conta on-line com o nome de Chris, e "Chris" comeou a mandar e-mails para Evangeline, dizendo: "Ei, vi voc hoje na escola e achei que..." Como eu sei disso? . Pais, eles sabem dessas coisas. No h segredos, e se houver,  s esperar at casamentos e funerais que eles vo acabar surgindo. Ento, sim, "Chris" escrevia para ela e dizia: "Evangeline, vi voc na escola. Voc  to bonita... Voc bem que podia deixar um bilhete para mim." Esther estava s brincando com ela. Bem, quando Evangeline descobriu, claro que ficou louca de raiva, e Esther escreveu em seu dirio: "No posso viver se Evangeline estiver com raiva de mim." E depois elas fizeram as pazes. Depois Graham,  claro, vocs sabem, ele est sem rumo de novo. Ela amava Graham. Ela o conduziu pelos cinco primeiros anos de sua vida. Graham no conseguia falar muito bem. Alguns de vocs se lembram disso. Graham entrava na sala e dizia: "Subaluga-de-ba-laba-be-abagaba", e ns olhvamos uns para os outros, minha mulher e eu, Abby e Evangeline, e dizamos, sei l. Ento Esther dizia: "Ah, ele quer espaguete com sorvete e fgado acebolado; alm de um pouco de queijo feta e um copo de sidra para acompanhar." Ela sabia exatamente do que ele precisava e o que ele queria e ela estava l para apoi-lo. Uma relao especial por todos os dias de sua vida. E tambm, por minha mulher, por Lori: ningum cuidou dela to bem quanto voc, e voc estava l dia e noite, normalmente sem reclamar. Eu ajudei um pouco, mas ningum cuidou dela como voc. Algum recentemente disse a Lori que ela fez o que nenhum de ns conseguiria fazer, e Lori disse "No, no...", ela fez " o que todos ns podemos fazer". Porque todos ns temos a centelha da vida, certo? Estamos todos vivos, temos todos alguma coisa a dar. Esther no s viveu bem e amou bem, mas morreu bem, sabiam? O que no  surpresa. Ela soube quando ir e foi cedo demais. Sabe quando as pessoas esto em um lugar pensando "Pooooxa, est ficando tarde e acho que o ltimo trem passa daqui a...", a outro comea a dizer tambm ", bem, acho que  melhor ir embora." E outros dizem: "No! O que esta dizendo? Voc no pode ir agora." Ns no queramos que ela se fosse agora. Tnhamos planos para o futuro, tantas coisas para fazer, tantas amizades que estavam apenas comeando, um grande impacto que vimos, que pudemos sentir. Angie estava com ela, e no sabamos que era o ltimo momento. No sabamos que era o fim. Suas ltimas palavras foram: "Estou indo, estou indo." Depois ela dormiu e ficamos ao seu lado durante as horas em que dormiu. Penso em como vo ser as coisas sem ela e no consigo, no consigo imaginar. As situaes simples, os aniversrios, as primeiras coisas... a primeira vez que eu for ficar sozinho. No sei como vai ser. A primeira vez que eu vir algum da idade dela e precisar de graa, e vamos precisar de graa para resistir. E Deus nos promete isso, promete nos dar esse tipo de Graa.

Esther no teve arrependimentos. Vocs sabem que alguns de ns vivem com muitos arrependimentos. "Ah meu deus, estou arrependido por ter usado esses sapatos hoje! Estou arrependido porque bocejei. Ah, no! Me arrependi por..." Esther era tipo "Pfff, pai, a vida  assim, deixa ela passar por voc." Ela morreu muito bem. Eu costumava dizer a ela, especialmente no ltimo ano: "Esther, quando voc... " (Eu acredito, quando falvamos sobre o cu, eu acredito que dizia que a vida  mais, e ela concordava comigo e dizia... que acreditava nisso...) Eu disse: "Quando morrer, voc podia me dar algum tipo de sinal? Vamos combinar isso agora para eu no ficar na dvida se entendi errado. Voc pode me dizer de algum modo, me dar um sinal?" E eu tive minhas ltimas conversas com ela, disse a ela que a amava e disse isso com muita seriedade, mas uma das ltimas coisas que lhe disse foi: "Esther, no esquea, se for para casa hoje, voc me avisa?". Tnhamos falado muito sobre isso. Eu disse: "Talvez voc pudesse abrir os olhos e me dizer que v os anjos e o paraso." Conversamos sobre isso por um ano. Nunca nos escondemos da morte. Ns abraamos a vida. E ela dormiu. Por todas aquelas horas ficamos do seu lado, sabendo que ela no ia voltar. Ento, finalmente, bem perto do fim, ela abriu os olhos e expirou. E eu s disse: "Esther, voc vai para casa! Estou muito feliz por voc!" E ento ela se foi... Mas nossa relao com Esther no termina aqui. Vocs acham... Nossa relao continua! Segue em frente! Esther est em seus coraes. Sua relao com ela  nica. Ela segue em frente, continua. Se ela no  capaz de gui-los em sua vida pelo seu exemplo; se vocs no tm a esperana no corao de que h outro lugar, algum outro significado. Acreditem em mim, a vida de Esther era praticamente toda focada neste mundo, como deveria ser. Ela achava que somos chamados a estar aqui, a fazer alguma diferena aqui, a viver aqui, e a amar aqui, e deixar o paraso com Deus. Deixe que ele cuide desses detalhes. Ela dava ateno a essas coisas tambm,  claro. Mas acreditava em fazer a diferena agora. A mim me parece que esse  o nico jeito de viver uma vida com algum significado. Ela viveu com justia, amor e piedade, e sempre caminhou humildemente com seu Deus. Dr. Seuss disse... (Achei que precisava citar alguma autoridade aqui.) Dr. Seuss disse: "No chore porque acabou; sorria porque aconteceu." Certo? No sei nada sobre os primeiros passos na estrada da perda, e para mim esse  um caminho desconhecido. Sei que todos temos que percorr-lo sozinhos, mas h algo maior que ns em funcionamento por l. E Esther representa isso e est iluminando o caminho, e Deus vai us-la de maneiras maravilhosas. A Estrela se acendeu sobre nosso corao e derramou sua Graa. E agora, a histria acabou? Respondam juntos como uma congregao! Esta histria acabou? [A congregao responde: "No!"]. Essa estrela vai se apagar? [A congregao responde: "No! No!"] Essa estrela vai se apagar? No? Em memria de Esther, vocs se comprometem a levar uma

vida incrvel? Vocs devem responder sim agora mesmo. Esther est mais viva do que nunca? [A Congregao responde: "Sim! "] Amm. Assisti  vida maravilhosa de Esther da primeira fila. Ela  minha estrela. Ela  minha musa. Meus filhos sabem disso. Sempre peguei leve com Esther. Ela me desarmava. Ela tirava o melhor de mim, me lembrava do pior, porque eu podia v-lo com muita clareza, mas ento abria seu corao para me receber. E tantas vezes, como na segunda-feira, eu disse: "Esther, no sei o que vou fazer quando voc partir. No sei como vou me virar. O que vou fazer?" Ento eu esperava que ela, como sempre, dissesse: "Bem, pai, deixe-me dizer o que fazer. Voc deve fazer isso e isso e isso." Mas ela disse: "Venha aqui." Ela s me abraou, me apertou com fora, no disse nada, no disse nada. E agora eu percebo que aquilo foi... aquilo foi a melhor maneira de demonstrar amor por algum. Abrace essa pessoa com fora, faa-a se sentir amada, deixe que o amor passe por vocs. Ns pudemos am-la e ela pde nos amar. Amm?

Segunda-feira, 20 de setembro de 2010, 00h57
"Direi que eras jovem e pura, com bela pele, Quando parava  porta, o sol era uma sombra de folhas em seus ombros E uma folha em seu cabelo" -- "Not Marble Nor the Gilded Monuments" [nem o mrmore nem os monumentos dourados], de Archibald MacLeish Amigos, Como podem imaginar, sentimos saudade de nossa Estrela. De certa forma, cada dia parece mais difcil que o anterior. H muitos momentos tristes: Abe perguntando quem vai terminar o jogo maravilhoso que ela estava fazendo para ele; Graham querendo saber como vai fazer para acompanhar a nova temporada de Doctor Who sem ela; Abby e Angie sentindo falta das conversas ao vivo ou pelo computador at altas horas; Lori e eu, tambm, chorando, reclamando da injustia disso tudo. A realidade de sua morte bate forte contra nossa necessidade de t-la conosco. O toque de um telefone, principalmente  noite,  de partir o corao, pois s vezes ela ligava da cama para que fssemos ajustar seu oxignio, ou para nos lembrar que era hora de um ou outro remdio. Dormir para ns era difcil, e rezvamos para no sermos acordados s trs da madrugada em pnico. Mas era muito fcil am-la! E "o amor  forte como a morte", como diz a Bblia, o que ajuda a aliviar um pouco a dor. Eu adorava ler poesia para ela, que aplaudia meu entusiasmo e fazia com que eu me sentisse bem inteligente! Dedico este poema a voc, Esther Grace.

Eu amo o mar,
ILHA TOPS AIL, CAROLINA DO NORTE,

2008

Sbado, 25 de setembro de 2010, 13h49
Amigos, Soube agora da doao dos rgos da Esther.  incrvel que duas pessoas possam agora, literalmente, ver de novo porque cada uma recebeu uma das crneas dela! Um homem em Ohio e uma mulher em Maryland agora veem o mundo atravs dos olhos de Esther. Imaginem isso! Ela continua a dar viso e luz. Quando soube que nenhum de seus rgos seria usado (por causa do cncer), ela ficou triste. Entretanto, deu permisso para que fosse realizada uma autpsia detalhada (o que foi feito). Esse foi um verdadeiro benefcio para a pesquisa do cncer porque se sabe pouco sobre a progresso da doena em uma garota que passa pelo tratamento em plena puberdade (como ocorreu com ela). Ela era uma jovem maravilhosa, corajosa e centrada nas outras pessoas. Se ela, uma adolescente de dezesseis anos, pensava adiante e tinha tanta certeza disso, ento ns devamos fazer o mesmo! Conheo um homem em Ohio e uma mulher em Maryland que concordam comigo. Confiram o site [contedo em ingls]: http://organdonor.gov/ Wayne

Sbado, 4 de dezembro de 2010, 14h50
Amigos da Esther, Muito obrigado por continuarem a prestar suas homenagens  memria de Esther por meio de mensagens to importantes neste espao. Infelizmente, este ponto de encontro maravilhoso agora deve ser encerrado. Se quiserem fazer mais algum comentrio, ainda tm alguns dias para fazer isso; vamos tirar o site do ar antes do Natal. Entretanto, depois disso h vrias maneiras de continuarem atualizados sobre tudo relacionado  Esther. Acabamos de criar um site dedicado  nossa nova fundao, criada em memria dela. Essa organizao vai fornecer recursos para pacientes de cncer e suas famlias, alm de custear projetos que Esther teria amado. Entrem no Facebook e deem uma olhada: This Star Won't Go Out. Claro, Esther tem pginas no YouTube e no Facebook, que ainda podem ser visitadas e comentadas (vejam a seo de links neste livro). Tambm temos um canal no YouTube (vo ao YouTube e procurem por wayneandloriearl), no qual postamos novos vdeos dela. Temos horas de gravao de nossa amada em fitas e esperamos editar e compartilhar mais de seu esprito criativo por bastante tempo. Ah, amigos, vocs nem imaginam como sentimos falta de nossa Estrela! Ela est constantemente em nosso pensamento e nossos sonhos. Acordamos todos os dias e nos perguntamos como qualquer pessoa pode aguentar uma insanidade dessas. Nossos filhos so to novos, e a vida deles ser menos alegre sem ela. Abraham nunca vai se lembrar direito dela. Na sexta-feira, encomendamos a lpide que ela mesma escolheu. Sim, pensamos que ela gostaria de fazer isso, mas que criana deveria escolher o seu tmulo? Carregamos uma tristeza permanente. Mas valeu a pena? No acredito que algum possa fazer uma pergunta dessas! Um minuto com Esther valeria tudo o que a dor possa nos causar. Dezesseis anos ao lado de uma alma como a dela foi um privilgio, a maior das honras. V-la criar diariamente uma sucesso de graas nos deixou inspirados, humildes e muito, muito orgulhosos. Ela era majestosa, mas tambm completamente realista, "perversamente incrvel". Estee caminhou sobre a terra com gentileza e profundidade. Ela amou muito e sem excees. Sua vida  seu verdadeiro memorial, um monumento vivo que vai sobreviver a todos ns. Com o mais profundo agradecimento por seu apoio  nossa Esther Grace,

Wayne e Lori

Domingo, 19 de dezembro de 2010, 21h52
Quanta Graa! Este pequeno livro agora chega ao seu fim natural. Esther gostava muito das inmeras mensagens simpticas de estmulo de vocs. Obrigado por isso. Vocs a ajudaram a lutar e tornaram mais suportvel o nosso papel nessa histria. Estamos convencidos de que o amor nunca morre, que ele transcende qualquer coisa que possa cruzar nosso caminho! Temos lembranas de um ser humano incrvel e uma forte crena de que essa  apenas uma separao temporria. Ela amava sua famlia e seus amigos com muita graa. Era fcil am-la tambm. A vida era mais fcil para todos com sua presena. Obrigado a vocs por amarem nossa Estrela! Wayne e Lori

15 DE MAIO DE 2011
Blog do Wayne por Wayne Earl

"O amor  forte como a morte."
-- Canto dos Cnticos 8:6

"Esperana  a coisa com penas Que se empoleira na alma E canta um som sem palavras E nunca, mas nunca, para."
-- Trecho de "Hope" [esperana], de Emily Dickinson

Minha Estrela Querida, Hoje cedo finalmente fui ao cemitrio visit-la. Em lugares assim, eu me pergunto: existe algo mais poderoso que a morte? A primavera responde que sim, e esta semana o solo derreteu o suficiente para permitir a instalao de sua lpide. Ela ficou perfeita. O granito vermelho-ndia  majestoso, mas acolhedor, como voc, que o soube escolher bem, mesmo que seja a segunda pedra mais cara do mercado! Fiquei surpreso (e aliviado?) ao ver que voc no estava l. Isso me preocupou, porque eu me acostumei a me encontrar com os mortos nos cemitrios. Mas voc estava l e, ao mesmo tempo, no estava. Se l existe um l, ento voc est l (ufa!). Mistrio. Tirei as primeiras fotos do jazigo para seus amigos e at gravei alguns dos meus pensamentos  la Esther com sua cmera! Meus comentrios no tiveram nenhum ensaio;  claro que eu venho mantendo conversas parecidas com voc h tempos durante esses longos nove meses. Sei que voc me considerava seu amigo, mas, na verdade, sou s seu pai e fico preocupado que esteja perdida em algum lugar, com algum tipo de problema. Tenho tido pesadelos, mas no consigo sonhar diretamente com voc, e voc sabe como eu sou um sonhador. Quero tanto v-la! No consigo entrar em nenhuma loja sem pensar: "Estrela ia adorar isso." Voc era to fcil de agradar, e ficava to agradecida por qualquer coisa que eu levasse para casa. "Ah, um tomate! Que legal, pai.  perfeito!" "Maravilhoso, nunca tinha ouvido falar nas Crnicas terrveis e infinitas dos bebs babes aliengenas lutadores de sum! Mal posso esperar para comear a ler!" Muitas vezes quis contar a voc sobre meu dia ou pedir seu conselho ou assistir ao novo episdio de Doctor Who com voc (voc ia adorar os novos!). Ningum por aqui gosta de caf expresso. Algum disse que agora voc ia ter dezesseis anos para sempre. No penso assim. Para mim, voc  ao mesmo tempo uma moleca de cinco anos segurando sua nova almofada de estrela e uma jovem sbia parecida

com uma espcie de antiga bodisatva escutando, abenoando e para sempre sem idade. O que se faz quando uma grande festa termina? Arrumar as coisas? Ficar feliz. Lembrar. Isso  suficiente? Esther! Uma jovem tatuou no pulso uma estrela com as palavras "Essa estrela nunca vai se apagar"! Ela fez ali porque  onde o corte comea, e, agora, com isso para lembr-la, literalmente  sua frente, a esperana dela aumentou, ela est ferindo a si mesma com menos frequncia. As pessoas esto falando sobre voc e esto se inspirando em sua memria para superar vrias dificuldades. Eu entendo isso. Voc sempre ajudou as pessoas com seus fardos e problemas. Mas precisvamos de voc aqui. Eu preciso de voc aqui, agora. Se eu tivesse um desejo, seria ver voc, mas, se eu pudesse traz-la do mundo dos mortos, voc ficaria horrorizada em saber que eu tinha usado meu desejo com algo to banal! Mesmo assim, tenho raiva porque voc se foi e acho que isso significa que estou em negao. Que seja. Estou em negao, ento.  isso o que eu nego: a morte no vence (dito com um nada digno m minsculo). O Amor  Mais Forte. O Amor e a esperana esto unidos, se separ-los, voc os destri. Se a esperana sobrevive, o amor perdura. Onde existe ao menos uma nesga de amor, a menor das esperanas tem espao para crescer. Deixei o cemitrio e fui direto para um estdio de tatuagem. "O Amor  Forte Como a Morte" j est h algum tempo gravado em meu corao, por isso resolvi tornar oficial. Essa frase, junto com seu nome, "Esther Grace", e uma estrela cadente logo vo aparecer em meu corpo para serem vistos por todos. Aqui de onde estou, esta  minha compreenso do local de seu descanso final. Ele no  final. Com amor, Papai

Irmzinha, A vida no  para ser vivida pela metade. Ela deve ser aproveitada de maneira plena e total. Se voc quiser fazer uma mudana no mundo, precisar ser forte. Precisar arriscar. Precisar perseverar. s vezes, precisar seguir cegamente em uma direo mesmo sem ter qualquer certeza, mas porque acredita que ela vai lev-la ao lugar certo. Isso  o que voc me ensinou, Esther. Sinto voc ao meu lado s vezes, e isso me d certeza de que estou fazendo algo em que voc acredita. Voc disse que se espelhava em mim, que me admirava e acreditava que eu fosse capaz de fazer qualquer coisa. Mas sempre procurei voc para ter coragem. Eu precisava de voc para me dizer que eu estava no caminho certo em relao a quem eu queria ser e ao que eu queria fazer. Quando voc faleceu, parte de mim morreu junto. Minha fora e minha esperana desapareceram. Como eu poderia fazer a diferena no mundo quando minha melhor amiga, minha alma companheira, minha confidente, meu apoio, a metade do meu corao tinha ido embora? Tudo ficou sem cor. Uma nvoa desceu, e eu no conseguia mais respirar. Meu corpo tornou-se pesado, meus movimentos, atrofiados, eu no conseguia encontrar uma sada. E ento plantei uma flor. Isso eu podia fazer. Podia dar vida a esta pequena semente. Eu a alimentei, reguei, vi crescer e, um dia, um girassol floresceu. Percebi que com a vida vem a morte, e com a morte, a vida.  um ciclo do qual fazemos parte. Eu sabia que voc estava l, me mostrando como as coisas podem ser bonitas. Uma flor floresceu, e a nvoa desapareceu. Sabia que no podia melhorar o mundo sentindo a sua falta, sozinha. Ento eu respirei. Respirei enquanto a nvoa se dissipava. Expirei minha raiva por voc ter partido. Expirei a tristeza de cortar o corao por nunca mais poder falar com voc, ouvir sua voz, sentar ao seu lado e olhar em seus olhos. Enquanto expirava minha dor, sentia uma paz se instalar em meus pulmes. O alvio foi abrindo espao. Olhei para o girassol e senti voc em p ao meu lado, segurando minha mo. Pisquei e voc se foi, levando minha tristeza e me dando esperana. Posso dar vida. Posso trazer cor e beleza para este mundo. Agora eu a levo comigo; voc ocupa a parte do meu corao que se despedaou quando voc morreu. Mas a morte  parte desse ciclo, o ciclo da vida, e enquanto estou aqui nesta Terra, neste lugar temporrio, quero fazer tudo o que puder para encorajar a beleza e a vida. Foi isso que voc me ensinou, irmzinha. -- Evangeline
AGOSTO DE 2013

Queridssima Est, Eu estou enlouquecendo de saudades de voc, cara. As coisas tm estado, tipo, embaadas desde que nos deixou aqui na Terra.  solitrio, s vezes, sem voc. No tenho voc por a para eu mandar um e-mail ou mensagem de texto s duas da manh. A resposta rpida e autntica que eu sempre recebia. To honesta e verdadeira. Era fcil ouvir o que voc tinha a dizer, e entender o que queria dizer no conselho que dava. A maneira como simplesmente me olhava e dizia "Abby...", e eu sabia o que voc estava pensando e que estava certa, obviamente. Sinto falta de s falar com voc. Dizer-lhe o que est acontecendo, conversar sobre problemas com garotos ou com a famlia. Contando uma para a outra o que estava acontecendo em nossa vida, seja l qual fosse o pas maluco em que morssemos na poca. Vivemos separadas a maior parte do tempo, mas voc estava sempre l, sempre na minha vida, e eu sempre na sua. Sinto muita falta daquelas noites interminveis de jogos on-line, quando ficvamos sentadas na mesma sala, uma na frente da outra. As horas passadas ouvindo msica e jogando Yahtzee at as quatro da manh. Tenho saudades de todas as risadas e de todo o amor. Deitada na cama com voc com o zumbido do cilindro de oxignio por perto, assistindo a um programa de televiso do qual gostvamos; provavelmente, Gilmore Girls. E seus gatinhos estavam sempre l; a ligao que voc tinha com eles e com todos os animais foi inspiradora. Falando de gatos, j disse a voc que dei ao meu carro o nome de Blueberry em homenagem  sua infame gata branca feito um marshmallow,  claro? Ela me lembra de voc. Sinto falta do jeito como voc ama e valoriza todas as pequenas coisas e todas as grandes coisas ao seu redor. O quanto voc ama sua famlia. No amo com tanta facilidade e tanto quanto voc. Mas me esforo para ser mais parecida com voc nesse quesito a cada dia. Voc ama com muita facilidade. Bondade e aceitao to genunas. Vejo como isso  simples. Talvez voc fosse to sincera e honesta porque sabia que estava de partida; era natural por causa do cncer. Aps reler todos os seus e-mails e cartas anteriores  sua doena, tenho certeza de que essa era simplesmente a sua maneira de ser. Voc era algum que amava. Uma doadora. Sei que  fcil falar sobre algum que morreu de forma to positiva, mas, honestamente, no me lembro de nada negativo a seu respeito. Ha. Queria tanta coisa para voc. Queria as coisas boas, as loucuras e coisas incrveis que este mundo tem para oferecer a cada um de ns. Seu tempo aqui foi muito curto. Voc teria sido uma grande bno aqui na Terra. Fez tanta coisa incrvel. Voc fez mesmo, de verdade. E continua a inspirar coraes, o que  verdadeiramente especial. Para ns, sobretudo; ver toda a sua vida, histria e amor vivos e crescendo por intermdio de tantas pessoas.  natural e bvio que voc seja uma influncia to incrvel. Brilha atravs de sua histria de vida. Voc ainda est vivendo com fora, minha querida.  muito louco para o meu pequeno crebro compreender o enorme pblico que voc j conquistou. To incrivelmente legal. Eu me pergunto o que voc pensa de tudo isso.

Est superfeliz com toda essa loucura? Deve estar muito impressionada porque  uma autora de verdade agora. Voc  um acontecimento, garota. Estou escutando para ouvir onde voc est.  isso a. Estou escutando as msicas da sua playlist. Realmente sinto e ouo voc. Sei que voc no se foi. No sol e no cu azul. Na brisa da praia. Na alegria que encontro nas pequenas coisas. No conforto de passar tempo com as pessoas de quem gosto. Na dana. Queria tanto que pudssemos danar juntas. Anseio por isso. Por danar e cantar alto, e por saltar apenas voc e eu. Vang e eu fomos e foi muito divertido. Tenho danado muito,  to livre e natural. Sempre sinto voc perto de mim na msica. Nos movimentos no contidos, nos sorrisos e talentos dos msicos. Na liberdade. Eu me diverti muito no Oregon, e voc definitivamente estava l. Desfrutando de cada nota do violino e de cada giro do bambol. Sinto falta de ouvir voc tocando piano; preciso comear a tocar de novo. Depois, h a ideia de envelhecermos juntas como irms. Com famlias e vidas loucas e insanas. A ideia de sermos as Trs Garotas Earl. Estou triste, no poderemos mais criar lembranas como essa. Voc e Inka so muito especiais para mim, no entanto, e tenho algumas incrveis. Voc nos juntou, sabe? Voc nos permitiu ser mais verdadeiras uma com a outra, e sou grata por isso. Voc mantm a famlia unida. Assim como sempre fez por ser a filha do meio. Obrigada por nos amar de forma to individual, mas to completa. Voc vai segurar minha mo quando eu me for? Eu fiz justamente isso naquela noite, meu amor. No sei se voc lembra muito bem, mas estvamos todos com voc. Keri tambm (sua outra "irm"). Abe estava dormindo no assento perto da janela. Pintamos suas unhas -- uma pintura incrvel com listras e pontos. Era muito tarde, e eu estava muito cansada e, mesmo assim, no queria que terminasse, mas, ao mesmo tempo, estava muito pronta para o fim; para voc ficar confortvel novamente. To disposta a acabar com a doena. Voc estava em paz. Voc estava calma. Amar  ver algum morrer. No me lembro de suas ltimas palavras, mas me lembro do que senti. A sensao de ver voc dormir e de que tudo o que eu podia fazer era sentar l e segurar sua mo e pensar no quanto eu a amava. E, em seguida, a sensao de no ser mais voc naquela cama de hospital. Voc no estava mais ali, voc tinha seguido para sua prxima grande aventura. Estvamos todos l, mas voc estava bem distante. Seu corpo no parecia mais com voc. Sua alma, ou esprito, ou seja l o que somos, voava ao redor ou, na verdade, provavelmente corria, respirando profundamente e gargalhando com alegria. A caminho de coisas maiores e melhores. Isso  o que voc quer para ns tambm. Voc quer que a gente se levante e viva, e no fique deitado na cama segurando sua mo.

Chovia muito no caminho de casa e ouvimos Dave Matthews. Vai fazer trs anos, e essa no  uma de minhas lembranas favoritas, exceto pelo fato de que sei que voc se libertou da doena naquela noite. Que voc ganhou um novo comeo. Sinto muita falta de voc, cara. Tipo muita mesmo. Cada partezinha de mim. Tenho evitado sua ausncia. Evitado pensar nela. Tentado no me lembrar de todos os detalhes como todas as outras pessoas, no falar muito nisso. S estou tentando no lembrar que voc no existe mais. Mas, por fim, realmente percebi que voc no acabou de jeito nenhum. Voc est muito viva e presente. Apenas seja feliz, e, se voc no conseguir ficar feliz, faa coisas que o deixem feliz. Ou fique sem fazer nada com as pessoas que o fazem feliz. Voc  muito sbia. Vamos todos seguir voc um dia, por isso a minha esperana  de que possamos ser mais honestos uns com os outros. Que possamos amar de forma mais simples e desfrutar cada pequena coisa comum, boba e hilria com mais intensidade. Que encontremos alegria em vdeos on-line tolos, em msicas nerds e em piadas estpidas. Quero aproveitar as coisas incrveis que temos ao alcance de nossas mos neste nosso louco e belo planeta. Enviar mais energia positiva e viver conforme seu exemplo de amor. Isso  o que quero para mim e para nossa famlia maravilhosa, e para todos. Acho que devo ir, esta mensagem est ficando longa demais e voc provavelmente tem coisas mais importantes para fazer, como fazer upload de vdeos para o seu canal Astral-Tube ou assistir a algum show de rock aliengena. Eu no lhe agradeci o suficiente por ser essa irm maravilhosa por tantos anos, foi muito divertido. Tenho tanta sorte de ter estado ao seu lado... Obrigada por tudo o que fez por mim; amo voc mais do que consigo dizer. E como me disse uma vez: "Sem voc, ah caramba, eu estaria em uma famlia de psicopatas. No que a nossa no seja, haha!" Obrigada por nos manter sos e ser uma centelha de alegria em nossa vida. Amo voc para sempre, irmzinha, -- Abby
AGOSTO DE 2013

Meu Poema para Esther 1. Estrela, quando a vi pela primeira vez soube que voc seria a irm certa para mim. 2. Seu corao me faz lembrar de voc porque voc  muito doce e atenciosa comigo. Voc sempre esteve ao meu lado quando mais precisei de voc e nunca desistiu de mim. 3. Querida, no importa se voc est morta ou viva, eu ainda amarei voc. -- Graham Kenneth Earl
SETEMBRO DE 2013

O Legado de Esther Seu legado  maravilhoso, mas sua promessa era ainda maior. Seu corao era feito para amar, e para este mundo e os outros. Ela assinaria uma coluna de conselhos e criaria blogs que mudariam vidas (junto com outros completamente bobos e supermalucos!), faria trabalho voluntrio com crianas e tantas outras coisas. Talvez expusesse fotografias em uma galeria ou escrevesse histrias infantis ou estudasse com John Green. Em vez disso, ela se foi. E ficamos sofrendo com os espaos vazios, os desenhos no feitos e os gatos de rua no amados que nunca vo conhecer os carinhos de suas mos. Ainda assim, temos tanto, e especialmente tanto mais do que tantas pessoas por causa de nossa perda. E isso  uma ddiva. Ela foi uma ddiva. De algum modo isso tem que ser suficiente. Isso e amar outras pessoas em seu nome. -- Lori Earl
JANEIRO DE 2013

N

a primavera de 2009, Esther disse que tinha escrito uma carta para ela mesma no futuro. Enquanto explicava o conceito, eu ouvia sem pensar que era uma ideia de gnio que, na mo de outra pessoa, faria muito dinheiro. Acho que respondi com algo como: "Legal, querida", e logo esqueci completamente o assunto. Na poca, eu simplesmente no tinha noo da seriedade e da maturidade das ideias da minha filha de catorze anos. Dois anos e meio depois, em 1 de dezembro de 2011, abri um e-mail novo e li essas palavras: "Essa  uma carta para a Esther do futuro que vou receber quando tiver... dezessete anos." Ela prosseguia e explicava que tinha mandado para nossa conta "s para o caso" de no estar mais por aqui para receb-la. Naquele momento, eu me lembrei daquela conversa rpida que tnhamos tido. E a comecei a chorar. Todas as suas palavras vinham carregadas de significado, recuperar o flego ficava mais difcil a cada frase. Me senti sufocado e sa correndo para telefonar para Lori, que tinha ido se encontrar com algum em um caf prximo. Eu queria ter certeza de que ela no ia abrir aquela mensagem final de Esther em pblico.  Pai de Esther

esta  uma carta para a futura esther, que receberei quando tiver... dezessete. ento, voc sabe que no sou boa com as palavras. tenho emoes, mas tenho problemas em express-las. no entanto, este e-mail  para voc, que vai entender a maior parte do que estou dizendo (assim espero). sim. tenho catorze anos agora. terei quinze daqui a quatro meses. futura eu, espero que voc esteja melhor do que a eu presente. espero que, se voc ainda tiver cncer, pelo menos que ele tenha retrocedido o suficiente para voc no precisar do oxignio. e se no estiver, lembre-se de usar aquele Ocean Spray para manter as narinas midas :] e espero que voc tenha tentado falar com mais pessoas que tambm tm cncer. no mundo, no existem APENAS pessoas chatas com cncer. existem pessoas que so incrveis, mas talvez voc ainda no as tenha encontrado. nunca vai saber se no tentar. voc ainda tem cncer? ainda sente enjoo? voltou para a escola depois de faltar durante tantos anos? no presente, sou uma pessoa preguiosa. quero dizer, por causa das questes de sade, h o fato de que no posso fazer muita coisa, mas, vamos l, cara, espero que voc tenha levantado esse traseiro da cadeira! voc comeou finalmente a fazer fisioterapia no presente, mas continua tentando parar. espero que, no futuro, tenha mais fora de vontade e termine o que faz. lembra como voc sempre quis fazer algo para o mundo? voc se lembra disso? se voc no tiver feito algo surpreendente, no se esquea de tentar fazer. o pior que pode acontecer  voc no conseguir, e a pode simplesmente tentar de novo at conseguir. essas palavras no funcionam comigo neste momento, mas tente se lembrar delas. graham est indo bem, ele tem treze anos no momento, um adolescente. e quando voc receber este e-mail, ele ter... quinze. uau, vai ser mais velho do que eu sou no presente. os problemas de fala dele comearam a melhorar, e a eu do presente o trata muito melhor do que a eu do passado. estou feliz com isso. como ele  no futuro? ele est indo bem? d um abrao nele. joga com ele. ele te ama, e espero que voc preste mais ateno nele. e abraham? ele tem quantos? oito, agora? cara, ele est velho. adora esportes? joga basquete, beisebol, futebol, faz natao -- todas as coisas que ele quer fazer agora?  um gnio? ele  muito esperto agora. declama o juramento de lealdade  ptria perfeitamente e consegue desenhar e dizer todas as letras do alfabeto. e est aprendendo a ler. ah, e evangeline/angie? voc  amiga dela de novo? quando voc tinha doze anos e ela tinha quinze, vocs eram melhores amigas. dizamos tudo uma para a outra. mas desde que fiquei

doente no falamos tanto. acho que talvez isso possa ser porque... no sei... os problemas dela parecem no ter importncia se comparados com a minha sade? talvez. no sei. queria que pudssemos ser melhores amigas novamente.  meio estranho sair com ela agora, no entanto. isso acabou? por favor, faa um esforo para tornar-se, ou permanecer, amiga dela. vocs precisam uma da outra. ela tem vinte agora? minha nossa. srio? isso  muita idade. abby tem dezenove anos agora, ah no, ela completou vinte anos ontem. uau. vinte anos de idade. me esqueci de lhe desejar feliz aniversrio ontem... eu nunca achei que chegaria o dia em que minha irm teria um dois no incio da sua idade.  estranho. a futura eu tem uma irm chamada abby, que tem vinte e dois, hein? ela tem idade para beber lcool legalmente agora, haha. ela est em gordon no momento e quer ser secretria. ela foi comigo quando troquei o tubo gstrico e segurou minha mo enquanto eles arrancaram a vida de mim (eu posso estar exagerando um pouco). ela ficou meio tonta e caiu da cadeira, mas acho que era porque era eu, algum que ela conhece, sentindo dor. acho que ela vai ser uma mdica maravilhosa se superar isso. d fora a ela, seja l o que ela estiver fazendo. e h tambm a mame e o papai. ah, mame, como ela est? ela est dando aula outra vez? ela est feliz? ela trabalha muito agora, todos os dias ela fica to cansada. ela faz coisas demais. eu a amo, e se lembre de dizer isso a ela todos os dias. ela e o papai ainda brigam? tudo o que eles conversam agora  sobre dinheiro, porque, vamos ser sinceros, temos literalmente zero. o mundo est em recesso, e nossa famlia SEMPRE foi pobre, mas agora estamos vivendo com trezentos dlares por ms, de verdade. papai acaba de conseguir um emprego como segurana de um shopping,  s temporrio, mas ele parece melhor agora que no fica em casa sentado procurando trabalho o dia todo. eu estou contente por ele estar fazendo alguma coisa. ele ainda tem depresso? no fica com muita raiva dele, ele se esfora muito, e a ama. se VOC tivesse cinco filhos e no conseguisse um emprego, eu tenho certeza de que ficaria um pouco deprimida tambm. ah, voc continua sendo uma nerdfighter? porque hoje em dia isso  uma parte bem importante da sua vida... na verdade, praticamente toda a sua vida... vou para a LeakyCon em 21 de maio, fico at 24 de maio, e acho que abby ou angie vo comigo. caso voc tenha esquecido,  a conveno do harry potter, e vou ter a oportunidade de assistir a todas as bandas que amo e espero conhecer algumas pessoas legais. o nico problema  que me sinto muito culpada por fazer isso porque  muito caro. duzentos e cinquenta dlares por pessoa, mas mame e papai sabem o quanto isso significa para mim.  loucura como me sinto mal por querer gastar tanto dinheiro. caramba. continua f do harry potter? os filmes acabaram agora, no ? ou o ltimo ainda vai ser lanado

em novembro de 2011? no me lembro. mas, lembra, foi por causa do harry potter que voc fez amizade com um monte de gente, ento no o descarte s porque no precisa mais dele. e que tal o doctor who? estou comeando a gostar dele agora. sinto que ele ser uma grande parte da minha vida, muito embora seja apenas um programa de tev. como esto seus gatos? pancake e blueberry? eles esto bem? voc conseguiu mais gatos? ou outros animais de estimao? blueberry e pancake esto deitados comigo na cama agora, e so bem quentinhos. cada vez que um deles se esfrega em mim, ou deita perto de mim, o calor e a satisfao deles me faz sorrir. se alguma coisa aconteceu com eles, uma vez que sei que a sade de blueberry no  das melhores, no se preocupe em ficar triste, ou chorar. lembre-se de todos os momentos incrveis que voc passou com eles. e como est Nibbs? voc ainda est com ele, ou j o deu para algum? lembre-se de mostrar um pouco de amor para ele, se voc ainda o tem. ele  um filhote de cachorro e no precisa dos aborrecimentos que tem. voc sabe disso. voc vai fazer trabalho voluntrio em abrigos de animais se puder? se tiver sade para isso, pense nisso. e aquelas coisas, ah, aquelas coisas bobas, como garotos? voc j beijou algum? no meio de tooodos os problemas com a sade e os psicolgicos, eu ainda quero encontrar um cara de quem goste e que goste de mim tambm. no posso deixar de pensar nisso, essa  apenas uma daquelas coisas bobas que eu quero. voc, pelo menos, j teve um de quem gosta e que gosta de voc tambm? caramba... voc continua amiga da alexa? e da melissa? elas so as nicas pessoas com quem voc ainda tem contato e que conheceram voc desde que ficou doente. elas so boas amigas. e mesmo que vocs provavelmente no continuem a ser "amigas" se estiver saudvel, elas so incrveis, e voc precisa se lembrar de falar mais com elas. se no tiver falado com elas por muito tempo, por que no faz isso agora mesmo? e no tenha medo de ser voc mesma. voc precisa de amigos, e h outras pessoas que precisam de amigos. a maneira de obter amigos  se aproximar. como est seu estado mental? voc ainda est to confusa quanto antes? voc est falando com deus de novo? esther, deus tem passado por tudo com voc, ele realmente ama voc, e voc precisa dele. no presente voc o ignora, e eu odeio isso. como voc acha que conseguiu passar por aquela radiao, quando todos pensaram que voc ia morrer durante a noite? voc ainda se lembra daquilo? na quinta-feira vou fazer outra tomografia computadorizada e uma PET-CT, e esses exames vo mostrar como estou reagindo  quimioterapia. tenho uma grande esperana de que meus pulmes estejam melhorando... estou nervosa, minha respirao piorou um pouco ultimamente, e s espero e rezo para que esteja tudo bem. ei, lembre-se de agradecer aos mdicos. dra. smith e

annette, elas so fantsticas. e so suas mdicas, no fique com medo de contar a elas sobre suas preocupaes. para dizer a verdade, no tenho certeza se a futura eu vai mesmo estar viva. e por isso estou enviando este e-mail para mame e papai, uma vez que, se NO estiver, pelo menos sei que este email ser lido. cara, que maneira de terminar esta mensagem... tudo bem: futura eu, apenas tente ser feliz. tente fazer coisas. no se esquea de que muitas vezes voc pensou que no sobreviveria quela noite. lembre-se de todas as pessoas que a ajudaram no passado. diga  sua famlia o quanto voc a ama. v  escola -- pode parecer bobo, mas fazer trabalho de casa e pesquisa pode desviar a mente das coisas pequenas e incmodas. leia. voc est se esquecendo de ler muito, e a leitura  uma maravilha. tente resolver um cubo mgico novamente, voc conseguiu pela primeira vez ontem :) simplesmente... simplesmente seja feliz. e se no puder ser feliz, faa coisas que a faam feliz. ou no faa nada com as pessoas que a fazem feliz. h tantas outras coisas que eu queria dizer, e talvez eu envie mais um desses se alguma coisa acontecer. amo voc e espero que d tudo certo.

DIA DE ESTHER
por John Green

Q

uando percebemos a gravidade da doena de Esther, Hank e eu conversamos por telefone sobre a criao de um feriado dentro da nerdfighteria que homenagearia Esther da maneira que ela escolhesse e nos comprometeramos a comemor-lo enquanto continussemos a fazer vdeos. Falei com Esther sobre isso durante o fim de semana Make-A-Wish: ela poderia escolher qualquer causa ou celebrao e, em seguida, todos os anos, em seu aniversrio, faramos um vdeo sobre o assunto. (No lembro no momento se concordamos em chamar o feriado de Dia de Esther, mas o fizemos quando chegou o primeiro Dia de Esther: 3 de agosto de 2010). Esther dedicou muito tempo e energia  sua escolha, e, no fim, decidiu que queria que o Dia de Esther fosse uma celebrao do amor -- no do amor romntico, que j tem o seu quinho de feriados --, mas os tipos de amor que so pouco valorizados por nossa cultura: o amor entre amigos, familiares e colegas. Enquanto muitos casais dizem "eu te amo" muitas vezes ao dia, esses outros tipos de amor, os que Esther sentia, muitas vezes passam despercebidos. Esse , certamente, o caso entre meu irmo e eu: antes do Dia de Esther, acho que no tinha dito "Eu te amo" para Hank desde que eu tinha uns doze anos. Mas agora, todo 3 de agosto, reno coragem e digo a meus amigos e familiares que os amo. Digo at para meu irmo.

Eu amo minha famlia. Minha famlia sempre me apoiou ao longo do cncer e de toda essa
porcaria e de quase morrer e tudo, e quando eu era, tipo, mais nova, antes de ter cncer, sabe, e era uma criana cheia de raiva, e eu os amava, e amo minhas irms, amo meu irmo, amo meu pai, amo minha me, amo meus bichos, eles esto includos na categoria famlia. Amo meus amigos; meus amigos so incrveis, os que conheci on-line, os que ainda tenho da vida real, e esse vdeo me faz feliz, ento o vi de novo um monte de vezes e adoro,  muito lindo, e obrigada por dizer que voc ama Hank, sei que voc ama Hank, voc no precisa dizer que ama Hank para eu saber disso, mas ... dizer que ama algum  uma coisa boa, e amo voc, John. -- Vdeo da Esther, em resposta ao primeiro vdeo do Dia de Esther

THIS STAR WON'T GO OUT FOUNDATION
por Lori Earl

N

o dia seguinte ao enterro de Esther, uma pessoa bateu  porta da frente de nossa casa em Quincy. Quando abri, havia um rapaz parado ao lado de sua bicicleta. Ele suava profusamente com o calor do fim de vero. Disse que era de Braintree, que ficava perto, e perguntou: --  aqui o lugar onde posso deixar uma homenagem a Esther Earl? Quando eu disse que sim, ele me entregou um envelope. Disse que tinha escrito um bilhete e feito uma pequena doao, pois queria contribuir com os Friends of Esther. O nome dele era Jarid, e aquilo me emocionou muito porque foi algo prtico e de perto... Quer dizer, na internet a coisa  grande e atravessa o mundo, mas essa pessoa era da cidadezinha ao lado. Perguntei a ele: -- Voc  um nerdfighter? Ele respondeu que sim e me fez o sinal dos nerdfighters. E achei aquilo maravilhoso. Ofereci a ele um copo d'gua e uma pulseira da Esther -- ele disse que ia usar at arrebentar... Quando ele foi embora, abri o envelope e encontrei uma nota de cinco dlares junto com seu bilhete datilografado: "Em minha experincia, em momentos de necessidade, qualquer coisa ajuda. Apesar de no ter muito, ainda assim gostaria de doar cinco dlares para o Friends of Esther Fund. Esther foi uma inspirao para muitos. E no importa as adversidades que enfrentou, ela sempre manteve uma viso positiva da vida. Ela nunca se esquecia de ser incrvel. Ela vai ser lembrada para sempre." Esse foi o comeo da fundao que nossa famlia criou em memria de Esther, chamada This Star Won't Go Out , em homenagem  nossa prpria Estrela. A TSWGO se dedica a aliviar as dificuldades financeiras resultantes das despesas com o cuidado de crianas com cncer. Ela tambm pode financiar "outros projetos que Esther teria aprovado". Grande parte das doaes veio por meio da compra das pulseiras originalmente criadas para o evento da Make-A-Wish de Esther e distribudas pela DFTBA Records. Alm disso, dezenas de pessoas e grupos de jovens organizaram campanhas diferentes para levantar fundos para a TSWGO -- rasparam a cabea, venderam trabalhos de arte, fizeram caminhadas, entraram em corridas, escreveram e tocaram msicas vendidas na internet, balanaram em cadeiras de balano a noite inteira e muitas outras coisas! Um jovem de vinte e um anos na Alemanha chegou a montar cinco mil domins que,

quando derrubados, formaram um belo retrato de Esther. Dois anos e meio depois de seu incio, a TSWGO j distribuiu mais de cento e trinta mil dlares para ajudar mais de sessenta famlias, o que, seus amigos e sua famlia concordam, teria deixado Esther muito feliz.

Lori Earl, evento TSWGO,
NOVA YORK, S ETEMBRO DE 2013

A seguir, h uma amostra da FICO ORIGINAL que Esther escreveu entre 2007 e 2010. As histrias no foram terminadas, so sementes de novas ideias. So rascunhos, e neles  possvel ver como Esther estava explorando, experimentando e comeando a encontrar sua voz como jovem escritora. Fora alguns pequenos cortes e uma reviso bsica, os textos esto intactos, como Esther os deixou: em desenvolvimento.

Anderaddon [fantasia] 10 de abril-1 de maio de 2007

NO EXTREMO OESTE da Floresta Ander h uma pedra enorme com a forma de uma montanha. Ela se chama Anderaddon, um reino que, por muitos e muitos quilmetros  conhecido por sua grande fora, sabedoria, gentileza e fauna variada. Anderaddon  a nica cidade conhecida no pas de Topalville que tem ourios, porcosespinhos, ratos, gatos (vegetarianos) e, seus habitantes originais, ebitillies e ebitties. Ebitillies so coisinhas jovens e peludas: primos dos ourios e porcosespinhos,  o que dizem, pois so muito parecidos com eles, embora tenham um temperamento melhor. Os ebitties so da mesma famlia, embora se paream mais com castores. Tm corpos listrados, dentes grandes, um rabo imenso e com pintas, e so as criaturas mais fortes depois dos texugos. Ebitties governam o reino de Anderaddon h mais de quinhentos anos. Depois de tirar a poeira dos culos, Docknel, o rei, se levantou lentamente da cadeira sobre as pernas velhas e frgeis. Dois jovens servos ebitilly, Pobby e Fandiliny, se aproximaram para ajudlo, mas o velho ebitty os afastou. Terminar aqueles pergaminhos estava fazendo com que ele se sentisse bem forte, como se fosse jovem de novo. Ele sorriu para si mesmo e soltou uma risadinha. Pobby ouviu e se perguntou em que o homem estava pensando. -- Senhor -- perguntou ele, torcendo para soar mais seguro do que se sentia --, deve ser algo engraado o que o faz rir. No podes compartilhar conosco? -- Ah, mas  claro, meu jovem -- disse Docknel, sorrindo por dentro devido ao nervosismo do jovem. -- Eu estava pensando no pensamento de ser jovem de novo, estava tentando lembrar como era correr antigamente... Mas tudo o que vi foi um rapaz correndo de culos e bengala de madeira, zombando dos outros! Pobby riu com vontade, mas Fandiliny no ouviu nada. Estava muito interessada no que estava escrito nos cinco pergaminhos que Docknel segurava. -- Senhor rei -- disse Fandiliny, sem o menor sinal de hesitao --, seria falta de educao perguntar ao senhor o que h nesses pergaminhos? Pobby a cutucou e concordou com a cabea. -- Sim, senhora, essa  a pergunta mais mal-educada que j se ouviu! O que o rei faz  da conta dele! Os trs desceram a escada bem devagar, tomando o cuidado de no ir rpido demais para Docknel, porque, se eles fossem, Docknel certamente se perderia por causa da viso ruim. O rei no achava necessrio dizer a eles que sabia andar pelo seu reino usando outros sentidos alm da viso. Ele concluiu que seria grosseria, e, se soubessem, os mais jovens no desceriam a escada

com ele, e o rei gostava da companhia. -- Mas! -- Fandiliny no desistiria to facilmente! Alm do mais, a curiosidade dela no permitia. -- S-senhor, amo os pergaminhos que tu escreveste com histrias que aprendeste ao longo dos anos e com histrias que ouviste... Ser que esses pergaminhos no so alguma coisa parecida? ***** Escondendo um sorriso, Docknel balanou a cabea e suspirou. -- Voc leu todos? A senhora vai descobrir sobre meus pergaminhos talvez mais tarde. Agora, precisamos falar de outra coisa. Vocs dois esto ansiosos para o festival de hoje  noite? Os olhos deles brilharam de alegria e os dois falaram do que mais amavam no que aconteceria em alguns minutos. -- Ah, sim!  o que eu sempre quis! -- , minha me disse que vai ter pudim... -- E bolo de canela... -- E cidra de madressilva... e... e doces! -- Geleia geleca gelada de flores! -- Torta de morango, ch de alho!!! -- Sementes de dentes-de-leo...! -- Esperem. -- Docknel parou no alto da escada e olhou para Pobby com expresso intrigada. -- Voc acabou de dizer ch de alho? ***** Pobby corou, disse um "sim" baixinho, e todos os trs caram na gargalhada. Choobly estava tentando fazer um pronunciamento, mas s um convidado ouviu. A festa tinha chegado ao fim, os pequenos estavam na cama, o vinho tinha acabado, sobrou pouca comida (poucos no se empanturraram), e os que ainda estavam dispostos conversaram durante a declarao inteira. Assim, o rei decidiu tomar as rdeas da situao inteira. -- OL!!! -- gritou ele. Da fonte do gramado onde Docknel estava, s podiam ser vistos rostos se virando com perplexidade para ele. -- Certo, h, Choobly gostaria de ter sua ateno, por favor... O nico ebitilly deu um sorriso e um aceno de gratido para Docknel e anunciou com voz delicada e alegre o que tinha a dizer.

-- Bem, agora que finalmente tenho a ateno de todos, s quero ter certeza de que vs estais vos divertindo. Um grito coletivo foi a resposta, e alguns chapus foram lanados no ar tambm. -- Era s isso que tu querias dizer? -- perguntou um deles depois que o grito se silenciou. -- Cala a matraca, pirralho! No, no  s isso que quero dizer! S estava pensando... -- Choobly balanou a cabea e prosseguiu de onde tinha parado. -- Ah, sim, certo... eu gostaria de ter o prazer de dizer que qualquer um de vs que queiras vir se apresentar pode vir. A lua baixa refletiu os sorrisos das pessoas, e, depois de um pouco de discusso sobre quem iria primeiro, um jovem se apresentou como Macklen e foi cantar a cano favorita de sua famlia. Eu, sou eu, que consigo ver teus bonitos olhos. Sim, s tu, s tu, que com tua beleza me deixa zarolho. To bonitos Bum --  B! Opa --  O! N --  N! Iupi --  I! Tcharam --  T! O -- ns j sabemos!!! Shh --  o S!! E  assim que eu soletro teus bonitos traos!!! A multido aplaudiu e, depois de cantar a pedidos mais duas vezes, o jovem Macklen fez uma reverncia e se sentou. Uma jovem subiu, mas desta vez era uma ourio. As orelhas no eram to pontudas quanto as dos outros, mas ela era baixinha e no to forte. Tinha pele marrom-dourada e olhos azuis como o cu. Comeou a falar com voz doce, mas rouca. -- Oi, gente! -- Ela sorriu. -- Me chamo Jennily e sou filha de Carnilly, filha de Jenniliny. Vou recitar o poema que encontrei sob duas pedras perto dos portes do pomar, intitulado... bem, no tem ttulo, e eu tenho motivos para acreditar que ele  uma charada... Os gritos dominaram o aposento novamente, com pessoas rindo de alegria pela meno s charadas. Essa era uma das atividades favoritas do povo de Anderaddon. Ela assentiu quando se fez silncio e leu de um pedao de pergaminho que tirou do bolso do avental:

Sou desconhecido daqueles que tm corao puro. Mas, se encontraste isso, no vais querer comear no escuro: Primeiro no tenho forma, nem estou vivo, Tem uma coisa para agarrar, vem, procura, s ativo! Sem isso, torta no poderamos fazer e sem dvida iramos morrer. Procure com ateno -- Ningum bom sabe sobre essa parada como j mencionei, Agora, cabe a ti desvendar esta charada. Est em tuas mos. O silncio se prolongou por uns dois minutos enquanto todos refletiam, mas aos poucos comearam a aplaudir. Ningum conseguiu afastar um pensamento quando a pessoa seguinte comeou a tocar uma msica: o que aquilo queria dizer? ***** A sudoeste de Anderaddon, em uma pequena ilha chamada Ilha do Assassino, havia um castelo. As criaturas nesse castelo eram desagradveis papagaios-do-mar, ratos-do-mar, doninhas-do-mar e lagartos-do-mar liderados pelo rei MeteFaca. MeteFaca era um papagaio malvado gigantesco e to escorregadio quanto uma enguia quando a questo era confiar nele. O ltimo rei, Bufo, era um rato-do-mar implacvel, e seu capito favorito era MeteFaca, na poca chamado de LanaFaca. Quando Jockle estava sentado em um jantar festivo comemorando os despojos que seus capites levaram naquele dia, LanaFaca "acidentalmente" deixou a lmina escorregar e "meteu" a faca na pata da frente do rei. Bufo o xingou e o desafiou a um duelo. LanaFaca, sabendo que o rei era velho e estava ferido, aceitou com alegria. Bufo se transformou em apenas mais uma carcaa no mar, vinda da Ilha do Assassino. -- Oi! -- Ei, idiota, tu sujou minha tnica de seda nova! -- Ah, caramba, no sei se o MataCo ali rasgou a minha... Ele disse que foi tu! A confuso se espalhou pelo salo, com pessoas batendo umas nas outras e vinho derramado

para todo lado. O novo rei deu tnicas de veludo e seda para os capites e caixas de vinho para a tripulao. Era o jeito dele de "mostrar" que podiam confiar nele. E assim fizeram todos. MeteFaca ficou de p na frente de duas mesas compridas e largas, repletas de comida. Ele pigarreou para chamar a ateno, mas os piratas o ignoraram. Ele pediu ateno em voz alta. Ningum reparou. THWACK! Um lagarto-do-mar de p na mesa soltou um grito de dor. MeteFaca tinha jogado a faca nele, e ela ficou presa, com a ponta afiada para baixo, no rabo comprido do lagarto. O salo inteiro olhou para o rei enquanto o lagarto cuidava do ferimento. Uma doninha ficou segurando a faca de MeteFaca, olhando com cara de nojo de doninha para o sangue roxo no metal. --Doninha! Devolva minha faca! MeteFaca estava furioso. Ele tinha pedido a ateno de todos, mas os piratas o haviam ignorado. Ele sabia que tinha que fazer alguma coisa para ganhar respeito, e a nica forma de ser respeitado era ser temido. A doninha correu rapidamente at MeteFaca, rpido demais, na verdade. Ela tropeou em uma garrafa vazia de cerveja, e todos ao redor riram alto. Mas logo pararam, com o olhar gelado do Rei MeteFaca, olhos que se moviam com ferocidade. -- Vs... -- comeou ele, cuspindo para todo lado -- so... vs so imbecis! Todos vocs! E eu? Bem, sou a nica pessoa com bom senso nesse reino aqui! Preciso lembrar quem  o rei? EU! EU SOU O REI! Quando mando prestarem ateno, t falando srio! O silncio foi o nico som por dois minutos. MeteFaca sabia que j tinha ateno de todos, e eles obviamente o respeitavam mais (o rabo do lagarto tinha cado por completo). Mas ele no queria que o odiassem, ento comeou de novo de maneira diferente. Depois de dar tapinhas nas costas de um papagaio por perto, ele comeou a falar, rindo: -- , as pessoas s vezes precisam botar para fora a tenso, no ? Que tal encher a taa de vinho? Todos ficaram surpresos com essa mudana repentina de humor, mas no ousaram questionar o temido MeteFaca. ***** -- Ah, meu querido, voc veio se juntar a mim? Era uma manh gloriosa em Topal Land. Os pssaros estavam cantando, o sol brilhava e Loolane estava no terrao, observando a cidade. Aquela era a rotina da esposa de Docknel, embora ele raramente a acompanhasse. Ele s ia at ali quando precisava falar sobre assuntos importantes.

-- Ah, Loolane... Loolane ficou preocupada com o estresse na voz do marido. Ele quase no a via, e ela se perguntou em voz alta o que era desta vez. -- O que faria voc vir aqui em cima nesta manh particularmente maravilhosa? Espero que nada que estrague nossos bons humores. -- No, nada assim... S, bem, tive problemas para dormir ontem  noite, e, quando finalmente consegui, uns ebitillies jovens entraram e me acordaram. Eu... Ela esperou um momento para ver se o marido continuaria a falar, mas, como no fez isso, ela perguntou: -- Por que voc no conseguia dormir? -- Ah... -- Docknel hesitou. -- H, no tenho certeza, na verdade. Fiquei pensando no poema que a pequena criadourio recitou... embora no saiba dizer por qu. -- Ah, sim! Muitas pessoas falaram desse poema, mas eu j estava colocando os pequenos na cama na hora da diverso. Portalvez voc se lembre dele? Preciso dizer que gosto muito desses poemas que os jovens recitam! -- No, senhora, no lembro, mas, se no se importar, preciso ir falar com... Qual  o nome dela? Jennily; sim, obrigado! Ele deu um beijo em Loolane e desceu o mais rpido possvel pela escada. Depois de cinco minutos, estava no grande salo de jantar, perguntando se algum sabia onde Jennily estava. Ele ouviu muitas respostas diferentes de um grupo de porcos-espinhos. -- Sim, senhor rei, a garota foi por ali! -- No, no, Jennilimmigally, no. Ela est na cozinha roubando comida. -- Ei, vs estais todos errados! Aquela garota? Ela foi para o pomar com as outras criadourios. -- No! Jennily no est l. Ela... Uma jovem ratinha de igreja interrompeu, rindo alto. -- Com licena, mas essa senhorita Jennily est na cama, se escondendo das perguntas das pessoas sobre a charada! Hihi, vs estais todos errados! Hiihii! Alguns porcos-espinhos resmungaram, horrorizados pela rudeza da rata. -- Obrigado pela ajuda de todos! -- disse Docknel para o grupo. -- Mas como ela  amiga dela... -- ! Melhor amiga! Docknel fungou. -- Como ela  a melhor amiga de Jennily -- a ratinha pareceu satisfeita --, acho que deve saber onde ela est mais do que vocs. Mas obrigado! Os porcos-espinhos assentiram e saram andando, debochando dele. -- Imaginem! Que coragem...

***** Docknel estava no corredor na frente do quarto da jovem Jennily. Ele bateu  porta, mas aparentemente eles estavam ocupados com alguma outra coisa. -- Senhor, se no se importa, acho melhor entrar e avisar que tem algum na porta, certo? -- Sim, para mim est timo -- respondeu ele, sorrindo. Ele ouviu a me da ourio, Carnilly, soltar alguma coisa que estava segurando, talvez porque o rei estava na porta. -- Ah, querida... -- murmurou ela, correndo de um lado para outro e arrumando coisas. -- Na porta? Deixe o pobre homem entrar! A jovem ratinha abriu a porta e revirou os olhos. -- Senhor, entre, por favor -- disse ela, e acrescentou baixinho: -- Mas cuidado com Marm, ela portalvez tente fazer uma limpeza em voc... Ele escondeu um sorriso e entrou. Docknel tirou uma pilha de livros de uma cadeira e levou uma aturdida Sra. Carnilly para se sentar. A velha senhora sorriu, formando duas covinhas nas bochechas rosadas e gordinhas. Ela ajeitou o aventou e chamou a filha, sinalizando para Docknel se sentar em uma cadeira prxima. -- Senhor, tenho certeza de que quer ver minha filha por causa da charada, no? Ele mexeu o grande rabo e sorriu constrangido. -- Sim, senhora, mas, se ela no estiver com disposio de falar, peo licena... -- No, senhor -- disse Jennily, sorrindo. -- Estou honrada de ser visitada em meio a seu dia ocupado... Talvez o senhor queira olhar a charada? O rei assentiu, feliz por ela querer receb-lo agora, pois ele estava com uma estranha disposio que tinha certeza de que sumiria no dia seguinte. Jennily pegou um livro grande de poemas e abriu no meio, onde havia um pergaminho. Ela o entregou para Docknel, que leu duas vezes. Eles ficaram sentados em silncio por um tempo. -- Senhor? -- perguntou Jennily, constrangida por romper o silncio. -- O senhor consegue decifr-lo? Ele suspirou. -- Partes, senhora, embora ache que devemos consultar outras pessoas a cu aberto. Quero dizer, se voc e sua me aprovarem... As duas concordaram, ento Docknel, Jennily e Rolly, a ratinha de igreja, foram para o pomar.

Caderno verde Inverno de 2007

MEU CORAO ESTAVA DISPARADO. Minha cabea latejava e a lateral do meu corpo parecia doer mais do que o habitual. Olhei para o raio x enquanto meu estmago se revirava e meus olhos se enchiam de lgrimas. Eu estava nervosa. Ansiosa. Com medo. -- Mas o que isso quer dizer? -- perguntou minha me ao cara do raio x, a descrena bvia expressa pela sua sobrancelha erguida. -- Significa que h lquido nos pulmes dela, ento eles no esto se expandindo direito. Vamos dar uma cpia para vocs levarem para o mdico, e ele ou ela vai dizer o que fazer a partir da. Vrias perguntas me vieram  cabea, mas eu estava chocada e constrangida demais para dizer qualquer coisa. Muito lquido?  srio? J aconteceu antes? Quem sabe? Eu no sabia... -- Esther, ele est lhe fazendo uma pergunta. Eu voltei  realidade e concentrei toda a ateno que conseguia no homem. -- Voc pode ir andando at o mdico? Vivi com isso nos pulmes por trs meses e ele quer saber se consigo andar um quarteiro? -- , acho que consigo -- respondi com a voz um tanto instvel. -- Que bom. A secretria vai dar para vocs uma cpia do raio x, depois vocs entregam para o mdico. Tudo bem? Aguardem na sala de espera. Depois de nos mostrar para onde ir, fomos para l e nos sentamos. Minha me pensou os pensamentos dela e eu pensei os meus. No  incrvel que voc possa achar que uma costela doendo  um msculo distendido, mas na verdade  lquido nos pulmes? Meus pais acharam que era isso, um msculo distendido. Bem, deve ser s pneumonia ou tuberculose... mas espero que no. Eu podia ver os olhos da minha me perderem o foco... ela estava pensando em alguma coisa. Provavelmente sobre nossa casa. No momento, estvamos morando em uma rua perto de Cours Mirabeau. [Nota: A histria continua com a fictcia "Carly" como protagonista. Essa  a continuao da histria anterior e foi escrita na mesma poca. Os eventos, da forma como Esther escreveu, so verdadeiros -- realmente aconteceram com ela --, inclusive a maneira afiada com que expressa o sotaque francs.] Os pais de Carly voltaram para o quarto; o rosto do pai estava srio e o da me, inchado, com os olhos vermelhos. S porque ela estava chorando no queria dizer que a notcia era ruim, ela chorava muito, podiam ser lgrimas de alegria...

As dvidas eram muitas, mas, de alguma forma, deitada na cama do hospital com um tubo saindo da lateral do corpo, ela se agarrou a um fiapo de esperana. -- Carly. Um mdico entrou no quarto, com o rosto srio, seguido pela Dra. Janie e uma mdica desconhecida. A Dra. Janie apoiou a mo na cama de Carly com um sorriso fraco no rosto. quela altura, Carly conseguia sentir a tenso no quarto, ouvir o silncio pesado nos cinco segundos silenciosos em que ningum falou. -- Carly -- disse a Dra. Janie com seu sotaque francs. -- Viemos contarr uma coisa imporrtante, uma coisa difcil de falarr. Voc tem dificuldade parra respirrar h um tempo, e descobrrimos que  porrque tinha fluido nos pulmes. Bem, achamos que erra pneumonia, mas descobrrimos que voc tem um tumorr no pescoo. Assim, na quinta, vamos mandarr voc parra um hospital em Aix-en-Prrovence, porrque  especializado em crrianas com cncerr. Vamos converrsar com os mdicos de Aix sobrre seu caso, e eles so muito gentis, e vo cuidarr bem de voc. D'accord? On parles plus demain, mais je dois aller  un autre lugarr. Voc  muito especial, Carly. Et on touts t'aime! Plus tarde!

[Data exata desconhecida]

Minha cara Sophie Amelia Bush, Como voc est, querida? Suxburry est agradvel para voc? Eu gostaria muito de poder visit-la, mas acabamos de nos mudar para Delham Cottage e no consigo imaginar que tudo estar arrumado antes de pelo menos trs semanas, quando voc j ter ido embora. Muitos beijos! Sua, Esther G. Earl. etc. etc. ___ [Data exata desconhecida]

Querida Jane, Estou sentada  mesa desejando com fervor que voc estivesse aqui, pois cada dia  sem sentido e chato. Pratico o francs diariamente, e Madame Dupont disse que, se eu continuar nesse ritmo excelente, estarei na Frana, com voc logo, logo! Ah! Eu desejo muito visit-la em breve! Como est Patrique? -- bem, eu espero. Todos sentimos sua falta, principalmente mama! Jane, ela passa o dia dizendo que queria que voc estivesse aqui para "v-la envelhecer"! Ha, dou boas gargalhadas quando penso naquela histria que voc contou sobre mama ficando velha. Tenho que ajudar com o jantar. Des bisous! Com amor, Catherine Lilly Maffy Sua irm ___ [Data exata desconhecida]

Maria, Ma belle,

La France, c'est magnifique, j'elit, c'est parfait. Patrique continu  faire toret son traivaille, et je suis  la maison, sans rien a fay -- Et ba! Catherine  m'euire hier, et ce dit que vous sont en ai ennui. Pluff! Moi, j'ai beaucoup d'ennir aussi. Dit  mama que je t'aime, et je reviens depuis un moment! Sincerement, Jane Louise Maffy', la soeur Maria, minha bela, A Frana  magnfica, eu a escolhi,  perfeita. Patrique continua no trabalho, e eu estou em casa, sem nada a fazer -- aff! Catherine me escreveu ontem e disse que voc est entediada. Uff! Eu tambm ando bastante entediada. Diga  mame que eu a amo e que volto em breve! De corao, Jane Louise Maffy, sua irm ___ [Data exata desconhecida]

Querido dirio, 16 de junho de 1662 Hoje fiquei pensando. O que eu faria se vivesse no futuro? Bem, em primeiro lugar haveria mquinas com inteligncia prprias, e elas fariam qualquer coisa que eu pedisse. Em segundo, eu acabaria com a pobreza, e as pessoas no morreriam mais, a no ser que quisessem. Depois, no sei, estou cansada demais para pensar. Sua, Marie Therise Muffiline [Inverno de 2007 -- data exata desconhecida]

O som da campainha fez meu corao saltar, e corri para atender a pessoa seguinte. Fixei o olhar na garota do outro lado do balco, suas sobrancelhas estavam arqueadas at quase o topo da

cabea e tinha uma expresso irritada no rosto. Ela me olhou diretamente nos olhos e suspirou com impacincia. -- Voc vai perguntar como pode me ajudar ou vai s ficar a me olhando? Abri a boca para perguntar "como ajud-la", mas s consegui pigarrear. Minha mente estava processando o fato de que as garotas mais bonitas sempre parecem ser as mais grosseiras, o que resultaria no desejo incontrolvel de perguntar a ela por que isso acontecia, a no ser que eu mantivesse as palavras presas na garganta. -- Cara, qual  o seu problema?! No vai me atender? -- gritou a garota com as mos, ironicamente, nos quadris. -- Hmm, por que as garotas mais bonitas sempre parecem ser as mais... -- Eu parei, peguei um chiclete no bolso e o enfiei rapidamente na boca. -- Hmm, chiclete! Quer um...? Ela franziu a testa e fez uma careta. -- Posso falar com seu gerente? -- perguntou ela na mesma hora. -- Ah... na verdade, eu sou... eu sou a gerente... -- murmurei, tentando afastar o olhar das narinas dilatadas com pelos aparecendo. Comecei a sentir vontade de abrir o armrio de Mandy -- minha colega de trabalho --, pegar a pina dela e ento pular por cima da balco e arrancar todos os pelos do nariz da garota. Mas deixei isso de lado ao me dar conta de que Mandy tinha levado a chave do armrio para casa, e que tambm poderia parecer estranho. Mas meus pensamentos saram voando pelo nariz quando espirrei alto, o que fez a Chata parar no meio de uma frase. -- Voc -- Chata recomeou a falar, pois parecia que ela estava falando antes --  a gerente da Vidvine? Magoada pelo tom de incredulidade, eu assenti e comecei a perguntar educadamente o que ela queria. Mas, hahaha, ela me interrompeu. -- Voc no pode ser a gerente. Voc deve ter a minha idade, talvez menos. Ento, preciso... -- Ahhh -- falei, colocando as mos nos quadris em um gesto dramtico enquanto balanava a cabea rapidamente. -- Tenho dezessete anos. J me formei na escola e meu pai  o dono da loja, ento sou a cogerente. Chata ergueu as sobrancelhas e revirou os olhos. -- Tudo bem. Quanto custa esse saco de batatinhas, e eu conheo voc? Olhei para ela com o estmago embrulhado de irritao. -- Primeiro de tudo, voc estava fula da vida por causa de um saco de BATATINHAS? Segundo, se eu conheo voc,  da aula de teatro. Por dentro, eu ri da piada, mas mantive a expresso de irritao por pura diverso.

2009 -- Fico sobre bullying "Prlogo"

Quem comeou com essa histria de que garotos no choram? Meu pai uma vez comentou que "nunca tinha chorado na vida". Mas, posso s perguntar, se um garoto est completamente arrasado por causa de alguma coisa, ele deve baixar a cabea e ficar em silncio? O que devo fazer -- no chorar? Bem, eu preciso dizer que, se  esse o caso, vai ser difcil. ***** Tom e eu somos grandes amigos, sabe, sempre fomos. Ele pode estar s no segundo ano, mas gosta de esportes e de outras coisas das quais eu gosto, ento nos damos bem. Algumas pessoas, como Rufus E. Copan, implicam comigo por brincar com um garoto trs anos mais novo. Rufus E.  um garoto com o porte de um jogador de futebol americano que gosta de aterrorizar criancinhas e de puxar o saco dos professores. Mesmo que o pai, o Sr. Copan, seja o dono de um grande escritrio de advocacia e sua famlia doe muito dinheiro para a escola para que todos (a professora) gostem de Rufus E. Quer dizer, eu no ligo que ele implique comigo, mas  irritante, porque faz os outros garotos fazerem o mesmo. Hoje, por exemplo: no recreio, Tom e eu fomos para a caixa de areia perto dos balanos, onde sempre ficamos. Estvamos cuidando das nossas vidas, construindo uma cidade de areia e a destruindo com nossos ps gigantes quando Rufus E. e os "amigos" se aproximaram. No comeo, tentamos ignorar a presena deles, mas eles so uns idiotas que no nos deixam em paz. Eles derrubaram nossos prdios altos e nos chamaram de bebs. Eu tinha uma boa resposta: ", sou beb porque acho divertido brincar com um garoto mais novo, e voc no  beb porque finge ser duro e implica com as pessoas para ganhar autoconfiana, certo?" Rufus E. diria ento: "Ora, seu...!", mas eu daria um soco nele antes que ele conseguisse reagir. Em vez desse plano brilhante, eu gaguejei enquanto o sinal tocava e Tom e eu corremos rapidamente para as filas das turmas, gritando adeus. ***** POF! O som que pde ser ouvido era um baque suave, quase como uma ma podre caindo de uma rvore em uma floresta escura e assustadora, onde ningum conseguiria ouvir o sinistro... -- Rufus! Ah, cara! Eu estava sendo despertado mais uma vez pelos gritos da minha me me chamando do p da escada. (Cada vez que esse sonho comea, eu sou interrompido, no pude deixar de

notar.) Pulei rapidamente da cama aconchegante, porm fedida, coloquei os chinelos e corri escada abaixo. O sol brilhante da manh quase me cegou. -- A est voc, bobinho! -- disse mame, me dando um beijo na bochecha. -- Estava com medo de voc nunca acordar, o dia est quase acabando! -- Me -- no pude deixar de responder --, voc sabe que s se passou uma hora desde o caf da manh...? Ela olhou para mim no com uma expresso de repreenso, mas de curiosidade. -- Eu sei, querido, mas, se voc dormir o dia todo, o que vai acontecer  noite? Pensando em uma resposta, eu me sentei na cadeira de sempre e mordisquei sem entusiasmo meu XXX, o tempo todo pensando no motivo de ter dormido at to tarde. Claro, muita gente dorme at tarde, mas eu costumava acordar antes at da mame, ento por que hoje fora diferente? Dia aps dia, semana aps semana, estava virando rotina. Por dois meses seguidos eu dormi at tarde todas as manhs, at uma hora depois do caf da manh, quando mame me chamava e eu descia a escada mal-humorado. Na neoescola, eu quase no conseguia prestar ateno, a hora do recreio era quando eu comia e desenhava, quase sem pensar; na hora de brincar eu me sentava, abria um livro e fingia ler. Quando eu chegava em casa, tomava banho, jantava e ia para a cama... E ento tudo comeava de novo. De vez em quando eu fazia algo diferente -- uma caminhada at Kiko Lake ou o parque --, mas, fora isso, eu estava muito, bem, parecido com um zumbi. Mame estava preocupada. -- Rufus -- dizia ela constantemente --, voc est comendo seus legumes e verduras...?

Ce n'est pas Vrai Tu M'adores
[No  verdade que voc me ama] [2010- Fico, romance]

ENQUANTO ESTAVA ALI, vendo-a tagarelar sobre os sapatos que encontrara, no conseguia deixar de me perguntar qual seria a sensao de passar os dedos pelos cabelos dela. -- Voc quer ir? -- Ah. -- Levei um susto e tentei lembrar onde estava. -- Me desculpe. Eu estava, hm, pensando no... jantar. Ela olhou para mim com sobrancelhas erguidas, depois riu com um sorriso largo. -- Bem, jantar  bastante importante, certo? -- disse ela, continuando s depois que eu sorri. -- De qualquer modo, eu estava dizendo que na sexta vou ver um filme com Rene e Lily. Eu queria saber se voc quer ir... -- Como um encontro duplo? -- brinquei, piscando com exagero enquanto esperava secretamente que ela dissesse sim. Quem ligava se Lily e Rene eram htero? Surpresa, ela respondeu rapidamente: -- No. No, no. Tipo uma sada normal. Eu forcei um sorriso, mas deve ter parecido uma careta de dor, porque ela perguntou se eu estava bem. -- Sim, estou bem, agradeo! -- respondi, sorrindo. -- Vamos falar sobre voc. Como est? -- J no estvamos falando sobre mim? -- Ela deu um sorriso, e os lbios cobertos de batom rosa se ergueram lindamente. -- Acho que voc no se cansa de mim nunca, no ? Quando eu estava prestes a responder com sarcasmo, nossa comida chegou. Todas as vezes que samos, o garom troca nossos pedidos e entrega o prato de Kaitlyn para mim e o meu para ela. Desta vez, no foi diferente. -- Como eu estava dizendo -- prossegui, atacando com vontade a comida gordurosa e cheia de colesterol que Kaity tinha me entregado e empurrando a salada para ela, que estava com os lbios repuxados e dramticos (ela sempre me provocava dizendo que eu "adoro carne" e sinto nojo de comidas saudveis) --, como est o trabalho? No tenho visto voc ultimamente... Kaity fez beicinho e olhou para mim com um brilho divertido no olhar. Ela esticou o brao, deu um tapinha na minha mo que no estava segurando o hambrguer e fez um "aaah", sem perceber o formigamento que deixou nela ao se afastar. -- Estava com saudade da Kaity-Waity? -- brincou ela, rindo. -- Ha, ha. -- Franzi a testa. -- Voc ainda no me respondeu...

Ela parou, assumiu uma falsa expresso sria e finalmente disse: -- Bem, para ser sincera, o trabalho  uma droga. Estava tentando conseguir aquela promoo, mas a vaga foi ocupada por uma loura maluca de peitos enormes e bunda gigante. Kaitlyn era assistente de uma assistente (quem imaginaria?) da revista mais chique (acho que as outras revistas chiques esto erradas!) de Nova York, A Bolsa do Ladro. Pode parecer engraado, mas no tem absolutamente nada a ver com roubos, mas tudo a ver com bolsas e outros acessrios. Era sobre moda, e a chefe dela tinha fugido com a assistente editorial. Ela estava tentando conseguir uma daquelas vagas (de assistente editorial ou a da chefe), mas aparentemente no era qualificada. No entendo que qualificaes algum precisa ter para escolher um terninho metlico para o segundo lugar de "10 coisas que voc precisa ter no armrio", como na edio 3, volume 7 de A Bolsa do Ladro que Kaity me obrigou a ler. Foi uma tortura, eu me lembro. -- O editor da sua revista  homem? -- perguntei. -- Quem me dera -- disse ela, rindo --, mas no. Ela  mulher, mas acho que coelhinhas da Playboy andam estudando atualmente. -- Que pena que voc no conseguiu a vaga -- disse com sinceridade, mas tambm no me senti confortvel para falar sobre garotas peitudas com Kaity. -- Voc merecia. Afinal, elas podem arrumar emprego de stripper barra coelha e voc n... Antes que eu pudesse terminar, Kaity se inclinou e deu um tapinha na minha cabea, com as sobrancelhas erguidas e um meio sorriso na boca. -- S para deixar registrado -- declarou --, dizer para uma garota que ela poderia ser uma coelhinha da Playboy no  um grande elogio. Eu olhei para ela, me perguntando o que ela tinha acabado de fazer. Tudo bem, eu pensei lentamente, ela acabou de bater em mim, no ? E, e ela... -- H? -- Meus pensamentos, como sempre, foram interrompidos por Kaity, sua voz perdida em risadas e no desdm pelo meu comentrio. -- Ei, Jude, voc est bem? Se eu ganhasse um centavo a cada vez que algum acha que eu estou passando mal quando paro para refletir, nossa, eu teria muito dinheiro! Milhes, at. Ah, sim... Kaity estava me perguntando alguma coisa. -- H? Kaity, voc, mais do que ningum, devia saber que eu me distraio s vezes! E no -- interrompi quando ela comeou a dizer alguma coisa --, no vou ao mdico. Silncio. Mastiga, mastiga. Pigarreio. Isso j tinha acontecido quando contei para outras pessoas, mas no com Kaity. J fiz esse "e no, blblbl" antes, mas Kaity sempre riu, ou algo do tipo. Droga... -- Jude?

Ergui o olhar da batata frita que estava mergulhando no ketchup. -- Sim, querida? -- Jude, eu... bem, eu... -- gaguejou ela, como se estivesse temporariamente incapaz de falar. -- E-eu... estou saindo com uma pessoa. -- Hm. Ok. Isso foi difcil falar, hein? -- Ele  timo -- disse ela rapidamente, fazendo um gesto de nervosismo tpico dela -- e legal.  o irmo da segunda esposa do pai do irmo postio do sobrinho da minha chefe. Fiquei boquiaberto. -- Uau. -- , , . E a sobrinha da minha chefe foi a uma de nossas conferncias, ela quer ser auditora, quer dizer, editora. -- Aqui ela suspirou e sorriu diante da prpria burrice. -- E me apresentou para uma foto do irmo dessa segunda esposa. Ela voltou uma semana depois e me apresentou para o corpo desse cara, e na verdade ele trabalha para A Obra de Arte! -- concluiu ela com entusiasmo, esperando minha resposta. Escondi minha confuso da melhor maneira possvel, fiquei de p e corri para abra-la, obrigando-a a ficar de p e dando gritinhos histricos. Espere, por que eu estava feliz? -- Ento ele lhe ofereceu um emprego! -- falei, sem querer ferir mais os sentimentos dela e para descobrir se era verdade. -- O qu? -- Ela parou e se sentou, com uma expresso confusa no rosto. -- Quem? O cara da foto? -- ... ele! Voc saiu com ele e ele lhe ofereceu um emprego, no ?  por isso que voc est empolgada? -- Eu j tinha me sentado tambm e fiquei com vergonha pelo silncio. -- Afinal, ele  editor. Isso deve querer dizer alguma coisa... -- Hmmm -- murmurou ela, depois de ficar um tempo pensando --, quer sim. Dizer alguma coisa,  claro. Quer dizer. -- Ela parecia alerta agora, bebericando a cerveja. -- Editores decidem quem vai e quem fica. Mas, Jude, no  por isso que estou saindo com ele. Fiquei olhando para ela. Eu s vi Kaity usar homens, nunca se envolver de verdade. Hmm, talvez ela tenha mudado, afinal. Olhei para ela por um segundo, para seus belos olhos verdes, os lbios vermelhos sedutores bebendo refrigerante, as muitas sardas que ela, ao contrrio de muitas garotas, tentava destacar, o cabelo castanho comprido, ondulado e desgrenhado. Ela era mais bonita do que a Mona Lisa, mais desejada do que a Torre Eiffel, mais hipnotizante do que o oceano da Espanha na primavera... a perfeio ideal. Mas tudo que tnhamos era nossa amizade; eu era a pessoa com quem ela compartilhava segredos, com quem fazia piadas e a nica que deixou que a visse sem maquiagem. Depois de uma pausa, ela prosseguiu:

-- Estou com ele porque, bem, eu gosto dele mesmo. Eu mencionei que  comigo que ela fala sobre homens? Eca. Que timo, n? -- Ele... ele  legal, gentil, sexy, divertido, gostoso e, depois do encontro... Devo ter murmurado alguma coisa encorajando-a a prosseguir depois de um longo silncio. Foi "Hmm?", na verdade, quando o que eu estava tentando dizer era: "Tem certeza de que ele no  um babaca como todos os outros com quem voc transou? E para que essa pausa?", porque ela continuou. -- Ah, Jude! -- Ela suspirou como se estivesse nas nuvens. -- Ele  timo! No nosso primeiro encontro, fomos ao Le Diamonde... sabe o restaurante francs na Second Street? Cheguei l depois dele e ele estava me esperando no terrao!  que ele conhece os donos, ento montaram um lugar especial para a gente. Ns rimos, conversamos e nos conhecemos melhor. Ele  de Baltimore e fez escrita criativa na faculdade. Olha s, ele estudou em Harvard e fez direito!! Eu estava com uma expresso sria. Por fora, pelo menos. Por dentro, estava morrendo de raiva. Esse cara foi para Harvard isso e Harvard aquilo enquanto eu mal me formara na faculdade comunitria isso, e nada daquilo. Aquele psicopata tinha se formado como escritor e agora era editor de A Obra de Arte enquanto eu me formara em direito e tinha aberto um restaurante italiano desconhecido qualquer, com salrio nenhum (bem, ganho um dinheiro digno, mas nada comparado ao Senhor Poderoso)! O Sr. Idiota estava namorando Kaity. A minha Kaity! Caramba! Posso ter perdido minha chance com ela dez anos atrs, mas isso no quer dizer que no posso conquist-la de novo. Aff, parece uma porcaria de romance de guerra meloso. -- Ele quer me ver de novo -- concluiu ela, sem perceber o que eu estava sentindo. -- No  timo? A ltima pergunta foi meio retrica, mas, como eu no conseguia pensar em nada para dizer, respondi educadamente dizendo: -- Hmmmm, ... timo. Ela deu um daqueles sorrisos enormes de "acabei de ganhar um milho de dlares na loteria", com o rosto brilhando e os traos mais evidentes do que antes. Sem brincadeira. -- Vamos sair na sexta  noite -- disse ela com cautela, e eu no entendi o por qu. Houve uma pausa e ento percebi. Sexta era quando ns, Kaity e eu, amos jogar boliche. Vnhamos planejando isso havia duas semanas porque a agenda de Kaity  muito complicada. -- Kait,  no dia em que a gente ia sair, no ? O sorriso dela estava sumindo junto com o brilho, e eu normalmente pararia para ela recuperar os dois. Mas eu no conseguia. Eu estava triste. Gosto dela h tanto, tanto tempo, e todas as vezes que chego perto de contar para ela, ela me d um fora. No de propsito, mas mesmo assim. Um fora  um fora, certo? -- Jude... podemos remarcar...

-- Kaity, voc no quer passar um tempo comigo? -- Tentei me acalmar, mas minha voz saiu mais alta do que o normal. -- Voc no gosta de ficar comigo? Estamos planejando isso h tanto tempo! Caramba, Kait. Talvez, entre transar com o primeiro cara que aparecer e qualquer outro, voc pudesse encontrar um tempo para mim. Tenho um problema. Ou no falo o bastante ou falo muito. E agora que  tarde demais, percebi que disse a coisa errada. Ela quase parecia zangada, assim como a voz dela. -- Eu no... eu no... eu no... -- Ela parou e passou de dentes trincados a um sorriso forado. -- Bem, Jude, tenho que ir. Obrigada pelo almoo. Ela recolheu suas coisas e saiu antes que eu pudesse perceber o que tinha acabado de acontecer. Ento notei que no descobri o nome do cara da foto. Se tivesse, poderia encontr-lo na lista telefnica e ir dar uma surra nele. Andei pela rua familiar da minha casa at o metr e s consegui pensar em, bem, Kaity. E na tarde de ontem. -- Com licena! Ergui o rosto a tempo de ver um homem de bicicleta passar bem onde eu estaria se no o tivesse visto. Mas uma garota ruiva no pareceu perceb-lo, e o Cara da Bicicleta aparentemente no desviaria para evitar a coliso. -- Cuidado! -- gritei, me preparando para pular e tir-la do caminho dele caso ela no me ouvisse. Felizmente, ela ergueu o olhar, me viu e viu o Cara da Bicicleta e foi para a rua, onde uma minivan que estava passando quase a atropelou. Ela passou andando por mim com uma expresso neutra, nem um pouco abalada, e parecia que s eu tinha visto o que o Cara da Bicicleta fizera. Eu corri atrs dela espumando de raiva. Eu tinha acabado de salv-la de uma ida ao hospital, se no a vida dela ( exagero, mas poxa)! Eu mereo um "obrigada", valeu! -- H-hm -- pigarreei de maneira nada discreta. Ela olhou para mim, e levei um susto ao ver olhos verdes inexpressivos olhando direto para mim. Ela disse: -- Obrigada por salvar minha vida. Foi um grande favor, te devo uma. -- Ela ficou em silncio, e achei estranho no estar mais agradecida. -- Obrigada de novo -- concluiu ela, apertando a minha mo, e saiu andando. A surpresa foi grande. Mais uma vez, ela mal olhou para mim, e quando saiu andando com suas botas azul-claras de salto, me senti um brinquedo que, quando o dono ganhara um novo, fora

posto  venda. Sa correndo atrs dela, nesse momento me sentindo um brinquedo vai-e-volta. -- Com licena, senhorita, mas voc est bem? Perfeito, eu sei. Ela olhou para mim com desconfiana, ainda sem parar de andar. -- Estou... bem, obrigada. Pela primeira vez, ela deu um sorriso, e foi uma surpresa agradvel ver a forma como os lbios vermelhos contrastavam com a pele clara. Olhei de novo para as botas e desta vez reparei que ela estava usando uma cala skinny vermelha. Nossa, era de uma cor muito intensa, no sei como no percebera antes. Vi tambm que estava usando uma regata branca apertada (que ficava muito bem nela, se  que voc me entende) com um casaco preto de boto e o cabelo preto e liso caindo nos ombros. Uau.

Amigos de Esther,

S QUANTUM, MAS S ACHUS ETTS ,

2010

AGRADECIMENTOS
Primeiro ns gostaramos de deixar claro que este livro  de Esther. Como seus pais, colocamos nossos nomes nele -- o que nos deixou muito felizes! Nosso maior desejo  que voc, leitor, passe a ter uma compreenso mais profunda sobre os mistrios da vida e entenda a esperana que vem com o amor. Para Julie Strauss-Gabel, nossa editora, e toda a equipe da Penguin Young Readers, mas especialmente para Rosanne Lauer, Elyse Marshall e Irene Vandervoort. Obrigado por acreditarem em ns e por cuidarem to bem da histria de Esther. Para nossa agente, Jodi Reamer, obrigado por fazer toda a magia se realizar. Mal podemos esperar para fazer de novo! Para John Green, amigo de Esther e seu autor favorito. A estrela de Esther brilha mais porque voc resolveu defender sua causa. Sua generosidade e compaixo infinitas tornaram tudo um pouquinho mais fcil para nossa famlia. Nunca poderemos agradecer o suficiente. Voc  to bom e brilhante quanto as pessoas acham que voc ! Para as equipes mdicas da The Jimmy Fund e do Children's Hospital em Boston, obrigado pelo bom trabalho que fizeram por ns e continuam a fazer por tantas pessoas. Obrigado aos nerdfighters e ao Catitude por apoiarem Esther, especialmente quando as coisas ficaram mais difceis. Vocs deram a ela um lar na internet e uma esperana na vida real. Sem seu amor, no haveria uma constelao onde encaixar nossa Estrela! Para todos os iluminados que ajudaram a transcrever os dirios, textos, publicaes on-line de Esther e outras coisas. Vocs so um presente! Para Alexa Lowey, melhor amiga de Esther, por todas as lembranas e por criar a frase que levamos em nossos pulsos e em nossos coraes: "This Star Won't Go Out." Obrigado s nossas famlias, Earl e Krake, que apoiaram Esther e a ns de todas as maneiras, e que concordaram desde o comeo que nosso pacotinho de luz com cabelos emaranhados era um presente para o mundo.

Aos nossos filhos lindos, Abigail, Evangeline, Graham e Abraham, que amavam muito sua irm e que sentem muita saudade dela. Obrigado por darem a seu pai e a sua me o espao para sofrer e escrever. Sabemos que seus coraes tambm esto despedaados, e apesar de no podermos proteg-los da dor, sempre vamos am-los, am-los e am-los, no importando o que acontea! Finalmente, a Esther Grace. Era muito fcil amar voc! Descanse e seja incrvel, pequenina. Ns sem dvida vamos nos ver de novo.

Voc pode ler/ver mais sobre Esther Earl e Lori e Wayne Earl aqui:*
Canal do YouTube da Esther: youtube.com/user/cookie4monster4 Caring Bridge: caringbridge.org/visit/estherearl Blog do Wayne: timeforhope.blogspot.com/

Esther Day (Dia de Esther):*
John Green anuncia a criao do Esther Day (Dia de Esther): youtube.com/watch?v=ixr4YISTmck Esther Day 2012: youtube.com/watch?v=VFX3uu6VyyU

TSWGO Foundation:*
Site: tswgo.org Facebook: facebook.com/TSWGO Tumblr: tswgo.tumblr.com

Agradecemos a todos cujas contribuies inestimveis tornaram este livro possvel
 uma moa excessivamente alta que nasceu no Colorado, onde trabalha como massagista. Seus passatempos incluem ioga, concertos musicais, passeios de barco com a famlia e vrios projetos para a nerdfighteria, que  seu segundo lar.  conhecida no Twitter, no Tumblr e, basicamente, em todos os lugares por: itfeelslikegold.
LINDSAY BALLANTYNE

 formada em culinria e conheceu Esther no final de 2009. Ela mora em Connecticut, onde passa o tempo jogando video games, desperdiando vrias horas nas mdias sociais, sendo uma nerd e analisando tudo ao seu redor.
SARA (CLEVERESTWITCH) BANFIELD

 nativa de Ohio e atualmente estuda letras em Cleveland. Faz parte do quadro de diretores da Foundation to Decrease Worldsuck [Fundao para Diminuir as Coisas Ruins do Mundo] e tem planos para continuar sua formao acadmica e completar um mestrado em biblioteconomia.
VALERIE BARR

e seu irmo mais novo, Joe, criaram a banda Harry and the Potters, em 2002. Eles so citados como os fundadores do rock bruxo (um gnero de msica baseado em Harry Potter) e passaram a maior parte da dcada passada em turns pelos Estados Unidos e pelo mundo. Paul tambm  cofundador da Harry Potter Alliance e faz parte de seu quadro de diretores, exercendo o cargo de Diretor de Campanhas e Operaes. Ele e a esposa, Meredith Moore, possuem e administram a Wonder Fair, uma galeria de arte e loja de design na linda Lawrence, no Kansas, onde residem. On-line: harryandthepotters.com. Twitter: @hatp.
PAUL DEGEORGE

 um estudante de cinema e estudos de mdia na American University, e faz parte da equipe de voluntrios da Harry Potter Alliance,  qual foi inspirado a se juntar, em parte, por causa do entusiasmo de Esther e por seu apoio  organizao. Ele  um membro do Catitude, um nerdfighter desde meados de 2007 e sente muita saudade de Esther. Voc tambm pode encontrar os vdeos dele em: http://youtube.com/ittakesii.
JULIAN GOMEZ (@ittakesii)

 nativa de Ladera Ranch, Califrnia, e agora frequenta o primeiro ano na Universidade da Califrnia, em Davis, onde faz teatro e compete na equipe de remo feminino. Ela  uma nerdfighter desde 2008, faz parte do Catitude desde a sua criao e agora passa seu tempo atuando, trabalhando com as escoteiras, postando no vlog, chorando por causa de personagens fictcios e colecionando meias legais. YouTube: holeysaintgeorge. Tumblr: holeysaintgeorge.
TERYN GRAY

 um autor premiado e campeo de vendas internacional. Seus prmios incluem a Printz Medal, o Printz Honor e o Edgar Award. Ele foi duas vezes finalista do prmio literrio do LA Times. Com o irmo, Hank, mantm o canal do YouTube "Vlogbrothers" (youtube.com/vlogbrothers), um dos projetos de vdeo on-line mais populares do mundo. Junte-se aos mais de um milho e meio de pessoas que seguem John no Twitter (@realjohngreen) e no Tumblr (fishingboatproceeds.tumblr.com) ou visite-o em johngreenbooks.com. John mora com a famlia em Indianpolis, Indiana.
JOHN GREEN

 uma organizao sem fins lucrativos que torna a mudana social acessvel aos jovens atravs do poder das histrias. A HPA rene fs, ativistas e nerdfighters para formar uma Armada de Dumbledore do mundo real, trabalhando ativamente para diminuir as coisas ruins do mundo. Desde 2005, a HPA faz com que milhes de jovens se transformem nos heris sobre os quais leem ao lutarem pela igualdade, pelos direitos humanos e pela alfabetizao. Se voc j desejou um oitavo livro de Harry Potter, a Harry Potter Alliance est transformando isso em realidade! Filie-se hoje em thehpalliance.org. Voc pode seguir a HPA no Twitter (@TheHPAlliance) e no Tumblr (thehpalliance.tumblr.com).
THE HARRY POTTER ALLIANCE

tem uma relao complicada, mas feliz, com seu estado natal, o Texas. Um dia, ela vai comear uma carreira de rapper, mas, at l, continua tendo que pagar as parcelas do financiamento e frequenta a Universidade do Texas, em Dallas.
MANAR HASEEB

 nativo de St. Louis, formado, e est envolvido com a nerdfighteria desde 2008. Ele  da Corvinal e ama livros, rock pauleira e Star Wars, entre muitas outras obsesses nerd.
PAUL HUBER

 nativa de Iowa e atualmente frequenta um programa de mestrado na Universidade Estadual de Bowling Green, em Ohio. Ela tem uma queda por algodo-doce, camisetas nerds espalhafatosas, coisas amarelas, e vrgulas opcionais.
MORGAN JOHNSON ALYSIA "LYSH" KOZBIAL aspira se tornar uma escritora e atualmente mora em Ohio. Est envolvida

com os fs de Harry Potter e com a nerdfighteria h muito tempo, gosta de longas caminhadas sob as estrelas e sabe que a mais brilhante de todas  provavelmente Esther. mora no estado de Nova York. Ele gosta de diverso e de coisas boas, e sente um desconforto comedido e razovel em relao s coisas ruins.
ANDREW KORNFELD ALEXA LOWEY

 de Medway, Massachusetts, onde teve a sorte de comear a sua amizade com Esther no primeiro ano. Para homenagear Esther, juntamente com uma amiga em comum, Melissa Mandia, ela criou as pulseiras verdes com a frase "Essa estrela nunca vai se apagar". Alexa

disse que a ideia da frase "simplesmente surgiu". Ama a famlia e os amigos mais do que qualquer coisa no mundo e  grata por fazer parte deste livro. mora na Flrida, onde frequenta uma faculdade comunitria. Ela foi convencida por um membro do Catitude, Lindsay, a escrever para este livro.
BLAZE MITTEFF

estuda filosofia e literatura na Universidade de Boston. Ele mora em Boston na vida real e na nerdfighteria on-line.
ARKA PAIN

faz parte da diretoria da is Star Won't Go Out Foundation e  membro do Catitude desde a sua criao, em 2009. Ela  uma estudante de optometria e nasceu em Miami, Flrida. Vive atualmente em Boston, Massachussetts, e ama, sobretudo, ficar deitada em um sof ao final de um longo dia, assistindo a um bom programa de tev com uma xcara de ch quente na mo. Arielle criou a fonte baseada na letra de Esther que foi usada na verso impressa deste livro especialmente para este projeto.
ARIELLE ROBERTS

 o cofundador e diretor-executivo da Harry Potter Alliance (HPA) e faz parte da diretoria da is Star Won't Go Out Foundation. Bolsista da Nathan Cummings Foundation, Andrew est trabalhando na Imagine Better Network: um movimento sem precedentes que vai alm de Harry Potter e atinge todos as comunidades de fs. Membro da fraternidade Phi Beta Kappa da Universidade Brandeis, Andrew j escreveu para o LA Times e a CNN, foi elogiado pela NPR e pelo New York Times e apareceu na capa da Forbes.com. Comediante em tempo integral, conhecido por seus discursos inspiradores e engraados, inclusive no TEDx, em Harvard, e como palestrante magno no Frum do Prmio Nobel da Paz.
ANDREW SLACK

nasceu e foi criada em Nova York e atualmente estuda cinema em Michigan. Grande parte de seu corao pertencem a Jesus, Will Smith, One Direction e animao em stop motion.
SIERRA SLAUGHTER DRA. JESSICA SMITH  mdica endocrinologista do Boston Children's Hospital.

 uma nerdfighter de vinte e um anos que vive na rea metropolitana de Seattle, Washington. Destiny participa dos nerdfighters e do Catitude h mais de cinco anos e lamenta muito no poder contatar Esther on-line a quase qualquer hora do dia ou da noite.
DESTINY TARAPE

 outra integrante do Catitude. Ela  de Minneapolis, alimenta um amor especial por peixes-boi e por iniciar projetos irrealistas. Twitter: @katiefab. YouTube: kaytaaay.
KATIE TWYMAN

* Contedo em ingls. (N. do E.)

Sobre os autores

LORI E WAYNE EARL so os pais de Esther Earl e fundadores da organizao sem fins lucrativos is Star Won't Go Out (tswgo.org), que atua ativamente nos Estados Unidos desde 2011 e j ajudou milhares de crianas com cncer e suas famlias.


